Jornal Djumbay – Vigésima Quinta Edição

Esta foi a penúltima edição do Jornal Djumbay, lançada em 1997. Ela faz parte da última fase (ou ano V) e aparece como uma publicação da “Djumbay – Cidadania com Identidade Racial”, Situada à Casa da Cultura de Pernambuco, Raio Oeste, 2ª andar, sala 303 e com Conselho Editorial formado por Daniel Souza, Gilson Pereira, Glaucia Maria, Lepê Correia e Verônica Gomes. A “Djumbay – Organização pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra” se torna a Representação Jurídica da associação do jornal. Ela também traz uma nova diagramação e um índice com as novas seções. São elas:  DIREITO, EDUCAÇÃO, DICIONÁRIO YORUBÁ, FUNDAMENTADO, REENCONTROS, MULHER NEGRA, AFRO-REMANESCÊNCIA, COMUNICAÇÃO, NEGRAS MEMÓRIAS, INFANTO-JUVENIL, UM TOQUE AFRO, PSIQUE E NEGRITUDE, RAÍZES, FALA NEGRITUDE e IDENTIDADE. Importante notar que com o crescimento nacional do jornal, essa edição possui matérias de diversos lugares do Brasil, e essa procedência aparece junto aos nomes dos autores dos artigos publicados.

A página 3 apresenta a seção “Direito”, cuja primeira matéria é “Programa de Ação – uma ferramenta útil no combate à discriminação racial”, escrita por Geraldo Costa, de Brasília-DF. O programa de ação é uma medida que constitui informações precisas no diagnóstico de práticas discriminatórias. A matéria ainda indica as etapas de um programa de ação: diagnóstico, elaboração, implantação e controle e avaliação. Na página 4, a seção “Educação” traz uma matéria sobre o II Seminário Estadual: “A Questão das Relações Raciais na Educação”, que ocorreria na UERJ em setembro de 1997. Nessa mesma página há o Dicionário Yorubá. A página 5 coloca na seção “Fundamentado” um Especial de História escrito por Simão Matsinhe (Recife-PE), que conta um pouco da história de Moçambique, da colonização portuguesa, da cultura e do socioeconômico do local. A página 6 apresenta as seções “Reencontros” e “Mulher Negra”. A primeira contém uma crítica ao V Congresso Afro-brasileiro (CAB), que, segundo Gilberto Leal (Salvador-BA), não empolgou a militância, pois o caráter meramente academicista acabou por afastá-la do espaço; também é divulgado o 18º FECONEZU, que aconteceria em Novembro de 1997. A segunda coloca em pauta o XII Encontro Nacional Feminista, o primeiro organizado por mulheres negras, em artigo escrito por Carmem Lúcia e Vilma Reis (Salvador-BA), e também fala sobre o Programa de Saúde do Geledés. Essa matéria fora escrita por Edna Roland, presidente do “Fala Preta” (São Paulo-SP), que é como se chamava o programa, e conta que ele nasceu em Abril de 1997 e propunha promover o desenvolvimento humano sustentável livre de todas as formas de discriminação.

A seção “Afro-remanescência” apresenta um artigo sobre o mapeamento das terras quilombolas remanescentes que fora organizado pela Fundação Cultural Palmares, mostrando ainda uma planilha com as terras já mapeadas. A “Comunicação”, das páginas 8 e 9, traz três matérias: “Imprensa Negra – uma história antiga”, por Glaucia Maria (Recife-PE), que conta a história da imprensa negra desde o início até a atualidade (no caso, até os anos de 1996/1997); “CONEN em Ação – Seminário Nacional da CONEN”, sobre o adiamento do seminário para Março de 1998; e “Pauta Lembadilê – Central de Notícias Afro-brasileira”, mostrando os materiais disponíveis de congressos, seminários, etc. As páginas 10 e 11 pontuam, na “Negras Memórias – parte II”, as datas importantes para a comunidade negra, durante os meses de Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Também conta com uma nota sobre o falecimento de Luís Carlos Felipe, importante militante do SINTAEMA-SP.

A seção “Infanto-Juvenil” coloca em pauta a necessidade de se abrir um espaço para crianças e adolescentes compartilharem suas vivências e agonias com o preconceito. A “Um Toque Afro” faz a mostra da “Vitrine Afro”, com indicações de livros sobre a África, quilombos e africanidades gerais, além de peças nessa temática e poesias. A “Psique e Negritude” apresenta um texto de Lepê Correia sobre a criação de um espaço para debate sobre o comportamento dos afro-descendentes. Essa seção também traz um assunto centrado na sexualidade dentro do Movimento Negro na matéria “Homossexuais Afro-brasileiros”, escrita por Waltecy Santos (SP), que fala sobre os dois coletivos que tratam dessa temática no Brasil: o Dudu Adé – Coletivo de Homossexuais Afro-brasileiros e o Quimbanda Dudu – Grupo Gay Negro da Bahia. A seção “Raízes”, em texto de Jorge Morais e Jairo Pereira, fala sobre o Centro de Estudos das Tradições Religiosas da Humanidade. Por fim, a seção “Identidade”, em matéria de Mário Nelson, de Brasília-DF, fala sobre o Ceabra, o Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros, criado com intuito de fomentar o mercado de empresários negros no cenário nacional.

