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Outras Palavras fortalece a relação entre escolas e patrimônios do estado

Uma das melhores formas de contar e preservar a história de um povo, sem dúvidas, é através dos seus patrimônios. É por essa razão que o projeto Outras Palavras tem a preocupação de construir com as escolas públicas de Pernambuco uma relação com Patrimônios Vivos do estado, proporcionando que os jovens alunos tenham um contato direto com sua identidade e com mestres da cultura popular. Na última sexta-feira (18), dentro da programação da 10ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, o projeto da Secult-PE e Fundarpe realizou uma edição especial voltada para o tema na EREM Antonio Correia de Oliveira Andrade, no município de Condado, Mata Norte de Pernambuco. A ocasião contou com a presença da jornalista e pesquisadora Maria Alice Amorim, especialista no assunto, além do cordelista José Costa Leite, e da Banda Musical Curica – os dois últimos detentores do título de Patrimônios pernambucanos.

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Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

 ”O Outras Palavras não existe apenas porque a Secretaria de Cultura e Fundarpe têm como objetivo promover a integração entre a cultura e a educação. O que de fato move este projeto é nosso desejo de garantir à juventude o acesso aos bens culturais que, regra geral, não existe nas escolas públicas. A iniciativa vem sendo tocada por uma equipe que acredita que é possível intervir na realidade para transformá-la e contribuir para que os estudantes possam aguçar seu senso crítico. Ontem, por exemplo, nós diplomamos mais seis Patrimônios Vivos, eleitos pelo Conselho de Preservação Cultural do estado, e é um orgulho saber que em Pernambuco temos tanta gente que faz a sua cultura ser difundida e fortalecida há décadas. Isso precisa ser trazido para dentro do ambiente escolar”, explicou Antonieta Trindade, gestora da ação e vice-presidente da Fundarpe.

De 2015 pra cá, o Outras Palavras já promoveu 42 edições, que atingiram mais de 300 escolas e 7 mil estudantes pelo estado, e dais quais mais de 30 tiveram a presença de Patrimônios Vivos do estado. Participaram mestres, mestras e grupos como Lia de Itamaracá, Mestre Galo Preto, Maracatu Leão Coroado, Maestro Duda, Troça Cariri Olindense, Dedé Monteiro, Orquestra Capa Bode, José Costa Leite, Lula Vassoureiro, Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, Caboclinho Sete Flechas, Banda Musical Curica, Mestre Zé Lopes e Clube de Boneco Seu Malaquias – alguns já marcaram presença mais de uma vez.

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Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

O debate desta vez começou com depoimentos da jornalista e pesquisadora Maria Alice Amorim, responsável pela criação do catálogo dos Patrimônios Vivos de Pernambuco, que conversou detalhadamente com os jovens sobre como foi o processo de apuração para a realização de suas obras, boa parte delas voltadas para a pesquisa na área cultural. Ela contou que nos anos 80 frequentava bastante a Mata Norte para realizar pesquisas sobre os Maracatus de Baque Virado e Baque Solto – considerados atualmente Patrimônios Culturais Imateriais do Brasil. Nesse período, esteve muito próxima de grupos e mestres da cultura popular local, e imersa naquele universo teve a ideia de escrever sobre o assunto.

Durante sua fala, o aluno Bruno Roberto, do 3º ano, aproveitou para perguntar como surgiu a primeira obra da autora. “Foi sobre a poesia improvisada dos mestres de maracatu rural. Eu gosto muito de ir a campo, fazer as entrevistas e manter uma relação próxima para que o trabalho possa ficar mais rico. No final das contas são pessoas, e a gente estabelece relações interpessoais, e isso é o mais importante. Esse livro teve uma ótima aceitação e eu fiquei muito feliz porque não havia até então algo tão aprofundado sobre o assunto”, disse a pesquisadora.

