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PERNAMBUCO | Mostra Aeso 50 anos ocupa o São Luiz

20140722-o-bravo-guerreiro-papo-de-cinema-01O Cinema São Luiz sediará, entre os dias 17 e 22 de maio, a Mostra Aeso 50 anos. O evento, que integra as comemorações das cinco décadas da Associação de Ensino Superior de Olinda (Aeso), mantenedora das Faculdades Integradas Barros Melo, propõe ao espectador pernambucano, a partir de cinco sessões temáticas, uma revisão comentada de quatro clássicos da cinematografia brasileiro, além de uma sessão dedicada à nova geração de realizadores locais, em formação pela Aeso.

A mostra tem como proposta colocar em foco, e discutir, a ideia de CRISE, seja política, seja personalizada em atitudes dos protagonistas nos respectivos filmes em destaque. O filme que abre a programação na quinta-feira (17), às 19h, é O bravo guerreiro (1968), primeiro longa-metragem dirigido por Gustavo Dahl (1938-2011). A obra, que também completa 50 anos neste 2018, está sendo redescoberta no Brasil e no exterior particularmente pela força de suas inquietações políticas, que se refletem hoje com o mesmo impacto de quando foi lançado há cinco décadas. A obra ganhará destaque na edição 2018 do Festival de Cannes (FR), dentro da mostra ‘Quinzena dos Realizadores’ (também comemorando 50 anos, e tendo exibido O bravo guerreiro em sua primeira edição, em 1969). Depois do Recife, o filme terá uma exibição especial em São Paulo, em junho, no CineSesc-SP. No enredo, Paulo César Pereio é o deputado Miguel Horta, de um pequeno partido que se opõe ao governo, mas decide ceder ao convite do partido da situação e migra para este, comprometido consigo mesmo de que ali poderá fazer mais pela causa popular, até ter que se deparar com negociações sórdidas do governo. O elenco também traz Paulo Gracindo, Ítalo Rossi e Mário Lago.

Na sexta-feira (18), a mostra pula para os anos 1970 e exibe, às 19h, o mais icônico filme de Cacá Diegues: Bye Bye Brasil (1979). Como numa fábula, o filme segue a ‘Caravana Rolidei’. Uma trupe de artistas mambembes que cruzam o interior do País fazendo espetáculos para uma população que ainda não tem acesso à televisão. Pelo caminho, encontram um sanfoneiro e sua esposa, que os acompanham por um projeto falido, chamado rodovia Transamazônica, até chegar ao vilarejo de Altamira. Bye Bye Brasil é um dos mais fortes retratos – lacônico, mas dosado com humor – de um cinema nacional que questionava as contradições e misérias do Brasil daquela década, que oficialmente se vendia como moderno e progressista. No elenco, José Wilker, Bety Faria, Fábio Júnior e Marieta Severo. O diretor Cacá Diegues também participa da edição 2018 do Festival de Cannes, em mostra especial, com seu novo filme, O grande circo místico, novamente sobre o universo circense. Ao final da sessão de Bye Bye Brasil no São Luiz haverá um debate com o roteirista, realizador e professor de cinema da Aeso, Luiz Otávio Pereira.

No terceiro dia, sábado (20), a sessão acontece à tarde, às 14h, quando a mostra vai aos anos 1980 para falar de uma história real que se transformou em Com licença, eu vou à luta! (1986), filme de Lui Faria. Acompanha a transformação de uma jovem de classe média, de 15 anos (Fernanda Torres, aos 19 anos) que se rebela contra a família – a mãe opressora (Marieta Severo) e o pai militar (Reginaldo Faria) – em função de um romance com um homem 18 anos mais velho que ela (Carlos Augusto Strazzer). Pela performance, Fernanda Torres levou o prêmio de melhor atriz no Festival de 3 Continents, em Nantes-FR. Ao final da sessão, haverá debate com a produtora e professora de cinema da Aeso, Gabriela Alcântara.

O último longa da mostra – Terra Estrangeira (1995) – foi o filme que projetou Walter Salles, codiretor aqui ao lado de Daniela Thomas – ao fazer uma espécie de retrato 3 x 4 instantâneo de um País em colapso após a instauração do confisco da poupança pelo Governo Collor. A porta de saída do Brasil parecia ali ser o melhor caminho a tomar, com Portugal como um endereço amigável. Mais uma vez, Fernanda Torres protagoniza, ao lado de Fernando Alves Pinto. Ao final da sessão, haverá debate com o crítico de cinema do Jornal do Commercio e curador do Cinema da Fundação, Ernesto Barros.

Todos os debates serão mediados pelo coordenador do Bacharelado em Cinema e Audiovisual das Faculdades Integradas Barros Melo, Luiz Joaquim, também responsável pela curadoria e produção da mostra. Todos os longas-metragens serão exibidos em película, no formato 35mm.

O evento encerra-se na sessão das 16h, na terça-feira (22), quando apresentará uma seleção que dá uma perspectiva de futuro do cinema local, por meio de uma seleção de curtas-metragens de alunos do bacharelado de Cinema e Audiovisual das Faculdades Integradas Barros Melo. Veja detalhes abaixo.

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA AESO 50 ANOS
VENDAS DE INGRESSO NA BILHETERIA DO CINEMA SÃO LUIZ (R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife – PE)
De quinta-feira a domingo – R$ 5 (preço único)
Terça-feira – R$ 3 (preço único)

Quinta-feira (17)
19h – abertura
19h30 – O Bravo Guerreiro
(1968, 35mm, 99 min., classificação indicativa: 14 anos).
De Gustavo Dahl. Com Paulo Cesar Pereiro, Mário Lago, Ítalo Rossi, Paulo Gracindo.

