2018, ano da inovação

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“Juicero” foi uma das palavras características do ano que agora findou. Durante os seus proverbiais 15 minutos de fama, não se falava de outra empresa no fervilhante mundo da tecnologia: a Juicero propunha uma “revolucionária” máquina de sumos naturais que se ligava à internet antes de espremer, não as próprias frutas e vegetais, mas uns pacotes (de marca registada) cheios do líquido já pronto a beber. A máquina custa(va) 600 euros e cada pacote 7 euros; a excitação passou, meteoricamente, quando alguém descobriu que os pacotes de sumo se podiam espremer à mão – na verdade, até era mais rápido.

A Juicero tornou-se um símbolo perfeito do que, em português, se pode designar por tecnologia de fachada, ou seja, algo que tenta surfar a onda do moderno, do digital, do inovador – mas sem substância ou honestidade.

Não era só o facto de a máquina, ideia de negócio central desta startup, não ser sequer necessária; a cara engenhoca publicitava a sua “conectividade” como algo diferenciador, mas a ligação à internet apenas servia para verificar o prazo de validade do sumo… que de qualquer forma estava escrito no pacote. Todo o conceito era ridículo e a empresa já faliu – antes disso ainda obteve 110 milhões de euros dos investidores, o que levou o seu megalómano presidente a autodeclarar-se como o novo Steve Jobs.

2018 será bem melhor neste tema. Sim, certamente aparecerão também oportunistas a tentar vestir ideias estafadas com roupagens digitais. Mas neste momento estão na forja, prontinhas para rebentar durante o novo ano, inovações que podem mudar para melhor a vida de centenas de milhares de pessoas. Desde logo, e depois de 20 anos de pesquisa, uma equipa de San Francisco vai começar a testar o primeiro rim artificial portátil – se funcionar, a tecnologia pode vir a salvar milhares de vidas (e euros).

De aplicação ainda mais universal (e já financiada pelo fundador da Amazon) é a ideia da agricultura vertical: paredes imensas cobertas com terra e que podem produzir diferentes tipos de vegetais, utilizando apenas uma fracção do espaço no solo e da água que requerem as plantações tradicionais – e sem necessidade de pesticidas ou fertilizantes. Poderá ser essa a solução para alimentar uma população crescente no nosso planeta? A resposta já começa agora. E há mais inovações com imenso potencial em fase avançada de protótipo: turbinas de vento para produção de eletricidade que voam como papagaios de papel; um leitor eletrônicoe Braille para invisuais; ou uma rede social para a participação cívica, algo que tanta falta faz a sociedades apáticas e desligadas da política. O mundo de 2018 contém problemas de enorme magnitude (a falta de sumo em pacote não é um deles), mas há também muitas pessoas brilhantes procurando resolvê-los.

Por Hugo Guedes

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