Facundo Guerra diz por que é necessário propósito para empreender Autor do livro “Empreendedorismo para Subversivos” acredita que, para ser dono do próprio negócio, é preciso encontrar o propósito

Facundo Guerra, empresário dono de sete casas noturnas em São Paulo.

Facundo Guerra, empresário dono de sete casas noturnas em São Paulo.

Facundo Guerra já se reinventou inúmeras vezes. Formado em engenharia de alimentos, ele se especializou também em jornalismo e ciências políticas. Mas a grande guinada de sua vida aconteceu em 2005, quando resolveu empreender e criou negócios que transformaram a cidade de São Paulo, como o Cine Joia, o bar Riviera e o Mirante 9 de Julho. Nesses mais de dez anos empreendendo, Facundo colheu algumas lições que fogem do comum e que estão no livro Empreendedorismo para Subversivos (Planeta Estratégia, 41,90 reais). Em entrevista para VOCÊ S/A, ele fala sobre os desafios de ser dono do próprio negócio.

Empreender virou moda?

A gente está vivendo o imperativo do empreendedorismo, mas empreender pode deixar um monte de cicatrizes, pois existem várias armadilhas das quais ninguém nunca fala. Uma delas é a narrativa de que, se você não foi bem-sucedido no seu negócio, é porque não quis o suficiente. Outra coisa é a crença, ainda muito difundida, de que para ter sucesso é preciso ter dinheiro. Esse não pode ser o propósito do empreendedorismo, mas quem está desesperado acredita que esse é o caminho.

O que é ser bem-sucedido para você?

O que me incomoda é que muita gente só se sente bem-sucedida com a legitimação alheia – os outros têm que achar que você é um sucesso para que você se sinta assim. Mas o que vale é como você se sente, é a sua trajetória. Eu nunca fui tão malsucedido do ponto de vista financeiro como sou hoje, mas me julgo mais bem-sucedido com menos dinheiro. Ninguém tem que sentir vergonha por isso. Muitas coisas são mais importantes do que dinheiro.

Por isso você diz, no livro, que é preciso encontrar o propósito antes de empreender?

Na ausência de uma palavra melhor, é propósito mesmo. Antes de uma viagem para fora, você precisa fazer uma viagem para dentro e se perguntar como é que você viveu até hoje e o que quer mudar. Uma coisa que aprendi é que, para empreender, primeiro você tem que acumular estímulos, vivência e erros. Por isso, acredito ser melhor empreender quando você tem mais bagagem e força para se reerguer – porque, se você cai aos 20 anos, pode ser que não consiga levantar mais. E isso é engraçado, porque a gente costuma ligar o empreendedorismo, necessariamente, aos jovens. Mas é preciso usar a palavra “empreendedorismo” com mais cuidado, porque virou uma palavra vazia.

Acredita que as novas gerações estão mais conectadas com a necessidade de ter um propósito?

Sim, já estamos vendo isso. Numa visita que fiz à minha antiga universidade, a Mauá, notei algo interessante. Quando eu estudava, todo mundo queria trabalhar em grandes empresas – inclusive eu. Agora, os jovens querem trabalhar em coisas que mudam o mundo. Antes, as empresas compravam os anseios dos profissionais com dinheiro, mas as cosias mudaram. As pessoas buscam outras conexões. É romântico? Sim. Mas estamos vivendo a economia do compartilhamento e a falência do luxo.

Qual foi a grande lição que você aprendeu em seus anos como empreendedor?

A não obedecer – principalmente quando a ordem é burra. Eu sempre penso por que estou obedecendo alguma ordem e se vale a pena ou não. Quando você faz isso, se livra de um monte de obrigações. Não precisa fazer média com ninguém. Se o seu negócio é bom, as pessoas vêm até você naturalmente. Se você tem que puxar saco, seu negócio não se sustenta.

FONTE VOCÊ S/A

DICAS INSPIRADORAS DE ÍCONES MUNDIAIS PARA COMEÇAR BEM 2018

Steve Jobs

Steve Jobs

Por estarmos em momento oportuno de rever o que fizemos e buscar inspiração para começar 2018 bem, dicas de Steve Jobs, Jeff Weiner, Bill Gates e outros empreendedores servem para nos inspirar.

 O site Inc. separou algumas das melhores lições de negócios ditas por grandes executivos ao longo da história. Inclusive, podem ser usadas tranquilamente na vida pessoal. Aproveitar coisas tidas como normais e quando faltam desmoronam tudo (saúde,amor), ter a inteligência emocional para ganhar enduros e a comunicação como  fundamental são alguns dos direcionamentos desses empresários de sucessos. Vale a pena conferir!

Para Steve Jobs a dica é contrate pessoas inteligentes. Depois deixa que elas lhe digam o que fazer

Jobs não apenas disse o conselho para servir de inspiração a outros empresários como usou ele para si mesmo, durante o processo de contratação na Apple. “Não faz sentido contratar pessoas inteligentes e dizê-las o que fazer. Nós contratamos pessoas inteligentes para que elas nos possam dizer o que fazer”, afirmou o ex-CEO da Apple.

Na era da máquina e inteligência artificial a Inteligência emocional, para  Jack Ma, é um diferencial humano

Enquanto ainda se discute se a inteligência emocional é mais relevante do que o QI no que diz respeito ao sucesso no mercado de trabalho, o bilionário Jack Ma, presidente do conselho de administração do Grupo Alibaba, explica que a resposta não é nenhuma das duas. “Se você quer ser respeitado, você precisa ter o quociente de amor, algo que as máquinas nunca terão”, disse o líder chinês. Segundo ele, não importa o quão inteligente as máquinas se tornem, os maiores problemas mundiais não serão resolvidos por elas, mas sim por seres humanos com habilidades de compaixão, compreensão e amor.

Executivo da Levi Straus, Chip Bergh ensina que o antídoto para um ambiente de trabalho tóxico é a transparência

Em entrevista para a New York Times, o chefe executivo da Levi Strauss & Co., Chip Bergh, a transparência é o segredo que impede que o escritório se torne um ambiente ruim e negativo. “Ser extremamente transparente cria confiança. Eu não sou grande fã de corporações em que as pessoas falam mal uma das outras pelas costas. […] Você precisa ser muito claro sobre como quer operar e, caso não consiga, deve buscar outra equipe”.