Sinopse – Um deputado sério e comprometido com seu eleitor (Paulo César Pereio), querendo promover mudanças, passa para o partido da oposição e tenta levar suas ideias adiante. Mas vê o seu projeto de lei ameaçado e descobre que não é a melhor pessoa para lidar com os sindicatos. Uma impressionante história sobre meandros e jogos da política no Brasil lançado em plena ditadura do AI5.

Sexta-feira (18)
19h – Bye Bye Brasil
(+ debate com Luiz Otávio Pereira)
(1979, 35mm, 105 min., classificação indicativa: 18 anos).
De Cacá Diegues. Com José Wilker, Bety Faria, Fábio Júnior, Zaira Zambelli, Jofre Soares, Emmanuel Cavalcante, Marieta Severo.

Sinopse – Salomé, Lorde Cigano e Andorinha são três artistas mambembes que cruzam o país com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço e sua esposa, Dasdô, com os quais a Caravana cruza a Amazônia pela rodovia Transamazônica até chegar a Altamira.

Sábado (19)
14h – Com licença, eu vou à luta!
(+ debate com Gabriela Alcântara)
(1986, 35mm, 85 min., classificação indicativa: 14 anos).
De Lui Farias. Com Fernanda Torres, Marieta Severo, Reginaldo Faria, Carlos Augusto Strazzer.

Sinopse – Baseado numa história real, a adolescente Eliane (Fernanda Torres, em início de carreira), aos 15 anos, moradora de Nilópolis (RJ), apaixona-se por Otávio, homem 18 anos mais velho que ela, que é um intelectual e dono de uma vida simples trabalhando como técnico de polícia. Ele é divorciado e pai de dois filhos. Para seguir com o romance, Eliane precisa enfrentar a determinação de uma mãe dominadora (Marieta Severo) e a empáfia do pai militar (Reginaldo Faria), com resultados próprios de uma opressão psicológica. Prêmio de melhor atriz no Festival des 3 Continents (Nantes, FR).

Domingo (20)
14h – Terra Estrangeira
(+ debate com Ernesto Barros)
(1995, 35mm, 110 min., classificação indicativa: 16 anos).
De Walter Salles. Com Fernanda Torres, Fernando Alves Pinto, Laura Cardoso, Alexandre Borges, Luís Melo, Tchéky Karyo.

Sinopse – Sem perspectiva de vida no Brasil após o confisco da poupança pelo Governo Collor, Paco (Fernando Alves Pinto) decide viajar para Portugal, levando uma encomenda. Ao chegar lá, conhece a brasileira Alex (Fernanda Torres) e seu namorado Miguel. Todos se envolvem com contrabando, e suas vidas viram um pesadelo. Um retrato melancólico do desencanto do brasileiro pelo seu País logo depois da primeira e frustrada eleição direta para Presidente da República após anos de ditadura militar.

Terça-feira (22)
16h – Curtas-metragens de estudantes de CINEMA E AUDIOVISUAL
Classificação indicativa: 16 anos. Duração total: 68 min

Perigo Alta Tensão (2017, 4 min.)
De Francisco de Assis

Perdidos (2017, 2 min.)
De Herbert Silva e Renata Malta

Zornit (2017, 26 min.)
De Marcello Trigo

A terceira porta (2017, 19 min.)
De Igor Karlos

À flor da pele, (2017, 3 min.)
De Camila Queiroz, Maria Eduarda Venâncio e Lucas Carneiro.

Quanto craude no meu sovaco, (2017, 4 min.)
De Duda Menezes e Fefa Lins

Retrato da Eternidade, (2017, 3 min.)
De Pedro Arruda

Segundo eles, (2017, 7 min.)
De Gleibson Silva

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PERNAMBUCO | Centenário do maestro Lourival Oliveira é celebrado no Paço do Frevo e no Teatro Luiz Mendonça

Lourival-Oliveira

No ano em que completaria 100 anos, o maestro, clarinetista e compositor de frevos de rua, Lourival Oliveira, considerado um dos mais importantes compositores do gênero na sua época, terá sua obra difundida graças ao projeto cultural “100 anos de Lourival Oliveira”, que conta com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura. O projeto, idealizado pelo arquiteto e neto do músico, Gustavo Rocha, que há alguns anos despertou para a importância de revelar ao público as obras e a contribuição deixada pelo maestro à música brasileira, em especial o frevo, contempla uma série de ações em favor da memória do premiado artista. A produção-executiva é assinada por Maria Chaves, juntamente com as produtoras culturais, Joana Mendonça e Laura Proto, da pernambucana Proa Cultural, com estudos do maestro e diretor musical, Henrique Albino.

O projeto está em fase de análise, organização e digitalização do acervo que irá compor as apresentações. O repertório será dividido por fases composicionais do maestro e terá cerca de 30 frevos de rua, alguns deles inéditos, com influência de ritmos como o baião, xaxado, os frevos para clarinete e até mesmo as polcas, nas quais ele também compunha com muita maestria, muita inventividade. Para citar as mais conhecidas do grande público são as composições do LP “Os Cabras de Lampião”, lançado pela extinta Rozemblit em 1979, que traz uma série de frevos de rua com nomes de cangaceiros do bando de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva). São elas: Corisco, Lampião, Pilão Deitado, Volta Seca, Maria Bonita, Ponto Fino, Sabino, Ventania, Jararaca, Moitinha, Zabelê e Cocada, esta última considerada um clássico obrigatório em qualquer orquestra de frevo. Corisco é outra composição famosa que foi regravada pelo artista multicultural, Antônio Carlos Nóbrega, num disco que rende homenagens ao maestro Louro, que se considerava um pernambucano por adoção.

