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DIVERSIDADE CULTURAL | Ministério da Cidadania lança o Prêmio Culturas Populares 2019

Este ano, a premiação que reconhece a diversidade cultural brasileira presta uma homenagem ao cantor, compositor e ator gaúcho Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha. No total, 250 mestras e mestres, além de Pontos de Cultura, serão premiados com R$ 20 mil (cada)

O Ministério da Cidadania vai premiar quem faz cultura popular no Brasil. Estão abertas até 16 de agosto as inscrições para o sétimo Prêmio Culturas Populares, que vai dar vinte mil reais a 250 mestres, mestras ou Pontos de Cultura que estimulem e valorizem as expressões culturais, como o cordel, o frevo, a quadrilha, o maracatu, a capoeira, as culinárias regionais e o bumba meu boi, entre muitas outras.

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“Vamos estimular prêmios aos mestres, às pessoas que realmente criam arte no Brasil”, ministro da Cidadania, Osmar Terra (Fotos: Clarice Castro / Ascom Ministério da Cidadania)

O evento que marcou o lançamento da premiação foi realizado nesta segunda-feira (24), em Porto Alegre (RS), e contou com a presença do ministro da Cidadania, Osmar Terra. Na ocasião, o ministro ressaltou a importância do prêmio para a valorização da diversidade cultural brasileira. “O Prêmio de Culturas Populares que nós estamos lançando é um prêmio para estimular a criatividade, premiar iniciativas importantes. É um estímulo que se dá à criatividade nacional em todo o País. Vamos estimular prêmios aos mestres, às pessoas que realmente criam arte no Brasil”, festejou.

Também presente no evento, o secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, afirmou que a cultura popular merece o reconhecimento que recebe nesse momento, pelo governo federal. “O Brasil é muito grande, são mais de oito milhões de quilômetros quadrados, e também muito diverso, com uma variedade enorme de expressões culturais que precisam ser preservadas”, destacou. “Para isso, é preciso levantar e estimular essas manifestações populares, como o Prêmio Culturas Populares tem feito. Contamos que, cada vez mais, essa premiação estimule a cultura popular no País”, disse.

Grupos representantes da cultura tradicional gaúcha se apresentaram no lançamento da premiação, ocorrido em Porto Alegre (RS)

A premiação

Na edição deste ano, 150 prêmios serão destinados a iniciativas de mestres e mestras da cultura popular, 90 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural, já reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva, e 10 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural, também reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva. Os premiados nas edições de 2017 e 2018 não poderão concorrer ao prêmio neste ano. Os interessados podem apresentar uma única inscrição em apenas uma categoria.

O equilíbrio regional, um dos critérios estabelecidos pelo prêmio, foi ressaltado pelo secretário especial Adjunto da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, José Paulo Martins, durante o lançamento: “A gente vai manter uma quantidade de premiação por região. Cada região brasileira vai ter 50 premiados. Isso é bom para a cultura brasileira e destaca personagens importantes. A gente fica muito feliz com isso”.

A avaliação das propostas será feita por uma comissão designada especificamente para o prêmio, composta por profissionais de reconhecida atuação e conhecimento na área das culturas populares, técnicos e servidores do Ministério da Cidadania e de instituições parceiras. A comissão terá 30 membros, sendo 15 titulares e 15 suplentes. Dentre os critérios de seleção estão a troca entre diferentes gerações que o saberes e fazeres da cultura popular tenham proporcionado, a relevância e a contribuição sociocultural das práticas nas comunidades em que são desenvolvidas e a capacidade de perpetuação e preservação dessas atividades tradicionais, gerando emprego e renda, entre outros.

Criado em 2007, o Prêmio Culturas Populares já teve seis edições, com cerca de 11 mil inscrições e 2.045 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos premiados com um total de R$ 28,75 milhões. A premiação ficou suspensa entre 2013 e 2016, tendo sido retomada em 2017. No ano passado, foram agraciadas 129 iniciativas da Região Nordeste, 123 da Sudeste, 99 da Sul, 98 da Norte e 51 da Centro-Oeste.

O homenageado

A cada ano, o Prêmio Culturas Populares homenageia um expoente da cultura popular brasileira. Este ano, o homenageado é o cantor, compositor e ator gaúcho Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, falecido em 1985, aos 58 anos. O secretário da Diversidade Cultural da Secretaria Especial da Cultura, Gustavo Amaral, cita o artista como um “mestre da cultura consagrado”. “Teixeirinha inegavelmente representa a identidade cultural e a tradição do povo do Rio Grande do Sul. É um mestre da cultura consagrado, cantor, ator e compositor. Seu disco Coração de Luto vendeu mais de um milhão de cópias em todo o Brasil em uma época que não havia internet, nem qualquer outro meio de disseminação rápida das manifestações culturais e mesmo assim ele fez história e continua fazendo. Deixou um grande legado para a música popular de raiz, que é justamente a categoria musical que as nossas políticas de apoio à cultura procuram abranger”, destaca.

Já o secretário especial da Cultura lembra que, além do primor artístico, Teixeirinha se posicionou como um grande empreendedor. “Ele foi um cineasta exitoso, dirigia, montava elenco, empregou técnicos e conseguia com seus filmes circular em todos os países de língua portuguesa. E com sua música também. O cantor e compositor Chico César, por exemplo, conhece todas as músicas do Teixeirinha, porque vendiam muito na loja de discos em que ele trabalhava. Já conheci africanos que cantavam as músicas do Teixeirinha porque o cantor vendia muito em Angola e Cabo Verde”, conta Pires.

Para Márcia Teixeira dos Santos, filha de Teixeirinha, a homenagem é um merecido reconhecimento à obra do pai. “Esta homenagem mostra a importância que o trabalho do meu pai teve. Ele era um artista popular, ele cantava a história de vida do povo. As músicas dele relatavam a realidade do povo. Ele dizia que a música dele tinha cabeça, barriga e perna, ela era completa e, por isso, eu acredito que ele atingiu um número tão grande de pessoas”, conta. Além de Márcia, o mestre teve outros oito filhos com Zoraida Lima Teixeira, com quem se casou em 1957. Depois de passarem por Passo Fundo, se mudaram para o bairro da Glória, em Porto Alegre, onde viveram juntos até a morte do cantor.