Jeff Weiner ensina que devemos aproveitar 3 coisas que normalmente tomamos como sempre certo: saúde, amor e tempo

Em um pequeno tweet, o CEO do LinkedIn, Jeff Weiner, relatou como é importante dar atenção à saúde, ao amor e tempo para si mesmo. Esses três princípios moldaram o sucesso de Weiner tanto em sua carreira executiva quanto pessoal.

Três bilionários,  Bill Gates, Richard Branson e Warren Buffett concordam: Comunicação é fundamental

Eles são unânimes no que tange à relevância da habilidade de comunicação para o sucesso de um empreendedor. Pesquisas corroboram a mesma ideia: 85% do sucesso financeiro de empresárias é resultado da capacidade de se comunicar efetivamente, tanto em fala quanto audição.

Concordo com tudo, principalmente com a inteligência emocional, comunicação e equilíbrio… agora cabe a gente aplicá-las em nossas tomadas de decisões. Mãos à obra

Por Ana Eliza Lucialdo, professora, pesquisadora e consultora de mercado e negócios

Fonte:PEGN

SMART, objetivos funcionais, o que são?

sapato

Ao chegar Dezembro,  as festas de Fim de Ano, naturalmente, somos levados àquele balanço das metas e objetivos alcançados. Isso quando conseguimos  planejá-los no início do ano.  Ao Trabalhar em multinacional aprendi a cumprir rigorosos planejamentos estratégicos,  então a familiaridade com a temática existe. Atualmente,na vida pessoal,  depois de conhecer algumas ferramentas, tenho me policiado mais nesse sentido.

O conteúdo de  Ramon Kayo ( ainda resultado das pesquisas) veio para nos auxiliar a estabelecer os objetivos funcionais. A sigla SMART (iniciais em Inglês) de Specific (Específico);Measurable (Mensurável);Attainable (Alcançável);Relevant (Relevante) e Time-based (Tempo Limite) nos ajuda a aplicar o planejamento. Tudo sem aquelas formulas incompreensíveis. Gostei! Fácil utilização, específico, mensurável, alcançável, relevante e com tempo limite.

Então chega de rodeio e vamos ao conteúdo: Os critérios SMART são cinco regras para você definir objetivos funcionais. Essas regras podem ser facilmente lembradas pelo acrônimo SMART, onde cada letra remete a uma das regras.

Para definir um objetivo através dos Critérios SMART, você deve primeiro esboçá-lo e então verificar se ele respeita cada uma das cinco regras. Caso ele não se adeque a algum dos critérios, você deve ajustá-lo. Você deve repetir a verificação e fazer ajustes até que o seu objetivo esteja de acordo com todos os critérios SMART.

As cinco regras são:

Specific (Específico): O seu objetivo deve ser focado e bem definido. Objetivos como “conseguir mais cliente” ou “emagrecer”, por exemplo, não são específicos. Eles seriam muito melhores se fossem “conseguir 10 clientes” ou “emagrecer 10kg”.

Measurable (Mensurável): Deve ser possível medir o progresso do seu objetivo. Por exemplo, um objetivo como “fazer os clientes mais felizes” seria melhor se fosse “receber 100 avaliações positivas”.

Attainable (Alcançável): O seu objetivo deve ser realista. Um objetivo que não tem nenhum indicador de que pode ser realizado não tem utilidade.

Relevant (Relevante): O seu objetivo deve ser realmente importante para você ou para sua empresa. Você deve se perguntar se o esforço para realizar este objetivo vai compensar caso ele seja alcançado.

Time-based (Tempo Limite): O seu objetivo deve ter uma data limite para ser alcançado. Se você não definir um tempo para o seu objetivo todos os esforços colocados nele vão diminuir.

Ou seja minha gente, planejar é necessário, executar é fundamental, ter metas claras e objetivos estabelecidos nos ajudam a chegar em algum lugar, de preferencia, caminhos que almejamos percorrer.

Por Ana Eliza Lucialdo, professora, pesquisadora e consultora de mercado e negócios.

 

 

Calçando os sapatos do cliente: o que é Mapa de Empatia e para que serve?

Nessas minhas infindáveis pesquisas no universo mercadológico, encontrei o conteúdo do mapa da empatia. Lembrei-me de quando exemplificaram a empatia no universo corporativo como “calçar os sapatos do seu cliente”

Resultado de imagem para calçar sapato

Com essa ideia em mente mergulhei na pesquisa introdutória, com a carga semântica que seria para compreender as dores e os prazeres de uma pessoa chamada “cliente” e a partir disso compreender suas escolhas e poder ofertar produtos e serviços que satisfaçam seus desejos, sem a triste utilização da indução ou lavagem cerebral que os pseudos profissionais de marketing acreditam ser possível de entoar.

Então vamos lá, à descoberta:  Mapa de Empatia é uma ferramenta visual, que foi desenvolvida pela XPLANE, para descrever o perfil de uma pessoa ou de um grupo de pessoas. O Mapa de Empatia permite que você estruture uma descrição coerente e que seja fácil de compartilhar com outras pessoas.

Normalmente, você constrói um Mapa de Empatia quando precisa documentar ou montar uma hipótese de perfil de cliente. Esse perfil pode ser utilizado para melhorar campanhas de marketing, aprimorar produtos ou auxiliar em outras decisões sobre o negócio.

O Mapa de Empatia pode ser feito em uma lousa, em um flip-chart ou em uma simples folha sulfite. Normalmente preenchemos um Mapa de Empatia com notas auto-adesivas, tipo post-it, mas você pode anotar diretamente nos quadrantes, se preferir.

O formato do Mapa de Empatia é o seguinte:

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

Exemplo: montando um Mapa de Empatia

Vamos passar pelas etapas de construção de um Mapa de Empatia, explicando cada uma delas. Para que seja um exemplo prático, real, vou montar uma hipótese para o perfil do leitor deste artigo – no caso, você. Como este é um exercício de imaginação e gira em torno de uma suposição, eu não preciso me preocupar em detalhar exaustivamente os quadrantes, mas se o objetivo fosse documentar um perfil conhecido, eu faria o oposto, colocaria a maior a quantidade de detalhes possíveis.

O primeiro passo é escolher um nome e uma idade para o perfil hipotético. Isso ajuda a dar uma noção demográfica do perfil e cria uma intimidade maior com o personagem, o que ajuda na criatividade durante os próximos passos. A partir daqui, devo passar preenchendo quadrante por quadrante com minhas hipóteses.

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

O que vê?

Eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • Como é o mundo em que ele vive?
  • O que as pessoas que o rodeiam fazem?
  • Como são os amigos dele?
  • O que está em alta no cotidiano dele?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

O que ele ouve?