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Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

 

 

O professor Paulo Henrique, da EREM Antonio Correia de Oliveira Andrade, quis saber de Maria Alice Amorim qual o sentimento que ela tem em colaborar na difusão das riquezas da cultura pernambucana. “A formação da opinião neste sentido é um papel importante, e eu modestamente considero que contribuo de alguma maneira, mas só isso. Nossa cultura tem uma dinâmica própria e sempre em processo de readaptação e permanência no nosso meio, mas considero importante sim este trabalho de divulgar e semear. Porém, é bom destacar que o mais importante são os mestres e grupos que são os protagonistas dessa história”.

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Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Levar ate o município de Condado o poeta da região José Costa Leite é simbólico por proporcionar aos estudantes a oportunidade de conhecerem um mestre que mora tão perto deles – praticamente a alguns quarteirões de distância, na Rua Júlio Correia, 223, onde também funciona o atelier do mestre. Com mais de 90 anos, Costa Leite mantém a mente afiada e o ofício de cordelista. Segundo ele, ainda escreve um por dia pra não perder o costume nem enferrujar.

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Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Quando criança, numa época que a educação era de ainda mais difícil acesso, não teve condições de frequentar a escola e aprendeu a ler graças à literatura de cordel. “Eu ia até a Feira de Itabaiana e ficava ouvindo os cantadores cantando versos sobre Lampião. Depois eu lia os cordeis que eles usavam para cantar, e assim fui aprendendo a ler também. Foi quando comprei meu primeiro livrinho, e passei a prestar mais atenção nas palavras cantadas e escritas. Não demorou pra eu escrever meus primeiros versos”. Era então amor à primeira vista. Desde 1947, de acordo com as contas do próprio José Costa Leite, que ele vende cordéis mundo afora – alguns considerados clássicos como A carta misteriosa do Padre Cícero Romão e O dicionário do amor e os dez mandamentos.

“O que mais vende, não tem jeito, é o hilariante. E eu tenho o dom de fazer as pessoas rirem. Para a criançada, a gente procura um enredo diferente, com fábulas”, revela José Costa Leita, que reclama da queda na venda dos livros nos últimos anos e diz que só tem conseguido levar o trabalho adiante graças ao incentivo que ganha como Patrimônio Vivo do estado. Apesar da falta de recursos, não mede elogios aos ofício que defende. “O cordel educa, ensina, diverte. Tem gente que pensa que ele não é arte e trata como uma coisa inferior. Algo como esse verso que diz: ‘Conheci um fazendeiro / que vivia endinheirado / tinha cem léguas de terra / dez mil cabeça de gado / findou com duas sacolas / na feira pedindo esmola / de tanto vender fiado’. Pode ver que tendo métrica, não falha”, comentou ele, que tem a vantagem, como cordelista, de saber fazer o cordel, a xilogravura e ainda cantar. “Eu faço tudo, só não tenho a quem vender”, brinca aos risos, pra diversão da garotada.

Após a conversa, foi a vez da Banda Musical Curica ocupar o salão da escola e realizar sua apresentação, e antes de começarem era visível a cara de curiosidade no rosto dos estudantes, empolgados com o que aconteceria na sua escola. Fundada em 1848 com o nome Sociedade Musical Curica é um dos grandes patrimônios de Goiana. Sempre marca presença em solenidades cívicas e religiosas e conta com 60 a 70 músicos jovens com idades que variam entre nove e 18 anos. Por lá, passaram músicos como o Maestro Duda e Maestro Guedes Peixoto.

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Segundo Edson Júnior, presidente da Sociedade Musical Curica e trompetista da banda, o título de Patrimônio Vivo é de fundamental importância porque é através deste incentivo, que não é apenas financeiro, mas também de ações, que a banda se mantém reconhecida e atuante no estado. “Aproveito para também fazer um convite e chamar a todos a visitarem nossa sede na cidade de Goiana, na Rua 5 de Maio, onde acontecem atividades de formação musical de segunda a sábado”.