Natural de Rolante (RS), Teixeirinha nasceu em 1927. Ficou órfão aos nove anos e foi morar com parentes que não tinham condições de sustentá-lo. Para sobreviver, fez um pouco de tudo antes de se revelar grande artista: carregou malas em portas de pensões, entregou marmitas e vendeu jornais e doces como ambulante.

A carreira

A carreira de cantor de Teixeirinha teve início nas rádios das cidades do interior do Rio Grande do Sul, como Lajeado, Estrela e Rio Pardo. Apesar de nunca ter cursado aulas de música ou canto, contava com seus dons naturais: a bela voz e a improvisação, que fizeram com que se tornasse um exímio repentista. Carismático, escrevia canções simples que tocavam o público. Em 1959, aos 32 anos, Teixeirinha foi convidado pela gravadora Chantecler para gravar seu primeiro LP em São Paulo. As músicas “Xote Soledade”, “Briga no Batizado” e “Coração de Luto” foram grandes sucessos e, em 1961, o LP alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, um feito inédito no País. O recorde era apenas uma mostra do que estava por vir: Teixeirinha vendeu mais de 100 milhões de discos.

Sua carreira obteve repercussão internacional, com excursões por Estados Unidos e Canadá. Em Portugal, recebeu o troféu “Elefante de Ouro” pelas vendas expressivas de discos. Fez shows na maioria dos países da América do Sul.

Artista diversificado, em 1970, fundou a “Teixeirinha Produções Artísticas Ltda”, por meio da qual produziu e distribuiu os filmes “Ela Tornou-se Freira” (1970), “Teixeirinha Sete Provas” (1973), “Pobre João” (1975), “Na Trilha da Justiça” (1977), “O Gaúcho de Passo Fundo” (1978), “Meu Pobre Coração de Luto” (1978), “Tropeiro Velho” (1979) e “A Filha de Iemanjá” (1981).

Teixeirinha recebeu o título de cidadão emérito em diversos municípios rio-grandenses, como Passo Fundo, Santo Antônio da Patrulha, Rolante e Soledade, além de diversas homenagens póstumas, como ruas com seu nome na capital gaúcha e em cidades do interior do estado. Em 1999, recebeu o prêmio póstumo “20 Gaúchos que Marcaram o Século XX” e, em 2000, o troféu Guri pela rádio RBS.

Seu acervo, que reúne mais de 1.200 canções lançadas em cerca de 70 discos, atualmente é preservado pela Fundação Victor Mateus Teixeira. De acordo com a filha Márcia, que é diretora executiva da instituição, todos os filmes de Teixeirinha já foram remasterizados e, agora, a obra inédita do cantor está sendo resgatada. “Agora estamos resgatando gravações originais do meu pai. De acordo com o produtor, que analisou 17 das 128 fitas com material bruto, já há canções para fazer, pelo menos, quatro discos. A previsão é de que, até o fim deste ano, parte do material inédito seja lançado, o que torna a homenagem do Prêmio Culturas Populares ainda mais especial”, conclui.

Assessoria de Imprensa
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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PATRIMÔNIO | Salvador recebe novo espaço restaurado na Conceição da Praia

Após restauração, imóvel funcionará como espaço de eventos da Igreja da Conceição da Praia

Transformar a dinâmica das cidades brasileiras por meio do desenvolvimento urbano integrado à preservação do Patrimônio Cultural é um dos focos do trabalho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada ao Ministério da Cidadania. Como parte desse desafio, a cidade de Salvador (BA) recebe mais um espaço no qual o Patrimônio Cultural se coloca como um vetor para a melhoria da qualidade de vida da comunidade e da geração de oportunidades e renda.

Após restauração, espaço funcionará como local de eventos da Igreja da Conceição da Praia (Foto: Mario Vitor Bastos)

Após restauração, espaço funcionará como local de eventos da Igreja da Conceição da Praia (Foto: Mario Vitor Bastos)

Vizinhos à Igreja da Conceição da Praia, no Centro Histórico da capital baiana, dois imóveis foram completamente restaurados e passam a funcionar como um receptivo ou espaço de cerimonial para eventos, além de centro comunitário para a Irmandade Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia, que será a responsável pela gestão e administração do novo equipamento. Os imóveis receberam um investimento de mais de R$ 14 milhões do PAC Cidades Históricas, programa do Governo Federal conduzido pelo Iphan.

A entrega das obras de restauração foi celebrada em cerimônia na manhã desta quarta-feira (19), com a presença do secretário especial da Cultura adjunto do Ministério da Cidadania, José Paulo Martins; da presidente do Iphan, Kátia Bogéa; do prefeito de Salvador, ACM Neto; do diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida; do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; e da secretária de Cultura do Estado da Bahia, Arany Santana, entre outras autoridades políticas e eclesiásticas locais.

Inaugurando já com a casa cheia, o evento foi marcado pela grande expectativa de todos os envolvidos sobre o novo uso do espaço. A presidente do Iphan, em seu discurso, destacou a obra como importante exemplo do que pode ser feito na preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, pelas possibilidades de sustentabilidade que o bem passa a oferecer.

Conceição da Praia


Projeto do receptivo da Igreja da Conceição da Praia valorizou a historicidade do bem, ao permitir a leitura dos elementos de cada período (Foto: Eber Paz)

A intervenção, iniciada em 2015, traz um grande benefício para a região como um todo, já que a Igreja da Conceição da Praia tem importante valor simbólico para a população local. Além de ser tombada pelo Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro, é dali que saem os cortejos de algumas festas religiosas da cidade, como o Senhor Bom Jesus dos Navegantes. Os imóveis que foram restaurados também fazem parte do Conjunto do Centro Histórico de Salvador, igualmente protegido pelo Iphan.

A infraestrutura das duas edificações foi alterada em adequação ao projeto do novo receptivo, com instalação de escadas e elevadores, gerador de energia, reserva técnica de incêndio e climatização, além de toda estrutura de isolamento acústico. Também foi implantado um grande salão de eventos com mezanino, cozinhas, sanitários, vestiários, camarins e espaços administrativos. Assim, a ideia é que os recursos obtidos a partir do novo uso dos edifícios possam ser utilizados na conservação e manutenção da Igreja da Conceição da Praia. A juíza da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Conceição da Praia, Marília Gabriela, destacou a gratidão por ver o trabalho concluído: “Se nós juntássemos todo o recurso para fazer algo assim em curto prazo, não teríamos conseguido. Mas graças ao Iphan e ao Ministério da Cidadania, nós conseguimos essa graça de tocar um projeto que significa sustentabilidade. O Iphan nos deu a ferramenta para que, no passar do tempo, nós possamos cuidar da Basílica”, explicou.