Aqui, eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • Que pessoas e ideais o influenciam?
  • O que as pessoas importantes de sua vida dizem?
  • Que atitude tem as marcas preferidas?
  • Quem são seus ídolos?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

O que ele pensa e sente?

Nesse quadrante, eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • Quais são algumas ideias importantes que ele pansa e não diz?
  • Como ele se sente em relação à vida?
  • Com o que anda preocupado ultimamente? Por quê?
  • Quais são alguns sonhos?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

O que ele fala e faz?

Já nesse aqui, eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • O que é comum de ele dizer?
  • Como ele costuma agir?
  • Quais são os hobbies?
  • Do que gosta de falar?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

Quais são suas dores?

Para preencher esse quadrante, eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • Do que tem medo?
  • O que o frustra?
  • O que tem atrapralhado ele?
  • O que ele gostaria de mudar em sua vida?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

Quais são suas necessidade?

Por fim, nesse aqui, eu tenho que tentar responder perguntas como:

  • Que tipo de coisa ele precisa para se sentir melhor?
  • O que é sucesso? Onde ele quer chegar?
  • O que tem feito para ser feliz?
  • O que acabaria com suas dores?

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

Pronto. Dá uma olhada no Mapa de Empatia montado:

O que é Mapa de Empatia e para que serve?

Agora já tenho uma ideia de quem possivelmente você é. Claro que nem tudo que está no quadro está certo, são apenas hipóteses. O ideal agora é testá-las, validá-las e ir corrigi-las conforme for necessário. Mas desde já esse perfil pode ser utilizado como premissa em campanhas de marketing, na construção de um pitch de venda, no planejamento de um MVP, etc.

E aí, se identificou? Eu sim. Gosto do exercício de calçar os sapatos do outro, assim é possível aproximarmos das  suas necessidades, desejos e dores. Gostei tanto, mais tanto mesmo da descoberta, daria um “like” no conteúdo do parceiro vitual @ramonztro, que é um entusiasta dos pequenos negócios, mantém um pequeno negócio de desenvolvimento de sites e um espaço de coworking. Compartilha ideias de como ser mais criativo e produtivo. Show experienciar a descoberto do “calçar os sapatos do cliente”.

Por Ana Eliza Lucialdo, professora, pesquisadora e consultora de mercado e negócios.

Economia criativa vira opção em tempos de crise

Representando cerca de 1,8% do PIB paranaense, setor supera dificuldades e ajuda na geração de renda e de empregos

Economia Criativa

 Andreia e Guto, da GP7 Cinema; na crise, produtora cresceu e lançou série  Foto: GP7 Cinema

O Paraná pode ser conhecido por sua agricultura, mas tem um território fértil para atrair novos investimentos no Estado: a chamada economia criativa. Relatório de 2016 da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revelou que o setor representa 1,8% do PIB do Estado, ficando empatado com Minas Gerais na sexta colocação entre as unidades da federação com maior participação dos criativos no Produto Interno Bruto (PIB).

Mas, afinal, o que é a economia criativa? Segundo o Sebrae, uma das entidades que trabalham para o crescimento do setor no Brasil, são “negócios baseados em capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico”.

 “A importância da economia criativa reside em seu estímulo para a geração de renda, criação de empregos e receitas de exportação, ao mesmo tempo em que promove a diversidade cultural”, explicou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. “A economia criativa, de maneira geral, vive uma situação atípica diante da crise, com crescimento acima do esperado para o momento econômico”, ressaltou Domingos.

Foi o que aconteceu com Guto Pasko e Andreia Kalaboa, fundadores da GP7 Cinema. A produtora de vídeos cresceu durante o período de crise e em 2017 lançou uma série de ficção.

“Nosso maior crescimento foi nesse período, quando nos estruturamos melhor e diversificamos nossos projetos”, explica Guto Pasko.

No caso da Racional Games, empresa de Curitiba formada por um grupo de amigos insatisfeitos com trabalhos que lhes podavam a criatividade, o auxílio veio do poder público.

“Tivemos um importante incentivo da Prefeitura de Curitiba, cedemos nosso primeiro jogo gratuitamente e ganhamos em visibilidade”, explicou Vinício Adamante, um dos sócios-fundadores da Racional.

Hoje, os incentivos públicos ao setor caminham a passos lentos. O programa Paraná Criativo, incubadora ligada a Secretaria da Cultura estadual, está suspenso por falta de verbas do Ministério da Cultura. No plano federal a Secretaria da Economia Criativa, ligada ao Minc, mudou de nome e de foco.

“O debate vai para frente e para trás”, diz Claudia Leitão, primeira secretária de Economia Criativa do Minc, em 2012. “Espero que aos poucos essa discussão vá andando no Brasil”, diz.

O advogado especialista em economia criativa, Tito Malta Neto, do Ambiel Advogados, acredita que o melhor bem que o governo pode fazer para o setor é diminuir a burocracia. “Permitir que as pessoas empreendam e dar espaço para sua função é fundamental”, diz.

Fonte: Estadão

Pesquisa aponta 10 ideias de mercado mais relevantes em 2017

Uma curadoria feita pela equipe do Mundo do Marketing, busca exemplos práticos de como as ideias mais relevantes,  as tendências, estão sendo aproveitadas por diversas empresas.

Com isso, ao longo desse ano alguns insights chamaram mais atenção do que outros, a seguir elencaremos os destaques. Em um próximo conteúdo vamos comentar cada estratégia abordada pelas empresas.

1 – Autosserviço no varejo ganha cada vez mais força

Um estudo da Croma Marketing Solutions aponta que nada menos do que 60% dos shoppers pretendem usar o autoatendimento no varejo. Esta é uma tendência que vai ao encontro de um perfil de comprador cada vez mais independente, visual e interativo, especialmente os da Geração Y, que apresentam os resultados mais expressivos de aderência às tecnologias. Eles buscam check-out automático e personalização da experiência de compra. O Amazon Go é um case que exemplifica muito bem essa tendência.

2- Brasileiro em busca de custo-benefício

Os brasileiros tornam-se mais conscientes em relação ao dinheiro e buscam melhores ofertas numa tentativa de obter custo-benefício. Por exemplo, 47% deles estão analisando melhor a escolha de seus gastos e 35% diminuíram as compras por impulso. Para enfrentar esse cenário, as marcas estão criando produtos ou serviços destinados a economizarem o tempo e o dinheiro das pessoas. O serviço de lavanderia de Omo foi o case apresentado.

