Ministro da Cultura Juca Ferreira. Foto: Maria Júlia Vieira - Ascom/MinC

Homenagens e agradecimentos marcaram a assinatura de lançamento do Cais do Sertão – Memorial Luiz Gonzaga. Durante cerca quatro horas, nesta terça-feira (28), o Marco Zero, no Bairro Recife, foi palco de apresentações musicais, ato símbólico de cessão de terreno para a Orquestra Criança Cidadã e despedida, em Pernambuco, da atual gestão de presidente da república. Aproximadamente 80 mil pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar de Pernambuco, acompanharam o presidente Lula e o ministro da Cultura, Juca Ferreira, anunciarem o projeto arquitetônico que faz homenagem ao Embaixador Sonoro do Sertão.

As primeiras notas e acordes de sanfona foram executadas às 17h40, na abertura do evento, com o músico Dudu do Acordeón. Ao longo de duas horas, mais de 10 atrações musicais realizaram apresentações no palco que fazia alusão às bandeira do país e de Pernambuco. Todos os artistas foram unânimes em manifestações de gratidão ao lançamento do Cais do Sertão e à gestão do atual presidente da república. O forrozeiro Santana, por exemplo, fez referência aos “dois Luiz” no êxodo de nordestinos ao sudeste na narrativa do poema “A Triste Partida”, de Patativa de Assaré, interpretada em 1964 por Luiz Gonzaga.

Durante a noite, um garoto dividia o palco com gestores políticos e de instituições importantes no cenário nacional. O músico Daniel Bernado da Silva participou do ato simbólico de cessão de terreno da Marinha do Brasil para construção da sede da Associação Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque. Emocionado, Lula entregou, ao jovem, cópia do documento que garante construção de escola de música e sala de concertos com capacidade para 700 pessoas no bairro do Cabanga. Há dois anos, o próprio petista doou um violino ao integrante da orquestra. “Ele [Daniel] mostrou que precisava apenas de uma oportunidade. Teve e hoje não deixa a desejar a nenhum músico da Alemanha ou da França”, salientou Lula.

Santana - O Cantador - Na abertura do Evento. Foto: Maria Júlia Vieira Ascom/MinC

Através de vídeo exibido em dois telões, o público presente acompanhou a assinaturado lançamento do Cais do Sertão – Memorial Luiz Gonzaga, que deve ficar pronto em 2012, ano do centenário de nascimento do Velho Lua. As imagens retrataram o sertão brasileiro, o Parque Aza Branca, em Exu (PE), e as maquetes do equipamento cultural que vai funcionar no Armazém 10, no Porto do Recife, e será o primeiro museu nacional hi-tech de alto porte em Pernambuco. A instalação recebe investimento de R$ 26 milhões para abrigar espaço de interatividade, oficinas de instrumentos, lazer, biblioteca e midiateca. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, considera o lançamento da instalação uma justa homenagem ao “artista que na década de 1950 foi o mais popular do Brasil e que mudou a geografia afetiva e simbólica do nordeste”. Concluindo o discurso, o ministro declarou que estava sendo porta-voz da população de Exu ao citar a possibilidade de integração entre o Parque Aza Branca e o Cais do Sertão.

Homenagens
Antes do discurso, Lula recebeu várias homenagens. O poeta Antonio Marinho e o governador do Estado de Pernambuco recitaram poemas ao presidente, que acompanhou, também, misturando sorrisos e lágrimas, o repetente dos violeiros Valdir Teles e João Paraibano.  Das mãos de Eduardo Campos, Lula recebeu a maior comenda do Estado de Pernambuco, a Ordem do Mérito dos Guararapes. Animado, o pernambucano de Caetés brincou ao declarar que dormiria com a faixa recebida nesta terça (27) para não esquecer a faixa presidencial que será entregue no próximo sábado (1º de janeiro de 2011) para a presidente eleita Dilma Rousseff.

Presidente Lula no ato símbólico de cessão de terreno para a Orquestra Criança Cidadã. Foto: Maria Júlia Vieira - Ascom/MinC


Lula

O momento mais aguardado pela mutidão era o discurso de despedida presidencial. Lula afirmou que a saída do cargo máximo no executivo do país não significa ausência de atividades de políticas públicas: “Deixo apenas a Presidência. Mas não pensem que vocês vão se livrar de mim. Estarei pelas ruas deste país, ajudando a resolver os problemas deste Brasil”. Mantendo a característica marcante nas declarações públicas, o petista optou pelo improviso ao citar fatos de formação pessoal e carreira política, realizações dos últimos oito anos, agradecimentos e apoio aos aliados políticos. Após os dois mandatos seguidos, Lula fez análise positiva da experiência de ter percorrido o país através das “Caravanas da Cidadania” e das derrotas e rejeições em eleições passadas, para ter maturidade e conhecimento amplo do país. “Aprendi com vocês na candidatura de 1989 que não era possível o Brasil da certo se não tivesse um presidente que conhecesse o Brasil na sua totalidade. Era preciso um presidente que tivese um olhar total do seu país para poder governar distribuindo possibilidade para todos”, ressaltou Lula. Dentre obras realizadas na região nordeste, houve destaque para a Transposição do Rio São Francisco, a Ferrovia Transnordestina, a Refinaria Abreu e Lima e a reforma de trecho da BR-101.

Texto: Daniel Lamir ASCOM – RRNE/MinC

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