A primeira atividade prevista são duas mesas de diálogo no próximo dia 22, às 15h, dentro da programação oficial do Observatório do Frevo, no terceiro piso do Paço do Frevo, no bairro do Recife, sobre a obra do músico. Sob o título Lourival Oliveira na música frevo: contextos e releituras, o encontro teórico-prático será comandado pelos pesquisadores, Jailson Raulino, que é clarinetista e professor da Universidade Federal (UFPE) e líder do Grupo de Pesquisa em Competências Performáticas Musicais e Didáticas Instrumentais – UFPE/CNPq; e Henrique Albino, jovem músico que também é arranjador premiado no I Festival de Frevo da Humanidade e líder do Henrique Albino Trio. A mediação será do mestre e também pesquisador Sérgio Gaya, que é coordenador de música do Paço do Frevo. Na ocasião, o público poderá participar gratuitamente dos debates que irá divulgar partituras inéditas e trocar impressões, opiniões e saberes acerca das composições e arranjos utilizados pelo maestro.

“Mergulhar no acervo dos tradicionais e antigos compositores de frevo é torná-lo acessível ao público. É a representação em favor da difusão e manutenção não só da expressão musical, mas de todo o sistema de manifestações culturais que compõe o imaginário pernambucano”, considera a produtora-executiva, Maria Chaves.

A culminância do projeto está prevista para o dia 19 de junho, com um espetáculo musical no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, que vai homenagear os 100 anos do maestro Lourival Oliveira no intuito de preservar sua memória, perpetuar sua obra e garantir a continuidade de iniciativas voltadas à valorização do frevo. Na ocasião, os músicos, sob a regência de Henrique farão um resgate das principais e também de algumas obras inéditas do compositor e o repertório escolhido será executado tal qual pensado por Lourival. Além disso, algumas das partituras originais serão impressas no programa distribuído ao público. “Essa profunda análise da obra do maestro permitirá que as pessoas conheçam o universo dele e o que o fez ser um compositor tão premiado nos festivais de frevo da época”, considera Maria Chaves.

As ações previstas no projeto serão gratuitas, inclusive a apresentação musical no Teatro. A distribuição das senhas será feita no mesmo dia no local ou disponibilizada através de plataformas digitais como eventick ou sympla, a fim de democratizar o acesso. A apresentação musical contará com acessibilidade comunicacional para as pessoas cegas, o que irá proporcionar a esse público um aproveitamento ainda maior do espetáculo, uma vez que haverá, antes mesmo do início da apresentação, uma descrição completa do espaço, do movimento das pessoas chegando ao teatro, do apagar das luzes, até uma descrição detalhada da cenografia e iluminação do espetáculo, além de descrever as reações das pessoas, como dançar, por exemplo.

SOBRE O HOMENAGEADO – Natural de Patos, na Paraíba, e radicado em Recife, Lourival Oliveira, nasceu em junho de 1918 e faleceu no Recife em junho de 2000 em decorrência de um infarto. Autor de alguns dos mais memoráveis frevos-de-rua da história deste gênero musical foi várias vezes premiado em concursos promovidos pela Prefeitura do Recife e, posteriormente, pelo Frevança, festival com grande repercussão local. Clarinetista e compositor, Louro, como era conhecido, estudou música com Luís Benjamim de 1933 a 1937. Ingressou em seguida na Banda da Polícia Militar de Pernambuco, dirigida na época pelo Capitão José Lourenço da Silva (Zuzinha), onde iniciou a carreira profissional que não dispensou o talento na produção de belas composições que fariam a alegria dos foliões, muitas vezes no anonimato, a exemplo de Cocada. Em 1940 estudou harmonia com Levino Ferreira e com Horácio Vilela no Conservatório Pernambucano de Música. Em 1945, pediu licença da Polícia Militar e integrou por onze anos a Orquestra da Rádio Clube de Pernambuco, então dirigida por Nelson Ferreira, atuando como clarinetista, saxofonista e arranjador. Em 1946, no Rio de Janeiro, participou como clarinetista na Orquestra do Cassino Copacabana. Em 1950 fez seu primeiro frevo, “Frevo 50 a jato”. De volta ao Recife, foi convidado pelo maestro Vicente Fittipaldi, para ingressar na Orquestra Sinfônica do Recife como 1º clarinetista, em 1953. Passou a dirigir a Banda Municipal da Cidade do Recife no ano de 1958. Em 1963 saiu da Orquestra Sinfônica do Recife e da Banda Municipal e entrou para a Orquestra da TV Jornal do Comércio de Pernambuco. Atuou como clarinetista no Quinteto de Sopros do Prof. Wascyli Simões dos Anjos entre 1973 e 1974, posteriormente, como orquestrador e primeiro saxofonista da Orquestra do maestro Nelson Ferreira. Realizou também trabalhos como arranjador tendo alguns deles sidos gravados. Compôs a série de frevos de rua que deu origem ao LP os Cabras de Lampião e, ainda, entre outros, a série de frevos dedicados à Clarineta, numa média de 75 composições próprias. Sempre muito exigente com ele mesmo, Lourival, estudava música todas as manhãs. Quando conheceu o maestro Nelson Ferreira já era um músico reconhecido. Embora sem formação acadêmica, obteve da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) o título de clarinetista e saxofonista.