Omo

3- Fidelização está associada à empatia

Trabalhar com fidelização requer muito mais do que um clube, principalmente quando o público-alvo é a Geração Y. A lealdade desses consumidores está muito mais associada ao relacionamento do que bonificações, segundo pesquisa da Accenture Strategy. O levantamento mostra que 64% dos consumidores brasileiros são fieis às marcas que lhes oferecem a oportunidade de personalizar produtos para criar algo que seja sob medida para eles. Para 75%, a fidelização ocorre com marcas que interagem com eles através de canais de comunicação preferidos e 84% se sentem fieis a marcas que estão presentes quando eles precisam, mas que, por outro lado, respeitam seu tempo e os deixam em paz. Além disso, 86% são fieis a marcas que protegem a privacidade de suas informações pessoais. O case foi do Ponto Frio e seu simpático Pinguim.

Ponto Frio

4- Varejo ganha relevância com adoção de tecnologia

Não é difícil compreender porque a Tecnologia no Marketing vem sendo um assunto bastante trabalhado: ela vem fomentando uma fábrica de soluções para a área, com propostas diferentes para cada segmento, porte e perfil de empresa. O varejo é um setor que sente o forte impacto das ferramentas tecnológicas. As interações humanas versus a tecnológicas automatizam as experiências. A plataforma Aonde Convém foi o case apresentado.

5- Inteligência Artificial é a nova identidade de marca

A Inteligência Artificial está prestes a se tornar a porta-voz digital das companhias. Ela vai muito além de ser uma ferramenta de back-end para a empresa. A inteligência artificial vem assumindo funções mais sofisticadas nas interfaces de tecnologia – desde carros autônomos, que usam visão computadorizada, até traduções ao vivo feitas pelo aprendizado de máquinas. A ferramenta torna as interfaces simples e inteligentes e estabelece novos patamares para o funcionamento das futuras interações. Ela atuará como a identidade da marca digital e como um grande diferenciador – se tornará uma demanda central para os investimentos e a estratégia da agenda do C-Level. O case da Ticket foi relacionado aos dados apresentados no insight.

6- Atenção à comunicação para 60+

Com o aumento da expectativa de vida – hoje na casa dos 75,5 anos e chegando em 2050 aos 81,3 anos – houve uma mudança no cenário brasileiro quanto à percepção das pessoas em relação ao envelhecimento. Grupos demográficos mais velhos desafiam as expectativas sociais, exigindo que suas vozes sejam ouvidas e esperando pelo surgimento de espaços que apoiem seus interesses. Cada vez mais conectados – 64% usam smartphones, segundo a SeniorLab – os idosos brasileiros não querem ser tratados como velhinhos e as marcas devem ficar atentas ao tom colocado em suas comunicações e, também, ao conteúdo. A campanha do Itaú com idosos foi o case apresentado.

7- Jovens consideram dispensável o uso de carro

Seja por questões ambientais, físicas, econômicas ou de comportamento, a forma como as pessoas se deslocam dentro das cidades está mudando e as empresas que não repensarem seus negócios a partir da mobilidade podem estar com os dias contados. Esse grande gargalo pode representar um diferencial competitivo para as empresas e pode ajuda-las a encontrar saídas mais inteligentes para seus negócios. De acordo com o Instituto Parar, em 80% do dia as frotas corporativas ficam ociosas e apenas 5% é a taxa de uso dos carros particulares. Metade dos deslocamentos nas cidades são para ir e voltar do trabalho. Apenas os paulistanos gastam três horas (20% do dia útil se deslocando). Por causa disso, 62% dos jovens consideram dispensável o uso de carro em suas rotinas. Para eles, um carro compartilhado tira de 15 a 20 outros das ruas. É esse grupo que tem impulsionado negócios voltados à economia colaborativa e feito ao mercado questões sobre a necessidade de realmente possuir um veículo nos dias de hoje. A plataforma Zazcar foi o case apresentado.

8- Novos Arranjos familiares impõem desafios às marcas

Nos dias de hoje, existem cinco principais modelos de famílias na sociedade brasileira que apresentam diferentes dinâmicas de consumo e cujos membros possuem diferentes participações, conforme mostra a pesquisa “Novos Arranjos Familiares”, conduzida pela MultiFocus em parceria com o Mundo do Marketing. Parental, Pluriparental, Anaparental, Uniparental e Homoparental têm chefes de família com diferentes perfis e cujas decisões de compra são distintas. A Wickbold foi o case apresentado, por usar porções de diversos tamanhos em seus pacotes.

9- O que leva um consumidor a ser leal a uma marca?

Em um momento em que o brasileiro está disposto a experimentar novas marcas por conta do orçamento apertado, conquistar e manter a lealdade do consumidor se transformou em um grande desafio para as empresas. Garantir qualidade e oferecer preço não são requisitos para diferenciação, mas itens básicos que devem ser perseguidos. É preciso ir além. Olhar a jornada do cliente com atenção para promover uma experiência memorável, por exemplo, é um dos caminhos. Afinal, no momento em que as pessoas valorizam o social e a interação, investir em relacionamento é um bom caminho para se aproximar do shopper. O Starbucks, de uma maneira bem singela, exemplificou o insight.

10- Consumidor quer sensação de recompensa

Com a vida mais corrida e o tempo para aproveitar o lazer mais escasso, os jovens vem buscando serviços que proporcionem uma sensação de recompensa. Programas de fidelidade com troca mais acessível ou shoppings que oferecem acolhimento estão entre os preferidos da Geração Z. Essa percepção de valor deve ser priorizada pelas empresas, principalmente os centros comerciais que tendem a reunir esse público, segundo a pesquisa “O Shopping do Futuro”, conduzida pela Officina Sophia Retail. Essa recompensa pode ser vinda em bônus para novas compras, tempo bem empregado ou experiências diferenciadas e que proporcionem bem estar. O Bossa Nova Mall apostou nessa estratégia e se tornou case desse insight.

Portanto, compreendemos a dinâmica, as práticas de movimentos da indústria e varejo e o comportamento do consumidor na pesquisa em questão. Em síntese, enquanto gestores de marketing, empreendedores, empresários ou profissionais liberais compreende-se que duas preciosidade são fundamentais: inovar e compreender a necessidade do cliente. E não é só isso, precisamos  fazer essa “entrega” por meio dos nossos serviços e produtos a fim de gerar seu retorno.

