O Abraço - Alfredo Ceschiatti (1943) - Foto de Eduardo Coutinho (Flickr - Creative Commons - CC BY-SA 2.0)

Unesco declara: Pampulha é Patrimônio Mundial!

Igreja São Francisco de Assis_AcácioO Conjunto Moderno da Pampulha conquistou, na madrugada deste domingo (17), o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, durante a 40ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada entre os dias 15 e 17 de julho, no Centro de Convenções de Istambul, na Turquia. A indicação da Pampulha foi ratificada pelos 21 países integrantes do Comitê, por consenso.

Encomenda do então prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek ao arquiteto Oscar Niemeyer, o conjunto modernista reuniu outros dois gênios das artes brasileiras: Roberto Burle Marx, que assina o paisagismo, e Candido Portinari, autor do painel externo de azulejos da Igreja de São Francisco de Assis, que é um dos principais cartões-postais de Minas Gerais. Também participaram do projeto original o engenheiro Joaquim Cardozo e os artistas Paulo Werneck, Alfredo Ceschiatti, August Zamoyski e José Pedrosa.  Construído nos primeiros anos da década de 40, o Conjunto antecipa conceitos arquitetônicos que viriam a ser aplicados anos mais tarde na construção de Brasília.

Compõem o Conjunto Moderno da Pampulha a paisagem que se forma com a integração entre a Lagoa da Pampulha e sua orla, os jardins de Burle Marx, a Igreja de São Francisco de Assis, o antigo Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (atualmente Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte), o Iate Golfe Clube (atual Iate Tênis Clube) e a Praça Dalva Simão (antiga Santa Rosa). Com o título, Pampulha passa a integrar um grupo de grandes obras da humanidade.

O reconhecimento da Pampulha traz também um compromisso das três esferas de governo no sentido de valorizar, conservar e divulgar a preciosidade. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Cultura expressam a satisfação pela conquista e apontam os deveres e responsabilidades que o Brasil assume.

Nota Oficial do Governo Brasileiro

“O governo brasileiro recebeu com grande satisfação a decisão da Unesco de inscrever o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, na Lista do Patrimônio Mundial.
A Unesco, ao reconhecer o valor universal excepcional da Pampulha, considerou o conjunto como símbolo de uma arquitetura moderna distante da rigidez do construtivismo e adaptada de forma orgânica às tradições locais e às condicionantes ambientais brasileiras. Essa abordagem pioneira, fruto da colaboração entre Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx e Candido Portinari, entre outros grandes artistas, criou uma nova linguagem arquitetônica fluida e integrada às artes plásticas, ao design e à paisagem.
A decisão recomenda também que o Brasil restaure elementos do complexo, amplie o plano de gestão para incorporar os compromissos assumidos no processo de avaliação da candidatura, estabeleça uma estratégia de turismo para a área e adote medidas para melhorar a qualidade da água da lagoa. Essas providências exigirão a ação conjunta dos governos federal, estadual e municipal, em harmonia com a comunidade local.
O êxito da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha, que passa a ser o 20º bem brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial, somente foi possível graças à participação ativa da sociedade civil e ao trabalho coordenado do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Cultura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Governo do Estado de Minas Gerais e da Prefeitura de Belo Horizonte.”
Ministério das Relações Exteriores
Ministério da Cultura

Processo de candidatura

Um dos principais cartões-postais de Minas Gerais, o Conjunto Moderno da Pampulha torna-se o 20º sítio brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Na lista atual, estão incluídos outros 12 bens culturais e sete bens naturais brasileiros. Apenas em Minas Gerais, este passa a ser o quarto a figurar na lista, acompanhado do Centro Histórico de Ouro Preto, reconhecido em 1980; o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas, desde 1985; e o Centro Histórico de Diamantina, inscrito em 1999.

