Boletim Omnira – Quarta e Quinta Edição

  • Boletim Omnira – Quarta Edição

A quarta edição do boletim Omnira compreende os meses de outubro e novembro de 1993.  A matéria de capa traz informações sobre uma sessão especial que ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e da participação das mulheres negras nessa luta. Várias entidades participaram da homenagem como o Movimento Negro de Pernambuco, que foi representado pelas militantes Cristina Vital e Mônica Oliveira, autora da matéria.

Esse número traz também informações acerca da instituição ETAPAS, que criou a Rede de Jornais em julho de 1992, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de jornais comunitários, como o Omnira, e como é desenvolvido esse trabalho.

A matéria principal se encontra na terceira página e trata a questão do tráfico de mulheres, analisando a exportação da mulher brasileira e a participação de Pernambuco como o estado “campeão” nesse problema, sem deixar de lado a questão do racismo e fato de que as mulheres negras são as mais exportadas e exploradas, em razão dos estereótipos de mulher “sensual” e “quente”.  O texto ainda informa acerca do Comitê Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Turismo Sexual, criado com objetivo de debater esse tema e de denunciar essa situação e representado nacionalmente pela Cristina Rodrigues do Grupo Cultural Olodun. Pode-se destacar ainda a participação do Omnira, que logo de início mobilizou uma palestra sobre a temática na cidade do Recife no mês de outubro de 1993. A matéria é assinada por Cristina Vital.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia da Rainha Tereza, “mulher negra que liderou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso”.  Por fim, esse número ainda conta com a poesia “Nem tudo está perdido” do poeta negro pernambucano, Solano Trindade.

N°04:

  • Boletim Omnira – Quinta Edição

O boletim do Grupo de Trabalho da Mulher – Omnira, do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco, traz em maio de 1994 sua quinta edição.

A matéria de capa é de Adelaide Lima e aborda a realidade da mulher negra no período da escravidão e na década de 1994, quando foi publicado o jornal. O texto ressalta a situação atual das mulheres negras, que trabalham como domésticas, babás e outros empregos onde ainda sofrem abusos e convivem com a dificuldade para se iniciar uma família e para mantê-la. Nesse sentido, o texto afirma que para a sociedade branca “o lugar da mulher negra é de servir em todos os sentidos”. A partir disso Lima defende a união das mulheres, relembrando as mulheres negras do passado e suas lutas.

Nesta edição o Editorial comenta sobre a demora na publicação do Omnira, em razão das muitas atividades do Movimento Negro Unificado e dos poucos militantes. Traz também explicações acerca das discussões feitas nesta edição sobre o dia do trabalho, na perspectiva da Central dos Movimentos Populares e do próprio MNU.

A matéria publicada pela Central dos Movimentos Populares traz a história do dia 1° de Maio. Ressaltando o caráter de luta dessa data e seu momento internacional e no Brasil. O MNU segue outra linha de análise, questionando o dia internacional do trabalhador e afirmando que essa data não contempla os negros e índios trabalhadores do Brasil. O MNU afirma que quando essa data foi estabelecida em 1886 a situação do branco e do negro no Brasil era bem diferente. O primeiro se encontrava assalariado e os segundo – escravo. A partir disso a matéria questiona o que de fato esse dia representa e quem ele representa. Além disso, Cristina Vital, autora do texto, ainda afirma que a “exploração do branco era registrada e a do negro queimada nos arquivos”.

Pode-se destacar a matéria de Maria do Rosário Trindade dos Santos acerca da saúde pública no Brasil. O texto ressalta a privatização da saúde e do desastre da mesma, afirma ainda que o mais prejudicado por essa miséria é o povo negro, especialmente a mulher negra que sofre com diversos problemas, incluindo a questão da esterilização em massa.

N°05:

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*