Patrimônios Vivos de Pernambuco recebem título durante a 9ª Semana do Patrimônio Cultural

Nesta quarta-feira, 17 de agosto, comemora-se o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, que em Pernambuco é celebrado através da Semana do Patrimônio Cultural. Na sua nona edição, o evento, realizado pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, traz como temas: Participação Social na Preservação do Patrimônio Cultural.

Priscilla Buhr/Divulgação

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Lia de Itamaracá é um dos 39 patrimônios vivos de Pernambuco

Dentre as mais diversas ações da semana, duas se destacam nesta quarta-feira. Começando pela cerimônia de entrega do I Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco, cujo primeiro edital foi lançado na Semana do Patrimônio de 2015. Na sequência, haverá a diplomação dos trinta e nove Patrimônios Vivos de Pernambuco, já incluindo os três novos contemplados este ano, referentes ao edital de 2014. São eles: a repentista Mocinha de Passira, a Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense e o cineasta Lula Gonzaga. A atividade está marcada para acontecer no Teatro de Santa Isabel, a partir das 10h, e é aberta ao público.

O Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco é um reconhecimento e também um incentivo à participação social na preservação dos bens e expressões culturais do estado, sejam eles materiais ou imateriais. Nesta quarta (17), receberão o prêmio os seguintes projetos: na categoria Formação, a ação “Paço do Frevo”; na categoria Promoção e Difusão, a ação “Patrimônio PE Mobile”; e na categoria Documentais e Memória Cultural, a ação “Criação de Arquivos Públicos municipais no Estado de Pernambuco”. Cada um dos vencedores receberá um incentivo no valor de R$ 20 mil.

Andrea Rêgo Barros/divulgação

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O “Paço do Frevo” foi uma das ações vencedoras do Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho

“O Prêmio é uma das formas que encontramos de reconhecer essas iniciativas, que tanto têm contribuído para a divulgação de expressões formadoras da nossa identidade cultural”, destaca a presidente da Fundarpe, Márcia Souto. Ela destaca o fato de que, em seu primeiro ano, o prêmio já foi um sucesso, haja vista as mais de 120 inscrições recebidas, todas envolvendo projetos de qualidade. Por este motivo, além dos vencedores, a comissão que avaliou os candidatos ao prêmio decidiu por menções honrosas, que serão entregues às seguintes iniciativas: “Laboratório O Imaginário: design a serviço da preservação”; “Lagarta Richelieu”; e “Cinemas do Recife”.

Divulgação

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Projeto “Lagarta Richelieu”, de Lenice Queiroga de Sousa, recebeu uma menção honrosa do Prêmio Ayrton Almeida de Carvalho

Novos Patrimônios Vivos – No último dia 20 de julho, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CPPC) realizou a reunião final para a escolha dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco. Marcada por comentários de conselheiros que ressaltaram a valorosa contribuição de todos os candidatos à cultura pernambucana, a sessão resultou em uma eleição única, na qual foram escolhidos a repentista Mocinha de Passira, a Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense e o cineasta Lula Gonzaga.

Foto: Eric Gomes

Foto: Eric Gomes

O cineasta Lula Gonzaga, durante oficina de cinema de animação, realizada em 2012, na cidade do Exu.

Para Marcelino Granja, secretário de Cultura de Pernambuco, a definição dos novos Patrimônios Vivos acontece em um momento marcado por conquistas no cenário cultural de Pernambuco. “O Conselho está conseguindo dar conta do recado, com um formato desafiador de luta pela construção das políticas públicas culturais, levando em conta tanto os momentos de crise quanto conquistas como esta”, disse Granja.

“Estamos reafirmando aqui o compromisso do Governo do Estado em lutar pela reformulação da Lei, para que já a partir do próximo concurso possamos eleger seis representantes da nossa cultura“, garantiu Márcia Souto. Além do projeto de lei para aumentar, de 3 para 6, o número de patrimônios vivos a serem eleitos a partir do edital de 2017, este ano de 2016 ainda deverão ser eleitos mais seis novos patrimônios. O número corresponde aos patrimônios vivos dos editais de 2015 e 2016, que não foram lançados, visto que este foi o período em que a gestão da Cultura ficou sem conselho estadual, pois o antigo Conselho Estadual de Cultura foi extinto e iniciou-se um processo eletivo para instalação do atual Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural.