O grupo atualmente conta com a regência do Maestro Everton, oriundo da escola de música da Curica. A apresentação foi marcada pelas músicas tradicionais da banda, que de acordo com registro históricos chegou a tocar para o Imperador Dom Pedro II, em 6 de dezembro de 1859. Além desrtas canções, a apresentação animadíssima contou no seu repertório com vários clássicos da música pernambucana e nacional, como Como Dois Animais (Alceu Valença) e Do seu lado (Jota Quest), que fizeram a garotada entrar no clima e se divertir bastante. No clima da valorização dos bens culturais pernambucanos, a Curica finalizou com os frevos Cabelo de Fogo e Voltei Recife – Desde 2011, o Frevo tem o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, dado pela Unesco.

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BAHIA: Casa da Música comemora 10 anos de Sarau de Itapuã

No dia 21 de agosto, a Casa da Música – espaço cultural administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) localizado às margens da Lagoa do Abaeté – celebra 10 anos de Sarau de Itapuã. A edição desta segunda-feira (21) começa às 18h, com entrada e classificação livre.

A edição de aniversário traz atrações especias para o público. O mestre capoeirista Tyko Kamaleão, da Casa Clandestina Capoeira Mutações, apresenta a ginga ancestral com a Roda de Capoeira Holística.  O cantor cubano Alexey Martinez  também faz parte da noite de comemoração. Alexey foi um dos participantes da quinta temporada do The Voice Brasil e destaque nacional ao interpretar músicas latinas. O grupo Os Andrade´s apresenta em seu repertório clássicos do samba, MPB e forró e o compositor e cantor Moacy Mendes completa a noite com seu canto nordestino.

Nesses 10 anos ininterruptos de programação do sarau, foram realizados 240 encontros culturais, promovendo o acesso à arte e enriquecendo a produção local. Para Amadeu Alves, coordenador do espaço cultural, a programação tem papel fundamental na revitalização do bairro. “Vem sendo de grande valor no trabalho de revitalização cultural do bairro de Itapuã e especificamente na famosa Lagoa do Abaeté, voltando a ser visitada por famílias e pessoas de todas as idades interessadas em cultura”, conta o coordenador.

O Sarau de Itapuã é uma realização da Casa da Música (SecultBA), em parceria com a IMA (Independência Musical Associada). O evento acontece há 10 anos, quinzenalmente, às segundas-feiras. O formato de Sarau permite a participação interativa do público em uma série de atividades.

Espaços Culturais da SecultBA – A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais em diversos territórios de identidade baianos, geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), setor vinculado à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult). Destes, cinco encontram-se em Salvador – Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro Cultural de Plataforma e Espaço Cultural Alagados – e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista. Para mais informações, acesse: www.espacosculturais.wordpress.com.

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ARACAJU: Festival de Brincantes fortalece as tradições locais

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O colorido das vestes, a harmonia das vozes e a sincronia dos movimentos e da batucada dos tamancos são algumas das características dos brincantes que costumam chamar a atenção do público. Mas o que poucos sabem é que esses grupos lutam para manter essa tradição e passar, para gerações futuras, o legado dessas manifestações culturais. O Festival de Brincantes – que a Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), realiza nos dias 22 e 23 deste mês – é uma homenagem a quem mantém viva essa tradição.

A festa acontece dentro e fora do Centro Cultural de Aracaju, na praça General Valadão. Os grupos vão percorrer algumas ruas do Centro, em cortejos festivos, e se apresentarão numa arena em frente ao Centro Cultural. O festival vai mostrar as peculiaridades dessas manifestações culturais, defendendo a preservação de práticas e expressões populares que formam a identidade cultural do sergipano. “A Funcaju se soma a outros parceiros num evento que busca unificar e disseminar uma das manifestações culturais mais bonitas da cultura sergipana”, observa o presidente da fundação, Silvio Santos.

O Festival de Brincantes reunirá grupos de danças culturais de diversos municípios do estado, homenageando aqueles que se dedicam diariamente para não deixar que suas raízes e costumes se apaguem. Para Silvio Santos, as ações desenvolvidas pela Funcaju atendem às políticas culturais do prefeito Edvaldo Nogueira, cuja gestão se preocupa com a preservação das nossas manifestações culturais. “Dificilmente terá um sergipano que nunca se encantou com os Parafusos de Lagarto, com o reisado, a chegança, as caceteiras. Feliz daqueles que se deixaram levar pelas brincadeiras, pelo Samba de Coco do Mosqueiro, pela pujança do Mestre Euclides. Essas tradições, que são passadas de pai para filho, são importantes para conhecermos até mesmo a nossa origem”, explicou.

