MINC: Feira de Campina Grande recebe título de Patrimônio Cultural

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Novo patrimônio imaterial do Brasil, a Feira de Campina Grande é um lugar de referência, de criação, de expressão, de sociabilidade e de identidade do povo nordestino (Fotos: Acervo Iphan)

Um dos principais centros de comércio e expressão cultural do Planalto da Borborema, a Feira de Campina Grande, na Paraíba, recebe nesta quinta-feira (14) o título de Patrimônio Cultural do Brasil. A solenidade, que será realizada no Parque do Povo, consagra o processo colaborativo para o registro do bem imaterial e marca a continuidade de ações de apoio e fomento, por meio de uma política de salvaguarda construída em conjunto pelo poder público e aqueles que fazem o dia a dia da feira.

A chamada Feira das Feiras é um lugar de referência, de criação, de expressão, de sociabilidade e de identidade do povo nordestino. Suas cores, aromas, personagens e sons inconfundíveis são a marca de uma cidade que tem sua história e seu traçado misturados com os de seu centro mercadológico e também cultural. Cerca de 75 mil metros quadrados dão a base da Feira, que se amplia para além de seus limites, entre ruas e barracas, nos dias de mais movimento.

O registro da Feira de Campina Grande como Patrimônio Cultural do Brasil foi deliberado em 27 de setembro de 2017, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. O bem imaterial foi inscrito no Livro de Registro dos Lugares pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

O pedido de reconhecimento pelo Instituto foi feito formalmente há dez anos, em uma articulação entre a Prefeitura Municipal de Campina Grande e grupos de feirantes e fregueses. A partir daí, foi iniciado um intenso processo colaborativo de diálogos e pesquisas, que agora reúne as principais referências culturais presentes na Feira campinense, além de propostas para sua salvaguarda. Entre as ações apontadas estão a criação do Centro de Referência do Bem Registrado e a organização de uma rede de feirantes.

Essas propostas são entendidas como fundamentais, pois a Feira de Campina Grande foi mudando de lugar ao longo do tempo, desde seus primeiros caminhos, ainda no século XVIII. Crescendo em importância e dimensões, o espaço da feira passou também a ser objeto de interesse de propostas de requalificação urbana, que deverão ser conduzidas conforme as necessidades das pessoas que a vivenciam diariamente em diálogo com as ações de salvaguarda.

Estarão presentes na cerimônia de entrega, prevista para começar às 16h30, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa; o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial, Hermano Queiroz; e o superintendente do Iphan na Paraíba, José Carlos de Oliveira.

A feira

De segunda a sábado, o movimento caótico de pessoas e mercadorias atrai pelo tamanho, relevância e diversidade. É por isso que se diz que tudo o que se procura é possível encontrar na Feira. Frutas, hortaliças, cereais, ervas, carnes, animais (vivos ou já abatidos), roupas, flores, doces, artesanato, acessórios para pecuária, comida regional e um extenso leque de serviços, que trazem consigo os personagens que dão vida ao lugar: seleiros, mangaieiros, flandreleiros, barbeiros, balaieiros, raizeiros, fateiros – e tantos outros mestres, com seus saberes e ofícios tradicionais.

Os movimentos mercadológicos se misturam às trocas de significados e sentidos, tornando-a um lugar onde se concentram e reproduzem práticas culturais. É ali entre as raízes que curam tudo, entre os pratos de buchada e copos de gelada de coco, entre os gritos das ofertas e o cantar do galo, que também se anunciam as novidades, que desabafam os amigos, que rezam os crentes, que se criam as rimas. E a feira campinense continua sendo palco das manifestações culturais e tradições de sua terra, ressoando no cantar dos emboladores de coco, dos repentistas, forrozeiros, cordelistas, violeiros e tantos outros artistas.

Ao longo de décadas e séculos, a feira-cidade cresceu e se tornou uma das maiores referências do mercado da região, marcando a vivência coletiva de milhares de trabalhadores e exercendo poderosa influência em todo o interior nordestino, especialmente nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Trata-se de um lugar patrimônio cultural de resistente continuidade histórica em meio às vicissitudes políticas locais.

De geração a geração, os saberes e experiências dos feirantes vão sendo transmitidos a filhos, netos e bisnetos, assim como os espaços de comercialização. Herdados como verdadeiros legados familiares, os ofícios vão representando a história daqueles personagens, que dedicam sua vida à feira e que, por isso, têm nela sua referência fundamental. Sua história é atrelada à dos fregueses, dos produtos e das negociações e Campina Grande vai se tornando ainda maior, pela continuidade de suas tradições culturais.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cultura
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