CONHECIMENTO APURADO – A escolha da dupla de pesquisadores, Jailson Raulino e Henrique Albino, pela produção executiva do projeto foi pensada pelo talento e conhecimento teórico que eles têm acerca do maestro e do gênero musical por ele produzido. Albino é um dos nomes que despontam dessa renovação, pois ele faz um contraponto com os maestros veteranos e é capaz de reinventar a tradição. Quando tinha apenas 20 anos, foi premiado com o terceiro lugar de Melhor Arranjo no Concurso de Música. Já o acadêmico Raulino, um estudioso do gênero, fez uma síntese da vida musical de Lourival na sua tese de doutorado apresentada em 2008 à Universidade Federal da Bahia (UFBA), que tem como tema: “Frevos para Clarineta: uma história de resistência a cada passo”. Para Albino, o projeto tem uma importância significativa, sobretudo pela disponibilização do acervo que hoje em dia mesmo com as novas tecnologias, o público não tem fácil acesso às partituras, pois a grande maioria não é digitalizada. “Por mais que se tenham orquestras tocando esse repertório, no caso, o do mestre, que é um dos maiores representantes da música pernambucana de raiz, mesmo o pessoal colocando isso a disposição, o fato de não estar digitalizado impede a divulgação, o conhecimento do nome do artista e empobrece a identidade cultural do nosso Estado. Sobretudo o frevo que tem sua tradição escrita”, considera.

SERVIÇO

Ciclo de Diálogos sobre a obra de Lourival Oliveira, com a participação dos pesquisadores Jailson Raulino e Henrique Albino

Quando: 22/5 (terça-feira), às 15h
Local: Paço do Frevo
(R. da Guia, S/N – Bairro do Recife – Recife – PE)
Acesso gratuito

Apresentação musical com execução inédita de repertório de Lourival Oliveira

Quando: 19/6 (terça-feira), às 20h
Local: Teatro Luiz Mendonça
(Av. Boa Viagem, S/N – Boa Viagem, Recife – PE)
Acesso gratuito

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BAHIA | Coletivo Arte Marginal promoverá atividades na 16ª Semana Nacional de Museus com apoio da Funceb

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Uma experiência de museu, mas fora do museu convencional, o Museu-Rua, fará do espaço público um lugar de memória, educação e práticas culturais entre os dias 17 e 18, em Salvador. Idealizado pelo Coletivo Arte Marginal Salvador, o “Renascer das Artes: Musealizando” – apoiado pela Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa), – busca valorizar as práticas culturais de segmentos marginalizados da sociedade, diminuindo assim a distância entre o museu e a sociedade.

A atividade integra a 16ª Semana Nacional de Museus – projeto do IPAC/SecultBA – cuja temática envolve novas abordagens e novos públicos para diminuir a distância entre o museu e a sociedade, como conta o poeta, filósofo e idealizador do projeto, Fabrício Brito, do Coletivo Arte Marginal: “Propor uma experiência museal fora do museu convencional pode ser uma estratégia de eliminação dos preconceitos, convertendo pessoas aparentemente indiferentes em públicos-alvo de outras modalidades de museu, como é o caso do Museu-Rua. Um esforço para diminuir a distância entre museu e sociedade”.

Fabrício conta que o coletivo é uma expressão cultural da sociedade civil organizada e surgiu na periferia de Salvador, nos bairros de São Caetano e Fazenda Grande do Retiro. “Na época nos considerávamos arte-educadores, mas com o tempo a gente foi entendendo a importância da memória e do patrimônio, por isso acabamos criando o conceito de arte-educação museal, que é um método de mediação cultural através das artes. Com esse método foi possível entender a arte de rua como estratégia de musealização, isto é, de valorização da memória da cultura popular”, diz o idealizador.

Programação – O evento vai começar na quinta-feira (17), às 14h, na Praça das Artes, no Pelourinho, com a exposição coletiva “O Museu é a Rua”, que possibilitará o contato do público com a poética marginal e visual de Melissa Santos, Marie Thauront e Ludmila Laísa (esta última fará uma performance com grafite ao vivo).

A tarde continuará animada com a Roda de Teatro de Rua que receberá os espetáculos da Caravana de Téspis, do Grupo Os Kaborongas, do Bando Orí, do Duo Dança e Percussão, da Boiada Multicor e do Grupo Teatral Ayá. O Grupo Teatral Ayá, o Bando Orí e a Boiada Multicor também ocuparão a Praça das Artes com artesanatos, livros e demais produtos culturais.

No dia seguinte, sexta-feira (18), também no Pelourinho, o “Renascer das Artes: Musealizando” vai estar na Casa do Teatro de Rua, a partir das 14h, com recital de poesias, música ao vivo com Edilson Bispo, Roda de Conversa e microfone aberto. Farão parte da roda de conversa as museólogas Manuela Ribeiro, Vanusa Ribeiro e Alana Silva, as quais vão bater um papo sobre “Museus, poesia e teatro de rua: possíveis diálogos”. A mediação da Roda de Conversa ficará por conta do poeta Fabrício Britto.