Outra mudança fundamental ocorreu nas fachadas dos imóveis. Em 2012, grande parte da fachada de um deles desabou, restando apenas duas pequenas partes de sua estrutura original. Assim, a diretriz do Iphan para o projeto foi restaurar os elementos remanescentes e recompor a volumetria do edifício, permitindo a preservação de características que marcam os diversos períodos de sua história e, assim, reintegrando o imóvel ao conjunto tombado.

PAC Cidades Históricas

Os investimentos no receptivo da Igreja da Conceição da Praia se somam a uma série de ações que vem sendo realizadas pelo Iphan na Bahia nos últimos anos, por meio do PAC Cidades Históricas. Até o momento, já foram R$ 120 milhões de recursos destinados para as ações no estado, nas cidades de Salvador, Maragogipe, Itaparica e Santo Amaro, incluindo a conclusão de outras seis obras na capital: a implantação da Casa do Carnaval e as restaurações da Igreja da Ordem Terceira de São Domingos, do Forte de São Marcelo, da Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo, da Igreja do Corpo Santo e da Catedral Basílica de Salvador. Outras duas obras estão em execução na cidade, somando uma previsão de cerca de R$ 15 milhões em investimentos. O PAC Cidades Históricas integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que promove a execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética no Brasil.

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

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INVESTIMENTO | Governo federal libera mais R$ 12,3 milhões para o patrimônio cultural brasileiro

Cinco prédios tombados foram beneficiados em Maragogi (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Itaiópolis (SC), e Timbó (SC)

O Governo Federal vai liberar mais R$ 12,3 milhões para restauração e melhorias em cinco prédios tombados como patrimônio histórico brasileiro. Serão beneficiados o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), o Moinho Kollross, em Itaiópolis (SC), as ruínas do Mosteiro de São Bento, em Maragogi (AL), e a antiga escola urbana de Timbó (SC). As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira (18).

Os recursos são provenientes de condenações judiciais, multas e indenizações repassadas ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça, para reparação de danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Os contemplados foram selecionados por meio de edital lançado em abril deste ano. Os recursos serão liberados em até três parcelas, previstas para 2019, 2020 e 2021.

Em 2019, esta é a terceira seleção de projetos realizada pelo Conselho Federal Gestor do Fundo dos Direitos Difusos. Nos dias 9 e 23 de maio, outros R$ 189,2 milhões foram liberados para 23 projetos ligados ao setor cultural nas áreas de patrimônio, museus e bibliotecas.

Proteção da Casa de Ópera


O secretário de Cultura do estado do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, e o secretário Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, no interior do Teatro Amazonas (Foto: Ronaldo Caldas / Ascom Ministério da Cidadania)

Um dos mais importantes teatros do Brasil e cartão postal da cidade de Manaus, o Teatro Amazonas vai receber R$ 2,6 milhões para modernização e ampliação dos sistemas elétrico e de combate a incêndio. Tombado como patrimônio histórico em 1966, conta com 701 lugares e já foi palco de grandes espetáculos teatrais, óperas clássicas e até grandes shows internacionais, como da banda norte-americana The White Stripes. Este ano, foi escolhido pela revista Vogue como uma das casas de ópera mais bonitas do mundo.

O secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, esteve em Manaus no fim de maio para assistir ao Festival Amazonas de Ópera e assinar parceria com a Ópera Latinoamérica, composta por teatros e companhias líricas independentes da região. Para ele, o repasse de recursos do FDD é muito importante para a preservação do espaço. “É um teatro maravilhoso, no coração da Amazônia, que traz para dentro da região Norte as melhores óperas que existem no País. Mas havia uma carência em relação a medidas modernas de combate e prevenção a incêndio e a gente agora supre isso com os recursos liberados pelo Fundo dos Direitos Difusos”, destacou Pires.

Restauração do Museu de Arte

Do outro lado do país, R$ 5,6 milhões provenientes do FDD serão usados para obras de climatização geral e restauração da cobertura e torreões do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), principal museu de arte do estado e um dos mais importantes do País. Localizado na Praça da Alfândega, no centro histórico de Porto Alegre, reúne um acervo de mais de 5 mil obras, desde a primeira metade do século XIX até os dias atuais, abrangendo diferentes linguagens das artes visuais, como pintura, escultura, gravura, cerâmica, desenho, arte têxtil, fotografia, instalação, performance, arte digital e design, entre outros. Foi tombado em 1951 como patrimônio material do Brasil.

“Quando visitamos o Margs, uma demanda que nos apresentaram foi exatamente a climatização geral e restauração da cobertura e dos torreões. Felizmente, conseguimos colocar o projeto na pauta do Fundo dos Direitos Difusos, fomos contemplados e conseguiremos começar as obras ainda este ano”, destaca Pires. “É uma alegria muito grande, queremos qualificar ainda mais esse espaço tão importante para o Rio Grande do Sul. Após as obras, inclusive, os torreões poderão ser usados para atividades que gerem renda para o museu, o que hoje não é possível”, completa.

Ainda no Sul do Brasil, em Santa Catarina, dois projetos foram contemplados: a restauração e adequação da Escola Urbana de Timbó, que vai receber R$ 1,1 milhão; e o projeto de restauração e adequação do Moinho Kollross, em Itaiópolis, para o qual serão liberados R$ 530,3 mil. Do fim do século XIX, a escola foi construída no sistema enxaimel, com fechamento de tijolos aparentes, coberturas de telhas tipo rabo de castor dispostas no sistema de sobreposição e com janelas de madeira que se abrem em duas folhas, com bandeiras envidraçadas. Foi tombada em 2015 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania. Já o Moinho Kollross, atualmente desativado, foi construído em 1950 para o beneficiamento artesanal do trigo. Faz parte de um grupo de seis moinhos erguidos na cidade catarinense com base na arquitetura e nas técnicas de construção eslavas.