O Batalhão de Bacamarteiros de Carmópolis, que se apresentará no festival, é um dos mais antigos grupos de brincantes do estado. Atualmente é composto por aproximadamente 60 pessoas, que mostram em performances improvisadas, danças, música e tiros de bacamarte que chamam atenção por onde passa. De acordo com a coordenadora do grupo, Cicléia Oliveira, esse intercâmbio cultural idealizado pela Funcaju ajudará ainda mais na divulgação dessas manifestações.

“Receber o convite para participar do evento foi de uma alegria tremenda. Fiquei muito feliz em saber que ainda existem instituições culturais que se preocupam com os nossos grupos. Essa é uma forma principalmente dessas pessoas dialogarem umas com as outras e também conhecer um pouco da diversidade cultural existente no estado. Estamos muito felizes”, agradeceu.

Para os estudiosos da cultura popular brasileira, festivais de brincantes ajudam a preservar a tradição. De acordo com a pesquisadora – e umas das homenageadas no evento, Aglaé Fontes de Alencar, o festival será um grande encontro multiplicador de conhecimento. “Toda vez que a cultura popular é colocada em destaque para não somente ser vista, mas estudada, beneficiando as novas gerações com o conhecimento, é merecedor de aplausos. Com a diversidade tecnológica, por exemplo, a maioria dos jovens se encanta com tantas belezas proporcionadas e acaba esquecendo de conhecer as suas próprias raízes. Essa é uma grande oportunidade para os estudiosos e curiosos mergulharem nas riquezas do nosso estado. Toda equipe da Funcaju está de parabéns por essa idealização”.

O assessor especial da Secretaria de Estado Cultura (Secult), Irineu Fontes, disse que é importância o apoio ao evento que fortalece essas manifestações. “É importante fomentar a cultura popular sergipana, que é tão rica e também levar a população ao conhecimento através dessas ações. Só podemos fazer eventos deste porte, em tempos tão difíceis, com parcerias. Por isso, a Secult se junta à Funcaju e ao Fórum dos Secretários Municipais”, observou.

O evento

O Festival de Brincantes acontece nos dias 22 e 23 de agosto. O evento é uma realização da Funcaju em homenagem ao Dia do Folclore, comemorado no próximo dia 22. Com palestras, ações educativas, rodas de conversa, feirinha de cordéis, artesanato, comidas típicas, exposições, exibições de curtas e, principalmente, as apresentações dos brincantes da cultura popular, o festival será realizado na Praça General Valadão e no Centro Cultural de Aracaju. Além de Aglaé Fontes de Alencar, serão homenageados Fernando Lins e Beatriz Gois Dantas pelo conjunto de ações que valorizam e fortalecem os grupos de brincantes como manifestação cultural.

Cacumbi de Estância, Samba de Coco do Mosqueiro, Batalhões Bacamarteiros de Carmópolis, Batucadas Pisa Pólvora de Estância e muitos outros grupos dedicados à cultura e ao folclore se reunirão com o objetivo de disseminar os aspectos culturais e realizar uma grande festa. A programação nos dois dias será das 9h às 19h.

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PERNAMBUCO: Projeto “O ano das lágrimas na Chuva” ocorre nessa terça (22)

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Na próxima terça-feira (22) ocorre o primeiro encontro do projeto “O ano das lágrimas na Chuva”, em que Fernando Monteiro irá receber um poeta contemporâneo na Biblioteca Pública Estadual do 13 de Maio. Serão 5 encontros entre agosto e setembro. O primeiro é com a crítica e poeta carioca Laura Erber. O segundo acontece dia 29 com Marilia Garcia que é editora da Luna Parque e estará lançando um novo livro pela Companhia das Letras este mês. 