Serviço:
Renascer das Artes: Musealizando – Coletivo Arte Marginal de Salvador
Quando: 17 de maio, às 14h, Praça das Artes (Pelourinho)
18 de maio, às 14h, Casa de Teatro de Rua (Pelourinho)
Evento gratuito

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MINC: Inscreva-se até 21/5 no maior prêmio do patrimônio brasileiro

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Termina na próxima segunda-feira (16) o período de inscrições para o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, uma das principais ações do Ministério da Cultura (MinC), por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reconhecimento às ações de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, está com inscrições abertas. Neste edital de 2018, serão selecionados oito trabalhos representativos de ações no campo do Patrimônio Cultural Brasileiro. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil.

Os trabalhos inscritos deverão ser entregues nas superintendências do Iphan nos estados. As ações serão pré-selecionadas pelas comissões estaduais, compostas por representantes das diferentes áreas culturais de cada estado, sob a presidência do respectivo superintendente.

Os projetos vencedores em cada etapa estadual serão analisados pela Comissão Nacional de Avaliação, formada pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e por 16 jurados que atuam nas áreas de preservação ou salvaguarda do Patrimônio Cultural.

O resultado final do concurso deverá ser divulgado até o dia 30 de agosto de 2018, no site do Iphan.

Novo formato

Criado em 1987, em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do Patrimônio Cultural Brasileiro, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que está na 31ª edição, foi denominado em homenagem ao primeiro dirigente do Iphan.

Nesta edição, o prêmio apresenta um novo formato de edital, com duas grandes categorias subdivididas em quatro segmentos:

Categoria 1 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Material – ações nas áreas de preservação de bens imóveis, como paisagens culturais, cidades históricas, sítios arqueológicos e monumentos; ou móveis, como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos, assim como ações relacionadas de comunicação, difusão e educação, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Categoria 2 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Imaterial – ações nas áreas de salvaguarda de práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares que abrigam práticas culturais coletivas, assim como ações de comunicação, difusão e educação, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Segmento I – Entidades governamentais da administração direta dos níveis federal, estadual ou municipal ou indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas).

Segmento II – Empresas e fundações privadas mantidas por empresas.

Segmento III – Outras instituições sem fins lucrativos da sociedade civil organizada.

Segmento IV – Pessoas físicas e representantes de grupos ou coletivos.

Serão selecionadas, ao todo, oito ações, sendo uma de cada segmento por categoria.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
Com informações do Iphan
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MINC: Cobrança de aeroportos sobre obras de arte será regulamentada

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(Foto: Clara Angeleas/Ascom MinC)

O Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil vão criar uma comissão encarregada de propor regras mais claras para a cobrança de tarifas de armazenagem sobre obras de arte e instrumentos musicais por aeroportos. A decisão foi tomada nesta terça-feira (15) pelos ministros Sérgio Sá Leitão e Valter Casimiro, em reunião realizada na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília. Tão logo seja nomeada, a comissão terá prazo de 30 dias, prorrogável por mais 30, para formular uma proposta.

Sá Leitão considerou positivo o resultado do encontro, que também contou com a presença do diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), José Ricardo Botelho. “O ministro dos Transportes e o presidente da Anac se mostraram sensíveis aos argumentos apresentados. Estou muito otimista de que teremos um desfecho positivo em breve”, disse o ministro da Cultura.

Segundo Sá Leitão, o MinC enviará um ofício ao Ministério dos Transportes, sugerindo que haja a regulamentação do conceito de atividade cívico-cultural, de modo a garantir a clareza necessária sobre quais atividades podem se beneficiar do regime especial de tarifas garantido pela tabela 9 do contrato de concessão dos aeroportos (que estabelece a cobrança por peso, e não pelo valor de mercado). “A partir desse ofício, será criado um grupo de trabalho, com a participação do Ministério da Cultura, que examinará a questão e estabelecerá uma regulamentação”, afirmou o ministro.

A regulamentação a ser discutida pela comissão buscará alternativas ao novo critério de cobrança adotado por concessionárias de aeroportos. Neste ano, por ocasião do Festival Internacional de Arte de São Paulo – SP-Arte, as concessionárias dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Galeão passaram a cobrar taxas de armazenagem com base no valor de mercado das obras, o que elevou os valores a níveis exorbitantes, gerando reação das galerias e da organização do evento. O critério anterior levava em conta o peso das obras, que eram classificadas na categoria “cívico-cultural”. O problema também atinge instrumentos musicais de orquestras.

A mudança de interpretação também atingiu o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), que ingressou com mandado de segurança contra a cobrança de tarifas de armazenagem abusivas sobre seis obras emprestadas do museu britânico Tate Museum para a exposição “Acervo em Transformação – Tate no MASP”.

Antes da reunião com o ministro dos Transportes, Sá Leitão já tinha tratado do assunto com o diretor-geral da Anac, no último dia 9 de abril. Na ocasião, o ministro da Cultura defendeu a cobrança por peso: “Para mim, parece óbvio que a tabela 9, da Anac, que permite a cobrança da tarifa por peso, deve ser aplicada a eventos culturais em geral”, disse na ocasião.

Para Sá Leitão, o aumento da taxa inviabiliza a realização de exposições e concertos internacionais no Brasil, trazendo um prejuízo irreparável para a economia criativa brasileira, que atualmente responde por 2,64% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços) nacional e contribui de forma significativa para o desenvolvimento do país, gerando emprego, renda e inclusão.