Nos encontramos no próximo conteúdo!

Por Ana Eliza Lucialdo, professora e consultora de mercado e negócios em Mato Grosso.

Fonte:MM.

Raio post-itzador: a triste post-itzação da criatividade

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Quer deixar um criativo desorientado? Esconda seus post-its. O sujeito para de pensar, começa a suar e os seus olhos o entregam: E agora?

“E agora vai lá e faz!” – pensam os presentes.

É triste perceber como o post-it está caricaturizando a criatividade, tornando-a um mosaico teórico colorido que só fica na parede ou em uma folha de papel. Mas enquanto alguns dependem do bloquinho mágico e o inclui viciosamente entre as suas mais modernas técnicas coladas de inventividade, a trajetória da sua fabricante é a melhor e a mais autêntica escola de fazer inovação do mundo.

Hoje em dia, um criativo de post it não fala que fracassou. Diz que vai pivotar. E foi exatamente isto que fizeram os fundadores da Companhia de Manufatura e Mineração do Minnesota. Em 1902, cinco investidores se cotizaram para adquirir uma mina de coríndon, um mineral extremamente duro utilizado quando muito cristalino para joias e quando não, para lixas. Felizes com sua mina de joias descobriram que a produção não era tão cristalina assim. Assim buscaram ânimo para pivotar e produzir lixas. Mas perceberam que as pedras não eram coríndon, mas outra rocha qualquer sem valor. Mas como já tinham se decidido pela produção de lixas, o jeito foi comprar matéria-prima de terceiros e o negócio de abrasivos começou assim mesmo.

Outra máxima da inovação atualmente é o conceito de plataforma de inovação. Assim, em 1914, os fundadores da 3M perceberam que um dos lotes de rochas que haviam comprado da Espanha se desprendia com facilidade do papel lixa. Indignados, os sócios começaram a pesquisar todas as hipóteses para aquilo acontecer. Descobriram que as rochas estavam impregnada de azeite, também vinda da Espanha no mesmo barco. Decidiram assar as pedras em um forno, descobrindo um novo material ainda mais adequado para lixas. Começava ali o admirado departamento de pesquisa e desenvolvimento da 3M.

Mas a grande descoberta foi que eram bons em lixas, mas eram melhores ainda na tecnologia de adesivação (crucial na produção de papéis abrasivos). E a partir desta competência poderiam desenvolver diversas soluções que exigisse adesivação. Até hoje isto é a principal e a mais robusta plataforma de inovação da empresa, respondendo por boa parte dos mais de 55 mil produtos que a empresa comercializa, sendo que o Post-it é um dos exemplos mais conhecidos.

O criativo de post it não diz que teve uma ideia, mas sim um insight. Mas pioneiramente o insight se consolidou na 3M como algo do dia-a-dia, começando pelo insight da importância do P&D, da adesivação como plataforma de inovação e vários outros como a lixa à base de água (que reduz o pó), a fita crepe, durex, fita antiderrapante, fita isolante, micropore, entre outros. Desta forma, seus colaboradores são curiosos mesmo diante da sua rotina diária.

Mas o insight da fita crepe só ocorreu porque a 3M também dava um tempo livre para os seus colaboradores pensarem em projetos livres para a organização desde 1923. Foi neste tempo livre que o seu jovem funcionário, Richard Drew, percebeu que poderia utilizar um papel adesivado na pintura de um carro, preservando os espaços cobertos pela fita. Atualmente esta prática é adotada pelas empresas reconhecidas como as mais inovadoras do mundo.

Por fim, um termo que sempre entra na fala dos criativos atuais é a empatia. Muitos sabem explicar o que é, entretanto são raros os casos em que os mesmos são assim. De qualquer forma, a descoberta do Post-it é um resumo sobre como a 3M fez a sua história até aqui. O departamento de P&D da empresa fracassou ao inventar uma super cola em 1968. O resultado foi exatamente o inverso, uma cola muito fraca. Anos depois, em 1974, Art Fry, um funcionário da empresa, teve o insight de utilizar a cola em pequenos pedaços de papel e adesivá-los no livro dos cultos religiosos que utilizava nos finais de semana. Assim, a página que precisava acessar ficava facilmente identificável e ele poderia mover o papel para outra página sem danificar as folhas. Lançado como produto três anos depois, o produto foi um fracasso. Ninguém sabia para que servia. Para descobrir quem era o cliente, a empresa enviou o bloquinho para diversas pessoas. Quem respondeu pedindo mais foram as secretárias. A 3M criava ali uma abordagem que agora é alardeada como Customer Development.

A lógica que explica como a 3M se manteve inovadora em todos os momentos da sua trajetória é simples: Tem uma ideia? Vai lá e faz!

Para os criativos de post it, seu próprio criador questiona: “Muitas pessoas se aproximam e dizem: ‘eu também tive a ideia de fazer um papel adesivo! ’. E eu pergunto: por que então não fez nada a respeito?” – diz Arthur Fry.

Por Marcelo Nakagawa, professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Em um mundo cada vez mais tecnológico, o futuro do empreendedorismo é ser humano

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Se estiver pensando em empreender ou reinventar seu negócio, pense seriamente, sem hipocrisia, em valorizar as pessoas, sejam parceiros, colaboradores e, principalmente, clientes. Talvez isto não dê retorno no curtíssimo prazo, mas tende a se pagar ao longo do tempo em um futuro dominado pela tecnologia.

De certa forma, percebe-se isto quando é atendido por uma pessoa educada, prestativa, atenciosa e eficaz de um call center. É claro que se você se depara com bestas humanas programadas para se livrar de você no menor tempo possível. Em situações assim, fica até feliz em ser atendido por um robô. Mas quando se depara com alguém que realmente tem a intenção de ajuda-lo, mesmo que sua demanda não seja plenamente atendida, você tende a avaliar bem o atendimento.

E é justamente isto que sempre fez e continuará fazendo a diferença nos negócios. Ser bem atendido é cada vez mais difícil a ponto de notarmos isto quando ocorre. E se deparar com um produto ou serviço UAU é ainda mais raro diante de tanta mesmice dos concorrentes que, já que não podem ser express, são minutos, ou se não são originais, pelo menos são autênticos, genuínos ou ainda, legítimos.

