Jornal Djumbay – Primeira e Segunda Edição

  • Jornal Djumbay – Primeira Edição

Publicada em Março de 1992, a primeira edição do Jornal Djumbay é uma apresentação das novas diretrizes e dos projetos que a Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções pretendia levar à Comunidade Negra recifense. Na página 3 dessa edição, na seção “Resistência”, há uma entrevista com o militante José Vicente Lima, que fora participante da Frente Negra Pernambucana e fundara o Centro de Cultura Afro-brasileiro. Essa edição também conta com matérias de uma professora do Departamento de Letras e Ciências Humanas da UFRPE que defende que a comunidade negra ainda não atingira um nível de percepção do que é o negro e que, devido a isso, é dever do Movimento buscar esse negro onde ele estiver; e de um pesquisador que traça uma breve história sobre a origem indígena do samba.

É importante frisar que o jornal nasceu da ideia de informar e participar efetivamente dos espaços de resistência da comunidade negra através não só dos eixos práticos, mas também teóricos e culturais. Na página 6, há uma matéria sobre o Encontro Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira, organizado pelo Intercab (Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira) e outra sobre os 43 anos do Afoxé Filhos de Gandhy, símbolo de resistência que fora inicialmente um bloco de estivadores baianos que quiseram homenagear a memória de Gandhi e a greve portuária inglesa, motivada pela demissão de estivadores. A última página conta com menções ao Grupo de Teatro Atual e ao Balé Kebiosô.

  • Jornal Djumbay – Segunda Edição

Nessa segunda edição, de Abril/Maio de 1992, aparecem os primeiros nomes envolvidos na coordenação da iniciativa Djumbay: Gilson Pereira, Verônica Gomes e Tony Azevedo. As seções também passam a ter o nome correspondente em iorubá. A página 3 traz em sua seção “Resistência”, a temática principal focada na Educação, com matérias sobre o Centro Maria da Conceição, que preza pela aprendizagem através da prática cultural e também fala que dentro desse centro, também há o Centro de Formação do Educador Popular Maria da Conceição, que possuía os departamentos de Formação, Cultura, Profissionalização e Documentação, empenhados na construção de educadores especializados. Já a seção “Baseado” apresenta um caráter histórico ao abordar o simbolismo de “13 de Maio”.

A 5ª página do editorial também traz uma temática bem definida: a música. Nessas matérias apresentadas, o jornal procurou diferenciar o afoxé (que atenta ao aspecto religioso e cujo ritmo é o ijexá), as bandas afro (que possuem fins lucrativos e cujo ritmo é o samba-reggae) e os blocos (de cunho político-social e sem fins lucrativos). A página seguinte trata principalmente do Caso da Serra da Barriga, em Alagoas, cujo maior problema enfrentado era o descaso do poder público na preservação desse local tão importante para a memória de resistência do povo negro já à época de Palmares. Foi nesse editorial que o Djumbay divulgou a sua 1ª mostra de vídeo-debate.

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