Jornal Djumbay – Décima Terceira e Décima Nona Edição

  • Jornal Djumbay – Décima Terceira Edição

Publicada em Fevereiro/Março de 1994. Conselho Editorial: Edmundo Ribeiro, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Gurgel, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Silvio Meirelles, Verônica Gomes.

A seção “Editorial” inicia a edição com um texto lúdico sobre a Cultura Afro e o negro no Carnaval. A “Identifique-se” anuncia o concurso de beleza “Garota Raça Negra”, organizado pela Gigantes do Samba, sob a manchete  “Ser negra é lindo”. A seção resistência relembra e homenageia a figura de Solano Trindade, grande poeta negro recifense, mas que não recebera o devido reconhecimento. Nas páginas 4 e 5, a seção “Baseado” nos mostra a história da Rainha Nzinga, princesa angolana do Matamba que recebeu treinamento e se tornou uma grande guerreira, disputando o trono posteriormente com seu irmão e se tornando a Rainha Nzinga, importante figura da resistência aos portugueses do século XVI, em Angola. Ela também influenciou fortemente as formas de luta locais, inclusive nos quilombos brasileiros, que eram bastante semelhantes aos quilombos angolanos.

Na página 6, a temática política se encontra presente tanto na seção “Crenças” como na “Afins”. A primeira coloca sob a manchete “Valor político da Religião” a discussão sobre a resistência negra no Brasil e a exaltação de Zumbi não só como figura histórica, mas como parte de um cenário político que influencia nas estruturas modernas. A “Afins” denuncia Eliel Rodrigues – Deputado Federal pelo PMBD do Pará em 1994 –, que propôs eliminar o artigo 68 da Constituição, o qual garante aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras, que estas sejam reconhecidas como propriedades definitivas. A “Raízes” comemora os dois anos de publicação do Djumbay e anuncia a entrada de Glaucia Gurgel e Silvio Meirelles na equipe do jornal. A “Fala Negritude” desta edição traz uma matéria em colaboração com o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SINTAEMA) sobre a história do dia 8 de Março, no qual houve um protesto de trabalhadores têxteis que terminaram sendo mortas por um incêndio proposital na fábrica Cotton em 1857. A data fora reconhecida na II Conferência Mundial de Mulheres Socialistas.

  • Jornal Djumbay – Décima Nona Edição

De Setembro de 1994, essa edição já entra nas últimas fases do Djumbay. Com tiragem de 10.000 exemplares – o quádruplo da edição de número 13 – e com Conselho Editorial formado por Claudia Regina, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Maria, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Verônica Gomes, é a última publicada no ano de 1994.

A seção “Editorial” fala um pouco sobre a edição como um todo: das matérias aos anúncios. A “Resistência” fala sobre o livro “Os negros do riacho”, escrito por Luiz Carvalho de Assunção, no qual ele conta a história de um grupo de famílias de negros descendentes de um ex-escravo chamado Trajano Lopes da Silva no município de Currais Novos-RN. A “Baseado” traz um importante debate sobre o voto negro, a importância do voto consciente da população negra e coloca como exemplo a eleição de Nelson Mandela na África do Sul. A seção “Crenças” anuncia o 1ª Encontro da Tradição Orixá “Desenvolvimento dos Cultos Afro em Sergipe”, coordenado pelo Instituto Nacional da Tradição e Cultos Afro-brasileiros (INTECAB/SE). A “Outros Axés” põe em pauta o descaso que havia com o Teatro do Bonsucesso e o ato organizado pela Associação de Teatro de Olinda na tentativa de exigir que as autoridades públicas tomassem a iniciativa de reformá-lo. Por fim, a “Raízes” divulga que os fóruns estaduais da Coordenação de Entidades Negras se reuniram em Setembro para avaliar o I Seminário de Planejamento Estratégico da Coordenação Nacional de Entidades Negras.

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