Jornal Djumbay – Vigésima Terceira Edição

Edição de 1996 (sem mês informado), apresenta Conselho Editorial formado por Gilson Pereira, Glaucia Maria, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Essa edição aparece menos separada por seções, contando na maior parte por matérias independentes. A seção “Editorial” fala um pouco sobre o começo do jornal e as mudanças do Djumbay nesse percurso, menciona  o envolvimento em projetos locais e nacionais na agenda de resistência dos movimentos negros e também a entrada na coordenação da Central de Notícias Afro-brasileira (Cenab). Na página 3, há uma matéria de Glaucia Maria explicando o que é o Cenab e como se dá o envolvimento do Djumbay e das outras entidades negras nessa nova empreitada pela interação da Comunidade Negra Nacional. Também nessa página, há uma imagem interativa patrocinada pelo DETRAN-PE, para incentivar o cuidado no trânsito como uma forma de exercer a cidadania. Na página seguinte encontramos uma matéria intitulada “Direitos Sócio-Raciais”, escrita por Maria Edite, a advogada e assessora do Djumbay, na qual ela informa a inserção de uma nova seção no jornal cuja temática abordaria assuntos jurídicos. Nessa matéria ela dá uma breve explicação sobre os remédios constitucionais, as leis infringidas no ensino e a resistência de Zumbi.

Na página 5, Lepê Correia fala sobre o papel social da escola e como o racismo dentro dessa instituição aparece, tornando-a um serviço para a classe elitizada. Ainda nessa página, há um pequeno artigo que conta um pouco sobre a história da Nigéria e da cultura material de lá. As páginas 6 e 7 são voltadas para as eleições de 1996. Nessa pauta, Glaucia Maria questiona se há voto racial no Brasil, a importância da reflexão sobre esse tema, a responsabilidade envolvida na eleição e elenca alguns candidatos negros que estariam concorrendo ao cargo de Vereador. Na página 7, há também um espaço intitulado “Um momento de reflexão”, que divulga estatísticas e ponderações sobre a situação do negro na sociedade. No fim da página, há ainda uma publicidade patrocinada pela Celpe para a conscientização sobre a necessidade de economizar energia.

As páginas 8 e 9 colocam importantes eventos e discussões a âmbito nacional no “Pelo Brasil afora”. Dentre São Paulo, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e Brasília (DF), duas matérias merecem atenção. A primeira é a do Distrito Federal, escrita por Glaucia Maria, que fala sobre o fim do ensino gratuito nas universidades públicas brasileiras, um projeto que fora idealizado pelo professor Hélio Santos, e cuja proposta visava à democratização do ensino superior para que mais negros pudessem ingressar nas universidades. No entanto, essa proposta foi contraposta pela UNE. A segunda é a do Rio de Janeiro, escrita por Verônica Gomes, cujo título é “Povo Negro, desperta pra Aids!” e na qual ela fala sobre o I Seminário Nacional “A Comunidade Afro-brasileira e a Epidemia de HIV/AIDS”, que ocorreu em Outubro de 1996. No fim da página 9, há um anúncio que informa que a Organização Djumbay passaria a promover a Mostra de Vídeo-Debate “Cidadania com Identidade Racial” mensalmente nas comunidades.

Na 10ª página, Gilson Pereira e Verônica Gomes revelam as pretensões do Djumbay na Cenab (Central de Notícias Afro-brasileira) e divulgam que o Djumbay é parte integrante da CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras), além de pontuar as atividades da organização do jornal nos eixos de Educação, Comunicação e Direito. Na página seguinte aparece novamente uma matéria sobre o caso de Mumia Abu Jamal [1], o jornalista negro americano acusado de assassinar um policial branco. A matéria é mais uma explicação do caso e suas irregularidades e pede, mais uma vez, ajuda para o custeio financeiro da revisão do caso, além de trazer uma mensagem de Abu-Jamal para os negros brasileiros. A página 12 expõe uma carta aberta ao cantor Carlinhos Brown, escrita por Samuel Vieira, na qual ele critica o posicionamento de Brown quando este afirma que a África “aceitou” ser colonizada e escravizada e que os africanos são um povo fraco e, por isso, são o contrário do brasileiro, que representa um povo “forte e miscigenado”. Samuel quebra o que foi dito por Carlinhos, dizendo que o Brasil também foi colonizado e que aqui ainda possui muita pobreza. A página 13 elenca datas importantes para a memória do povo negro e também conta com outra imagem lúdica patrocinada, desta vez, pela Compesa.

A página 14 apresenta uma novidade: o Dicionário Yorubá. A penúltima página expõe relatos e congratulações ao Djumbay feito por figuras de associações e do movimento negro, tanto em Pernambuco como em outros estados, e também divulga o Seminário Estadual sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, que contou com participação de Dom Hélder Câmara. Por fim, a edição é concluída com um pequeno texto de Lepê Correia sobre a história de Luís Gama, filho de africana livre que fora vendido como escravo pelo próprio pai e que posteriormente se tornou um grande abolicionista e poeta satírico.

Jornal Djumbay – Vigésima Primeira, Vigésima Segunda e Edição Especial

  • Jornal Djumbay – Vigésima Primeira Edição

Essa edição, de Julho de 1995, retorna ao total de 8 páginas, mas possui a mesma diagramação da anterior e as mesmas seções, menos a “Baseado”. A “Editorial” homenageia Solano Trindade e os 87 anos que ele faria naquele ano. A “Resistência”, em matéria de Glaucia Maria, fala um pouco sobre o cantor de reggae Dionorina. A “Fala Negritude” traz as opiniões e relatos das pessoas sobre essa nova fase do Djumbay. Na página 4, a “Crenças”, em matéria de Verônica Gomes, anuncia a morte de Mãe das Dores, ou Talaby, umas das primeiras mulheres a fundarem a Casa de Candomblé em Pernambuco. Ainda nessa seção, Lepê Correia faz homenagem a Talaby no texto “Axexé”. A seção “Outros Axés” divulga o Centro para Mulheres do Cabo, que visa a capacitar e entender as mulheres do Cabo de Santo Agostinho, além de realizar diversas atividades e oferecer serviços de saúde preventiva, consultas ginecológicas, acompanhamento de gestantes, etc.

