
Rodrigo Neves (Delta Zero), Martin Mahn (Consulado da Alemanha), Roberto Azoubel (RRNE), Mileide Flores (RNLLL) e Tarciana Portella (Delta Zero)
Articulação, atualização e capacitação. Estas foram as três palavras de ordem que nortearam as pautas discutidas na oficina “O Nordeste na Feira de Frankfurt”, realizada neste último final de semana (11 e 12/05), na segunda edição da Expoidea – A Feira do Futuro, no Recife. O encontro foi organizado através de parceria entre a Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura (RRNE/MinC); a Rede Nordeste do Livro, Leitura e Literatura; e o Instituto Delta Zero, que abrange 50 entidades do setor da economia criativa. As atividades ministradas ao longo do encontro foram marcadas por debates pontuais entre representantes da cadeia produtiva do segmento literário e agentes de fomento ao empreendedorismo. O objetivo é estabelecer um cenário consistente de políticas de apoio e investimentos que atendam às demandas nacionais e internacionais da área.
De acordo com a presidente executiva do Instituto Delta Zero, Tarciana Portella, a articulação do setor é o primeiro passo para a construção de um cenário dinâmico para o segmento de livros, leitura e literatura, que “precisa ser pensado de forma integrada entre a cadeia de produção, a sociedade e o poder público”. Identificando o panorama atual de expansão do setor, Portella afirmou: “Temos uma riqueza incontestável no que se refere ao conteúdo que precisa ser escoado, porém esbarramos num quadro onde 75% da população não tem o hábito de frequentar bibliotecas. Conhecendo nossos colegas e identificando potenciais, poderemos desenvolver estratégias para aumentar o valor do livro enquanto produto de afirmação cultural e a leitura como ferramenta no exercício da cidadania da população. O desafio de mostramos ao mundo o que nós temos de melhor em Frankfurt será nossa primeira ação neste sentido”.
A Feira Internacional de Frankfurt é uma vitrine em potencial para o acervo literário dos países participantes, sendo considerada a maior do seu segmento. Os números da última edição impressionam: o evento de 7.539 instituições (entre editoras, indústrias, livrarias e empresas de todo mundo) rendeu ao Brasil mais de US$ 130 mil em negócios fechados, com negociações posteriores estimadas em cerca de US$ 175 mil, de acordo com números do Projeto Brazilian Publishers, uma parceria da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Segundo a gerente do projeto Brazilian Publishers, Dosh Manzano, os grupos literários do Nordeste devem aproveitar o momento para reeestruturar seus modelos produtivos e vislumbrar uma atuação mais proativa no contato com parcerias estrangeiras. “A dinâmica internacional demanda mais objetividade e observação dos casos de sucesso no setor, para que se possa ousar na ampliação do mercado. O fato desta articulação estar focando num evento deste porte por si só já se caracteriza como uma ousadia bastante positiva que merece ser trabalhada”, disse. Entre os destaques na estratégia de divulgação do Brazilian Publishers, está a elaboração de catálogos com as obras disponíveis para publicação em línguas estrangeiras, além de missões internacionais com visitas de editores brasileiros no exterior, e a vinda de editores estrangeiros ao Brasil.
Para dialogar com os participantes da oficina, o adido cultural do consulado da Alemanha no Recife, Martin Mahn, esteve presente para esclarecer dúvidas acerca da feira e do ritmo empresarial germânico. “Vejo este evento como uma oportunidade para estreitar laços e promover o intercâmbio de informações e saberes entre as culturas dos dois países. Tendo isto em vista, me disponho a ser uma ponte entre a cadeia do livro do Nordeste e as entidades alemãs relacionadas à feira. É do nosso interesse que os grupos locais cheguem em Frankfurt com metas e estratégias bem definidas, de modo que possamos alcançar o maior sucesso possível. Todos ganham neste processo”, concluiu.
Este mesmo diálogo com o mercado exterior também foi a pauta da Diretoria de Livro, Leitura e Literatura, ligada à Fundação Biblioteca Nacional, representada na oficina por Cauê Baptista: “Estamos bastante confiantes no aumento da presença brasileira no meio editorial internacional. Tanto, que desenvolvemos o Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, destinado à editoras estrangeiras que possuam contratos para publicação de nossas obras. Esta proposta prevê o investimento de pelo menos R$ 12 milhões ao longo dos próximos dez anos, tanto para publicações inéditas, como para a reedição das mesmas”, disse.
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CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS
O avanço tecnológico também foi uma das pautas mais importantes na oficina. Com uma tendência inevitável à digitalização das obras literárias, discutiu-se a necessidade urgente de se buscar parcerias na área de tecnologia da informação. “O leitor agora tem à sua disposição outros canais além do papel para entrar em contato com os livros e com os próprios autores. Não adianta focarmos apenas no modelo tradicional de negócios. O e-commerce, o self-publishing, a distribuição descentralizada via internet já são realidade. O próprio Ministério da Educação está investindo em tablets nas escolas, então, como fica a distribuição literária para o formato digital e o diálogo com as outras plataformas? Isso sem falar na exploração das inúmeras possibilidades que teremos com estas ferramentas, como jogos e aplicativos que interajam com todo este acervo, para otimizar o caráter educativo e incentivar a leitura, aproveitando esta geração conectada que estamos vendo crescer”, afirmou Tarciana Portella.
Para Rodrigo Neves, da Editora Paés, a cadeia produtiva do livro deve aproveitar a interação entre as mais variadas mídias para criar uma nova geração de leitores. “Estamos ocupando um lugar de destaque numa feira conceituada, em plena era da informação. Não podemos deixar esta chance passar em branco. Um aprimoramento na organização das editoras além do know-how para abordagens e negociações com outros países é imprescindível”, afirmou.
Segundo Mileide Flores, da Rede Nordeste do Livro, Leitura e Literatura, a renovação da dinâmica de negócios deve ser apoiada na troca de informações entre as demais entidades do segmento, através de um contato constante. “Somos uma região bastante heterogênea, apesar das muitas identificações culturais. Este é um dos motivos pelos quais realizamos fóruns permeados pelas princiapais bienais de livros do Nordeste. Estes encontros servem para realizarmos diagnósticos e estabelecermos propostas com foco no fortalecimento no setor, agregando autores, bibliotecas e demais agentes literários”, disse.
A oficina também proporciou aos participantes um encontro com representantes de entidades como o Banco do Nordeste (BNB), BNDES e Sebrae, que ofereceram uma tarde pontuada por questões técnicas e empresariais, para a orientação dos participantes, além do planejamento e composição da Carta do Nordeste, documento referente ao plano de metas e articulação da cadeia literária regional. “Este encontro nos mostrou que precisamos nos unir e desenvolver planos que garantam a perenidade deste crescimento que almejamos. Frankfurt é apenas o passo inicial desta trajetória. Nós estamos estudando o mercado e vamos brigar por ele”, afirma Tarciana Portella.
Para acompanhar as ações desenvolvidas pela Rede Nordeste do Livro, Leitura e Literatura, assim como a agenda das próximas reuniões, basta acessar o blog oficial da entidade: http://forumdeliteraturace.wordpress.com
Texto e fotos: Juliano Mendes da Hora – Ascom MinC / RRNE






