Fundarpe

Fundarpe

O Espaço Pasárgada, na Rua da União, receberá uma oficina e exposição do mestre José da Costa Leite, Patrimônio Vivo de Pernambuco

Programação da IX Semana do Patrimônio Cultural – Ainda no Recife, o Espaço Pasárgada participa das comemorações ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico com duas ações que giram em torno de José da Costa Leite, Patrimônio Vivo de Pernambuco. Uma delas é uma Oficina de Literatura de Cordel e Xilogravura, ministrada pelo próprio José da Costa Leite, das 14h às 16h30. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas através do e-mail: pasargada.fundarpe@gmail.com ou pelo telefone (81) 3184 3165. O local também vai receber a mostra ‘Costa Leite: A voz da poesia nordestina’, que pode ser visitada das 9h às 18h e conta com matrizes de xilogravuras, livros e livretos de cordel, vídeos e fotografias retratando a vida e obra do mestre da xilogravura.

No Teatro Arraial Ariano Suassuna, serão realizadas as palestras ‘Apresentação do Plano de Gestão do Sítio Histórico de Olinda’, ministrada por Helvio Polito Filho, secretário de Meio Ambiente Urbano e Natural de Olinda, e ‘Criação de Arquivos Públicos Municipais no Estado de Pernambuco’, do mestre em arqueologia Severino Ribeiro da Silva. Outro equipamento cultural que está na programação é a Estação Central Capiba/Museu do Trem, que vai animar os visitantes com o jogo didático “Chegadas e partidas”. A brincadeira se repetirá de 17 a 19 de agosto e é inspirada na exposição homônima que fica instalada no local, a qual conta um pouco da história das ferrovias em Pernambuco.

No Recife – A capital pernambucana recebe também durante a quarta (17) a continuação do minicurso ‘Educação Patrimonial por meio de Inventários Participativos’, no Museu Cais do Sertão, das 15h às 17h; a mesa redonda ‘(Re)pensando o patrimônio cultural na cidade do Recife entre a paisagem e a prática social’, na Prefeitura do Recife, das 14h30 às 17h30; e o início da oficina ‘Engajamento e desenvolvimento de públicos em museus’, no Paço do Frevo, a partir das 14h.

Programação em Olinda e Paudalho – Em Olinda, haverá uma série de atividades relacionadas à preservação do patrimônio cultural na sede da Prefeitura, a partir das 16h. Uma delas é a palestra Mapa Interativo de Olinda, ministrada por Elton Vieira, que vai falar sobre os principais patrimônios da cidade, seguida da exibição do filme ‘Olinda Patrimônio Cotidiano – Memórias Coletivas de seus Moradores’, de Mateus Sá.

Já em Paudalho, a partir das 8h30, o público poderá participar da palestra ‘Conhecer para amar, amar para preservar – Seminário sobre patrimônio cultural local’, na Capela de Nossa Senhora do Rosário. A programação segue com uma visita pedagógica ao Arquivo Público Municipal do Paudalho com atividades de Educação Patrimonial e um sarau cultural voltado para a valorização da memória e identidade cultural através de músicas que marcaram a história do município.

Confira a programação completa da IX Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco.

Breves Perfis dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco:

*Maria Alexandrina da Silva, a Mocinha de Passira, é reconhecida por ser uma das poucas mulheres repentistas. Sua carreira artística é dedicada ao resgate e à valorização dos violeiros no estado.

*A Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense foi fundada em 15 de fevereiro de 1921, sendo considerada um dos símbolos de resistência da cultura carnavalesca de Pernambuco.

*O cineasta Lula Gonzaga, durante oficina de audiovisual realizada em 2012, na cidade do Exu. Natural do Recife, sua formação acadêmica agrega especialização em Cinema de Animação e em Economia da Cultura.

Vencedores do Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco

1ª Categoria: Formação
Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), com a ação “Paço do Frevo”.
O Paço do Frevo é um equipamento público inaugurado em 2014, que tem se consolidado como espaço de referência no desenvolvimento de ações para a valorização, difusão, formação educativa e salvaguarda do frevo – Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, IPHAN/2007. Em pouco mais de dois anos de atividades, o espaço realizou cursos e oficinas nas áreas de dança e música, promoveu apresentações culturais e estimulou debates, estudos/pesquisas (acervo documental), com alternativas que garantem a fruição e acessibilidade.

