Bienal do Livro do Ceará terá diálogo com pessoas em situação de rua nesta quarta (19)

Nesta quarta-feira, 19/4, a programação da Bienal Fora da Bienal, integrante das atividades da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, tem a escritora, bailarina e contadora de histórias Kiusam de Oliveira, de Santo André-SP, às 19h30 na Praça do Ferreira, em diálogo com pessoas em situação de rua do Centro de Fortaleza.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Kiusam de Oliveira (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Professora universitária no Espírito Santo, doutora em Educação, mestre em Psicologia e especialista em temas étnico-raciais, Kiusam de Oliveira tem quatro livros lançados, com destaque para o tema direitos humanos, para o movimento negro e para o combate ao preconceito. A autora é também contadora de histórias e professora de danças afro-brasileiras.

O diálogo com as muitas pessoas em situação de rua na Praça do Ferreira promete ser um momento marcante para todos, como vem acontecendo nas diversas ações da Bienal Fora da Bienal, que já incluíram presença do ator e escritor Gero Camilo na Unidade Prisional Irmã Imelda, em Aquiraz; do escritor Valter Hugo Mãe na comunidade dos índios Anacé, em Caucaia, e dos escritores Tino Freitas e Benita Prieto no Instituto Tony Italo, em Itaitinga.

A Bienal Fora da Bienal é tanto uma forma de levar as atividades do evento a outros públicos, ressaltando o caráter democrático, inclusivo e participativo da Bienal, em sintonia com a política cultural do Ceará, como de colocar em prática o tema do evento, “Cada pessoa um livro; o mundo, a biblioteca”, promovendo encontros entre pessoas de diferentes contextos, “acervos vivos” capazes de dialogar, compartilhar experiências, visões de mundo, crescer juntos, a partir de encontros que só a Bienal poderia proporcionar.

“A produção de situações de encontro para a Bienal Fora da Bienal é uma iniciativa inovadora da Bienal Internacional do Livro do Ceará”, destaca o escritor Julio Lira, da ONG Mediação de Saberes, responsável pela coordenação e pela curadoria da Bienal Fora da Bienal.

“A Bienal Fora da Bienal realizará ao todo 14 atividades, pensadas estética, afetiva e politicamente. Este ano, juntos com a coordenação geral da Bienal, fomos chegando a uma programação em que outra vez nomes muito importantes da literatura de língua portuguesa terão oportunidade de interagir com nossa gente mais querida”, complementa Julio Lira, citando a coordenadora geral, Mileide Flores, e os curadores, Lira Neto, Cleudene Aragão e Kelsen Bravos, além de sugestões do secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, e convidando todos a vivenciar ao máximo a Bienal Fora da Bienal.

Programação em Redenção nesta quarta

Nesta quarta-feira, 19/4, a programação da Bienal Fora da Bienal também vai a Redenção, no Campus da Universidade da Lusofonia e da Integração Afrobrasileira (Unilab), reunindo consagradas escritoras de países africanos e de outras nações que falam português. É o Encontro Oralidades & Escritas em Língua Portuguesa, que começa às 10h, com Rosalina Tavares (Cabo Verde), Conceição Evaristo (Brasil), Geraldo Amâncio (poeta e cantador cearense), Tony Tcheka (Guiné-Bissau), Carlos Subuhana (Moçambique) e Brígida da Silva (Timor Leste). A mediação é de Manoel Casqueiro (Guiné-Bissau).

Às 14h acontece o debate sobre “A resistência da palavra nas literaturas africanas de língua portuguesa”, com Rita Chaves(Brasil), Ondjaki (Angola) e Sueli Saraiva (Brasil), mediadora.

Às 15h tem o encontro do escritor Tony Tcheka com os estudantes guineenses e às 16h a escritora moçambicana Pauline Chiziane fala sobre o tema “Mulheres, Literatura e Resistência”, com mediação da brasileira Luana Antunes.

Na quinta-feira, 20/4, a programação da Bienal Fora da Bienal continua em Redenção, na Unilab. Às 10h acontece a “Oficina Corporeidade Poética: Transcendendo o Corpo partindo da Ancestralidade Africana”, com Kiusam de Oliveira, no Pátio Campus Palmares.

ÀS 10h tem a mesa de escritores da Fundação Palmares, sobre a Editora Nandyala (Redenção) e as obras “Água de Barrela”, de Eliane Alves dos Santos Cruz (Brasil), “Haussá 1815”, de Júlio César Farias de Andrade (Brasil), “Sobre as vitórias que a história não conta”, de André Luís Soares (Brasil), “Sina Traçada”, de Maria Custódia Wolney de Oliveira (Brasil), “Sessenta e seis elos”, de Luiz Eduardo de Carvalho (Brasil), “Adjoké e as palavras que atravessaram o mar”, de Patrícia Matos (Brasil). A mediação é da brasileira Sueli Saraiva.

Às 19h30 acontece a conferência “A Construção da Guineidade”, com a escritora Moema Augel, doutora em Literaturas Africanas pela UFRJ.

Escritores no Titanzinho, no Pirambu, no Mucuripe…

Na sexta-feira, 21/4, às 16h, a Bienal Fora da Bienal acontece na praia do Titanzinho, no bairro Vicente Pinzon, com o escritor pernambucano André Neves, autor e ilustrador de livros infantis, propondo um bate-papo a partir do moteCadernos de areia em uma Fortaleza escondida”, em “Uma conversa à beira-mar”.

No sábado, 22/4, serão duas atividades da Bienal Fora da Bienal: na Vila do Mar, no Pirambu, à 16h, o escritor Daniel Galera põe os pés na areia e os braços n´água para conversar com os presentes a partir do mote “O coração do mar é o vento” em “Uma roda de conversa no mar”. Já às 19h, no Cuca Jungurussu, o consagrado Ignácio de Loyola Brandão fala sobre “A literatura como modo de rebeldia urbana”.

No domingo, 23/4, às 9h, no último dia de Bienal, a programação especial fora do Centro de Eventos do Ceará  será uma pedalada literária e artística, do Mucuripe ao Poço da Draga. O tema é Alegria é a prova dos nove: pedalando com Frida Kahlo” e a convidada especial é Izabel Gurgel, jornalista, ex-diretora do Theatro José de Alencar. O passeio se inicia na área dos barcos no Mucuripe e segue até o Pavilhão Atlântico, no Poço da Draga, Praia de Iracema.

Bienal no Sobrado José Lourenço

A exposição “Biwá”, no Sobrado José Lourenço, da artista quilombola Claudia Oliveira, também integra a programação da Bienal Fora da Bienal. A abertura aconteceu no sábado, 15/4, às 10h, no Sobrado (Rua Major Facundo, 154, Centro, e a exposição segue aberta ao público, com entrada franca, ao longo de todo o período da Bienal, de segunda a sábado.

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