Laura Erber volta aos versos em “A Retornada”

Publicado pela Relicário, livro também marca retorno da autora a experiência limiar com a morte; o lançamento terá debate sobre feminismo, arte e literatura com participação da autora, no dia 22 de agosto, na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco

Passados nove anos desde a publicação do finalista do Prêmio Jabuti “Os Corpos e os Dias”, a escritora carioca Laura Erber volta aos versos em “A Retornada”. O novo livro, que saiu pela Relicário Edições, foi lançado em junho, em Belo Horizonte, onde a autora participou do debate “Feminismo, Arte e Literatura”, ao lado de Ana Bernstein e Rosana Paulino. Uma edição do projeto Caro Leitor, o evento foi no centro da capital mineira, com entrada gratuita

O atravessamento recíproco entre as diferentes áreas de atuação de Erber que, além de poeta, é artista plástica, romancista, ensaísta e professora universitária, traz às suas produções um visível efeito sinestésico. Diferentemente do que ocorre em “Os Corpos e os Dias”, no qual associa fotografia aos versos, em “A Retornada” esta sinestesia não está apreensível de modo imediato ou evidente, mas percebida em versos de evocação visual, como se estivéssemos diante de uma pequena coleção de obras plásticas. A imagem, no novo livro, é um motivo de interrogações e dúvidas, algo que inquieta o olhar e move a escrita.

Nessa volta ao poema, Erber retorna também a uma experiência limiar de “olhar a morte nos olhos” citando “Pasolini” e do desafio que um tal confronto coloca à escrita. Heloísa Buarque de Hollanda, no posfácio, escreve que a poesia de “A Retornada” é aquela de ?uma mulher que se surpreende falando sozinha ao tentar dizer o prazer do prazer de se imaginar meio morta?.

Outra marca de “A Retornada” é a intertextualidade. Trata-se de um livro de conversas tensas, em que as epígrafes têm papel especial. Alguns poemas são construídos como resposta aos versos de poetas eleitos como propositores ou fantasmas amigáveis.  Uma pergunta-verso da poeta norte-americana Sylvia Plath (1932-1963), da qual Erber se apropria e à qual parece responder de diferentes maneiras ao longo da obra, abre o volume: “Posso escrever poemas”, “Por uma espécie de contágio?”. Os versos seguem justamente deixando-se intoxicar, ou se curar, pelas vozes de Heiner Müller, Marina Tsvetaiéva, Ghérasim Luca, Mallarmé, Ted Hughes, Agnès Varda e muitos outros, revelando pares e espelhos que, estilhaçados, devolvem uma constelação de outras tantas possibilidades.  

Sobre a autora

Além de escritora, a carioca Laura Erber (1979-) é artista visual e professora. Sua prática artística transita entre linguagens. Realizou o filme ?Diário do Sertão? (2003), no qual o locus de Guimarães Rosa é reativado, transbordando as noções convencionais de território e geografia. Suas obras foram exibidas em museus e centros de arte no Brasil e na Europa, como Fundació Joan Miró, na Espanha, Jeu de Paume, Grand Palais e Palais de Beaux-Arts de Paris, na França, Museu de Arte Contemporânea de Moscou, na Rússia, Skive Ny Kunstmuseum, na Dinamarca, e MAM Rio (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro). É autora do romance ?Esquilos de Pavlov? (Alfaguara, 2013), finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti, e dos livros de poemas “Os Corpos e os Dias” (Editora de Cultura, 2008) e “A Retornada” (Relicário, 2017).  Em 2015, com o crítico Karl Erik Schøllhammer, fundou a editora digital Zazie Edições, voltada para livros de arte, teoria e crítica.

Sobre a Relicário Edições

Criada em 2013 pela editora Maíra Nassif, graduada e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Relicário Edições é especializada em publicações nas áreas de estética/filosofia da arte, crítica e teoria da literatura. Em 2017, a literatura ganha mais força em sua linha editorial, com a publicação do romance “Jamais o Fogo Nunca”, de Diamela Eltit, escritora chilena até então inédita no Brasil e convidada da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho deste ano. Também estão previstos os volumes de poesia “Como se Fosse a Casa”, de Ana Martins Marques e Eduardo Jorge, além de traduções de poemas do austríaco Ernst Jandl (1925-2000) e do alemão Christian Morgentern (1871-1914).