Escoramento das ruínas do Mosteiro

Em Maragogi, litoral de Alagoas, cerca de R$ 2,4 milhões serão utilizados em serviços emergenciais para consolidação e escoramento das ruínas do Mosteiro de São Bento. Construído no século XVII (primeiros registros datam de 1634), o prédio, além de servir de pouso para religiosos em trânsito, tinha também uma finalidade estratégica de proteção contra invasão de piratas, principalmente franceses e holandeses. Hoje sobraram apenas ruínas do mosteiro, com alguns poucos paredões ainda de pé.

Para o diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Róbson Almeida, a aprovação desses cinco projetos pelo FDD agrega recursos “muito importantes” para as políticas de preservação do patrimônio cultural brasileiro. “Com os 14 projetos anteriormente aprovados, são 19 projetos na área do patrimônio cultural, que somam mais de R$ 94 milhões”, destaca.

Confira todos os projetos contemplados:

Projeto Valor
Execução da obra de climatização geral e restauração da cobertura e torreões do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre/RS R$ 5.641.278,06
Atualização Tecnológica do Sistema de Combate à Incêndio do Teatro Amazonas, em Manaus/AM R$ 2.607.820,16
Serviços emergenciais para consolidação e escoramento das ruínas da Igreja de São Bento, localizada no município de Maragogi/AL R$ 2.389.883,89
Obra de restauração da antiga escola urbana de Timbó/SC R$ 1.107.955,53
Projeto de restauração e Adequação do Moinho Kollross – Itaiópolis/SC R$ 530.383,09

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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ENCONTRO | Osmar Terra debate Lei do Audiovisual com Cúpula Conservadora das Américas

Durante reunião, ministro da Cidadania reforçou a necessidade de incentivar a criação de produtos de qualidade que valorizem a cultura nacional

Brasília – O ministro da Cidadania, Osmar Terra, recebeu nesta segunda-feira (17), em seu gabinete, membros da Cúpula Conservadora das Américas. O objetivo do encontro foi debater projetos aprovados por meio da Lei do Audiovisual, o impacto na promoção do Brasil internacionalmente e o fomento à produção de conteúdos que destaquem símbolos nacionais, o patriotismo e a preservação da família e outras instituições. Terra enfatizou a necessidade de incentivar a criação de produtos de qualidade que valorizem a cultura nacional.

Ministro da Cidadania Osmar Terra recebe em audiência a Cúpula Conservadora da América. Foto : Mauro Vieira/Ascom/Minstério da Cidadania.

Ministro da Cidadania Osmar Terra recebe em audiência a Cúpula Conservadora da América. Foto : Mauro Vieira/Ascom/Minstério da Cidadania.

Membro da Cúpula Conservadora das Américas, Katiane Fátima de Gouvêa salientou o papel da Secretaria Especial da Cultura para o desenvolvimento do país e o resgate de bons costumes e da valorização do belo e da arte clássica – tanto no cinema quanto no teatro. O encontro foi acompanhado pelo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Soares Martins.

O ministro Osmar Terra também falou sobre como a música pode ajudar a prevenir A violência e foi presenteado pelo maestro Dante Mantovani com uma edição autografada do livro Ensaios Sobre a Música Universal – Do Canto Gregoriano a Beethoven.

O grupo da Cúpula Conservadora das Américas é formado ainda pelo médico da Marinha do Brasil, Luciano Dias de Azevedo, o produtor executivo e roteirista de documentários, Fábio José Gomes Leme, o colunista do site Estudos Nacionais, Cristian Derosa, o produtor e curador de exposição de artes, Romildo Gastão da Silva, e a integrante do Grupo de Trabalho, Andreia dos Santos. Eles presentearam o ministro com uma obra em xilogravura exclusiva do artista, pintor, cordelista e poeta brasileiro, José Francisco Borges, conhecido artisticamente como J. Borges.

Informações sobre os programas do Ministério da Cidadania:
Central de Relacionamento – 121

Informações para a imprensa:
Ascom/Ministério da Cidadania
(61) 2030-1505
www.mds.gov.br/area-de-imprensa

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LEI DE INCENTIVO À CULTURA | Entidades podem captar mais de R$ 27 milhões para as festas juninas deste ano

O Ministério da Cidadania autorizou a captação de verba por 17 iniciativas vinculadas às festividades de São João. Já por meio de emendas parlamentares, três projetos foram contemplados, em um total de R$ 1,6 milhão

Para comemorar as festividades de São João que ocorrem nesta época do ano, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania autorizou 17 iniciativas a captar R$ 27.171.320 milhões por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Além disso, a Pasta também firmou convênios, com recursos provenientes de emendas parlamentares, para o apoio a três festas: uma no Distrito Federal, que vai receber cerca de R$ 1,4 milhão; uma em Pernambuco, com repasse de R$ 100 mil; e outra em Goiás, também no valor de R$ 100 mil.

Por meio de emendas parlamentares, R$ 1,6 milhão foi liberado para as festividades (Foto: Clara Angeleas / Ascom Ministério da Cidadania)

Por meio de emendas parlamentares, R$ 1,6 milhão foi liberado para as festividades (Foto: Clara Angeleas / Ascom Ministério da Cidadania)

No Distrito Federal, quem vai receber os recursos é o Maior São João do Cerrado, previsto para ser realizado nos dias 9, 10 e 11 de agosto, na região administrativa de Ceilândia. Há 13 anos, o evento leva cultura nordestina para a capital federal com muita música, comidas e danças típicas da região. No espaço dedicado ao São João, uma grande praça de alimentação costuma ser cercada por ilhas de forró no estilo “pé de serra”. A festa conta com uma vila cenográfica que remete à autenticidade do povo nordestino, além de um grande palco principal. Com entrada franca, o evento atrai multidões em busca de diversão e muito forró. Artistas como Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Gilberto Gil já passaram por essa grande festa no Planalto Central.

Para Edilane Oliveira, presidente do Instituto Brasileiro de Integração – Cultura, Turismo e Cidadania (IBI), organizador do evento, o apoio da Secretaria Especial da Cultura é fundamental para a realização da festa. “É muito importante, principalmente quando a gente trabalha com evento gratuito, dando acesso a quem não tem condições. Então, levar a cultura para esses bairros mais carentes, fazer grandes eventos com qualidade, só com esse apoio. Sem isso, a gente não conseguiria”, destaca.

