Facundo Guerra diz por que é necessário propósito para empreender Autor do livro “Empreendedorismo para Subversivos” acredita que, para ser dono do próprio negócio, é preciso encontrar o propósito

Facundo Guerra, empresário dono de sete casas noturnas em São Paulo.

Facundo Guerra, empresário dono de sete casas noturnas em São Paulo.

Facundo Guerra já se reinventou inúmeras vezes. Formado em engenharia de alimentos, ele se especializou também em jornalismo e ciências políticas. Mas a grande guinada de sua vida aconteceu em 2005, quando resolveu empreender e criou negócios que transformaram a cidade de São Paulo, como o Cine Joia, o bar Riviera e o Mirante 9 de Julho. Nesses mais de dez anos empreendendo, Facundo colheu algumas lições que fogem do comum e que estão no livro Empreendedorismo para Subversivos (Planeta Estratégia, 41,90 reais). Em entrevista para VOCÊ S/A, ele fala sobre os desafios de ser dono do próprio negócio.

Empreender virou moda?

A gente está vivendo o imperativo do empreendedorismo, mas empreender pode deixar um monte de cicatrizes, pois existem várias armadilhas das quais ninguém nunca fala. Uma delas é a narrativa de que, se você não foi bem-sucedido no seu negócio, é porque não quis o suficiente. Outra coisa é a crença, ainda muito difundida, de que para ter sucesso é preciso ter dinheiro. Esse não pode ser o propósito do empreendedorismo, mas quem está desesperado acredita que esse é o caminho.

O que é ser bem-sucedido para você?

O que me incomoda é que muita gente só se sente bem-sucedida com a legitimação alheia – os outros têm que achar que você é um sucesso para que você se sinta assim. Mas o que vale é como você se sente, é a sua trajetória. Eu nunca fui tão malsucedido do ponto de vista financeiro como sou hoje, mas me julgo mais bem-sucedido com menos dinheiro. Ninguém tem que sentir vergonha por isso. Muitas coisas são mais importantes do que dinheiro.

Por isso você diz, no livro, que é preciso encontrar o propósito antes de empreender?

Na ausência de uma palavra melhor, é propósito mesmo. Antes de uma viagem para fora, você precisa fazer uma viagem para dentro e se perguntar como é que você viveu até hoje e o que quer mudar. Uma coisa que aprendi é que, para empreender, primeiro você tem que acumular estímulos, vivência e erros. Por isso, acredito ser melhor empreender quando você tem mais bagagem e força para se reerguer – porque, se você cai aos 20 anos, pode ser que não consiga levantar mais. E isso é engraçado, porque a gente costuma ligar o empreendedorismo, necessariamente, aos jovens. Mas é preciso usar a palavra “empreendedorismo” com mais cuidado, porque virou uma palavra vazia.

Acredita que as novas gerações estão mais conectadas com a necessidade de ter um propósito?

Sim, já estamos vendo isso. Numa visita que fiz à minha antiga universidade, a Mauá, notei algo interessante. Quando eu estudava, todo mundo queria trabalhar em grandes empresas – inclusive eu. Agora, os jovens querem trabalhar em coisas que mudam o mundo. Antes, as empresas compravam os anseios dos profissionais com dinheiro, mas as cosias mudaram. As pessoas buscam outras conexões. É romântico? Sim. Mas estamos vivendo a economia do compartilhamento e a falência do luxo.

Qual foi a grande lição que você aprendeu em seus anos como empreendedor?

A não obedecer – principalmente quando a ordem é burra. Eu sempre penso por que estou obedecendo alguma ordem e se vale a pena ou não. Quando você faz isso, se livra de um monte de obrigações. Não precisa fazer média com ninguém. Se o seu negócio é bom, as pessoas vêm até você naturalmente. Se você tem que puxar saco, seu negócio não se sustenta.

FONTE VOCÊ S/A

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