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Estão abertas as inscrições da 2ª edição do Prêmio IPL – Retratos da Leitura

As inscrições da 2ª edição do Prêmio IPL – Retratos da Leitura já estão abertas. O Prêmio criado pelo Instituto Pró-Livro, visa reconhecer as organizações que promovem ações exitosas no fomento à leitura e acesso ao livro no Brasil.

Para concorrer, você deve fazer a inscrição (mesmo se já tiver o projeto cadastrado) e cadastrar seu projeto na plataforma Pró-Livro.

Além de receber as inscrições para o Prêmio, a plataforma tem como objetivo mapear, difundir e fazer um intercâmbio dos projetos de leitura implantados em todo o país. Nela, você confere o regulamento e seu projeto pode se encaixar em quaisquer das categorias abaixo:

  • Empresas da Cadeia Produtiva do Livro
  • Organizações Sociais (ONGs.)
  • Mídia (TV, Rádio, Cinema, Jornais, Revistas e Mídias Digitais)
  • Bibliotecas Públicas e Comunitárias

Mostre para o Brasil como o seu projeto de incentivo à leitura faz a diferença.

As inscrições são gratuitas e somente até 5/09/2017 no site.
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Ministério da Cultura – Regional Nordeste realizou oficina sobre o Prêmio Culturas Populares em Sergipe

O auditório da Biblioteca Pública Epifânio Dória se transformou num espaço voltado ao fortalecimento das culturas populares na tarde da última quarta-feira (16). O Ministério da Cultura (MinC) promoveu uma oficina para esclarecer possíveis dúvidas sobre o Prêmio Culturas Populares Leandro Gomes de Barros aos artistas e estudiosos da cultura. Este edital visa fortalecer as expressões culturais populares de cada estado do país.

Este edital foi o primeiro de cultura popular lançado pelo Ministério da Cultura desde 2012 e é o maior em número de premiações. Os candidatos poderão se inscrever para participar do edital até 28 de agosto, on-line ou por via postal. Entre os critérios avaliados para obter a premiação estão: contribuição sociocultural que o projeto proporcionou às comunidades; melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e impacto social e contribuição para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.

O representante do MinC, Dann Lacerda, ressaltou a importância da participação de todos os grupos de cultura popular. “Este edital vai premiar vários grupos. Quadrilhas, Afoxé, Maracatu, Xilogravura, Grupos de dança e teatro, Bumba meu boi entre outros. A gente espera que o número de inscrições supere as nossas expectativas”, disse.

Rodrigo Teles é mestrando em Administração e pretende inscrever seu projeto no Prêmio Culturas Populares Leandro Gomes que irá contar a biografia do movimento ciranda alternativa do município de Santo Amaro das Brotas. “Essa oficina foi importante para que a gente corrigisse o que deve ser corrigido e melhorarmos o que pode ser melhorado em nossos projetos. Recebemos bons esclarecimentos e já me sinto habilitado a participar do prêmio”, salientou.

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Sobre o Prêmio

Das 500 premiações, 200 serão destinadas a pessoas físicas, outras 200 a coletivos culturais sem constituição jurídica, 80 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos e com natureza ou finalidade cultural e 20 a herdeiros de mestres já falecidos (In Memorian), em homenagem à dedicação do trabalho voltado aos saberes e fazeres populares e às expressões culturais, com reconhecimento da comunidade onde viveram e atuaram.

Cada candidato poderá apresentar apenas uma iniciativa para a seleção. As inscrições, prorrogadas até 28 de agosto, poderão ser feitas pela internet ou por via postal. Em caso de inscrição on-line, a documentação prevista no edital deverá ser preenchida, assinada e anexada ao Sistema de Acompanhamento às Leis de Incentivo à Cultura – SalicWeb.

