Jornal Djumbay – Nona e Décima Edição

  • Jornal Djumbay – Nona Edição

Essa foi a terceira edição lançada no ano de 1993, durante o mês de Maio, e traz o mesmo Conselho Editorial das edições passadas. Ela tem “Instituto da Mulher Negra (SP) Ameaçado por Neonazistas” como manchete principal. A “Editorial” fala da luta encabeçada pelo MNU para tornar o dia 13 de Maio um dia de Debate e Denúncia Contra o Racismo. A “Resistência” põe em pauta o caso de racismo da gerente de banco Ezilda Monteiro em relação ao empresário negro Kléber José de Oliveira. Ela, desconfiando que um negro seria incapaz de trabalhar com um alto montante de dinheiro, o denunciou e constrangeu. Kléber processou a gerente e ela fora condenada à prisão.

A seção “Baseado” traz a matéria “Memória do Quilombo do Catucá em Pernambuco”, do professor Marcus Carvalho, do departamento de História da UFPE; o Quilombo do Catucá foi o maior quilombo pernambucano do século XIX, que mostrava certa estabilidade social dentro daquela comunidade e até hierarquias bem definidas. Ele fora destruído após a Cabanada (1832-1835) e seu ápice parece ter sido depois da Confederação do Equador (1824). É, portanto, símbolo essencial da resistência quilombola pernambucana. Na “Crenças”, aparece mais uma notícia da Casa de Xambá [1], a qual receberá um Memorial, o “Memorial Severina Paraíso da Silva” (Mãe Biu) que contaria com exposição de fotos, livretos e documentos sobre religião afro e da casa Xambá. A “Fala Negritude” traz uma denúncia aos ataques de grupos de skinheads adeptos do neonazismo ao Geledés e ao crescimento desses grupos no Brasil. A “Outros Axés” divulga o lançamento do livro “Caxinguelê”.

  • Jornal Djumbay – Décima Edição

Publicada em Junho/Julho de 1993, é nessa edição que o Djumbay passa a ser uma produção da Djumbay Organização pelo Desenvolvimento da Comunidade Negra. A seção “Editorial” faz um chamado para a população negra se inteirar dos seus direitos com o objetivo de atingir a revolução social necessária para impedir o alastramento do racismo e da hipocrisia judiciária. A “Identifique-se” divulga a volta da circulação do boletim informativo Negritude, do MNU-PE, que passara 2 anos sem circular e voltou no mês de Junho/Julho de 1993, com tiragem inicial de 1000 exemplares distribuídos gratuitamente. A seção “Resistência” fala sobre o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), que recebeu a primeira oficina de capoeira angola e que, ao final dela, o Mestre Moraes – que fundou o Grupo no Rio de Janeiro – comunicou que seria criado um núcleo do GCAP em Olinda.

A seção “Baseado” coloca em pauta o I Seminário Nacional da União de Negros pela Igualdade, que ocorreu na UFBA, e na qual um tema largamente discutido foi a terceira grande onda de racismo que atingia a sociedade da época através da dizimação de povos não brancos, escassez de trabalho, esterilização das mulheres negras, etc. A “Afins” também trata de um Seminário, o SENUN (Seminário Nacional de Universitários Negros) que também ocorreu em Salvador-BA, de 3 a 7 de Setembro de 1993. A “Raízes” fala sobre a parceria do Djumbay com o Afro-Camarás em um debate sobre a realidade negra juntamente à exibição de um curta-metragem sobre o tema na IV Conferência Estadual de Educação, que ocorreu de 28/06 a 01/07 de 1993; a Mostra de Vídeo-Debates “Realidades Negras” seria itinerante a partir dessa divulgação e circularia por sindicatos falando sobre a questão do trabalho e do negro. A “Fala Negritude” apresenta uma entrevista feita com Carlinhos Brown, na época integrante do Timbalada, falando sobre ritmo e instrumento.

No entanto, e com grande pesar, é também nessa edição que o Djumbay anuncia a morte de Vicente Lima praticamente um ano depois da primeira edição do jornal, na qual continha uma entrevista com ele.

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