Em situações assim, serão os colaboradores que farão a diferença. Na semana passada, depois de ter me aborrecido muito com o internet banking do meu banco, e com baixíssimas expectativas de ser bem atendido, liguei para o call center. Não sei se foi sorte, mas o atendente ficou mais de 30 minutos tentando (sinceramente) me ajudar até conseguir encontrar a falha no sistema. Eu, que pensava em trocar de instituição bancária, agora estava feliz em ter sido bem atendido. Muitas empresas contratam seus colaboradores pelo seu potencial, mas se esquecem disso, tratando-os como subalternos incapazes de pensar, e assim, de agir. Os empregados só retribuirão o mesmo atendimento que recebem para clientes e parceiros.

Enquanto muitas empresas tradicionais estão investindo em novas tecnologias para minimizar as dores de cabeça com seus clientes, empregados e fornecedores, novas empresas e empreendedores estão utilizando-as justamente para enriquecer as relações humanas.

Quando Elon Musk (Tesla, SpaceX, SolarCity) não só responde pessoalmente uma mensagem de um cliente como atende rapidamente sua solicitação, muitos o aplaudem nas redes sociais. Mas esta prática é comum em boa parte das startups em que seus fundadores são os responsáveis pelos contatos de reclamações e sugestões.

O Google costuma contratar os colaboradores mais talentosos do mercado e os deixa trabalhar tão livremente que seus escritórios mais parecem um clube do que um local de trabalho. Por trás deste aparente parque de diversões, há um poderoso método chamado OKR (Objectives and Key Results) que integra esforços, incentiva desempenhos superiores e ainda libera a responsabilidade de cada um.

E ainda tem os fornecedores e prestadores de serviços que muitas organizações chamam hipocritamente de parceiros, mas criam relações baseadas na desconfiança e pressão por custos cada vez menores. O Dr. Consulta conseguiu inverter esta relação do médico que passa a ser um real parceiro da clínica em que está associado, ganhando mais do que daquele plano de saúde que o considerava incompetente ou desleal diante de tantos pedidos de exames ou novas consultas.

Todas as empresas querem clientes que divulguem (positivamente) suas marcas, colaboradores que superem seus potenciais e parceiros realmente engajados com o sucesso dos seus negócios. Mas muitas se esquecem (ou não sabem) que enquanto a tecnologia se torna uma commodity, são as pessoas (tratadas como tal) que farão a verdadeira diferença.

Por Marcelo Nakagawa, Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper

Conexões entre pessoas e lugares podem ser a chave para a segurança dos espaços públicos

Hoje, muitos espaços públicos são vistos como locais não tão seguros em milhares de cidades ao redor do mundo.  A noção de segurança é perdida no momento em que uma localidade se torna vazia, não recebe iluminação, uso ou até mesmo a atenção adequada. Conectar os espaços entre o que é público e o que é privado pode ser um trunfo para evitar isso. Esses espaços são chamados deplinth. O conceito é amplamente explorado em  A Cidade Ao Nível dos Olhos, livro que compila projetos que transformaram locais no mundo inteiro.

A publicação foi escrita por mais de 80 colaboradores, editada pela consultoria Stipo e montado em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Future of PlacesGehl ArchitectsPPS Project for Public SpacesCopenhagenize e pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O conteúdo se propõe a ajudar as cidades e os seus parceiros a desenvolverem estratégias para melhorar as cidades ao nível dos olhos.

Um dos grandes desafios das cidades atualmente é acomodar diferentes modais de transporte e devolver o protagonismo aos meios mais sustentáveis e seus agentes, os pedestres e ciclistas. Entre essa necessidade e as redes de vias com intenso fluxo de veículos estão as calçadas e os prédios. Plinths são os andares térreos dos prédios, onde ocorrem as interações, as pessoas se cruzam, onde o público, a rua, se conecta com o privado. “Bons plinths e bom espaço público compõem os dois lados de uma mesma moeda. Juntos, eles produzem a experiência da cidade ao nível dos olhos”, escrevem os autores Emiel Arends e Gábor Everraert em trecho do livro.

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Renovação de plinths em Roterdã se focou na preservação das conexões e da transparência do andar térreo. (Foto: Stijn Brakkee/A Cidade Ao Nível dos Olhos). Image © La Citta Vita, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0

Um artigo de 2013, desenvolvido pela ONU-Habitat, apresentou a noção de cidades prósperas. Para se adequar ao termo, as cidades atuais devem apresentar um bom padrão de desenho urbano e, principalmente, reconhecer a relevância de espaços públicos bem planejados. Parques e praças ganham uma importância cada vez maior em cidades que desejam oferecer qualidade de vida para seus habitantes. Onde há essa preocupação, espaços verdes podem ser revitalizados e mantidos através de parcerias. Porém, manter as ruas e calçadas vivas é o que traz segurança a elas.

As pessoas se afastam intuitivamente de lugares vazios e sem interações. Elas procuram conexões. No bairro de Pendrecht, em Roterdã, o projeto Vissenkommen (Aquários) reformou o andar térreo de um prédio, dando mais luminosidade e segurança para os arredores. As edificações já eram caracterizadas por espaços abertos no térreo, planejados para serem locais para as crianças brincarem. Porém, devido à diminuição do número de famílias, as entradas tornaram-se mais vazias e passaram a apresentar problemas e perturbações. A renovação dos plinths, em 2000, se focou na preservação das conexões e da transparência do andar térreo. “Ao mesmo tempo, a introdução de novos materiais fez com que os limites entre público e privado estivessem claros como vidro, literalmente.”

Plinths são desenvolvidos em áreas heterogêneas, especialmente em pontos centrais das cidades e distritos próximos. Diferente do que se pode pensar, não são apenas os estabelecimentos comerciais que desempenham esse papel. Os autores apresentam o plano implantado em Roterdã, na Holanda, em 2008. Para transformar a paisagem composta por prédios pós-guerra, que ocupavam espaços longitudinais, com fachadas inexpressivas, a prefeitura da cidade introduziu o projeto “Para um Lounge da Cidade”. Plinths foram definidos como a combinação do espaço público, o andar térreo e os primeiros andares dos edifícios. Inserido no plano, muitos projetos de melhoria das ruas foram iniciados e, em 2011, foi lançada a estratégia de plinths: “Roterdã ao nível dos olhos”.

“Os proprietários (e as ações) em relação à melhoria de ruas e plinths podem ser divididos em três grupos distintos: espaço público, o programa e o prédio. Na nossa experiência, essa divisão permite a mistura adequada de intervenções e atores para uma revitalização do plinth bem-sucedida”, destacam.