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BAHIA: Letieres Leite ministra workshop “As Matrizes Africanas na Música Popular Brasileira”

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O maestro Letieres Leite ministra o workshop As Matrizes Africanas na Música Popular Brasileira, no Centro de Formação em Artes da Funceb, para jovens da comunidade Hip-Hop e Rap de Salvador, neste sábado (19), às 14h. No salão de cerimônia do Espaço São Dâmaso, sede do CFA, no Pelourinho, o evento contará com a participação do educador e produtor DJ Branco. O programa será aberto ao público interessado.

Agora o maestro leva seu método para mais jovens, dedicados ao gênero musical Hip-Hop, que celebra o aniversário de surgimento de seu movimento, no mês de agosto, e registra um grande crescimento de admiradores e seguidores tanto na capital baiana quanto no interior do Estado. “A música rap é universal, ela tem o poder de se adaptar ao local que chega e dialogar com a cultura local. Aqui no Nordeste, por exemplo, podemos ver elementos da música Nordestina e Africana nos Samples de Rap”, considera DJ Branco.

A proposta se baseia na ideia de promover uma compreensão crítica e profunda a respeito da formação da música brasileira, principalmente daquela diretamente influenciada pela diáspora africana. “Além disso, o objetivo da série de workshops é trocar conhecimento e aperfeiçoamento técnico musical com todas essas comunidades de cultura afro da cidade do Salvador. Entre as mais importantes o CFA inclui o Ilê Aiyê e a comunidade do Hip-Hop e Rap”, considera Marle Macedo, diretora do CFA.

Serviço:
Conexão Cultural CFA – Música – As Matrizes Africanas na Música Popular Brasileira
Com: Maestro Letieres Leite, participação de DJ Branco. Para jovens da comunidade Hip-Hop e Rap e público interessado
Quando: 19 de agosto, sábado, 14h
Onde: Centro de Formação em Artes (Rua do Bispo, 29/31, Pelourinho)
Ingresso: Gratuito

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Arapiraca e Delmiro Gouveia recebem Oficina de Preparação de Atores

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A oficina será ministrada pelo ator alagoano Chico de Assis, reconhecido nacionalmente por suas atuações no cinema, teatro e televisão

O Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), em parceria com as prefeituras municipais de Arapiraca e Delmiro Gouveia, realiza a Oficina de Preparação de Atores nas regiões do Sertão e Agreste alagoanos.

Estão sendo disponibilizadas 25 vagas para cada região, com direito a certificado de participação. As inscrições são gratuitas.

O intuito é disseminar as práticas do teatro e cinema no interior de Alagoas. Para se inscrever, os interessados devem se encaminhar À Secretaria de Cultura da cidade ou comparecer no primeiro dia das aulas no local indicado. Os documentos necessários são RG, CPF e comprovante de residência.

A oficina será ministrada pelo ator alagoano Chico de Assis, reconhecido nacionalmente por suas atuações no cinema, teatro e televisão.

As aulas acontecerão nos dias 19 a 20 de agosto, das 9h às 12h e 13h às 17h, no Departamento Municipal da Juventude de Delmiro Gouveia. Mais informações pelo telefone 3273-1824 ou 99138-6103.

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PIAUÍ: Secult lança XLI Encontro Nacional de Folguedos no Club dos Diários

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A 41ª edição do Encontro Nacional de Folguedos será lançada nesta sexta-feira (18), a partir das 10h, na Galeria de Artes “Nonato Oliveira”, no Club dos Diários. O evento acontece de 24 a 27 de agosto na Vila Olímpica do Albertão, com apresentações de grupos folclóricos, feira de artesanato e shows abertos ao público. Uma das novidades para este ano é a realização do XV Festival Regional de Quadrilhas Juninas – Nordestão, que traz a Teresina grupos de vários estados nordestinos, como Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe.

No lançamento, os convidados serão recepcionados pela dupla de repentistas José Edmar e Nonatinho. Na ocasião, haverá apresentação da campanha e da programação completa do evento, além de um espetáculo de dança com alunos da Escola Estadual de Dança Lenir Argento e declamação de poema com alunos da Oficina de Teatro Procópio Ferreira.

