PERNAMBUCO | Mostra Aeso 50 anos ocupa o São Luiz

20140722-o-bravo-guerreiro-papo-de-cinema-01O Cinema São Luiz sediará, entre os dias 17 e 22 de maio, a Mostra Aeso 50 anos. O evento, que integra as comemorações das cinco décadas da Associação de Ensino Superior de Olinda (Aeso), mantenedora das Faculdades Integradas Barros Melo, propõe ao espectador pernambucano, a partir de cinco sessões temáticas, uma revisão comentada de quatro clássicos da cinematografia brasileiro, além de uma sessão dedicada à nova geração de realizadores locais, em formação pela Aeso.

A mostra tem como proposta colocar em foco, e discutir, a ideia de CRISE, seja política, seja personalizada em atitudes dos protagonistas nos respectivos filmes em destaque. O filme que abre a programação na quinta-feira (17), às 19h, é O bravo guerreiro (1968), primeiro longa-metragem dirigido por Gustavo Dahl (1938-2011). A obra, que também completa 50 anos neste 2018, está sendo redescoberta no Brasil e no exterior particularmente pela força de suas inquietações políticas, que se refletem hoje com o mesmo impacto de quando foi lançado há cinco décadas. A obra ganhará destaque na edição 2018 do Festival de Cannes (FR), dentro da mostra ‘Quinzena dos Realizadores’ (também comemorando 50 anos, e tendo exibido O bravo guerreiro em sua primeira edição, em 1969). Depois do Recife, o filme terá uma exibição especial em São Paulo, em junho, no CineSesc-SP. No enredo, Paulo César Pereio é o deputado Miguel Horta, de um pequeno partido que se opõe ao governo, mas decide ceder ao convite do partido da situação e migra para este, comprometido consigo mesmo de que ali poderá fazer mais pela causa popular, até ter que se deparar com negociações sórdidas do governo. O elenco também traz Paulo Gracindo, Ítalo Rossi e Mário Lago.

Na sexta-feira (18), a mostra pula para os anos 1970 e exibe, às 19h, o mais icônico filme de Cacá Diegues: Bye Bye Brasil (1979). Como numa fábula, o filme segue a ‘Caravana Rolidei’. Uma trupe de artistas mambembes que cruzam o interior do País fazendo espetáculos para uma população que ainda não tem acesso à televisão. Pelo caminho, encontram um sanfoneiro e sua esposa, que os acompanham por um projeto falido, chamado rodovia Transamazônica, até chegar ao vilarejo de Altamira. Bye Bye Brasil é um dos mais fortes retratos – lacônico, mas dosado com humor – de um cinema nacional que questionava as contradições e misérias do Brasil daquela década, que oficialmente se vendia como moderno e progressista. No elenco, José Wilker, Bety Faria, Fábio Júnior e Marieta Severo. O diretor Cacá Diegues também participa da edição 2018 do Festival de Cannes, em mostra especial, com seu novo filme, O grande circo místico, novamente sobre o universo circense. Ao final da sessão de Bye Bye Brasil no São Luiz haverá um debate com o roteirista, realizador e professor de cinema da Aeso, Luiz Otávio Pereira.

No terceiro dia, sábado (20), a sessão acontece à tarde, às 14h, quando a mostra vai aos anos 1980 para falar de uma história real que se transformou em Com licença, eu vou à luta! (1986), filme de Lui Faria. Acompanha a transformação de uma jovem de classe média, de 15 anos (Fernanda Torres, aos 19 anos) que se rebela contra a família – a mãe opressora (Marieta Severo) e o pai militar (Reginaldo Faria) – em função de um romance com um homem 18 anos mais velho que ela (Carlos Augusto Strazzer). Pela performance, Fernanda Torres levou o prêmio de melhor atriz no Festival de 3 Continents, em Nantes-FR. Ao final da sessão, haverá debate com a produtora e professora de cinema da Aeso, Gabriela Alcântara.

O último longa da mostra – Terra Estrangeira (1995) – foi o filme que projetou Walter Salles, codiretor aqui ao lado de Daniela Thomas – ao fazer uma espécie de retrato 3 x 4 instantâneo de um País em colapso após a instauração do confisco da poupança pelo Governo Collor. A porta de saída do Brasil parecia ali ser o melhor caminho a tomar, com Portugal como um endereço amigável. Mais uma vez, Fernanda Torres protagoniza, ao lado de Fernando Alves Pinto. Ao final da sessão, haverá debate com o crítico de cinema do Jornal do Commercio e curador do Cinema da Fundação, Ernesto Barros.

Todos os debates serão mediados pelo coordenador do Bacharelado em Cinema e Audiovisual das Faculdades Integradas Barros Melo, Luiz Joaquim, também responsável pela curadoria e produção da mostra. Todos os longas-metragens serão exibidos em película, no formato 35mm.