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Espaços semipúblicos criam bordas e não fronteiras, segundo o arquiteto John Worthington. (Foto: A Cidade Ao Nível dos Olhos/Reprodução). Image © La Citta Vita, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0

Os autores também usam o conceito de espaços semipúblicos ou híbridos, que são justamente as calçadas em frente aos prédios, que podem chamar as pessoas a interagirem com o interior. Muitas vezes podem ser bancos, pequenas mesas, vasos com plantas ou até bicicletários. Elementos que fornecem beleza, luz ou que interagem com quem transita naquele espaço acabam por trazer mais movimento ao local.

Quantas ruas e avenidas conhecemos que são repletas de pedestres durante o dia, mas à noite tornam-se locais desertos, onde evita-se passar? O livro usa um exemplo de intervenção feita em Nairóbi, onde, em 2001, foi realizado um levantamento da vitimização no centro da cidade, mostrando que nos 12 meses anteriores, 37% dos cidadãos da cidade tinham sido vítimas de roubo. De todos os habitantes de Nairóbi que transitavam no centro urbano, 54% se sentiam inseguros durante o dia e 94% durante a noite. Para mudar esses números, as autoridades, mesmo com recursos limitados, decidiram tornar mão única uma das ruas mais movimentadas do local.

A Mama Ngina Street teve as calçadas alargadas, a iluminação urbana foi qualificada para criar mais segurança, entre outras medidas. “Vários novos bares foram abertos, enriquecendo o programa noturno na rua, cuja vitalidade melhorou drasticamente. Mais pessoas se encontram, sentam e desfrutam da rua. Hoje é comum ver as pessoas se aglomerarem em uma das esquinas para discutir vários acontecimentos e assuntos atuais, particularmente sócio-políticos”, exalta o texto de Elijah Agevi, Cecilia Andersson e Laura Petrella.

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Espaços que interagem com os pedestres. (Foto: Dick Pountain/Flickr-CC)

Placemaking

Tornar ruas, praças e áreas em lugares que convidam pessoas a ficar é a atividade chamada de placemaking. “Com os modelos de desenvolvimento modernos, perdemos a habilidade de criar espaços ou nós de atividades ao longo da rua. Temos que ter um engajamento maior em compreender melhor a vida na rua e a vida nas calçadas”, escrevem os autores Fred Kent e Kathy Madden. A prática serve para dar significado às coisas e aos espaços, com ações que não dependem tanto de recursos financeiros, mas dependem da resposta das pessoas. “É o melhor e o mais seguro para-choques (um para-choques mais suave e adequado) que a humanidade encontrou depois de séculos construindo lugares.”

Espaços podem contribuir socialmente em todas as cidades ao se transformaram em lugares. Se isso parece difícil, o psicólogo social Francisco Pailliè Pérez apresenta três princípios para a criação de “ótimos lugares”:

Imaginação: Em alguns casos, o desempenho de uma rua poderia ser melhor se ela funcionasse como um mercado, um estacionamento pode funcionar como cinema ao ar aberto, ou uma viela abandonada como uma galeria.
Construção coletiva: Há uma grande diferença entre desenhar para pessoas e desenhar com as pessoas. No final, lugares são para isso, reunir-se e compartilhar as visões da vida com outros.
Escala Humana: Temos de lembrar que tudo que criamos deve ser baseado nas escalas naturais, humanas, porque terá impacto direto na maneira com que as pessoas usam o espaço.

Via The CityFix Brasil

Artista brasileira ganha fama colorindo o passado em fotos históricas

Prisioneiros são libertados do campo de concentração de Wöbbelin, em abril de 1945

Prisioneiros são libertados do campo de concentração de Wöbbelin, em abril de 1945 (Foto original: Arquivo Nacional dos EUA)

A ciência diz que cores são capazes de despertar emoções – talvez isso esteja por trás do impacto do trabalho da mineira Marina Amaral, que se especializou em colorir digitalmente fotos em preto e branco.

Na tela do computador em sua casa em Belo Horizonte, a artista de 21 anos dá nova vida ao passado devolvendo cores – em tons impressionantemente realistas – a registros históricos por meio do programa Photoshop.

Conforme os tons de cinza dão lugar a azuis, vermelhos, verdes ou marrons, o sofrimento de um prisioneiro de campo de concentração alemão parece tornar-se mais intenso. E a destruição causada na cidade japonesa de Hiroshima pela bomba atômica fica ainda mais impactante.

“Acho que as fotos em preto e branco acabam distanciando as pessoas. O evento registrado parece quase irreal. Cores quebram essa barreira e nos aproximam dessa realidade”, diz Marina, que começou a colorir fotos casualmente e, desde o início do ano, fez disso sua profissão.

Momentos que ficam na memória

Marthin Luther King Jr. marcha pelos direitos civis de negros em Washington, nos EUAARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Marthin Luther King Jr. marcha por direitos civis para negros em Washington, nos EUA
Marthin Luther King Jr. marcha pelos direitos civis de negros em Washington

Antes de colorir fotos históricas, Marina Amaral diz fazer uma extensa pesquisa de documentos e referências
Desempregados se reúnem nas ruas de San Francisco, nos EUABIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA

Desempregados se reúnem nas ruas de San Francisco, nos EUA
Desempregados se reúnem nas ruas de São Francisco, nos EUA

Artista acredita que devolver as cores de imagens em preto e branco nos aproxima da situação e das pessoas retratadas

Marina aprendeu a mexer no Photoshop por conta própria quando era criança e uniu essa habilidade ao seu fascínio por história depois de conhecer pela internet técnicas para recuperar cores em fotos antigas.

Desde abril do ano passado, ela passou a se dedicar quase exclusivamente a esse tipo de trabalho e avalia que a prática lhe permitiu sofisticar seu estilo e até mesmo desenvolver métodos próprios.

Muitas das fotos nas quais trabalha são de domínio público, obtidas em bancos de imagens de fundações e instituições governamentais, como a Biblioteca do Congresso e o Arquivo Nacional dos Estados Unidos e a Biblioteca Britânica.

