Ocorreu nesta quarta-feira, 25 de janeiro, a posse da nova diretoria do Museu da Abolição de Pernambuco, equipamento vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O cargo, antes ocupado pela arquiteta Evelina Grunberg, passa a ser dirigido pela antropóloga Maria Elisabete Arruda. Formada em Ciências Sociais, Mestre em Antropologia Cultural e Doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Elisabete é servidora do Banco do Brasil e até a posse, assumia o cargo de Chefe de Divisão da Coordenação de Estudos Socioeconômicos e Sustentabilidade do Ibram.

Para assumir o cargo, Elisabete passou por um processo seletivo proposto pelo Ibram para escolha dos diretores de museus. “Esta é a segunda vez que acontece este tipo de processo, onde é aberta uma chamada pública para seleção de candidatos e estes candidatos não são analisados apenas pelo currículo que apresentam, mas pelo programa de trabalho proposto para ser desenvolvido no museu”, explicou Eneida Rocha, diretora do Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus do Ibram, que esteve na solenidade representando o presidente do Instituto, José do Nascimento Júnior.

A primeira experiência com este tipo de processo aconteceu no Museu Casa da Hera, em Vassouras (RJ), cuja direção ficou sob a expertise da arte educadora, Daniele de Sá Alves. “No caso da Elisabete, ela passou por uma análise, por uma banca, não só de profissionais do Ibram, mas de profissionais externos, museólogos que a escolheram como a nova diretora, pela coerência do seu trabalho, pela sua experiência e por toda a sua caminhada profissional”, destacou Eneida Rocha. A diretora do Ibram reforçou junto à nova diretoria do Museu da Abolição a necessidade de manter uma parceria de ordem nacional com seus pares, já que se trata de uma instituição com vínculo federal.

Dividindo seu planejamento em três eixos estruturantes, Elisabete listou suas pretensões como gestora do equipamento. Primeiro irá fazer um diagnóstico da situação em que o museu se encontra, elaborar  um plano museológico – pois o último data de 2008 – e  consolidar o regimento interno do Museu, que ainda está em processo de discussão. Em seguida pretende traçar estratégias para sustentabilidade da instituição: “Nós sabemos hoje da carência de recursos para a área da cultura, e com os museus não é diferente. Por isso temos que pensar em alternativas para a captação de recursos”.

O terceiro eixo estruturante refere-se à elaboração de projetos e programas para o quadriênio 2012 a 2016, como restauro do casarão e do entorno, reestruturação e requalificação do museu, do ponto de vista da estrutura física, e o planejamento dos programas que serão desenvolvidos nas diversas exposições que estão sendo programadas. “Já pensamos em algumas mostras, que estão sendo definidas e articuladas para este semestre, mas muito trabalho tem ainda que ser feito em termos de discussão, não só com os servidores e técnicos do museu, mas primordialmente com a comunidade local”.

Ciente da necessidade de fazer do Museu da Abolição um equipamento de transformação social, a nova diretoria tratou como meta implementar o “museu dos sonhos que nós queremos, com uma programação perene, um museu vivo, articulado com a sociedade, atendendo aos anseios e necessidades de transformação da realidade local. Este é o grande desafio, é o sonho que queremos desenvolver aqui”. A necessidade de integração social a partir do equipamento, também foi mencionada pelo presidente da Associação de Amigos do Museu da Abolição (AMAB) em Pernambuco, Manoel do Nascimento – mais conhecido por Manuel Papai.

Para Eneida Rocha, esse processo de reestruturação aguça as expectativas da comunidade: “O Museu da Abolição não esteve parado, mas com as mudanças propostas, além da preservação da memória, o espaço passa a ser visto como um agente de transformação, catalizador da economia local, independente dos valores turísticos”.

Também estiveram presentes na cerimônia o superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Pernambuco, Frederico Almeida, e o coordenador do curso de graduação de Museologia e pós-graduação de Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Antônio Motta.

Texto: Stephanie Siqueira – Ascom RRNE/MinC
Foto: Juliano da Hora – Ascom RRNE/MinC

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