Na página seguinte, a seção “Fundamentado” traz a questão da mulher negra em texto de Verônica Gomes, inspirada no discurso de Sueli Carneiro, Coordenadora Executiva do Geledés. A matéria seguinte, de Nei Lopes, já fala sobre os problemas léxicos da língua banto e sobre o Dicionário Banto do Brasil, feito pelo africanista Nelson de Sena. A sexta página contém o “Negritude Lúdica”, com alguns jogos, palavras-cruzadas, dicas de livros infantis e divulgação do Balogunsinho, uma linha especial do salão Baloguns, especializado no público infantil. A penúltima página, a “Atualidades” fala sobre o Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) e a “Raízes”, sobre o cartaz que o jornal estaria enviando aos assinantes em comemoração não só ao “novo Djumbay”, mas também pelo ano do tricentenário da morte de Zumbi. Ainda nessa página, Verônica Gomes homenageia o aniversário de 50 anos da atriz Ruth de Souza. A oitava página só possui anúncios da próxima edição, do show “Reggae na Cidade” e da assinatura do jornal.

  • Jornal Djumbay – Vigésima Segunda Edição

Publicada em Agosto de 1995, também possui 8 páginas e segue a mesma linha da nº 21. A seção “Editorial” traz a matéria “Uma noite no Quilombo com o Ylê de Egbá”, de Verônica Gomes, que fala sobre o Afoxé Ylê de Egbá e a participação deste no Projeto Kizomba Njinga-Zumbi. A matéria seguinte, da seção “Fala Negritude”, trata da homenagem a Solano Trindade que seria realizada no evento do projeto supracitado e coloca relatos de militantes, amigos e familiares de Solano. Na seção “Crenças”, Lepê Correia procura desmistificar a imagem de Exu como demônio: “Exu é o princípio da existência diferenciada”.  A “Outros Axés”, em matéria de Glaucia Maria, conta sobre o forrozeiro paraibano que redimensionou e reafirmou o forró de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro.

Na seção da página 5, “Fundamentado”, Lepê Correia trata da Pedagogia Interétnica, que é centrada na modificação de “comportamentos preconceituosos”, com metodologia de cunho interdisciplinar. A “Negritude Lúdica” traz um jogo para as crianças e como sugestão de leitura, o livro “Liberdade – O Sonho dos Palmares”, da autora Jussara Rocha Koury. Na sétima página, a seção “Atualidades” anuncia a entrega do Manifesto de Reivindicações do Povo Negro ao Poder Executivo da Presidência da República e evidencia a participação das entidades negras nacionais. A “Raízes” fala mais um pouco sobre a série de Vídeo-debates do Djumbay, que seriam mostrados para os estudantes do Recife. Por fim, na última página, além dos anúncios normais, também é divulgado o curso de “Africanidade e Afrodescendência”, ministrado na UFCE.

  • Jornal Djumbay – Edição Especial de 1995

Nessa edição de 4 páginas, a temática central foi o 1º Encontro de Reggae, realizado pela África Produções, e que contou com Êxodus, Alphorria, Tribo de Jah, Favela Reggae, Edson Gomes, Marcelo Santana & Bando do Reggae, Lazzo, Dionorina, Coração Tribal, Rebel Lion, Valdi Afonjá, Nikko e a YingYang Band, José Mário Austregésilo e Rádio Cidade. As bandas e artistas contam um pouco das suas relações com o reggae e falam também da importância desse estilo no Recife. No final da edição, ainda há um breve comentário sobre a criação e as perspectivas da África Produções.

Jornal Djumbay – Vigésima Edição

Depois de um grande hiato desde a edição de número 19, em Junho de 1995, a edição nº 20 finalmente chega ao público. Publicada em formato tablóide, é a primeira edição com capa colorida. Possui o dobro de páginas (16) das edições anteriores, uma nova disposição de seções e nova diagramação. Já na seção “Editorial”, são mostradas algumas mudanças na diagramação e a inclusão de três novas seções: “Atualidades”, “Negritude Lúdica” e “Extraordinária”. A página 3, com a seção “Resistência”, traz duas matérias: uma que fala sobre a história do início do quilombo dos palmares, e outra sobre o Centro Cultural Daruê Malungo, que se localizava no bairro de Chão de Estrelas, e cujo objetivo era atingir a profissionalização de crianças e jovens da comunidade através das artes. A “Identifique-se”, também com duas matérias, trata do cenário musical, traçando a formação da “África Produções” – produtora voltada para o público do reggae – e fala sobre o show de Edson Gomes promovido em Recife graças a essa produtora. A “Crenças” divulga uma nova série de estudos, debates, aulas e teses sobre religiões asiáticas e africanas que aconteceriam na UERJ; também se fala mais uma vez sobre o Memorial da Nação Xambá [1]. A “Fala Negritude” traz uma entrevista exclusiva com o cantor africano Alpha Blondy, que veio ao Recife para realizar um show. A “Baseado” põe em pauta o delicado tema da “faxina étnica” e expõe como isso é realizado no Brasil.