O evento encerra-se na sessão das 16h, na terça-feira (22), quando apresentará uma seleção que dá uma perspectiva de futuro do cinema local, por meio de uma seleção de curtas-metragens de alunos do bacharelado de Cinema e Audiovisual das Faculdades Integradas Barros Melo. Veja detalhes abaixo.

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA AESO 50 ANOS
VENDAS DE INGRESSO NA BILHETERIA DO CINEMA SÃO LUIZ (R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife – PE)
De quinta-feira a domingo – R$ 5 (preço único)
Terça-feira – R$ 3 (preço único)

Quinta-feira (17)
19h – abertura
19h30 – O Bravo Guerreiro
(1968, 35mm, 99 min., classificação indicativa: 14 anos).
De Gustavo Dahl. Com Paulo Cesar Pereiro, Mário Lago, Ítalo Rossi, Paulo Gracindo.

Sinopse – Um deputado sério e comprometido com seu eleitor (Paulo César Pereio), querendo promover mudanças, passa para o partido da oposição e tenta levar suas ideias adiante. Mas vê o seu projeto de lei ameaçado e descobre que não é a melhor pessoa para lidar com os sindicatos. Uma impressionante história sobre meandros e jogos da política no Brasil lançado em plena ditadura do AI5.

Sexta-feira (18)
19h – Bye Bye Brasil
(+ debate com Luiz Otávio Pereira)
(1979, 35mm, 105 min., classificação indicativa: 18 anos).
De Cacá Diegues. Com José Wilker, Bety Faria, Fábio Júnior, Zaira Zambelli, Jofre Soares, Emmanuel Cavalcante, Marieta Severo.

Sinopse – Salomé, Lorde Cigano e Andorinha são três artistas mambembes que cruzam o país com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço e sua esposa, Dasdô, com os quais a Caravana cruza a Amazônia pela rodovia Transamazônica até chegar a Altamira.

Sábado (19)
14h – Com licença, eu vou à luta!
(+ debate com Gabriela Alcântara)
(1986, 35mm, 85 min., classificação indicativa: 14 anos).
De Lui Farias. Com Fernanda Torres, Marieta Severo, Reginaldo Faria, Carlos Augusto Strazzer.

Sinopse – Baseado numa história real, a adolescente Eliane (Fernanda Torres, em início de carreira), aos 15 anos, moradora de Nilópolis (RJ), apaixona-se por Otávio, homem 18 anos mais velho que ela, que é um intelectual e dono de uma vida simples trabalhando como técnico de polícia. Ele é divorciado e pai de dois filhos. Para seguir com o romance, Eliane precisa enfrentar a determinação de uma mãe dominadora (Marieta Severo) e a empáfia do pai militar (Reginaldo Faria), com resultados próprios de uma opressão psicológica. Prêmio de melhor atriz no Festival des 3 Continents (Nantes, FR).

Domingo (20)
14h – Terra Estrangeira
(+ debate com Ernesto Barros)
(1995, 35mm, 110 min., classificação indicativa: 16 anos).
De Walter Salles. Com Fernanda Torres, Fernando Alves Pinto, Laura Cardoso, Alexandre Borges, Luís Melo, Tchéky Karyo.

Sinopse – Sem perspectiva de vida no Brasil após o confisco da poupança pelo Governo Collor, Paco (Fernando Alves Pinto) decide viajar para Portugal, levando uma encomenda. Ao chegar lá, conhece a brasileira Alex (Fernanda Torres) e seu namorado Miguel. Todos se envolvem com contrabando, e suas vidas viram um pesadelo. Um retrato melancólico do desencanto do brasileiro pelo seu País logo depois da primeira e frustrada eleição direta para Presidente da República após anos de ditadura militar.

Terça-feira (22)
16h – Curtas-metragens de estudantes de CINEMA E AUDIOVISUAL
Classificação indicativa: 16 anos. Duração total: 68 min

Perigo Alta Tensão (2017, 4 min.)
De Francisco de Assis

Perdidos (2017, 2 min.)
De Herbert Silva e Renata Malta

Zornit (2017, 26 min.)
De Marcello Trigo

A terceira porta (2017, 19 min.)
De Igor Karlos

À flor da pele, (2017, 3 min.)
De Camila Queiroz, Maria Eduarda Venâncio e Lucas Carneiro.

Quanto craude no meu sovaco, (2017, 4 min.)
De Duda Menezes e Fefa Lins

Retrato da Eternidade, (2017, 3 min.)
De Pedro Arruda

Segundo eles, (2017, 7 min.)
De Gleibson Silva

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