Assessoria de Comunicação

Ministério da Cultura

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PERNAMBUCO: Exposição do artista Neilton oferece acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva

09/05/18 - A Arte é um manifesto - 30 ANOS DE DEVOTOS. O Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães recebe o público para abertura da exposição A arte é um Manifesto - 30 anos de Devotos de Neilton Carvalho que também é integrante da banda Devotos. Foto: Eric Gomes

09/05/18 – A Arte é um manifesto – 30 ANOS DE DEVOTOS. O Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães recebe o público para abertura da exposição A arte é um Manifesto – 30 anos de Devotos de Neilton Carvalho que também é integrante da banda Devotos. Foto: Eric Gomes

A exposição “A arte é um manifesto – 30 anos de Devotos”, do artista visual Neilton, em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), oferece acessibilidade comunicacional para pessoas com deficiência visual ou auditiva. As pessoas cegas ou com baixa visão contam com visita mediada com audiodescrição realizada pela equipe do Setor Educativo do Museu, em quaisquer dias e horários de funcionamento. Durante cinco sábados até o final da mostra, as pessoas surdas falantes da Libras (Língua Brasileira de Sinais) podem fazer uma visita mediada por um intérprete. A mostra segue em cartaz no Mamam até o próximo dia 15 de julho. A entrada é gratuita.

Para as pessoas cegas ou com baixa visão, a audiodescrição vai traduzir as imagens em palavras, descrevendo as obras expostas, a expografia, os textos, a iluminação e ainda faz uma breve descrição dos vídeos. Na exposição, há também textos e descrições técnicas das obras impressas em braile disponíveis em placas de acetato. Essas últimas, estão adesivadas na parede, realçam e dialogam com a intenção da exposição de dar espaço para as minorias. Já as pessoas surdas falantes da Libras poderão participar da visita guiada nos seguintes sábados: 19/05, 02/06, 09/06, 16/06, 07/07.

A exposição é uma realização de Neilton e do Grão Coletivo (Auroras, Criativo Soluções, Feed Comunicação e Grão – Comunicação e Cultura), e conta com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura PE), Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Secretaria de Cultura de Pernambuco e Governo de Pernambuco. Quem assina a acessibilidade comunicacional da exposição é a COM Acessibilidade Comunicacional e equipe: Silvia Albuquerque e Liliana Tavares – audiodescrição; Michelle Alheiros – consultoria da audiodescrição; Eliana Ferreira – visitas guiadas em Libras; e Cristiano Monteiro – Consultoria da Libras.

Sobre a exposição – A exposição “A arte é um manifesto – 30 anos de Devotos”, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), do multiartista Neilton, entrou em cartaz no último dia 09 de maio, no Mamam. O artista, que também é curador da mostra, apresentará um passeio pela história da Devotos, uma das bandas mais importantes e influentes de Pernambuco, através de 60 peças. O público pode conferir desde os quadros criados especificamente por Neilton como base para os projetos gráficos dos seis discos de estúdio, um ao vivo e dois vinis do grupo, além de raridades como backdrops, pôsteres, ingressos e capas de fitas demo. Tudo fruto de um trabalho desenvolvido de forma independente desde a década de 1980 até hoje. O texto de apresentação da mostra é assinado pela historiadora Heloísa Buarque de Hollanda. Na abertura da mostra, as pessoas surdas contaram com interpretação do pocket show da banda com a intérprete Poliana Alves, desenvolvida pela COM Acessibilidade Comunicacional.

Sobre Neilton – Nascido no Recife, em 1971, Neilton é músico, artista plástico, designer gráfico, desenvolvedor eletrônico de amplificadores para instrumentos musicais. Formado em artes gráficas na Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (Etepam), é o responsável pelas capas dos vinis e CDs da banda de punk rock Devotos desde 1997, banda em que é guitarrista, onde, junto a seus companheiros, já realizou várias turnês pelo Brasil e Europa. Entre as publicações importantes que já participou, o artista destaca o convite para ser tema da matéria principal e ilustrador da capa da revista Continente (número 190).

Como artista visual e designer, Neilton também ilustrou diversas capas de discos, sites e DVDs de bandas como Cordel do Fogo Encantado, Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Cascabulho, Academia da Berlinda, The Baggios, Fernandes, Mamylove (cantora africana radicada na França), entre outros. Neilton ainda é um dos fundadores do Grupo de Pesquisa de Tecnologias Mortas, o Altovolts. Desde 2006, o grupo estuda/pesquisa e desenvolve linhas de amplificadores para instrumentos musicais atendendo músicos de todo o Brasil.

Serviço:

Acessibilidade na exposição “A arte é um manifesto – 30 anos de Devotos”

Onde: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) | Rua da Aurora, 265, Bairro da Boa Vista – Recife

Entrada: gratuita

Pessoas cegas:

Visitas guiadas com audiodescrição realizadas pela equipe do Setor Educativo do Mamam

Quando: até 15 de julho, em quaisquer dias e horários da exposição, que funciona de terça a sexta-feira, das 12h às 18h. Sábados e domingos, das 13h às 17h

Pessoas surdas:

Visitas guiadas em Libras

Quando: 19/05, 02/06, 09/06, 16/06 e 07/07 (sábados), sempre das 13h às 17h

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PERNAMBUCO | Museu da Abolição expõe acervo digital de peças de terreiros pernambucanos

Para aproximar os pernambucanos ainda mais da sua própria história, o Museu da Abolição aproveita a Semana dos Museus para abrir a exposição “Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros”, que tem apoio do Governo do Estado, através do Funcultura, e ficará em cartaz no espaço até o dia 30 de junho. A mostra traz a catalogação digital de mais de 400 peças pertencentes a terreiros do Estado que foram invadidos na década de 1930. A iniciativa é do projeto Repatriação Digital do acervo Afro Pernambucano, que compõe o Acervo Mário de Andrade, guardado pelo Centro Cultural São Paulo (CSSP) e tem a proposta de resgatar as referências religiosas ancestrais da população negra.