A nova seção “Atualidades” traz o caso do jornalista negro Wesley “Abu-Jamal” Cook, acusado de assassinar um policial branco e condenado à morte na cadeira elétrica. Essa matéria divulga a campanha feita para exigir uma revisão do caso pelas autoridades. Em seguida, o Djumbay faz a campanha da senadora Benedita da Silva, senadora do PT-RJ que apoiava a libertação de Cook, alegando que a punição dada a ele tem caráter claramente racista. A seção “Negritude Lúdica” traz desenhos de instrumentos para colorir, sugestão de leitura do livro “Atabaque Menino” e palavras cruzadas. A “Outros Axés” fala sobre uma escola alternativa que utiliza cultura e ensino alternativo para estimular a expressão das crianças. Também coloca uma matéria sobre a ocarina, instrumento feito de barro, propagado por Mestre Nado aqui no Nordeste. Ainda nessa seção, duas pequenas matérias falam sobre a 1ª Conferência Sindical Interamericana Pela Igualdade Racial e sobre o tema da campanha salarial do SINTEPE, que foi “A educação do centro das atenções”. Na página seguinte, a seção “Afins” coloca 4 matérias diversificadas. Uma é sobre uma universidade dirigida por negros que surgiu da ideia inicial de ensinar ex-escravos a ler e escrever e que passou a se destacar pelo alto nível de ensino; outra é sobre o jornal “Abibimam”, publicado pela Associação de Resgate da Cultura Afro em Arcoverde-PE e há também uma sobre a revista norte-americana “Emerge”, voltada para o público negro. Por último, há ainda nessa seção uma homenagem os 4 anos de existência da entidade “Soweto: Organização Negra”, cujo nome é uma referência ao levante de Soweto, na áfrica do sul, em resistência à morte de 600 militantes negros que reivindicavam seus direitos durante o período do apartheid em 1976.

A seção “Raízes” anuncia que o Fórum de Entidades Negras de Pernambuco entregara o Projeto Njinga-Zumbi – Educação do 3º Milênio” ao antigo prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos. Esse projeto tinha o objetivo de oferecer uma “educação complementar através da utilização de instrumentos pára-didáticos que tenham a Arte e Cultura Negra como ponto primordial[…]”. Nessa parte ainda é divulgado o subprojeto do Njinga-Zumbi: o evento KIZOMBA NJINGA-ZUMBI, de cunho político, artístico e cultural. Como o nome “Kizomba” já indica, esse evento foi uma “festa” para divulgação de trabalhos e outros projetos envolvidos na causa negra. Por fim, essa seção ainda traz uma nota sobre o gradativo empoderamento da mulher negra e fala que a equipe do Jornal Djumbay é composta, em sua maioria (80%), por mulheres. Na página 13, a seção “Extraordinária” faz um traçado da imprensa negra. Nessa matéria, o Djumbay menciona o Jornal Angola, o Negração, o Negritude, o Omnira, o Afro reggae, entre outros. Dentro dessa temática, o jornal ainda lança uma nota em que propõe a realização do 1º Seminário Nacional da Imprensa Negra.

Ainda na seção “Extraordinária”, porém na página seguinte, o jornal, na “Vitrine Afro-Pernambucana”, que aparece como uma subseção nessa edição, divulga e sugere a leitura dos livros Caxinguelê (Lepê Correia), As Senhoras do Pássaro da Noite (organizado por Carlos Eugênio Marcondes de Moura) e OBI – Oráculos e Oferendas (Jorge Morais), além do LP Rebeldia e Dança, de Ívano e Banda Rebeldia. Na mesma seção, agora na página 15, fora colocada uma matéria de Nei Lopes – advogado e assessor da presidência da Fundação Cultural Palmares do MinC – na qual ele refuta a tese do “líder homossexual” – nas palavras do próprio Nei – Luiz Mott, sobre a homossexualidade de Zumbi. Por fim, a última página também coloca uma subseção intitulada “Espaço do Leitor”, na qual convida os leitores do Djumbay a escreverem para o jornal na “Fala Negritude” e participarem da construção através de críticas, elogios, divulgações, etc.

Jornal Djumbay – Décima Terceira e Décima Nona Edição

  • Jornal Djumbay – Décima Terceira Edição

Publicada em Fevereiro/Março de 1994. Conselho Editorial: Edmundo Ribeiro, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Gurgel, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Silvio Meirelles, Verônica Gomes.

A seção “Editorial” inicia a edição com um texto lúdico sobre a Cultura Afro e o negro no Carnaval. A “Identifique-se” anuncia o concurso de beleza “Garota Raça Negra”, organizado pela Gigantes do Samba, sob a manchete  “Ser negra é lindo”. A seção resistência relembra e homenageia a figura de Solano Trindade, grande poeta negro recifense, mas que não recebera o devido reconhecimento. Nas páginas 4 e 5, a seção “Baseado” nos mostra a história da Rainha Nzinga, princesa angolana do Matamba que recebeu treinamento e se tornou uma grande guerreira, disputando o trono posteriormente com seu irmão e se tornando a Rainha Nzinga, importante figura da resistência aos portugueses do século XVI, em Angola. Ela também influenciou fortemente as formas de luta locais, inclusive nos quilombos brasileiros, que eram bastante semelhantes aos quilombos angolanos.

