Do Acervo

Sin título

Durante quase dois meses de oficina, conseguimos produzir coletivamente uma dezena de vídeos-fragmentos, partes desse mapeamento incompleto da regiao sul do Pará, alguns desses vídeos estao disponíveis no link abaixo. Que estas imagens e vozes possam servir como mais um mecanismo possivel, documentos cuja potencia pode residir na possibilidade de romper a invizibilizaçao imposta sobre os povos da Amazônia brasileira.

www.youtube.com/channel/UCg90qNfD9BkaZ2wz8GgMMdg

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Começamos as práticas em vídeo, dado o curto espaço de tempo decidimos focar os trabalhos na realização de entrevistas, começamos por exercitar no interno para depois ir a campo, cada participante escreveu uma auto-biografia, para servir de texto de pesquisa ao outro. Formaram-se duplas, os textos foram trocados, após a leitura perguntas foram formuladas. Primeiro um, depois o outro, treino com a SLR, treino de entrevista, conhecimento mutuo, aproximação dos participantes, construção de vínculos, de afeto, de re-conhecimento e respeito. Dessa prática primeira sairam trechos valiosos que oferecem um micro-mapa das subjetividades participantes da ocupação, estes vídeos também aguardam para serem editados, quem sabe uma colagem de trechos… ficamos no aguardo quanto a isso, seguimos…

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No lab, começamos a mapear personagens que fossem simbólicos, guardiões da história social desse território de imigrações e ciclos de exploração econômica, alguns nomes foram citados: Lurdes [trabalhadora da feira], Seu ZUZU [85 anos, morador de SFX a mais de 40], Seu Viana [compositor e poeta cordelista], Padre Danilo [militante da Comissão Pastoral da Terra], Angelo [integrante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais] … outros foram aparecendo pelo caminho, Akjaboro e Nhakê Kayapó, este último avô de Bepjere, participante da ocupação…

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Algumas entrevistas ainda estão pendentes, outras ja foram decupadas, algumas ja em processo de edição, a expectativa é de encerramos esse processo com tudo hospedado em blog coletivo até o final dessa semana, para que no sábado possamos realizar uma mostra do material como encerramento do projeto…

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Assim, agora mais como um núcleo de produção que como um espaço de oficina, vamos ocupando… seguindo… rumo a um acervo de imagens e micro-docs, muito trabalho ainda por vir nesses últimos dias, o que é bom, apressa o tempo e anestesia as saudades de casa. Logo mais é daqui que sentirei falta.

Viagem ao Acervo Clement

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Por indicação de Diego, um participante da ocupação no CEU SFX, fomos ao Restaurante Xingu Lodge, onde além de experimentar um peixe (a) Delícia, tivemos – eu, Gleison e André – a honra de conhecer a história de George Clement vendo as imagens que esse americano fez pelos quatro cantos do mundo. Quem nos conta é Sônia Clement, sua esposa, guardiã desse incrível acervo de imagens e objetos – também existem muitas esculturas e máscaras ritualísticas no espaço – e dessa memória oral. Depois de uma experiência traumática na guerra da Coréia, Clement decidiu nas palavras de Sônia fazer o que queria, pegou sua Canon – até hoje guardada – e rodou por todos os continentes, registrou a vida no Tibet, rituais na África, até chegar ao Xingu no início da década de 80, muitas das imagens retratam esse momento da região, muitas delas registram a vida e a cultura Kayapó. Clement infelizmente ja faleceu, de modo que não podemos conhece-lo a não ser por essas imagens relíquias, e dessa rica história que transborda a cada conversa com Sônia, entre uma garfada e outra vamos aprendendo, e nos surpreendendo, ai digo a André, “era essa vida que eu queria pra mim” rss … quantos personagens incríveis sigo conhecendo em um tão curto espaço de tempo.

Dos trabalhos internos >>>

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Como parte de um processo de aproximação dos participantes com uma possibilidade de articulação em rede, de fortalecimento mútuo de grupos independentes e de outras vias de comunicação, realizamos um momento de trabalho web, desde email para os que ainda não tinham, cadastro na plataforma culturadigital.br, e um passeio por canais de comunicação independente [amazônia em chamas, CMI, laboratório de mídias autônomas]. Este trabalho também é uma etapa rumo a construção de um blog coletivo no qual os membros poderão hospedar e divulgar os micro-docs que tem realizado com alguns personagens chaves de SFX.

Expedição Remansinho

Quando vai chegando julho, e com ele o verão no equador, as águas do rio Xingu descem, enquanto os bancos de areia parecem subir. Não se trata só da temporada turística que está por vir, mas de toda uma mudança de hábito dos são felenses, ou dos que por aqui residem, já que estamos falando de um território de imigrantes [a esta altura isso já me é claro]… é hora de voltar as ilhas de água doce, levantar os acampamentos que o rio derrubou. Toda uma logística de ocupação efêmera é mobilizada, toda uma remarcação do território é ativada, desde a pintura das árvores, da abertura de caminhos, da limpeza do terreno e da construção de barracos. Fogões, armários, panelas… comunidades temporárias se erguem para além do espaço urbano esquadrilhado por muros e ruelas… As famílias se reúnem, xs amigxs bebem, os imigrantes, velhos e novos, transitam. Mais um pedacinho de Amazônia se oferece aos sentidos, território natural e humano, lugar tanto do passado quanto do agora. Difícil falar objetivamente, talvez nem seja o caso. Abandonemos quem sabe a pretensão de transpor a experiência dos sentidos em texto lógico-racional-descritivo, assim cada uma – escrita e experiência – ainda que inseparáveis, mantém sua autonomia.

Com Dimitri, Lucas e Wilson, #forçanadyne

6e7.06.2015

Passados uns dias, um relato >>

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As primeiras trocas podem ser descritas no diagrama seguinte: apresentação dos membros e do projeto; sobre como a fotografia é a base do vídeo-cinema, e sobre como todas são ferramentas construídas [inicialmente] por um desejo de representação da realidade; técnicas de captura da imagem & linguagem fotográfica [enquadramento, composição, perspectiva…]; filme #1, História de Amor e Fúria seguido de discussão sobre as diferenças e interseções entre ficção e documentário, metodologias narrativas e sobre como a história individual faz parte da história coletiva; filme #2, Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, sobre o relato biográfico, apropriação de imagens de regístro, do uso do aúdio como norte narrativo, do olhar para a paisagem…

Durante os encontros também vemos as imagens que o membros produziram fora dos espaços dedicados as trocas, imagens captadas por SFX como exercício das técnicas de captura da imagem. Semana que vem entramos no vídeo.

 

Mapeamentos: Trokas informais I

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Mapear uma realidade é uma tal tarefa que não pode ser feita sem a dimensão subjetivo que só se alcança em verdadeiros processos de trocas, que quanto mais informais, livres e descontraidos, mais fornecem os elementos necessários a um entendimento de contexto. Seu Viana é poeta cordelista e compositor, como muitos, imigrante nordestino, residente de São Félix desde o ínicio da década de 80, muito dessa história Seu Viana narra em poesia. Seguimos na busca por agentes como ele, e por trocas como essa. Gratidão.

21.05.2015

na foto, Gleison Azazel, Hugo Nascimento, e Francisco (Seu) Viana.