Com o tema “Cordel – O Piauí em Versos”, os Folguedos mantêm a tradição e reúne grupos folclóricos e quadrilhas, shows abertos ao público, comidas típicas, além de concurso de grafite. As crianças também terão um espaço especial para brincar no Parque de Diversões “Ciranda Cirandinha”.

No palco “Cordel Encantado” acontecem as apresentações dos grupos e quadrilhas. Neste espaço é também onde vai acontecer o XV Festival Regional de Quadrilhas Juninas – Nordestão 2017.  Mais à frente terá a Tenda “Pedro Costa”, onde são exibidos vídeos em homenagem ao repentista piauiense, que faleceu em março deste ano.  Logo em frente, os grafiteiros que participam do concurso pintam suas telas e concorrem à premiação, sendo R$ 3 mil para o primeiro lugar, R$ 2 mil para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro. Os trabalhos serão julgados por artistas renomados na área.

Quem quiser conferir o artesanato piauiense pode dar uma passada na Feira “Embolada”, onde estarão os stands de vendas. Na Praça de Alimentação o visitante vai encontrar várias opções de comidas típicas. O outro palco, “De repente”, recebe os shows. Entre as atrações já confirmadas estão João Cláudio Moreno, além das bandas Cavaleiros do Forró e Skema 10, a dupla Waldo e Felipe, entre outras.

“Nos dois anos anteriores o evento foi um sucesso, continuamos mantendo a data em agosto, que é o mês do folclore e desta vez com um tema bem regional, o Cordel, que vai homenagear os mestres do cordel piauiense, dentre eles, o cordelista Pedro Costa, que deixou um grande legado ao nosso Estado”, destaca o secretário estadual de Cultura, Fábio Novo.

Programação

Palco “De repente”

Quinta-feira (24.08)

João Cláudio Moreno

Giullian Monte

Cavaleiros Do Forró

Kangas Do Forró

Sexta-feira (25.08)

Laninha

Bonde Do Brasil

Reisinho E Maclaine

Luizinho Vaneirão

Sábado (26.08)

Skema 10

Pedro E Benício

Yara Tchê & Alessandro

Damásio Neto

Domingo (27.08)

Waldo E Felipe

Sacode

Igor Guerra

Pegadões Do Forró

OBS: Programação palco “Cordel Encantado” aqui

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NATAL: Três gerações de violeiros se apresentam nesta sexta-feira no pátio da Secult

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A tradição da Viola vai ditar o ritmo desta sexta-feira (18), no pátio da Secretaria de Cultura de Natal (Secult) e Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Três distintas gerações de violeiros estarão no palco numa noite especial. O show “Encontro das Gerações” começa a partir das 19h com entrada franca. A realização é da Prefeitura do Natal, por intermédio da Secult/Funcarte.
O consagrado Pedro Bandeira e os jovens Felipe Pereira e Helânio Moreira sobem ao palco para mostrar a versatilidade e criatividade da viola nordestina. O show, inclusive, vai virar um DVD para o registro deste encontro inédito.

Pedro Bandeira, o Príncipe dos Poetas Populares, é paraibano de São José de Piranhas e é considerado um dos maiores no Brasil em atividade. Com mais de 50 anos dedicados a poesia popular, já fazia versos aos 17 anos e tornou-se cantador profissional. Atua nas diversas modalidades da poesia popular, do improviso ao mourão, passando pelo martelo galopado, o galope à beira-mar, quadrão e gemedeira.

Os jovens Felipe Pereira e Helânio Moreira são discípulos de Pedro Bandeira e do potiguar Amâncio Sobrinho, com quem costumam de apresentar em espetáculos pelo Nordeste.
O encontro vai reunir três gerações diferentes em desafios de dupla, individuais e em trio.

“Encontro das Gerações”, desafio de violeiros
Sexta-feira (18), a partir das 19h, Pátio da Secult/Funcarte
Avenida Câmara Cascudo, Cidade Alta
Entrada franca

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