Em Pernambuco, os recursos foram repassados para a Federação das Quadrilhas Juninas e Similares do Estado, que organiza o 3º Festival de Quadrilhas Pernambuco Junino. O evento acontece em várias cidades do estado e conta com 20 grupos da região metropolitana de Recife, capital de Pernambuco, que se apresentam em espetáculos gratuitos ao longo de todo o mês. A presidente da entidade, Michelly Miguel, destaca que esse tipo de incentivo à cultura é essencial para manter as tradições vivas. “Todo deputado deveria investir um pouco do dinheiro que ele tem de emendas para esse tipo de incentivo, não só de quadrilha, mas da cultura como um todo”, afirma.

Em Goiás, os recursos foram repassados para a realização da 41ª Festa de Santo Antônio da Cidade Ocidental, localizada a 42 quilômetros de Brasília.  As festas de Santo Antônio, que ocorrem de 31 de maio a 15 de junho, conta com comidas típicas e várias atrações de forró.

Incentivo à Cultura

A legislação federal de Incentivo à Cultura é o principal mecanismo de apoio à cultura do Brasil. Nos 27 anos de existência da Lei, foram injetados R$ 49,78 bilhões na economia brasileira por meio da realização de 53.368 projetos culturais, de acordo com estudo realizado em dezembro de 2018, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa de retorno é de R$ 1,59, o que significa que a cada real destinado a um projeto cultural, R$1,59 retornam para a sociedade por meio da movimentação financeira de uma extensa cadeia produtiva.

A Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania é a responsável por receber e aprovar os projetos culturais. A partir daí, pessoas físicas e empresas escolhem os projetos que querem patrocinar, recebendo em troca a possibilidade de abatimento de parte ou da totalidade do valor patrocinado do Imposto de Renda a pagar. Para pessoas físicas, o limite da dedução é de 6% do IR a pagar; para pessoas jurídicas, 4%.

Ampliação do acesso

Em 23 de abril, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, anunciou mudanças na Lei Federal de Incentivo à Cultura. Com as novas regras, o Ministério da Cidadania prevê uma melhor distribuição dos recursos disponíveis para ampliar o acesso à cultura em todas as regiões do País.

A principal mudança trazida pela nova Instrução Normativa é a redução nos valores máximos permitidos por projeto e por carteira (conjunto de projetos por empresa), o que melhora a distribuição dos recursos e estimula pequenos e médios produtores culturais a apresentarem mais projetos. O valor máximo autorizado para um projeto, que era de R$ 60 milhões, caiu para R$ 1 milhão, redução de 98%. No caso das carteiras – que são o conjunto de projetos apresentados por uma empresa ou por um grupo de empresas com sócio em comum – o teto passou de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões, queda de 83%.

As regras da nova IN permitiram que em alguns casos o teto de R$ 1 milhão para o valor de um projeto seja extrapolado. Há perfis de projetos que não terão limite de captação de recursos. Outros terão o teto estendido para R$ 6 milhões. Estão no grupo de projetos com teto de R$ 6 milhões: os que promovam datas comemorativas nacionais, com calendários específicos (Natal, Réveillon, Carnaval, Paixão de Cristo, Festas Juninas).

Confira os eventos que podem receber recursos via Lei Federal de Incentivo à Cultura:

  • Festival Arraiá Galinho – 30 anos (São Paulo)
  • São João Multicultural (Pernambuco)
  • São João Musical de Caruaru (Pernambuco)
  • XVI Festival de Quadrilha São João da Tradição de Sítio Novo (Rio Grande do Norte)
  • II Festival de Quadrilhas Juninas (Rio Grande do Norte)
  • São João Cultural de Caruaru (Pernambuco)
  • Arraiá da Leste (São Paulo)
  • São João da Zona Portuária (Rio de Janeiro)
  • Nos Arraiás da Memória – 10 anos da Flor Mandacaru (Maranhão)
  • Festança Junina (Maranhão)
  • Grupo Cultural Junino Luar do São João (Piauí)
  • Grande Arraia Circuito Junino Araxá Ano II (Minas Gerais)
  • São João Tradição em Santa Luzia 2019 (Paraíba)
  • Desfile de cortejo da cultura popular (Piauí)
  • Grande Arraia Circuito Junino Juiz de Fora (Minas Gerais)
  • Arraiá da Paróquia – 2019 (Paraná)
  • Festival de São João (Santa Catarina)

Bruno Romeo
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Governo Federal lança Guia do Torcedor da Copa América em três línguas

Editada em português, espanhol e inglês, publicação digital reúne informações de turismo, segurança, saúde e serviços consulares, com foco nas cinco cidades-sede da competição

Informações sobre os principais pontos turísticos, estrutura de saúde, dicas de segurança, documentos de viagem, opções de mobilidade, contatos úteis e tabela completa. Às vésperas de a bola rolar para a Copa América de Futebol 2019, o Governo Federal lança o Guia do Torcedor. A publicação digital, editada em inglês, português e espanhol, tem o objetivo de prestar os serviços básicos aos torcedores estrangeiros e brasileiros mobilizados em torno do evento que será realizado no Brasil entre 14 de junho e 7 de julho.

O foco da publicação é nas cinco cidades-sede do torneio: Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O pontapé inicial da competição que reúne 12 seleções será na sexta-feira, 14.06, no Morumbi, no duelo entre Brasil x Bolívia. A Seleção Brasileira está no Grupo A da competição, que também conta com Peru e Venezuela. O Grupo B reúne Argentina, Catar, Colômbia e Paraguai, e o Grupo C inclui Chile, atual campeão, além de Equador, Japão e Uruguai.

O Japão e o Catar, embora não integrem o continente americano, foram convidados por serem anfitriões das próximas edições dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo da FIFA.

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Copa América 2019
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O Guia do Torcedor também reúne informações gerais sobre o Brasil, aspectos de legislação e procedimentos migratórios úteis. Indica, ainda, repartições diplomáticas e consulares dos países participantes da Copa América e lista os escritórios de representação do Ministério das Relações Exteriores nas cidades-sede.