Na página 6, a temática política se encontra presente tanto na seção “Crenças” como na “Afins”. A primeira coloca sob a manchete “Valor político da Religião” a discussão sobre a resistência negra no Brasil e a exaltação de Zumbi não só como figura histórica, mas como parte de um cenário político que influencia nas estruturas modernas. A “Afins” denuncia Eliel Rodrigues – Deputado Federal pelo PMBD do Pará em 1994 –, que propôs eliminar o artigo 68 da Constituição, o qual garante aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras, que estas sejam reconhecidas como propriedades definitivas. A “Raízes” comemora os dois anos de publicação do Djumbay e anuncia a entrada de Glaucia Gurgel e Silvio Meirelles na equipe do jornal. A “Fala Negritude” desta edição traz uma matéria em colaboração com o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SINTAEMA) sobre a história do dia 8 de Março, no qual houve um protesto de trabalhadores têxteis que terminaram sendo mortas por um incêndio proposital na fábrica Cotton em 1857. A data fora reconhecida na II Conferência Mundial de Mulheres Socialistas.

  • Jornal Djumbay – Décima Nona Edição

De Setembro de 1994, essa edição já entra nas últimas fases do Djumbay. Com tiragem de 10.000 exemplares – o quádruplo da edição de número 13 – e com Conselho Editorial formado por Claudia Regina, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Maria, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Verônica Gomes, é a última publicada no ano de 1994.

A seção “Editorial” fala um pouco sobre a edição como um todo: das matérias aos anúncios. A “Resistência” fala sobre o livro “Os negros do riacho”, escrito por Luiz Carvalho de Assunção, no qual ele conta a história de um grupo de famílias de negros descendentes de um ex-escravo chamado Trajano Lopes da Silva no município de Currais Novos-RN. A “Baseado” traz um importante debate sobre o voto negro, a importância do voto consciente da população negra e coloca como exemplo a eleição de Nelson Mandela na África do Sul. A seção “Crenças” anuncia o 1ª Encontro da Tradição Orixá “Desenvolvimento dos Cultos Afro em Sergipe”, coordenado pelo Instituto Nacional da Tradição e Cultos Afro-brasileiros (INTECAB/SE). A “Outros Axés” põe em pauta o descaso que havia com o Teatro do Bonsucesso e o ato organizado pela Associação de Teatro de Olinda na tentativa de exigir que as autoridades públicas tomassem a iniciativa de reformá-lo. Por fim, a “Raízes” divulga que os fóruns estaduais da Coordenação de Entidades Negras se reuniram em Setembro para avaliar o I Seminário de Planejamento Estratégico da Coordenação Nacional de Entidades Negras.

Jornal Djumbay – Décima Primeira e Décima Segunda Edição

  • Jornal Djumbay – Décima Primeira Edição

De Outubro/Novembro de 1993. A seção “Editorial” fala sobre o Seminário da CUT que discutiria sobre o racismo e também critica a falta de sindicatos pernambucanos no evento. A “Identifique-se” traz uma matéria de Sam Ford, correspondente internacional do Djumbay nos EUA, falando sobre os 30 anos da Marcha sobre Washington, uma caminhada pelos direitos civis dos negros em uma época de apartheid. A “Resistência” anuncia a oficialização da Semana da Consciência Negra em Camaragibe. A “Baseado” pauta uma matéria de Francisco C. Weffort, professor da USP, na qual ele defende que há um apartheid  social e racial no Brasil, mais escondido que o americano e o sul-africano, mas tão ruim quanto. Também há uma notícia sobre o recebimento do Nobel da Paz por Mandela e De Klerk.

A seção “Crenças” divulga o livro OBI – Oráculos e Oferendas, de Jorge Morais, fundador do Alafin Oyó e a “Afins” coloca em pauta novamente a discussão sobre a Serra da Barriga, dessa vez levada ao Seminário de Valorização Histórica, Turística e Cultural da Serra da Barriga. A “Raízes” traz uma matéria sobre a Medicina Natural e a “Outros Axés” parabeniza o cantor Ednaldo Lima pelos 17 anos de carreira e também anuncia a ampliação dos prazos do IV CAB.

  • Jornal Djumbay – Décima Segunda Edição

Publicada na transição de 1993 para 1994, essa edição traz mais uma modificação: passa a ser uma publicação da Djumbay – Organização pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra. O Conselho Editorial permanece o mesmo das últimas edições. A seção “Editorial” expõe o problema da lei 7.716, que teoricamente deveria proteger a vítima de racismo, mas que funciona muito mal, como no caso do Kléber, constrangido pela gerente do banco, cujo caso foi arquivado por falta de provas. O curioso é que na edição de nº 9, a matéria que traz esse caso, coloca que a gerente fora condenada, mas nesta edição, a informação é de que o caso fora arquivado. Tudo isso em um período de menos de um ano. A “Resistência”, sob a manchete de “20 de novembro é festa para a negrada”, fala sobre a participação do Djumbay no FECONEZU (Festival Comunitário Negro Zumbi), sobre as exposições “História, Arte, Comunidade e Movimento do Povo Negro no Brasil” em Brasília e também sobre o Movimento Afro-Pernambucano, formado por diversas entidades, dentre elas o Djumbay e o MNU. Além dessa vertente cultural, o Djumbay também esteve presente no ato organizado pelo Movimento Afro-pernambucano em frente à Câmara dos Deputados.

A “Baseado” apresenta as mudanças e realizações do Djumbay para além do jornal. Fala sobre a ênfase dada à Arte e Cultura negra, as diretrizes da organização e a preocupação em participar de eventos da militância. A “Crenças” divulga o jornal “U&C – Ciência, Cultura e Magia”, que possuía matérias específicas sobre a religiosidade afro. A “Afins” anuncia uma cartilha para orientação de mulheres contra a violência, organizada pela Sociedade Afro-Sergipana de Estudos e Cidadanias. Na “Raízes” o jornal escreve novamente sobre o lançamento do livro OBI e, na “Fala Negritude”, vemos uma matéria sobre o despejo do Grupo Afro Axé da Lua por causa de irregularidades na casa em que funcionavam. Com os 300 anos da morte de Zumbi se aproximando, o Djumbay também divulga nessa edição que lançará um encadernado com as 10 primeiras edições e que essa Coletânea iria se somar ao acervo de Bibliotecas e Arquivos Públicos, complementando cada edição com uma apresentação e histórico do jornal.