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Acusadas de estarem associadas a práticas de curandeirismo, charlatanismo e possessão como doença mental, as religiões de matriz africana foram duramente perseguidas durante o Estado Novo, que implementou ações para reprimir essas expressões e, muitas vezes, seus praticantes. Em Pernambuco, vários terreiros foram atingidos pelas ordens oficiais e tiveram vários de seus objetos retirados de seus locais sagrados, sendo quebrados, amontoados e queimados em praça pública. Apenas uma pequena parte deles foi encaminhada às delegacias e à Secretaria de Segurança Pública. Grande parte desse material remanescente foi cedido à Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, quando o escritor e pesquisador esteve no Recife em 1938.

O conjunto de objetos levados para São Paulo é composto por peças de diversos suportes: cerâmicas, tecido, metal e madeira, ferro e papel. Entre eles estão instrumentos musicais, imagens de santos católicos, resplendores, espadas, abebés, pilões, setas, facões, imagens de santos católicos, bancos de pegí, cifres de madeira e cerâmica, documentos e roupas dos filhos-de-terreiro. Após serem identificados e catalogados por alguns babalorixás entrevistados pela equipe da Missão, os objetos foram enviados para Mário de Andrade, em São Paulo, onde permanece até hoje, sob a tutela do CSSP. Agora, em parceria com o Museu Afrodigital, do Museu da Abolição, o projeto Repatriação Digital encurta a distância entre as peças e seu local de origem.

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O trabalho digitalizou os objetos dos terreiros do Recife e os disponibiliza em visão 360 graus. O conjunto de cerca de 400 fotografias, produzidas durante a pesquisa no CCSP, passou a compor do acervo digital do MAB e o inventário do Museu Afrodigital, ficando a disposição do público e de pesquisadores na internet, juntamente com novas fichas catalográficas com descrição de cada uma das peças. “Observando a documentação museológica, identificamos cinco ´seitas´ das quais faziam parte aqueles objetos: Xangô, Xambá, Nagô, Gêge e Mirê. Entre os orixás, aos quais são atribuídos os objetos, ou nos quais têm inscrições, estão: Yemanjá, Xangô, Xangô Bacele, Oxum, Oxum Timi, Oxum Pandá, Oxum Fá Miló, Oxossi, Aloiá, Ogum, Exu, Oxalá, Odê Bombôchê, Odê, Omulu e Oiá”, descreve Charles Martins, antropólogo e coordenador do projeto.

Durante a semana dos museus, nos dias 15, 16 e 17, a equipe de produção do projeto fará visitas a alguns dos terreiros descendentes daqueles existentes na década de 1930 (Nação Xambá, Pai Edson e Sitio de Pai Adão) para levar essa documentação digital, possibilitando que eles possam voltar a se apropriar do passado. “É importante que eles possam se reaproximar dos objetos dos seus antepassados. Essas referências são fundamentais para que se possa registrar a história desses terreiros”, pontua a curadora da pesquisa e diretora do Museu da Abolicao, Elisabete Assis.

Segundo Charles Martins, além de permitir ao público pernambucano o acesso ao acervo que se encontra distante, em São Paulo, dá a possibilidade de resgatar memórias sociais em torno das perseguições das expressões religiosas de matriz africana, ocorrida nos anos de 1930 no Recife. “Ao resgatar essa memória, denunciamos a violência do Estado ao povo de terreiro. Esta, talvez, a maior contribuição: possibilitar o conhecimento sobre episódios do passado, que não devem ser esquecidos, para que evitemos que ele se repita no presente e no futuro”, pontua.

SERVIÇO
Repatriação Digital do Acervo Confiscado nos Terreiros – Exposição Digital
Quando: de 14 de maio a 30 de junho (segunda a sexta, das 9h às 17/ sábado, das 13h às 17h)
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150 – Madalena/ Recife)
Disponível em: http://www.museuafrodigital.com.br/repatriacaodigital/
Entrada Gratuita

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MINC | Comitê Gestor do FSA aprova Plano Anual de Investimento; valor total em 2018 será recorde

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O Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA) aprovou, nesta segunda-feira (14), o primeiro Plano Anual de Investimentos do FSA dentro da nova política do audiovisual, que garante em 2018 mais R$ 705 milhões para o setor, além dos R$ 551 milhões já anunciados no primeiro trimestre. Com isso, o investimento por meio do programa #AudiovisualGeraFuturo em 2018 chega ao valor recorde de R$ 1,256 bilhão. Há ainda um valor disponível de R$ 120 milhões, cuja destinação será decidida em breve pelo Comitê Gestor. Com isso, o investimento total será de R$ 1,376 bilhão.

O valor aprovado pelo Comitê Gestor do FSA, órgão que reúne representantes do Governo Federal e da sociedade civil, é bem maior que o efetivamente investido em 2017 (R$ 486 milhões) e em 2016 (R$ 358 milhões). Segundo o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, as novas linhas de investimento serão lançadas ao longo do ano e “incluem uma série de inovações, que representam um marco para o audiovisual brasileiro, com forte impacto positivo sobre o desenvolvimento do setor e sua contribuição para o desenvolvimento do País”.