A publicação é uma parceria entre a Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Embratur, Ministério do Turismo, Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Saúde. O conteúdo também recebeu a contribuição das secretarias de Turismo e Esporte das cinco cidades-sede e da Diretoria de Operações do Comitê Organizador Local da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Rededoesporte.gov.br

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FUNDO SETORIAL DO AUDIOVISUAL | Ancine divulga estudo sobre raça e gênero de participantes de editais

Projetos dirigidos por mulheres, que representavam 27% das do total de inscrições, chegaram a 32% dos selecionados. Já no quesito racial, 4% dos projetos inscritos eram de diretores e diretoras que se declararam pretos, percentual que subiu para 5,7% dos selecionados

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A Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania, divulgou nesta quinta-feira (13) um levantamento de dados inéditos feito pela Superintendência de Análise de Mercado sobre raça e gênero dos participantes dos editais do Fundo Setorial do Audiovisual em 2018. Esse estudo apresenta percentuais de diretores e roteiristas, por raça e gênero, inscritos e selecionados nesses editais, e são os primeiros dados da política de cotas introduzida pela agência desde 2018. Projetos dirigidos por mulheres, que representavam 27% das do total de inscrições, chegaram a 32% dos selecionados. Já no quesito racial, 4% dos projetos inscritos eram de diretores e diretoras que se declararam pretos, percentual que subiu para 5,7% dos selecionados.

Foram analisados oito editais com processos de seleção concluídos. Três foram operacionalizados pela Ancine: Comercialização de Cinema; Produção para Cinema – Concurso; e Produção para Cinema – Fluxo Contínuo. Dessas três chamadas públicas, somente a de Produção para Cinema – Concurso continha indutores de raça e gênero, com a previsão de que no mínimo 35% dos recursos disponibilizados no edital deveriam ser investidos em projetos dirigidos por mulheres e no mínimo 10% seriam direcionados para projetos por pessoas negras ou indígenas. Nos cinco editais operados pela Secretaria do Audiovisual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, havia cota de 50% para mulheres e 25% para negros. No total, esse primeiro levantamento contempla mais de 1.400 inscrições de projetos audiovisuais.

A Ancine atualiza também, com dados de 2017 e 2018, o estudo sobre a participação das mulheres no audiovisual. Houve aumento da participação feminina nas atividades de direção, roteiro e direção de fotografia, com incremento de dois pontos percentuais. A participação feminina da produção executiva também aumentou um ponto percentual (41%). No entanto, assim como nos anos anteriores, o destaque ficou para a atividade de direção de arte, onde a presença feminina ultrapassou a masculina (57%). Os dois estudos estão disponíveis no OCA – Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual.

Agência Nacional do Cinema (Ancine)
Ministério da Cidadania

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PATRIMÔNIO | Celebração afro-brasileira Bembé do Mercado é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil

Festividade em Santo Amaro, na Bahia, iniciada em 1889, comemora o fim da escravidão e reforça a resistência dos povos negros do Brasil

A celebração afro-brasileira Bembé do Mercado, que comemora o fim da escravidão e reforça a resistência dos povos negros, é o mais novo Patrimônio Cultural do Brasil. A festa pela liberdade, realizada em Santo Amaro (BA), foi avaliada e aprovada nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A celebração teve início em 1889, um ano após a abolição da escravatura.

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A celebração Bembé do Mercado comemora o fim da escravidão e reforça a resistência dos povos negros (Fotos: Zeza Maria)

Assim, há 130 anos, todo dia 13 de maio é momento para rememorar a luta pela liberdade e a resistência dos povos negros, primeiro como escravizados, depois como cidadãos. Os praticantes dessa expressão cultural, que tem forte base na religiosidade popular de matriz africana, reforçam que a festa é um culto às divindades das Águas representadas por Iemanjá e Oxum, sendo também momento de agradecer a proteção individual e coletiva.

O pedido para registrar a celebração foi apresentado ao Iphan pela Associação Beneficente e Cultural Ilê Axé Ojú Onirè em 2014. O presidente da Associação, Jose Raimundo Lima Chaves, conhecido como Pai Pote, avalia que a titulação como Patrimônio Cultural do Brasil será muito positiva, pois valorizará não só o povo de terreiro, como também a comunidade negra da diáspora africana.

“Estou orgulhoso de ver o crescimento dessa celebração já reconhecida tanto pelo município de Santo Amaro quanto pelo estado da Bahia. Agora esperamos que o reconhecimento seja de todo o Brasil”, comemorou Pai Pote.

A celebração Bembé do Mercado de Santo Amaro

Xirê e bandeirolas
Xirê e bandeirolas

Existem diversas teorias sobre o uso do nome Bembé, quase todas assentadas nos processos da diáspora africana. Entretanto, pesquisa realizada pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Iphan com os praticantes mais antigos indica que o nome deriva de Candomblé.

O Bembé é como um balaio de história, cultura, arte e ação política que acolhe o melhor das expressões do Recôncavo Baiano. A capacidade inventiva e transformadora desta festa permitiu que ela sobrevivesse neste espaço por mais de um século, sendo um marco contra o passado escravagista. Por isso, sua relevância para a memória, a história e a cultura nacional.

“A celebração compreende uma multiplicidade de sentidos, a ser entendida e vivida de várias maneiras, sendo capaz de se integrar às histórias de vida de seus agentes entre si, na cidade e para fora dela, e por isso considerada uma celebração única”, explica a presidente do Iphan, Kátia Bogéa. “É fonte de sabedoria, de ciência, de memória, de diplomacia, de zelo e, mais do que tudo, é uma possibilidade única – como a festa – de formação de identidade”.

Celebração Bembé do Mercado, Santo Amaro, Bahia
O Bembé se caracteriza como uma obrigação religiosa destinada às divindades das Águas para agradecer e propiciar o bem-estar da coletividade

O Bembé se caracteriza como uma obrigação religiosa destinada às divindades das Águas para agradecer e propiciar o bem-estar da coletividade. São três momentos cerimoniais: os ritos ligados ao fundamento da festa (as cerimônias para os ancestrais, o Padê de Exu, o Orô de Iemanja e Oxum); o Xirê do Mercado e a entrega dos presentes destinados a Iemanjá; e a Oxum. Contudo, sua produção e execução envolvem diversos atores sociais, como os comerciantes locais, pescadores, ativistas políticos, brincantes de Maculelê e detentores de bens já registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, sambadoras e sambadores de roda do Recôncavo e capoeiristas.

A festa secular tem, também, outros bens culturais associados, como a do Nego Fugido, um teatro que representa a violência da escravidão; o Lindro Amor, cortejo feminino feito para comemoração dos festejos de São Cosme e São Damião; a Burrinha; e a Puxada de Rede, todos relacionados às referências culturais da diáspora africana. Na programação da festa ainda são incluídas atividades realizadas por grupos de dança afro, grupos parafolclóricos e outros da cultura popular.