Jornal Djumbay – Nona e Décima Edição

  • Jornal Djumbay – Nona Edição

Essa foi a terceira edição lançada no ano de 1993, durante o mês de Maio, e traz o mesmo Conselho Editorial das edições passadas. Ela tem “Instituto da Mulher Negra (SP) Ameaçado por Neonazistas” como manchete principal. A “Editorial” fala da luta encabeçada pelo MNU para tornar o dia 13 de Maio um dia de Debate e Denúncia Contra o Racismo. A “Resistência” põe em pauta o caso de racismo da gerente de banco Ezilda Monteiro em relação ao empresário negro Kléber José de Oliveira. Ela, desconfiando que um negro seria incapaz de trabalhar com um alto montante de dinheiro, o denunciou e constrangeu. Kléber processou a gerente e ela fora condenada à prisão.

A seção “Baseado” traz a matéria “Memória do Quilombo do Catucá em Pernambuco”, do professor Marcus Carvalho, do departamento de História da UFPE; o Quilombo do Catucá foi o maior quilombo pernambucano do século XIX, que mostrava certa estabilidade social dentro daquela comunidade e até hierarquias bem definidas. Ele fora destruído após a Cabanada (1832-1835) e seu ápice parece ter sido depois da Confederação do Equador (1824). É, portanto, símbolo essencial da resistência quilombola pernambucana. Na “Crenças”, aparece mais uma notícia da Casa de Xambá [1], a qual receberá um Memorial, o “Memorial Severina Paraíso da Silva” (Mãe Biu) que contaria com exposição de fotos, livretos e documentos sobre religião afro e da casa Xambá. A “Fala Negritude” traz uma denúncia aos ataques de grupos de skinheads adeptos do neonazismo ao Geledés e ao crescimento desses grupos no Brasil. A “Outros Axés” divulga o lançamento do livro “Caxinguelê”.

  • Jornal Djumbay – Décima Edição

Publicada em Junho/Julho de 1993, é nessa edição que o Djumbay passa a ser uma produção da Djumbay Organização pelo Desenvolvimento da Comunidade Negra. A seção “Editorial” faz um chamado para a população negra se inteirar dos seus direitos com o objetivo de atingir a revolução social necessária para impedir o alastramento do racismo e da hipocrisia judiciária. A “Identifique-se” divulga a volta da circulação do boletim informativo Negritude, do MNU-PE, que passara 2 anos sem circular e voltou no mês de Junho/Julho de 1993, com tiragem inicial de 1000 exemplares distribuídos gratuitamente. A seção “Resistência” fala sobre o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), que recebeu a primeira oficina de capoeira angola e que, ao final dela, o Mestre Moraes – que fundou o Grupo no Rio de Janeiro – comunicou que seria criado um núcleo do GCAP em Olinda.

A seção “Baseado” coloca em pauta o I Seminário Nacional da União de Negros pela Igualdade, que ocorreu na UFBA, e na qual um tema largamente discutido foi a terceira grande onda de racismo que atingia a sociedade da época através da dizimação de povos não brancos, escassez de trabalho, esterilização das mulheres negras, etc. A “Afins” também trata de um Seminário, o SENUN (Seminário Nacional de Universitários Negros) que também ocorreu em Salvador-BA, de 3 a 7 de Setembro de 1993. A “Raízes” fala sobre a parceria do Djumbay com o Afro-Camarás em um debate sobre a realidade negra juntamente à exibição de um curta-metragem sobre o tema na IV Conferência Estadual de Educação, que ocorreu de 28/06 a 01/07 de 1993; a Mostra de Vídeo-Debates “Realidades Negras” seria itinerante a partir dessa divulgação e circularia por sindicatos falando sobre a questão do trabalho e do negro. A “Fala Negritude” apresenta uma entrevista feita com Carlinhos Brown, na época integrante do Timbalada, falando sobre ritmo e instrumento.

No entanto, e com grande pesar, é também nessa edição que o Djumbay anuncia a morte de Vicente Lima praticamente um ano depois da primeira edição do jornal, na qual continha uma entrevista com ele.

Jornal Djumbay – Sétima e Oitava Edição

  • Jornal Djumbay – Sétima Edição

Edição de Janeiro/Fevereiro de 1993. Conselho editorial: Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. A “Editorial” critica a massificação e padronização midiática de ritmos tipicamente afros e como isso os torna maçantes. A “Resistência” fala da Casa de Xambá e traz entrevista com Adeildo Paraíso, o “Ivo de Xambá”, filho de Mãe Biu, que antes representava a Casa. Ivo conta que seria babalorixá da Casa de Oyá e que pretendia expandir a Nação Xambá. Já na seção “Baseado”, o Djumbay faz uma retrospectiva dos momentos mais significantes do Carnaval de 1993: O MNU saiu com o Arrastão Zumbi, puxado pela Banda Agbá Imalê, mas Cirilo, do MNU-PE, sofreu violência de policiais armados de escopeta, os quais tomaram dele um canivete multiuso. Também contaram com a presença do Maracatu Nação Pernambuco, do Maracatu Nação Porto Rico e do Afoxé Alafin Oyó (que não teve uma apresentação memorável, segundo o jornal), além da presença da musa negra do Afro-Camarás.

