O papel do acesso aberto para a disseminação do conhecimento

A aproximação entre as áreas da ciência e da cultura ganhou recente fôlego em Portugal com o lançamento do projeto Conhecimento para Todos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

Tendo como ponto central o acesso aberto ao conhecimento científico produzido com recursos públicos, uma prática crescente na Comunidade Europeia, o ministério lançou, em fevereiro último, as bases para uma Política Nacional de Ciência Aberta que, mesmo com foco específico, não deixa de lado a cultura enquanto lugar de interdisciplinaridade, criação e experimentação.

Portal dá acesso a milhares de

Repositório português dá acesso a mais de um milhão de documentos de caráter científico

Acreditamos que a ciência, o saber, a cultura… o conhecimento, em síntese, constitui um bem de maior grandeza, um bem público, pertença de todos e que a todos deve beneficiar e ser concedido”, diz o texto que apresenta os princípios orientadores do projeto. “Como bem comum, a sua promoção é crucial, devendo ter um papel central nas políticas públicas“.

Vantagens do acesso aberto
Muito se discute sobre o ‘encastelamento’ dos resultados da produção científica (teses, dissertações, monografias, artigos) em publicações de acesso restrito, dificultando a disseminação do conhecimento: os custos de assinaturas das revistas científicas são considerados altos e o acesso a repositórios online torna-se, então, uma saída viável e acessível aos pesquisadores – sem, contudo, colocar em risco os direitos de seus criadores.

As vantagens do acesso aberto, explicam especialistas, são muitas, desde a visibilidade do conteúdo, que passa a ser indexado pelos grandes motores de busca, ao aumento das citações do autor relacionadas aos temas de investigação.

Com suporte de várias instituições de ciência, tecnologia e inovação, Portugal mantém um Repositório Científico de Acesso Aberto, onde estão agregadas e indexadas dezenas de bases de dados abertas do país, que hoje contam com mais de 1,3 milhão de documentos.

O Brasil, único país estrangeiro presente, aparece na lista com o diretório Oasisbr – mantido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Memória da internet
Outra iniciativa relevante, apoiada pelo MCTES, é o
Arquivo da Web Portuguesa (arquivo.pt), onde se acessam páginas de internet arquivadas desde 1996.

Primeira página web de Portugal (1996) pode ser conhecida no arquivo.pt

Primeira página web de Portugal (1996) pode ser conhecida no arquivo.pt

O intuito é a preservação da informação digital, tendo em vista o grande volume atual de conteúdos online e a perda relevante de sítios de referência com o passar dos anos.

A preservação realiza-se de forma automática: diariamente, é feita uma recolha de 300 publicações selecionadas e a cada 3 meses, todos os sites sob o domínio .pt são guardados. São ainda preservados sites sob outros domínios, como .org, .com ou .eu.

Após a recolha, a informação é processada para que se torne pesquisável e acessível. No inicio de 2016, encontravam-se arquivados cerca de 2,7 milhões de arquivos (95 TB de informação!!). O projeto ainda recebe indicações de qualquer pessoa sobre endereços interessantes para preservação.

*Esse texto é resultado de participação em missão do Ministério da Cultura (MinC) a Portugal (Lisboa) e Reino Unido (Londres), entre os dias 4 e 8 de abril de 2016, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em sistemas de informação e acervos digitais de cultura. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

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Um comentário sobre “O papel do acesso aberto para a disseminação do conhecimento

  • Adorei o artigo principalmente a dica de acessar o arquivo.pt, não sabia que existia este site de indexar paginas antigas da web. Com certeza vou dar uma olhada pra ver se acho algum site de remover tatuagem sem laser para achar bons artigos acadêmicos que falem deste assunto.

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