PERNAMBUCO: Poeta Bione lança Furtiva neste sábado (16)

BIONE_MATHEUS HÁVILA

Furtiva é o nome do primeiro livro da poeta Bione, que estreia como escritora no próximo sábado (16). Com edição da Castanha Mecânica, editora pernambucana independente, a publicação reúne poesias que falam sobre amor e revolução. Na programação do evento, que conta com o apoio da Aqualtune Produções, haverá récita de convidados e microfone aberto, além de projeções de BiaRritzzzz e participação especial da musicista Rebeca Giovana, a “Menina do Sax”, que percorre transportes coletivos com seu saxofone. O evento ocorre na sede do Inciti (Rua do Bom Jesus, 191, Recife Antigo) e é aberto ao público.

O lançamento faz parte do projeto Mostra de Publicações Independentes (MOPI), uma iniciativa da Castanha Mecânica para fomentar o mercado da literatura e aproximar as obras de escritores locais do grande público. Em seu primeiro livro, Bione, que representou Pernambuco no Campeonato Nacional de Poesia Falada, no final de 2018, se revela uma escritora com carreira promissora ao estrear no mercado editorial com apenas 15 anos de idade. Em Furtiva, a poeta, que começou a escrever aos 11, demonstra a percepção do olhar de uma menina atenta ao mundo em que vive.

A vivência numa comunidade da periferia recifense é a força motriz dos versos em que Bione deposita reflexões sobre temas que partem da individualidade para fazer ponte com questões sociais e políticos. Racismo, violência urbana, machismo e misoginia são assuntos constantes em suas linhas. Mas é sobre o amor, que ela se debruça eu seu primeiro livro. Sobre o amor vivido ocultamente, refém do preconceito. Furtiva, que tem origem na palavra “Furtivo” (que se faz a furto; discreto), liberta esse amor. “É um livro bem confessional, que passa por muitas das minhas vivências pessoais. Minha poesia sempre aborda temas políticos e eu considero que amar nesses tempos de hoje também é revolução, principalmente um amor que parece precisar do aval dos outros”, comenta Bione, que completa 16 anos no dia do lançamento.

Fred Caju, escritor e editor-fundador da Castanha Mecânica, conheceu Bione há pouco mais de um ano e foi responsável pela edição do livro. “Eu vi Bione recitando pela primeira vez no Controverso Urbano, ao ar livre. Fiquei impressionado com o talento. Depois, a reencontrei no Slam das Minas, com muito mais força. Eu nunca tinha presenciado alguém tão jovem recitando com tanta contundência e tanta força, um discurso tão afinado com o contemporâneo”, comenta o escritor, que também está à frente do projeto Mostra de Publicações Independentes.

Furtiva é um “um livro sem rima”. “Embora ela tenha essa pegada da oralidade. É uma leitura silenciosa entre muitas aspas. Um conjunto de poemas alinhado com segredos. A unidade narrativa é muito interessante para a idade dela e o recorte temático que demonstra muita maturidade para uma adolescente. Ela entregou um corpo sólido de um livro, que tem sua própria sonoridade”, explica o editor. O livro, que tem 52 páginas, tem encadernação artesanal em papel reciclado. O prefácio é assinado pela jornalista Lenne Ferreira, que também está à frente da Aqualtune Produções, que tem como missão colocar a mulher negra no protagonismo da produção cultural e fortalecer artistas periféricos, especialmente mulheres.

MOPI (Mostra de Publicações Independentes)

A MOPI (Mostra de Publicações Independentes) surgiu em julho de 2018 com o objetivo de expandir a experiência narrativa das obras de autores pernambucanos. Pensando a literatura, as edições e o contemporâneo como base discursiva, as atividades envolvem debates, oficinas, performances, lançamentos e feira de publicações. Fazem parte da MOPI 18 editoras independentes que contam em seu acervo mais de 160 títulos. Mais de 60 autoras e autores já se apresentaram durante a Mostra em 40 diferentes atividades. O acervo está espalhado em quatro cidades de Pernambuco: Recife, Olinda, Goiana e Belo Jardim.

CASTANHA MECÂNICA

A Castanha Mecânica surgiu em 2011 editando ebooks livres numa plataforma gratuita. Após dois anos de atividades, foram incluídos livros digitais também em copyright. E em 2016 foram inseridos os analógicos no acervo. Para o livro físico, são pensados projetos gráficos que interferem na obra como elemento narrativo e provoquem experiências sensoriais e sinestésicas nos leitores. Partindo do livro como um vetor de transmissão de afeto e como uma arma de luta, nas artesanias das edições, busca-se potencializar e reutilizar ao máximo os recursos empreendidos. A travessia nos livros em copyleft foi fundamental para manter a política em diagramar utilizando apenas softwares livres e tipografias em domínio público ou doada por seus autores.

Serviço

Lançamento do livro Furtiva, de Bione Sábado (16), 16 Inciti, Rua do Bom Jesus, bairro do Recife Aberto ao público

Programação

16h – Música / projeção com Biarritzz

17h às 19h – Recital + Mostra de Publicações Independentes

20h – Menina do Sax

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