A 6ª página coloca em pauta um assunto importantíssimo e que ganhava cada vez mais visibilidade na mídia durante os anos 90: a AIDS. O texto “Obaluaiyê e os Aidéticos”, extraído de Odôyá, publicação do ISER-RJ, faz um paralelo com a história de Obaluaiyê, abandonado e isolado, que foi salvo por Yemanjá. O texto é um apelo para que haja diálogo com pessoas aidéticas e para que cuidem delas, assim como Yemanjá fez com o Obaluiayê. O apelo diz respeito também à ajuda de babalorixás e yalorixás aos seus filhos de santo. Na mesma página, a seção “Afins” traz uma matéria de Edson Silva que fala sobre a história de Rigoberta Menchú, indígena Quiché, símbolo de força e resistência da Guatemala, que ganhou, em outubro de 1992, o Prêmio Nobel da Paz.

O vídeo-debate exposto nessa edição foi sobre a Serra da Barriga [1] e contou com um militante integrante do Conselho do Memorial de Zumbi. A “Fala Negritude” traz texto de Ívano Ferreira do Nascimento sobre o panorama da música e dos artistas negros, critica a desorganização e os conflitos entre esses músicos e defende o dinamismo e o reencontro desses artistas. Por fim, na “Outros Axés” encontramos a divulgação de espetáculos “arteducativos”, uma errata sobre a matéria da seção “Baseado” da edição anterior e mais um anúncio do CAB (Congresso Afro-brasileiro).

  • Jornal Djumbay – Oitava Edição

Publicada em Março/Abril de 1993, conta com o Conselho Editorial formado por Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Já na página 2 encontramos uma matéria em denúncia à situação do Recife no ano de 1992, em que 174 assassinatos ocorreram, com a maioria das vítimas sendo homens negros e cuja culpa paira sobre a polícia e sobre os esquadrões da morte. Também é apresentada a ASSOCAPE, Associação de Capoeira de Pernambuco. A página 3 traz a matéria de comemoração do primeiro ano de publicação do Djumbay; as páginas 4 e 5, em texto de Edson Silva, trazem uma crítica ao regime monárquico brasileiro e às instituições modernas que o apóiam. A 6ª pontua novamente a questão da AIDS e divulga formas preventivas, dentro do terreiro, para evitar o HIV. O assunto também atingiu o vídeo-debate, que tratou da “Aids e a Mulher Negra”, contando com o filme “Todos Os Dias São Seus”, do Instituto da Mulher Negra de São Paulo (Geledés).

A “Fala Negritude” traz o poema “Nego Afoito”, de Lepê Correia, presente na coletânea Caxinguelê; a “Outros Axés” divulga o programa de rádio “Na Boca do Povo”, produção da ETAPAS, sobre bairros populares, com apoio do Fórum das Rádios Comunitárias. Nessa última página também se divulgou o IV Encontro Estadual de Teatro Popular, que ocorreria em Julho de 1993, na época da publicação ainda sem local definido na data de publicação do editorial, além de avisos sobre o prazo pra envio de trabalhos pro IV CAB e sobre o Djumbay estar abrindo espaço para o recebimento de matérias para serem veiculadas.

Jornal Djumbay – Quinta e Sexta Edição

  • Jornal Djumbay – Quinta Edição

Publicada no bimestre Setembro/Outubro de 1992, a página inicial tem a manchete “Neonazismo não!”. O assunto é abordado logo na seção “Editorial”, na página 2, que coloca em pauta o crescimento de grupos neonazistas no Brasil. A seção “Identifique-se” traz uma matéria interessante sobre uma nova linha de cosméticos apropriada pala a pele negra, realizada pela advogada, professora, escritora e cosmetóloga Maria do Carmo Valéria Nicolau. A “Resistência” põe em discussão o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro e a “Baseado” traz o texto de Edson Silva (mestrando em História pela UFPE em 1992) sobre a invasão dos povos colonizadores europeus na América, especialmente no Nordeste e conta sobre o elo indígena e negro em resistência ao escravocrata opressor.

A página de número 6 do editorial pontua uma crítica de Lepê Correia – psicólogo, comunicólogo, estudante da cultura negra – em que o autor coloca a falta de conhecimento sobre as crenças africanas no nosso país, que mesmo com o maior contingente populacional negro fora da África, não investe no estudo da cultura africana e que devido a esse quadro, serão publicados no Djumbay artigos relacionados a essas crenças. Além disso, há uma importante menção à formação do Afoxé Filhas D’Oxum, 1º lugar no Carnaval de 1992, e que surgiu da indignação de mulheres que não podiam participar do Afoxé Filhos de Gandhy [1]. A seção “Raízes” traz mais notícias sobre a mostra de vídeo-debate do Djumbay e a “Fala Negritude” coloca o depoimento de Maria Regina Santa Rosa sobre a “bondade” de Dom Pedro II em abolir a escravidão. A seção “Outros Axés” divulga o Encontro de Teatro Popular, o IV Congresso Afro-brasileiro e a participação do FENEPE (Fórum das Entidades Negras de Pernambuco) na Semana da Consciência Negra em Pernambuco.

