PRÊMIO CULTURAS POPULARES | Em Pernambuco, Mestre Saúba mantém tradição dos brinquedos artesanais

Por seu trabalho, o artesão recebeu, em 2017, o Prêmio Culturas Populares. Inscrições para a edição deste ano já estão abertas e podem ser feitas até 16 de agosto

Há mais de quatro décadas, Mestre Saúba mantém com grande orgulho a tradição artesanal na produção de brinquedos (Fotos: Escritório Regional Nordeste/Ministério da Cidadania)

Há mais de quatro décadas, Mestre Saúba mantém com grande orgulho a tradição artesanal na produção de brinquedos (Fotos: Escritório Regional Nordeste/Ministério da Cidadania)

Quem se dispuser a ir à Rua João Martins, no bairro de Vila Rica, em Jaboatão dos Guararapes (PE), encontrará no imóvel de número 16 uma casa de brincantes. É lá que mora José Antônio da Silva, o Mestre Saúba, criador e grande admirador de brinquedos populares. Por seu trabalho, foi um dos vencedores, em 2017, do Prêmio Culturas Populares. A iniciativa, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, visa estimular e valorizar as mais diversas expressões culturais do País. As inscrições para a edição deste ano do prêmio estão abertas até 16 de agosto. Saiba mais.

Há mais de quatro décadas, Mestre Saúba mantém com grande orgulho a tradição artesanal. Aos 65 anos de idade, é possível encontrá-lo, aos finais de semana, em praças, feiras livres, mercados públicos e praias, levando sobre a cabeça uma pesada caixa em que acomoda suas peças coloridas (algumas sonoras), confeccionadas com madeira de embaúba. “O trabalho não deixa a gente desanimar e, além do mais, a satisfação de ver uma criança feliz vale todo o esforço da vida”, assegura.

Mestre Saúba nasceu no município de Pombos, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Veio de uma família grande (seis irmãos) e de poucos recursos. Aos oito anos de idade, já ajudava o pai no corte da cana-de-açúcar e não teve a chance de estudar. Até os 12 anos, essa foi a lida de Saúba, que ganhou o apelido inspirado na formiga saúva, por ficar vermelho sob o forte sol em suas longas jornadas de trabalho. Com a morte do pai, a família se mudou para a capital, onde exerceu várias ocupações, como operário da construção civil e carpinteiro.

Sua história com os brinquedos artesanais começou aos 20 anos de idade, quando conheceu uma cigana de nome Socorro, que produzia e comercializava peças como o mané-gostoso (boneco articulado, com braços ligados a hastes de madeira por um barbante, simulando um trapézio) e o sonoro rói-rói (haste de madeira revestida por resina e amarrada em barbante tendo na outra ponta uma pequena caixa cilíndrica). “A produção desses brinquedos era o maior segredo e, como eu queria aprender, acabei casando com a cigana. Passei quase três dias para fazer o meu primeiro mané-gostoso”, recorda.

O mané-gostoso é um dos brinquedos artesanais produzidos por Mestre Saúba

O mané-gostoso é um dos brinquedos artesanais produzidos por Mestre Saúba

Todo o trabalho de feitura dos brinquedos conta com a participação do irmão mais novo, que também é artesão e que também se chama José Antônio da Silva, o Cocota. Com ele, além do mané-gostoso e do rói-rói, a produção foi ampliada com as borboletas (presas a uma longa haste de madeira, com rodinhas, e que fazem barulho ao baterem as asas) e com os ratinhos móveis feitos em papel machê. Começam a trabalhar às 4h30 e seguem até as 21h – uma jornada com pausa apenas para as refeições e que assegura a criação de duzentas peças de cada brinquedo por mês.

O carinho e a dedicação aos brinquedos populares já levaram Saúba e Cocota a participarem de vários festivais e feiras, abrindo mercado em outros estados do Brasil. Saúba foi reconhecido mestre do artesanato de Pernambuco, em 2016, sendo convidado a integrar a Alameda dos Mestres na maior feira de artesanato da América Latina, a Fenearte, e teve como símbolo o mané-gostoso.

“Os bonecos me ensinaram muita coisa na vida. Dou graças a Deus quando o dia amanhece porque é mais uma oportunidade de recomeçar. Trabalhamos para ganhar o nosso sustento, mas não é apenas isso. O que mais a gente gosta é ver a criançada sorrindo”, afirma. Um dos grandes prazeres de Saúba é participar de oficinas em escolas públicas e privadas – momento em que fala um pouco da sua história e apresenta aos pequenos os seus engenhosos brinquedos. “Deus é grande, o mundo é largo. Ruim é a pessoa que se fecha em si e não repassa o que aprendeu na vida”, afirma o mestre.

Prêmio Culturas Populares

Na edição deste ano, que homenageia o cantor gaúcho Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, 150 prêmios serão destinados a iniciativas de mestres e mestras da cultura popular, 90 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural já reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva e 10 a pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural, também reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva. Serão 50 premiados de cada região do Brasil e cada um vai receber R$ 20 mil.

Criado em 2007, o Prêmio Culturas Populares já teve seis edições, com cerca de 11 mil inscrições e 2.045 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos premiados, com um total de R$ 28,75 milhões. A premiação ficou suspensa entre 2013 e 2016, tendo sido retomada em 2017. No ano passado, foram agraciadas 129 iniciativas da Região Nordeste, 123 da Sudeste, 99 da Sul, 98 da Norte e 51 da Centro-Oeste.

Assessoria de Comunicação
Escritório Regional Nordeste
Ministério da Cidadania

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