MinC participa de reunião do Programa IberCultura Viva

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Foto: Ministerio de Cultura y Deportes de Guatemala

Representantes dos 11 países integrantes do programa de cooperação IberCultura Viva participam da 9ª Reunião do Conselho Intergovernamental, realizada na Guatemala de 7 a 10 de julho. As atividades foram encerradas no Palácio Nacional da Cultura, na Cidade de Guatemala, com a discussão e aprovação dos editais e concursos que serão lançados este ano pelo programa.

A programação do fim de semana incluiu visitas a espaços culturais e encontros com organizações culturais comunitárias guatemaltecas, em três municípios: Antigua Guatemala, Santa María de Jesús e San Juan del Obispo. Além dos representantes dos governos dos países membros, estiveram presentes no primeiro dia do encontro cerca de 40 pessoas, representando 22 organizações da sociedade civil.

Renata de Carvalho, diretora do Departamento de Diversidade Cultural da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC), representou o Ministério da Cultura do Brasil no evento. Para ela, trata-se “de um momento de extrema riqueza para a cultura ibero-americana, em razão da troca de experiências e discussões para o fortalecimento das políticas culturais de base comunitária”.

“As vivências experimentadas aqui só fortalecem a cultura como objeto de preservação da história, identidade, tradição dos povos e vetor de desenvolvimento social e econômico. O povo guatemalteco e seu respeito à cultura são encantadores”, comentou a diretora.

Trabalho conjunto

As Jornadas de Culturas Vivas Comunitárias que marcaram o início da programação da 9ª Reunião do Conselho Intergovernamental foram organizadas conjuntamente pelo Movimento de Culturas Vivas Comunitárias da Guatemala e a Direção Geral de Desenvolvimento Cultural e Fortalecimento das Culturas do Ministério de Cultura e Esportes.

A agenda começou na manhã de sábado (7/10) no Palacio de los Capitanes, na cidade de Antigua Guatemala, com uma oferenda de agradecimento e palavras de boas-vindas de Rosa María Tacán, diretora geral do Desenvolvimento Cultural e Fortalecimento das Culturas do Ministério de Cultura e Esportes da Guatemala; de Mariela Aguirre, representante da organização Caja Lúdica; e de Diego Benhabib, por parte da presidência do IberCultura Viva.

Atividades lúdicas, dinâmicas de integração e rodas de conversas sobre avanços e desafios do Movimento de Culturas Vivas Comunitárias estiveram na agenda das organizações durante a manhã e a tarde de sábado.

Puntos de Cultura

A sessão no palácio terminou com apresentações sobre as experiências governamentais de três países em torno das políticas culturais de base comunitária. Diego Benhabib (Argentina), Estefanía Lay Guerra (Peru) e Alexander Córdova (El Salvador) falaram dos programas de Pontos de Cultura (em espanhol, Puntos de Cultura) implementados em seus países – inspirados no modelo brasileiro lançado em 2004 – e da experiência de trabalho conjunto entre Estado e sociedade civil.

A programação do primeiro dia também contou com um festival no Parque Central de Santa María de Jesús, com apresentações de canto maya Kaqchikel (por Chumilkaj Nicho), poesia LGBTIQ (por Manuel Tzoc), música maya de resistência (por Lucia Ixchiu, Festivales Solidarios) e rock maya (Baqtun Cero).

Visitas a comunidades

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Renata de Carvalho, diretora do Departamento de Diversidade Cultural da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC), destacou a importância da troca de experiências entre os países. Foto: Ministerio de Cultura y Deportes de Guatemala

No domingo (8/7), os representantes dos governos dos países integrantes de IberCultura Viva e das organizações participantes das Jornadas de Culturas Vivas Comunitarias voltaram a Santa María de Jesús para assistir à apresentação do grupo Las Curanderas, Teatro para Curar el Susto. A obra “Fiesta Convite” trata da violência vivida pelas mulheres mayas Kaqchikeles na comunidade.

Em seguida, os participantes do encontro visitaram a Casa Museo Luis de Lión, em San Juan del Obispo. Luis de Leon (ou Luis de Lión, como preferia assinar seus livros) foi um importante escritor e educador popular guatemalteco, sequestrado/desaparecido pelo Exército do país em 1984. Em 2004, o Estado da Guatemala reconheceu sua responsabilidade pelo assassinato do poeta. Seu corpo nunca foi encontrado.

Nascido na aldeia de San Juan del Obispo, Leon, que além de escritor era professor primário, iniciou em sua comunidade um programa de alfabetização e promoção da leitura. Com a proposta de enlaçar presente, passado e futuro, e dar continuidade a seu legado, a comunidade criou um museu com sua história de vida e sua poesia, e uma escola de artes para crianças e jovens.

Informes e debates

Terminada a visita aos espaços culturais, os representantes governamentais voltaram a Antigua Guatemala para dar início aos debates da 9ª Reunião do Conselho Intergovernamental, com a apresentação dos informes de execução financeira do programa. Também foram apresentados informes sobre as atividades desenvolvidas nos últimos meses, inclusive as ações de formação e o Curso de Pós-graduação de Políticas Culturais de Base Comunitária, organizado em conjunto com a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO) – Sede Argentina.

Na segunda-feira (9/7), os debates seguiram em La Antigua com temas diversos, como o apoio do programa aos Congressos Latino-americanos de Cultura Viva Comunitária e a aprovação de modificações no regulamento para adaptar IberCultura Viva ao Manual Operativo dos Programas, Iniciativas e Projetos Adscritos da Cooperação Ibero-americana (2016).

Sobre o Programa IberCultura Viva

Lançado em 2014, IberCultura Viva é um programa intergovernamental de cooperação técnica e financeira voltado para o fortalecimento das políticas culturais de base comunitária dos países ibero-americanos. Está vinculado à Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB) e atualmente conta com os seguintes países membros: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Equador, Espanha, Guatemala, México, Peru e Uruguai. Um de seus principais objetivos é sensibilizar sobre as distintas formas de convivência social e a importância de suas manifestações culturais, assim como fortalecer as capacidades de gestão e articulação em rede das organizações culturais de base comunitária e dos povos originários.

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