Estão previstas novas linhas de investimento em formação e capacitação, em games e realidade virtual e aumentada, em restauração e digitalização de acervos e em coproduções internacionais, além das linhas voltadas a desenvolvimento, produção e distribuição de conteúdos de cinema e TV. Há também cerca de R$ 100 milhões para operações de crédito destinadas aos segmentos de infraestrutura, tecnologia, exibição e outros.

O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Christian de Castro, lembra que o plano é resultado de um diagnóstico aprofundado sobre a performance e os resultados do FSA em seus primeiros dez anos de operação; e de um ano de intensos debates no âmbito do Comitê. “As mudanças estruturais promovidas melhoram a distribuição dos recursos do fundo, permitindo a ampliação de seu alcance e o crescimento mais equilibrado do setor”, diz ele.

Distribuição dos recursos

Considerando as linhas já lançadas e as novas, previstas no Plano Anual de Investimento aprovado, serão investidos R$ 465 milhões em produção e desenvolvimento de cinema; e R$ 98 milhões em distribuição. Outros R$ 424 milhões serão destinados à produção, desenvolvimento e promoção de conteúdos para TV. O setor de games receberá R$ 37,7 milhões, para desenvolvimento, produção e lançamento.

O novo plano também inclui uma linha de financiamento para infraestrutura, no valor de R$ 100 milhões, abrangendo todos os elos da cadeia. Para a realização de mostras e festivais, foram reservados no total R$ 26,5 milhões, além de R$ 6,5 milhão para exibição.

A linha de formação e capacitação receberá R$ 17,6 milhões. A de preservação, memória e digitalização de acervos, um total de R$ 23,4 milhões. Serão destinados ainda R$ 56,4 milhões para projetos de coinvestimento regional com estados e municípios, com o objetivo de estimular o desenvolvimento do audiovisual em todas as regiões do País.

A alavancagem aumentou para todas as regiões. Para as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, passou de R$ 2 para R$ 5. Isso significa que, a cada R$ 1 investido por estados ou capitais, serão aportados R$ 5 em recursos do FSA. Municípios do interior contarão com alavancagem maior: de R$ 1 para R$ 6.

Para a Região Sul e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a alavancagem passará de R$ 1,5 para R$ 4. Para cidades do interior, de R$ 1,5 para R$ 5. Já nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a contrapartida do FSA para cada R$ 1 investido será de R$ 3 nas capitais e de R$ 4 no interior.

Assessoria de Comunicação

Ministério da Cultura

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ALAGOAS | Cultura divulga lista de habilitados para o Registro do Patrimônio Vivo

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A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) divulgou os habilitados para concorrerem às duas novas vagas para o Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas. Ao todo 37 mestres foram habilitados. O prazo para 30entrar com recurso é de cinco dias úteis, a partir desta segunda-feira (14).

O edital reconhece como Patrimônio Vivo mestres e mestras que compartilhem os conhecimentos ou as técnicas necessárias para a produção e preservação de aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade estabelecida em Alagoas nas áreas de danças e folguedos da cultura popular, literatura oral e/ou escrita, gastronomia, música, artes cênicas, artesanato, dentre outras.

São considerados aptos a receber o registro de Patrimônio Vivo brasileiro residente em Alagoas há 20 anos, que tenha participação comprovada em atividades culturais no mesmo período e esteja capacitado a transmitir seus conhecimentos ou suas técnicas à sociedade, de forma presencial ou por intermédio dos mais diversos meios de comunicação.

O edital com todas informações, formulário de recurso e lista de habilitados está disponível no link https://bit.ly/2IAEmRp

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V Conferência Internacional de Teatro de Baku: inscrições abertas até 1º de junho

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De 5 a 6 de novembro, será realizada em Baku, capital do Azerbaijão, a quinta edição da Conferência Internacional de Teatro de Baku. O evento é organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo da República do Azerbaijão, pela Academia Nacional de Ciências e pelo Sindicato de Trabalhadores de Teatro daquele país. Os interessados em participar da conferência devem se inscrever até o dia 1º de junho, como expositor ou como observador/ouvinte.

Os idiomas de trabalho são o inglês, o russo e o azerbaijano. Os organizadores oferecerão hospedagem, alimentação e transporte interno aos participantes, cabendo aos interessados cobrir os gastos com passagens aéreas. Mais informações podem ser obtidas através do e-mail shaig.mincult.az@gmail com Shaig Safarov, secretário-executivo do Comitê Organizador da BITC.

Este ano, o tema principal da conferência será “Filosofia do Teatro no Século XXI: O Conceito de Existência”. Além de aulas magnas, estão programadas oficinas e treinamentos, que serão ministrados por profissionais internacionais de teatro. O evento contará com a participação de 150 especialistas de 40 países, incluindo Áustria, Azerbaijão, Bielorrússia, Bulgária, Cuba, Estônia , França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Índia, Iraque, Irlanda, Itália, Cazaquistão, Kuwait, Lituânia, Macedônia, Marrocos, Países Baixos, Qatar, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Sérvia, África do Sul, Espanha, Sudão, Suécia, Síria, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Estados Unidos, Uzbequistão, Vietnã, entre outros.

Read more: http://www.funarte.gov.br/teatro/v-conferencia-internacional-de-teatro-de-baku-inscricoes-abertas-ate-1%c2%ba-de-junho/#ixzz5FakY3BYG
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