O Mercado como espaço político-sagrado e de resistência

A cidade de Santo Amaro se constituiu como núcleo açucareiro e fonte de alimentos de subsistência, tendo a escravidão como base dessa economia. O comércio realizado no Mercado local, incluindo a venda de peixes, era para os escravizados uma alternativa de obter recursos para a compra da alforria e posterior forma de sustento, sendo o espaço do Mercado também protagonista da história. Mesmo após a Lei Áurea, a população negra continuou vivendo as desigualdades econômicas e sociais, enfrentando dificuldades para a livre prática de seus cultos religiosos nos espaços internos e externos aos terreiros.

Para fazer o Candomblé, era necessário obter o aval de autoridades política, além de ocorrer em datas correlacionadas às festividades católicas. Contudo, no dia 13 de maio de 1889, sem qualquer permissão e aos modos de uma celebração religiosa de matriz africana, os filhos e filhas de santos guiados por João de Obá se uniram na Ponte do Xaréu para celebrar uma data cívica, no centro da vida pública da cidade. E assim teve início essa manifestação cultural e religiosa pública secular. A Rua, o Mar e o Mercado transformam-se em territorialidades expandidas do Candomblé, e durante o Bembé, também lhes conferem uma dimensão política, além de religiosa.

A pesquisa apresentada no Dossiê de Registro elaborado pelo Iphan descreve que, possivelmente, a presença dos capoeiristas e do povo do maculelê era essencial na festa, uma vez que atuavam como uma forma de agentes de segurança diante do Estado ameaçador e repressor.

Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, antropologia, arquitetura e urbanismo, sociologia, história e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Ministério da Educação, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério das Cidades e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

O Conselho Consultivo também também aprovou durante a 93ª reunião o tombamento do espaço e acervo do Museu ao Ar Livre de Orleans, no município de Orleans, em Santa Catarina.

Celebração Bembé do Mercado, Santo Amaro, Bahia
O pedido para registrar o Bembé do Mercado foi apresentado ao Iphan pela Associação Beneficente e Cultural Ilê Axé Ojú Onirè em 2014

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

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AUDIOVISUAL | Empresas internacionais celebram parceria com mercado audiovisual brasileiro

Em 10 anos, empresas associadas à Motion Picture Association (MPA), por exemplo, já investiram
R$ 500 milhões no audiovisual nacional. A perspectiva é de mais investimento

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Somos movidos a histórias. E os criadores audiovisuais são mestres em contá-las. São, muitas vezes, enredos sofisticados que alimentam nosso imaginário e apresentam novas visões de mundo. Cada vez mais, os brasileiros têm acesso a essas histórias, vindas de todo canto. Com a marca Brasil, há uma curva ascendente: foram 185 filmes lançados em 2018, quase 100 lançamentos a mais do que em 2009 – nessa área, o Brasil já superou a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Cultura (PNC). E se consideradas as coproduções internacionais, os números também sopram a favor. Em 2017, foram realizados 22 filmes em coparceria com outros países – em 2009, a realização se resumiu a uma única obra audiovisual.

Integrantes da Motion Picture Association (MPA), que reúne produtores e distribuidores internacionais, comemoram a parceria crescente com o setor audiovisual brasileiro. “Estamos há mais de sete décadas no País. Então, existe um comprometimento de 100% com a indústria brasileira, fazemos parte dela, somos todos brasileiros, empregamos pessoas brasileiras”, afirma a diretora de Relações Governamentais da MPA Brasil, Andressa Pappas. “Nosso objetivo número um será sempre contribuir com o desenvolvimento dessa indústria, que prospera e figura entre as maiores do mundo”, completa a diretora. Segundo Andressa, empresas associadas à MPA investiram cerca de R$ 500 milhões em filmes brasileiros, nos últimos 10 anos. Entre as associadas, estão a Walt Disney, a Paramount, a Netflix Studios, a LLC, a Sony Pictures, a Universal e a Warner Bros.

Para o secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, esse é um investimento que merece ser celebrado: “Precisamos conhecer um pouco mais essa realidade de retornos, porque às vezes o mercado interno ou a sociedade como um todo não dimensiona isso”. Pires lembra que os dados concretos revelam a pujança do audiovisual brasileiro, também em função das multiplataformas que estão à disposição do setor. “As pessoas estão assistindo produtos audiovisuais de todas as maneiras e isso está gerando muito emprego e muita circulação de recursos no País. A ideia é essa, que isso seja estimulado”, reforça. O Brasil é o 8º mercado de VoD (vídeo on demand) do mundo e o maior latino-americano, com receitas estimadas em 352,3 milhões de dólares (2016), segundo o portal de estatísticas alemão Statista.

Crescimento

Diretora das empresas FOX e Warner Bros no Brasil, Patricia Kamitsuji Ito afirma que as empresas crescem junto com o audiovisual nacional, além de oferecem uma expertise a respeito do mercado internacional. “Esse é um trabalho que a gente faz, tanto de mentoria, quanto de participar das produções, trazer talentos, entender como pode ser levado pra fora”, conta. Segundo a diretora, a internacionalização de obras audiovisuais brasileiras é uma das prioridades dessas empresas instaladas no Brasil: “A gente tem muito orgulho de pegar uma produção feita no Brasil e lançar em vários outros países. Esse é um trabalho muito importante também que deve ser levado em consideração. Não é só o produto brasileiro para o mercado brasileiro, ainda mais quando a gente fala em outras telas, em multiplataformas, em streaming. Isso é mundial”.

Entre os filmes nacionais produzidos pela FOX está a animação em 3D “Lino – Uma Aventura De Sete Vidas”

Entre os filmes nacionais produzidos pela FOX está a animação em 3D “Lino – Uma Aventura De Sete Vidas”. O diretor do filme, Rafael Ribas, conta que a parceria foi “essencial” para a carreira de sucesso de Lino, que ainda está ajudando a influenciar o mercado da animação nacional. “Eu acho que a partir de agora, até por conta do que aconteceu com o Lino, a gente vai ter bastante investimento. Vai ter muita gente interessada em produzir aqui, porque eu estou presenciando isso”, comemora. Lançado no Brasil em 2017, o filme já chegou a telas de mais de 50 países, incluindo México, França, Espanha, Alemanha, Coréia, Itália e Rússia. “Nós levamos a animação Lino para mil salas de cinema da Rússia”, destaca a representante da produtora e distribuidora estrangeira.