Médicos americanos auxiliam soldados feridos em praia da Normandia, na França, durante a 2ª Guerra MundialEXÉRCITO DOS EUA

Image captionMédicos americanos auxiliam soldados feridos em praia da Normandia, na França, durante a 2ª Guerra Mundial
Médicos americanos auxiliam soldados feridos em praia da Normandia, na França, durante a 2ª Guerra Mundial

Trabalho de Marina Amaral tem ganhado milhares de admiradores nas redes sociais

Artista brasileira ganha fama colorindo o passado em fotos históricas

Retrato da enfermeira japonesa Aiko Hamaguchi feito durante a 2ª Guerra MundialBIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA

Image captionRetrato da enfermeira japonesa Aiko Hamaguchi feito durante a 2ª Guerra Mundial
Retrato da enfermeira japonesa Aiko Hamaguchi feito durante a 2ª Guerra Mundial

Retratos costumam demandar menos tempo, diz a artista
Retrato do ex-presidente americano Abraham LincolnBIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA

Retrato do ex-presidente americano Abraham Lincoln
Retrato do ex-presidente americano Abraham Lincoln

Muitas das fotos em que Marina trabalha são de domínio público

São registros feitos em outros países e, principalmente, do início do século passado, quando a fotografia colorida ainda engatinhava. Marina diz ser “frustrante” não poder realizar o mesmo trabalho com imagens históricas do Brasil.

“Tenho muita vontade, mas é difícil achar fotos brasileiras antigas com boa resolução. As poucas que existem não são de domínio público. Talvez seja só uma questão de ainda não ter achado a fonte adequada”, diz ela.

“Escolho as fotos de acordo com a qualidade e disponibilidade das imagens, mas não só isso. Adoro trabalhar com fotografias que retratam momentos históricos e ficaram marcadas na memória das pessoas.”

Seguidores

Registro de uma casa do povo saami, natural da SuéciaNORSE FOLKEMUSEUM

Registro de uma casa do povo saami, natural da Suécia
Registro de uma casa do povo saami, natural da Suécia

Hoje, existem diversas comunidades na internet dedicadas à coloração de fotos antigas
(A esq.) Arquivo Nacional dos EUAARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Retrato do piloto C. Hopson, do serviço postal americano, feito em 1926

Colorir fotos antigas é um tipo de trabalho que vem ganhando muitos adeptos e fãs nos últimos anos. Chega a reunir, por exemplo, mais de 115 mil membros em um dos fóruns do site Reddit.

Marina começou a divulgar suas obras em fóruns assim. Depois, passou a publicá-las em seus perfis em redes sociais e começou a receber encomendas para trabalhar em álbuns de família e pedidos de museus e empresas.

A demanda cresceu tanto que Marina decidiu largar a faculdade de Relações Públicas. “Estava ficando sem tempo para os estudos”, explica ela. “Colorir um retrato leva uma hora, mas imagens complexas podem levar meses para ficarem prontas.”

Destruição da cidade de Hiroshima, no Japão, pela bomba atômica durante a 2ª GuerraARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Destruição da cidade de Hiroshima, no Japão, pela bomba atômica durante a 2ª Guerra
Destruição da cidade de Hiroshima, no Japão, pela bom atômica durante a 2ª Guerra

Cenas mais complexas podem demandar meses de trabalho, explica Marina Amaral
Fotos de general William T. ShermanMARINA AMARAL

Fotos de general William T. Sherman

Por meio do Twitter e do Facebook, as novas versões das fotografias feitas por Marina começaram a chamar a atenção de entusiastas desse tipo de trabalho e de historiadores. Hoje, ela tem milhares de seguidores em seus perfis nestas redes.

Foi pelo Twitter que Daniel Jones, historiador e apresentador do canal britânico Channel 5, conheceu Marina.

“Amei seu trabalho de cara, compartilhei em meu perfil algumas vezes e passamos a trocar mensagens”, conta Jones, que convidou Marina para um projeto em conjunto.

Pesquisa ‘rigorosa’

Região conhecida como Banana Docks, no píer de Nova York, no início do século 20BIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA

Região conhecida como Banana Docks, no píer de Nova York, no início do século 20
Região conhecida como Banana Docks, no pier de Nova York, no início do século 20

Esta imagem, segundo Marina, foi uma das mais trabalhosas para colorir, por conter muitos detalhes
Família em bebedouro no Central Park, em Nova York, em 1942ARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Família em bebedouro no Central Park, em Nova York, em 1942
Família em bebedouro do Central Park, em Nova York, em 1942

Colorir o passado passou de hobby a profissão da artista mineira

Jones diz que as fotos de Marina “são a maneira perfeita de fazer as pessoas se interessarem por história na internet”, porque “nos fazem ter empatia pelo que é retratado de uma forma que a foto em preto e branco não permite em um mundo saturado de cores como o nosso”.

Para o historiador, ela se destaca entre outros artistas do gênero por “sua pesquisa rigorosa”, algo também destacado com frequência por publicações de peso, como a revista americana Wired – que a chamou de “mestre da colorização” – e o jornal britânico Daily Mail, que publicaram reportagens sobre a arte de Marina.

Bandeira americana é hasteada no norte da França após a vitória sobre os alemãesARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Bandeira americana é hasteada na França após vitória dos Aliados
Bandeira americana é hasteada na França após vitória dos Aliados

Maioria das imagens coloridas por Marina é do início do século 20
Meninos franceses diante de tanque alemão após derrota de nazistas na FrançaIMPEDRIAL WAR MUSEUMS

Image captionMeninos franceses diante de tanque alemão após derrota de nazistas na França
Meninos franceses diante de tanque alemão após derrota de nazistas na França

Ao escolher fotos, Marina busca imagens com qualidade e que retratam momentos marcantes

Antes de colorir uma imagem, Marina busca documentos e referências que indiquem os tons originais da pessoa ou cena fotografada.

“Acho que, até o momento, trabalhos assim não levavam tão a sério a pesquisa histórica. Dedico muitas horas a isso para o resultado ser o mais fiel possível à época”, diz ela.

Jones vai além: “As ferramentas estão disponíveis para todo mundo, mas é preciso ter habilidade artística. Marina tem um talento nato.”

Escola para negros em Anthoston, no Estado de Kentucky (EUA), em 1916BIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA

Escola para negros em Anthoston, no Estado de Kentucky (EUA), em 1916
Escola para negros em Anthoston, no Estado de Kentucky (EUA), em 1916

Colorir imagens em preto e branco faz as pessoas se interessarem pela história, diz o inglês Daniel Jones
Retrato de Lewis Powell, que tentou matar o secretário de Estado americano William H. Seward em 1865ARQUIVO NACIONAL DOS EUA

Retrato de Lewis Powell, que tentou matar o secretário de Estado americano William H. Seward, em 1865
Retrato de Lewis Powell, que tentou matar o secretário de Estado americano William H. Seward em 1865

Marina Amaral diz que a história sempre a fascinou

Fonte: BBC