2ª Categoria: Promoção e Difusão
Sandro Lins Rodrigues, com a ação “Patrimônio PE Mobile”.
O proponente criou um programa para smartphones e tablets, com imagens, textos e áudios em quatro idiomas sobre doze monumentos, seis na cidade do Recife e seis em Olinda. Gratuito, o programa está disponível nas plataformas iOS e Android e apresenta possibilidades de ampliação, tanto com a inclusão de mais monumentos nas cidades contempladas quanto de outras cidades no Estado.

3ª Categoria: Documentais e Memória Cultural
Severino Ribeiro da Silva, com a ação “Criação de Arquivos Públicos municipais no Estado de Pernambuco”.
Projeto realizado junto a 35 municípios de Pernambuco, que visa a criação de arquivos públicos com o acervo das Prefeituras e Câmaras locais. O idealizador da iniciativa realizou capacitações, oficinas técnicas e cursos de conservação preventiva nos lugares onde o trabalho foi realizado, entre 2011 e2015. Neste processo, foram inaugurados seis arquivos públicos municipais (intermediários e históricos, em Águas Belas, Jaboatão dos Guararapes, Escada, Iati, Paudalho e Goiana). Dezoito arquivos tiveram sua criação autorizada através de lei, e oito arquivos estão em processo de implantação (Buíque, Afogados da Ingazeira, Garanhuns, Capoeiras, João Alfredo, Bom Jardim, Caruaru e Timbaúba).

Menção honrosa
1ª Categoria: Formação
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco, com a ação “Laboratório O Imaginário: design a serviço da preservação”.
O Imaginário iniciou em 2000, com foco na produção artesanal, e tinha como objetivo apoiar as comunidades artesãs e colaborar com a sustentabilidade do fazer artesanal como prática cultural. O foco é a comunidade e seu produto, num projeto coletivo, estabelecido nos eixos: design, gestão, produção, mercado e comunicação. Entre as comunidades contempladas, estão a Quilombola de Conceição das Crioulas. Outro exemplo foi a criação e consolidação do Centro de Artesanato Arquiteto Wilson Campos Júnior, do Cabo de Santo Agostinho.

2ª Categoria: Promoção e Difusão
Lenice Queiroga de Sousa, com a ação Lagarta Richelieu
“Tecer peças de renda, da mesma maneira que fotografá-las, exige muito das mãos e dos olhos” (Ângelo Monteiro, em crônica da Revista A Palavra. Recife, APL, 2015, nº 6, p.7). Trata-se de projeto que resultou em livro de mesmo nome, onde a fotografia é usada como veículo para registrar de forma sensível e carismática alguns aspectos de criação e produção da renda Renascença, de origem ibérica, que encontrou em Pernambuco e no Nordeste sua própria tradição. O trabalho arrojado mostra com arte um modo de fazer que se torna raro, pelo artesanal que há no processo, mas também pelo apuro e cuidado que a técnica desse bordado, transmitida de geração a geração, requer. Dentre outros temas, a publicação fala sobre o estímulo à cadeia produtiva, com o reforço nas vendas, via participação na FENEARTE 2013, cuja temática foi Mulheres Rendeiras, e a indicação de Dona Odete como mestre rendeira. Além disso, a obra valoriza o ofício de rendeira e, com isso, pretende estimular novas gerações de rendeiros e rendeiras.

3ª Categoria: Acervos Documentais e Memória Cultural
Kate Viviane Alcântara Saraiva, com a ação “Cinemas do Recife”
Fruto de uma pesquisa feita para conclusão do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da autora, o livro, fartamente ilustrado, registra a produção arquitetônica de edifícios e salas de cinema na cidade do Recife desde o início do século 20 até o momento atual, reunindo uma grande documentação, como jornais de época, fotografias e levantamentos arquitetônicos, depositada nas mais diversas instituições culturais da cidade ou em acervos particulares. O trabalho recebeu menção honrosa no Concurso Nacional de Trabalhos Finais de Graduação “Opera Prima 2003”, onde foi classificado como um “importante e completo documentário sobre a diversidade dos projetos de cinema da capital pernambucana”.

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