Os tesouros preservados na Torre do Tombo

Um dos arquivos mais antigos da Europa, a Torre do Tombo em Lisboa, cuja origem encontra-se no longínquo século 14, guarda milhares de documentos relacionados à história de Portugal desde o século 9.

O documento mais antigo da Torre do Tombo data de 882

O documento mais antigo da Torre do Tombo data de 882

Disponibilizar para acesso público parte dos “100 km de documentos”, como mensurou um dos técnicos do arquivo, é um desafio que demanda recursos tecnológicos, humanos e financeiros de forma continuada.

Ligado à Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), órgão do Ministério da Cultura de Portugal, o hoje Arquivo Nacional Torre do Tombo é cabeça de rede dos arquivos portugueses, que têm como principal produto o Portal Português de Arquivos, que reúne hoje 27 entidades do país, e disponibiliza para pesquisas online as bases de dados da biblioteca DGLAB e do próprio arquivo.

Para destacar parte dos ‘tesouros’ preservados, foram realizadas curadorias que geraram exposições virtuais, demonstrando a relevância dos fundos e coleções documentais a partir de temas específicos.

Das inquisições ao terremoto de 1755, passando por personagens históricos e a conquista de territórios ultramarinos, dentre muitos outros recortes, estão disponíveis dados relacionados aos objetos digitais (metadados), assim como suas imagens para download e reuso. No total, são mais de 180 mil objetos acessíveis na web.

Arquivo Ultramarino
Ano passado, um novo desafio se colocou para a instituição: o Arquivo Histórico Ultramarino, que contém documentos relativos à
administração ultramarina portuguesa, de meados do século 17 até meados da década de 1970, passou à tutela do DGLAB, com o objetivo maior de ampliar o acesso e garantir a sua conservação.

Reunião da missão do MinC com equipe do Arquivo Nacional em abril deste ano

Reunião da missão do MinC com equipe do Arquivo Nacional em abril deste ano/Arquivo pessoal

Neste ponto, a cooperação com a brasileira Fundação Biblioteca Nacional (FBN) tem muito a acrescentar, tendo em vista que a Biblioteca Nacional possui hoje dados sobre mais de 100 mil destes documentos online – que também estão agregados na recém-lançada Biblioteca Digital Luso-Brasileira.

Mas dentre os documentos mais buscados no arquivo nacional, a história das famílias e suas origens (genealogia) têm destaque. Nestes casos, o arquivo indica os caminhos de pesquisa aos interessados, tendo em vista o grande volume de informações disponíveis sobre o assunto.

Diante deste quadro, a Torre do Tombo aposta na digitalização como a melhor forma de preservar e garantir a autenticidade dos documentos de tão diferentes tipologias.

Para isso, investe atualmente na revisão dos metadados, com o intuito de fornecer mais informações e facilitar as buscas (inclusive contando com a participação de usuários via crowdsourcing), e na garantia de infraestrutura tecnológica adequada para uma base de dados sempre crescente.

Imagem (destaque): Lisboa antes e depois do terremoto de 1755/Torre do Tombo

*Esse texto é resultado de participação em missão do Ministério da Cultura (MinC) a Portugal (Lisboa) e Reino Unido (Londres), entre os dias 4 e 8 de abril de 2016, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em sistemas de informação e acervos digitais de cultura. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

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