  • Jornal Djumbay – Sexta Edição

De Novembro/Dezembro de 1992, a edição foi publicada com a manchete “Djumbay faz 10 meses. Valeu, negrada!”. É nela que aparece o espaço do “Conselho Editorial”, formado por Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Nivaldo Sant’Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes, e é quando a Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções para de assinar o jornal. Na segunda página encontramos os agradecimentos pela publicação do jornal nesses 10 meses e também a divulgação do livro “Caxinguelê”, de Lepê Correia. A página 3 põe em pauta na sua seção “Resistência” as realizações do FENEPE, as entidades que o formam, os eventos e as reuniões que envolvem o Fórum. A seção “Baseado” das páginas 4 e 5 traz a matéria “Menino e menina: educação diferenciada?”, de Elza Maria Marques Vieira, do departamento de Ciências Domésticas da UFRPE, que critica o modelo ensinado nas escolas e em casa de diferenciação de brinquedos que geram no homem a ideia de que trabalhos domésticos são para meninas e os intelectuais são para os meninos; ela fala também de linguagem historicamente sexista e dos preconceitos de classe e raça que vêm junto ao sexismo.

Como segmento da matéria da edição anterior, a seção “Crenças” apresenta novo texto de Lepê Correia sobre a religiosidade africana, o mundo, o sexo, a palavra e importância da força e dinamismo para essa cultura. É nessa página também que é feita a denúncia à situação de Rio das Rãs, comunidade rural remanescente de um Quilombo com 150 anos de existência, que lutou pelas suas posses, garantidas legalmente, contra os abusos do grileiro Carlos Newton Vasconcelos Bonfim, que recebia proteção da PM. Na penúltima página, é anunciado mais um vídeo-debate e a seção “Fala Negritude” vem com texto lúdico de Pedro Bandeira intitulado “A Redação da Maria Cláudia”. A 8ª e última página tem uma novidade além da antiga seção “Outros Axés”: o “Djumbay sugere”. Nesse se encontram o Salão Afro Balguns e o livro infantil “Pai Adão era Nagô”, além da campanha “Assinando na folia” para os leitores assinarem o jornal trimestral.

Jornal Djumbay – Terceira e Quarta Edição

  • Jornal Djumbay – Terceira Edição

De Junho de 1992, Jorge Ribeiro entra como nome na coordenação no lugar de Tony Azevedo. A página de número 2 possui as seções “Editorial” e “Memória” e traz alguns anúncios em forma de matéria, como o do salão Baloguns, especializado em cabelos afro. A seção Resistência já traz menção ao Centro de Arte e Cultura Afro-Camarás, um axé de Camaragibe cujo objetivo é movimentar a resistência negra e consciência de raça através de shows culturais, mostras fotográficas e pesquisas acadêmicas. A “Baseado” coloca como tema os 500 anos da “descoberta” da América, o dia de Colombo e ainda traz reflexões sobre a colonização e a expropriação de indígenas e negros. Ainda nessa seção, porém na página seguinte, a temática central é a música, ambientada no Maracatu Nação Pernambuco, e também conta, em matéria de Bernardo Alves Filho, com uma errata sobre Samba e Semba, corrigindo a matéria publicada na edição de nº 1 sobre o samba ter origem indígena: “semba” é parecido com o merengue; “samba”, com o significado que conhecemos, só existe aqui. Essa mesma página também possui um “Roteiro” como guia para eventos que possam interessar a comunidade negra.

Na página 6 encontramos as seções “Crenças” e “Afins”, as quais tratam, respectivamente, do aniversário da Casa Xambá do Portão do Gelo e do Olodum, “a primeira empresa cultural de negros dirigida por negros”, segundo o próprio Djumbay. A página 7 possui a “Raízes” e a “Fala Negritude”. A primeira trata da sequência dos vídeo-debates promovidos pelo Djumbay, juntamente à TV Viva e à Dinâmica Comunicação (DIC). A segunda traz um depoimento de Edvaldo Ramos, militante do MNU-PE. A última página conta com a seção “Outros Axés” e matérias diversificadas, mas uma que merece destaque é a chamada para o V Congresso Afro-brasileiro, que ocorreria em Recife e no qual o Djumbay estava empenhado como organizador.

  • Jornal Djumbay – Quarta Edição

De Julho/Agosto de 1992, traz o título “A magia tem cor?” na capa e mais uma modificação na coordenação, dessa vez só contando com Gilson Pereira e Verônica Gomes. Na página 2, temos a matéria “Magia: nem negra, nem branca, nem de cor alguma”, que apresenta uma crítica ao racismo contido na expressão de Magia negra e traz o caso do garoto que foi assassinado por um ritual religioso e a forma como isso foi retratado na mídia, criminalizando a religião afro quando, na verdade, o verdadeiro culpado fora o prefeito da cidade. Na página 3, coloca-se o caso do Bacnaré, um grupo local de dança que muitas vezes foi o único a representar a América Latina em espetáculos internacionais, mas que estava sofrendo com a falta de investimento, assim como muitos setores de resistência cultural da comunidade negra.

É nessa edição que o Djumbay traça a trajetória do Movimento Negro Unificado a âmbito nacional e estadual. Na mesma seção em que apresenta o MNU, traz matérias sobre o Maracatu Nação Pernambuco, bloco cultural que visa à resistência do maracatu, seja nação ou baque-virado, e também apresenta o “Roteiro” e o Reggae Sunsplash Festival, que aconteceu na Jamaica e juntou um grande público apreciador do reggae durante os 6 dias do evento. A 6ª página menciona a procissão que ocorreu em Jaboatão em homenagem a Oxum, deusa do amor, e também traz uma entrevista com o cantor Luís Melodia. Na penúltima página, aparecem mais notícias sobre o Vídeo-Debate do Djumbay, que agora possuía o nome de “Realidades Negras”. O “Fala Negritude” dessa edição coloca frases de militantes negros famosos como Nelson Mandela e Martin Luther King Jr.