MinC trabalha para preservar idiomas indígenas e levar atletas índios para competições esportivas

26748134791_8f1574c806_kO último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, aponta para a existência de 274 línguas indígenas pertencentes a 305 etnias diferentes no Brasil. Para valorizar a cultura e identidade desses povos indígenas, o Ministério da Cultura (MinC) promove, em parcerias com outros órgãos públicos, diversas ações, como a preservação de idiomas e o apoio ao treinamento de atletas.

O projeto mais recente, desenvolvido na gestão do ministro Roberto Freire, em parceria com o Ministério dos Esportes (ME) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), é o de levar indígenas brasileiros aos Jogos Olímpicos de 2024. A ideia inicial é trabalhar com três modalidades: canoagem, tiro com arco e lutas.

“Inserir os indígenas nos esportes brasileiros é uma forma de integrá-los na sociedade. Esses esportes já fazem parte do dia a dia desses povos, de sua sobrevivência, vamos apenas dar apoio técnico e formar exímios atletas indígenas para representar o Brasil mundo afora. Assim, vamos fazer valer sua presença na sociedade brasileira”, disse o ministro. “Não temos que apenas falar sobre os indígenas, mas dar espaço para que falem de si mesmos, seja em que linguagem for, inclusive por meio dos esportes”, complementou Freire.

33986206012_854e01bcdb_hO projeto atende a uma demanda dos próprios povos indígenas. Inicialmente, beneficiará os povos do Xingu, mas a expectativa é que seja expandido para todo o Brasil. A Confederação Brasileira de Canoagem vai doar, com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), 15 canoas e caiaques para comunidades indígenas do Alto Xingu. Além disso, vai enviar um profissional para capacitação de técnicos indígenas na modalidade canoagem.

“Tirar os povos indígenas da invisibilidade é um dos objetivos do Ministério da Cultura: fazer com que o País conheça, reconheça e mostre ao mundo os indígenas brasileiros”, explica a responsável pelo projeto, a antropóloga e museóloga Ione Carvalho, assessora especial do ministro da Cultura.

Idiomas indígenas

Outro ponto de preocupação do Ministério da Cultura é registrar, com documentação escrita, as línguas indígenas. Muitas delas correm o risco de desaparecer, como a Yawalapiti, que, após surto de gripe, de guerras entre indígenas e não indígenas e de casamentos com outras etnias, ficou apenas com cinco falantes.

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O MinC estuda meios para realizar o registro. “Esse trabalho é urgente. O MinC deve colaborar não apenas com registro do idioma, mas da cultura, das pinturas corporais, da alimentação”, informa Ione Carvalho.

O cacique Kanato Yawalapiti solicitou ao ministro da Cultura, neste mês de abril, apoio para que o idioma não se perca. “Meus pais ainda falavam, mas eu sei falar mais ou menos. É muito ruim porque nosso criador deu aquele idioma para aquele povo. Sou Yawalapiti, mas não falo bem e não me sinto bem com isso”, contou. “Temos que manter a cultura que ganhamos”, completou.

Inventário Nacional da Diversidade Linguística

Em 2010, foi criado, por meio do Decreto nº 7387, o Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Gerido pelo Ministério da Cultura, trata-se de um instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pela sociedade brasileira.

Nele, constam seis idiomas indígenas como Referência Cultural Brasileira: a língua Asurini, que pertence ao tronco Tupi, da família linguística Tupi-Guarani, em Tucuruí (PA); a língua Guarani Mbya, identificada como uma das três variedades modernas da língua Guarani, e as línguas Nahukuá, Matipu, Kuikuro e Kalapalo, de família linguística Karib e faladas na região do Alto Xingu (MT).

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
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