De acordo com Kamitsuji, apenas as empresas FOX e Warner Bros já investiram em 176 projetos no Brasil, resultando em 89 lançamentos e 87 filmes em produção. Entre os filmes lançados, houve a criação de 24.830 postos de trabalho (289 por filme, em média), com um impacto econômico direto e indireto de R$ 2,5 bilhões. Ainda segundo a diretora, para cada R$ 1 de incentivo fiscal nas obras audiovisuais lançadas, houve um investimento de R$ 3,95 em recursos privados. “São ações que a gente faz pelo produto nacional que incentiva os próprios produtores a se animarem a fazer um produto ainda maior e melhor”, resume Patrícia.

Agenda internacional

Os representantes das empresas audiovisuais foram recebidos em Brasília por Henrique Pires e pelo secretário do Audiovisual, Pedro Peixoto. Na ocasião, o secretário indicou que o governo federal permanece aberto a parcerias, sempre no intuito de fortalecer a cadeia audiovisual. “É o momento de escutar e ponderar uma série de coisas. Estamos abertos a conversar. O diálogo só tende a produzir efeitos positivos”, afirmou Peixoto.

Durante a reunião, os presentes também reforçaram a importância da presença do secretário especial da Cultura no Seminário promovido pela Câmera de Comércio Brasil-Califórnia (BCCC), em Los Angeles, nos Estados. O evento começa nesta terça-feira (11) e segue até o próximo dia 15. No local, Henrique Pires vai apresentar uma palestra sobre os desafios e as oportunidades do setor cultural no Brasil. O evento reúne diversos interlocutores da indústria audiovisual norte-americana, em um cenário de atração de investimentos e produções estrangeiras para o Brasil.

Na agenda internacional, o secretário ainda visita a E3, a maior feira de games do mundo. O setor é considerado um gigante do audiovisual, tendo faturado três vezes mais do que o cinema e sete vezes mais do que música, globalmente, em 2017. No Brasil, o setor cresceu, em média, 28,7% ao ano entre 2012 e 2016. A estimativa é que, até 2021, continue crescendo pelo menos 16,5% ao ano, segundo a PricewaterhouseCoopers.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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INSCRIÇÕES ABERTAS | Palmares vai premiar obras literárias que contemplem a cultura afro-brasileira

A entidade vinculada ao Ministério da Cidadania irá contemplar cinco autores – um de cada região do Brasil – com o valor de R$ 30 mil, para cada

A Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cidadania, lançou o II Prêmio Oliveira Silveira – Infantojuvenil, que tem como propósito reverenciar obras literárias inéditas e ilustradas que incorporem elementos da cultura afro-brasileira. Um autor por região do país será premiado com o valor de R$30 mil. O lançamento ocorreu durante a abertura oficial da 35ª edição da Feira do Livro de Brasília (Felib), que acontece no Complexo Cultural da República até 16 de junho.

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“O edital permite uma justa e democrática participação desses escritores que trazem novos olhares sobre a necessidade de uma igualdade racial”, Vanderlei Lourençom presidente da Fundação Cultura Palmares, no lançamento do edital (Foto: Divulgação)

O presidente da Palmares, Vanderlei Lourenço, ressaltou a importância do Prêmio e a participação da FCP na feira, garantindo espaço a autores que trabalham com foco na cultura negra. “O edital permite uma justa e democrática participação desses escritores que trazem novos olhares sobre a necessidade de uma igualdade racial”, afirmou. “Trazemos a marca da diversidade para um momento onde se dá a dimensão da sociedade de conhecimento, na qual queremos estar incluídos”, completou Lourenço.

O objetivo do edital é cumprir com as diretrizes formuladas pelo Plano Plurianual do Governo Federal e pelo Plano Nacional de Cultura, difundindo, promovendo e incentivando produções literárias que registrem, revelem e/ou resgatem a cultura afro-brasileira. Para concorrer ao prêmio, os escritores devem ficar atentos ao prazo de inscrições, que segue até o dia 22 de julho.

Nesta edição, serão selecionadas cinco propostas de ficção direcionadas ao público com faixa etária entre oito e 12 anos. As obras devem ser inéditas e conter narrativas imaginárias, com temas e conteúdos que sejam compatíveis com a compreensão do público infantojuvenil. Devem abordar fatos históricos que valorizem a participação do negro na constituição da sociedade brasileira, questões afetas ao negro no Brasil e manifestações afro-brasileiras.

Cultura, conhecimento e perspectivas

Durante a abertura da 35ª Felib, o coordenador do Comitê Gestor da Feira, Marcos Linhares, afirmou ser bem-vinda toda iniciativa que fortaleça o conhecimento étnico e de gênero. Ele anunciou estandes da feira voltados especificamente à literatura negra, indígena e feminina.

Já o secretário de Educação do Governo do Distrito Federal, Rafael Parente, pontuou que promover autores e livros para esses públicos significa mais que levar conhecimento. “É levar sonhos e uma força propulsora para que eles se realizem”, concluiu. Segundo ele, uma criança que tem acesso a leitura ganha novas possibilidades de vida. “Por meio do livro ela ingressa em diferentes universos e domina o mundo”.

A autora Eliane Alves Cruz, uma das premiadas na edição de 2016 do Prêmio Oliveira Silveira, participa da feira com os livros de sua autoria: Água de Barrela e O Crime do Cais do Valongo. Nesta primeira edição, foram contempladas obras na categoria Romance. Eliana fará uma palestra na Feira do Livro na próxima sexta-feira (14), às 18h, no Espaço do Educador/Felib.

Sobre Oliveira Silveira

Importante poeta e escritor gaúcho, Oliveira Silveira foi um dos nomes que muito contribuiu para a causa negra no Brasil e que hoje dá nome ao acervo da FCP. Por suas atuações marcantes, nomeia também o prêmio da instituição que destaca autores voltados à mesma causa.

Inscrições

Para se inscrever no prêmio, acesse o edital no portal da Fundação Cultural Palmares. As inscrições estão abertas até o dia 22 de julho de 2019.

Assessoria de Comunicação
Fundação Cultural Palmares
Ministério da Cidadania

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