O processo de candidatura, que teve início em 1996, foi retomado somente em 2012. Dois anos depois, em 2014, um dossiê foi encaminhado pelo Iphan à Unesco. Depois de um processo de avaliação, foi realizada uma missão técnica in loco, indicada pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) – órgão assessor para bens culturais do Secretariado da Convenção. E, a partir da visita, foi elaborado um parecer técnico. Essa última fase foi a avaliação do Comitê que, com base no parecer e no dossiê, decidiu pelo reconhecimento do bem como Patrimônio Mundial.

“O reconhecimento da Pampulha como Patrimônio Mundial da Humanidade é fruto do trabalho conjunto de servidores do Ministério da Cultura, do Iphan, do Ministério das Relações Exteriores, do Governo do Estado de Minas Gerais e da Prefeitura de Belo Horizonte. Devemos parabenizar o empenho de todos. Pampulha Patrimônio Cultural da Humanidade: essa é uma conquista de todos os brasileiros”, comemorou o ministro da Cultura, Marcelo Calero, que chefia a comitiva brasileira que foi à Turquia para acompanhar a reunião. “Agora, as três esferas de governo terão de trabalhar em parceria para a conservação, promoção e valorização do local para as gerações atuais e futuras”.

Durante a avaliação do dossiê de candidatura, foi ressaltada a valorização do conjunto como marco autêntico da história da arquitetura mundial e nacional, como explica a presidente do Iphan, Kátia Bogéa. “O título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno implica reconhecimento internacional do Conjunto como um bem que possui três características fundamentais. Primeiro, é uma obra-prima do gênio criativo humano. Segundo, é o testemunho de um considerável intercâmbio de influências do desenvolvimento da arquitetura. E, terceiro, constitui um exemplo excepcional do conjunto arquitetônico de um período significativo da história, no caso, o movimento moderno”, detalhou. O Iphan é a entidade vinculada ao Ministério da Cultura responsável pela preservação e por políticas de patrimônio nacional.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Leônidas José de Oliveira, o título significa “o reconhecimento mundial dos grandes artistas, arquitetos e paisagistas que mudaram paradigmas do design, não somente para BH mas para o próprio Brasil pelas mãos de JK”. “Niemeyer dizia sempre (e escreveu isso nas paredes da Casa do Baile) que Pampulha foi o início de tudo. Brasília começou aqui, dizia ele. Ganhar o título significa ainda a potencialização do turismo, da autoestima e o reforço à identidade dos habitantes com a cidade”, aponta.

O conjunto mineiro poderá atrair investimentos e fomentar a economia regional. Em contrapartida, sob os gestores públicos pesará uma maior responsabilidade na manutenção do local, ainda que já tenham proteção por serem tombados pelo Iphan. “Na prática, o reconhecimento vai trazer os olhos do mundo inteiro para Minas Gerais. Já temos três patrimônios mundiais; teremos um outro, agora moderno. O que vai fazer com que o Estado de Minas Gerais entre no circuito internacional de turismo especializado. As pessoas podem passar mais dias aqui e criar outros roteiros, como Pampulha e Brasília, de arquitetura moderna”, explica a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Corsino.

Além do ministro Marcelo Calero e da presidente do Iphan, kátia Bogéa, compuseram a delegação do Ministério da Cultura o diretor do Ipahn Marcelo de Brito, a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Maria Corsino; a diretora do Centro Lúcio Costa, Jurema Kopke Eis Arnaut; e ainda a presidente do Instituto do Patrimônio de Minas Gerais, Michele Arroyo;  o diretor de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, Carlos Henrique Bicalho; a diretora do Conjunto Moderno da Pampulha, Luciana Feres;  o secretário da Secretaria de Administração Regional Municipal Pampulha da Prefeitura de Belo Horizonte, José Geraldo de Oliveira Prado; as diretoras da Gema Arquitetura Nara Grossi Vieira de Figueiredo; e Joseana Costa Pereira e a diretora da Gustavo Penna Arquiteto e Associados,  Laura Resende Penna de Castro. Também compuseram a delegação brasileira, pelo Ministério das Relações Exteriores, a embaixadora Eliana Zugaib e a secretária Renata Fasano, da missão permanente do Brasil junto à Unesco.

Veja vídeo sobre a Pampulha:

 

Camila Campanerut
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
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