Pausar em tempos de crise

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Recebo um e-mail muito bacana e emocionante de José, empreendedor do ramo têxtil, que compartilhou comigo um pouco de sua jornada familiar, ao assumir há 5 anos o negócio que era dos pais. Ele me confidenciou que teve um 2017 difícil, passou por um teste de fé na própria capacidade de liderar a empresa, e que agora está avaliando se continua com o negócio ou vende tudo e volta a ser empregado.

O José (alterei o nome) tem uma decisão difícil pela frente, com a pressão da esposa e dos filhos, dos empregados, e dele mesmo em honrar o negócio da família. Impossível imaginar tudo o que ele está passando, e estou torcendo por ele, qualquer que seja a escolha.

Posso apenas indicar uma sugestão para ajudar o José tomar a melhor decisão: fazer uma pausa.

Pausar pode ser doloroso, mas às vezes é importante dar um tempo, tomar uma certa distância, acalmar, entender melhor o momento, reavaliar as forças, organizar e mensurar os recursos disponíveis, adaptar estratégia, e então decidir – ou não –  avançar novamente.

Seguir em frente, quando se está passando por dificuldades, sem entender os motivos, é extremamente perigoso para um negócio. É como dirigir com os olhos vendados – é questão de tempo até bater em alguma coisa. É claro que me refiro a negócios que estão passando por alguma dificuldade (aos que estão indo bem, parabéns, continuem em frente).

Uma pausa também ajuda a avaliar se precisam ser feitos ajustes no negócio em si, ou seja, se o negócio ainda tem relevância e valor. E não me refiro à tecnologia – essa selvagem em constante transformação. Mesmo mercados tradicionais, como o do José, têm mudado muito nos últimos anos.

Em alguns casos, a situação tem mudado várias vezes ao ano. Setores conservadores do varejo sofreram terremotos, nos últimos anos, que afetaram certezas até agora absolutas. Tudo é liquido no mundo atual: custos, produtos, mercado internacional, e até mesmo clientes que repentinamente mudam hábitos de consumo e desaparecem. Parafraseando alguém: a única certeza é que não dá para ter certeza de nada.

Mas o empreendedor é um bicho difícil de ser convencido a fazer uma pausa, pois tem uma conotação de perda, de derrota, ou de erro. Para o empreendedor é sempre difícil admitir que errou. Mas, em algum momento, o empreendedor inteligente vai perceber os sinais e fazer uma pausa, antes de seguir em frente.

Por Ivan Primo Bornes 

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