Onde a memória quilombola tem vez

O blogue Memórias Digitais dá sequência a uma série de posts sobre os projetos selecionados no edital Preservação e Acesso aos Bens do Patrimônio Afro-Brasileiro, lançado em 2013 pela secretaria de Políticas Culturais (SPC) do Ministério da Cultura (MinC) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Finalizados em dezembro de 2015, os acervos digitais resultantes das pesquisas estão disponíveis no Tainacan – solução, em versão beta, para a disponibilização online de acervos da parceria entre MinC e Universidade Federal de Goiás (UFG).

 

Outra iniciativa contemplada pelo edital MinC/UFPE Preservação e Acesso aos Bens do Patrimônio Afro-Brasileiro, finalizado ano passado, foi o projeto Arquivo e Memória Quilombola: construção do acervo de comunidades quilombolas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

A proposta tinha por objetivo mapear, resgatar, compilar, catalogar, sistematizar e difundir na web produções simbólicas e materiais concebidas pelas comunidades ou que tratem sobre elas.

O projeto se desenvolve por meio da parceria entre as Universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal de Santa Catarina (UFSC) e Federal do Paraná (UFPR). Existe ainda a articulação com outra proposta selecionada pelo edital MinC/UFPE,  Acervo Digital e Guia Qualificado Acadêmico sobre a produção quilombola localizada nos acervos das instituições de ensino superior dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Em 2014, a comunidade quilombola Paiol da Telha foi reconhecida pelo Incra PR

Em 2014, a comunidade quilombola Paiol da Telha foi reconhecida pelo Incra PR

A linguista Ana Josefina Ferrari, que atua na ação no Paraná, conta que os cerca de 3 mil documentos, entre textos e fotos,  já foram levantados e constituem parte importante da história das comunidades.

Cultura em movimento
Segundo ela, estão registrados processos importantes como a regularização fundiária da Comunidade Quilombola Paiol de Telha, no município de Guarapuava – primeiro território com esse perfil reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná.

Na opinião de Ferrari, o importante é que o projeto tenha continuidade e que seja um arquivo vivo sobre esses povos. “Acho essencial pensar que não se trata de uma ação apenas para preservar algo, pois não estamos nos relacionando com uma cultura estática”, reflete. Pelo contrário, ela se desenvolve ao longo do tempo”.

“Nós, do meio acadêmico, precisamos ouvir o que eles têm a dizer, sem agir de forma assistencialista e sem achar que os quilombolas estão fechados em uma redoma”, pondera a pesquisadora.

O blogue que reunirá todos esses conteúdos está em desenvolvimento e deve entrar em funcionamento em breve, tendo em vista o volume de informações que serão disponibilizadas.

Pesquisadores interessados em participar do novo edital para acervos digitais MinC/UFPE, com foco em Povos Originários do Brasil, têm até o dia 10 de fevereiro para se inscrever. Acesse o edital.

Texto: Marcelo Araujo (SPC/MinC)
Foto (destaque): produção de abóboras no quilombo Porto Velho (SP)/Mariana Sucupira (Incra)
Foto (matéria): Paulo Henrique Carvalho (MDA)

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