Jornal Djumbay – Sétima e Oitava Edição

  • Jornal Djumbay – Sétima Edição

Edição de Janeiro/Fevereiro de 1993. Conselho editorial: Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. A “Editorial” critica a massificação e padronização midiática de ritmos tipicamente afros e como isso os torna maçantes. A “Resistência” fala da Casa de Xambá e traz entrevista com Adeildo Paraíso, o “Ivo de Xambá”, filho de Mãe Biu, que antes representava a Casa. Ivo conta que seria babalorixá da Casa de Oyá e que pretendia expandir a Nação Xambá. Já na seção “Baseado”, o Djumbay faz uma retrospectiva dos momentos mais significantes do Carnaval de 1993: O MNU saiu com o Arrastão Zumbi, puxado pela Banda Agbá Imalê, mas Cirilo, do MNU-PE, sofreu violência de policiais armados de escopeta, os quais tomaram dele um canivete multiuso. Também contaram com a presença do Maracatu Nação Pernambuco, do Maracatu Nação Porto Rico e do Afoxé Alafin Oyó (que não teve uma apresentação memorável, segundo o jornal), além da presença da musa negra do Afro-Camarás.

A 6ª página coloca em pauta um assunto importantíssimo e que ganhava cada vez mais visibilidade na mídia durante os anos 90: a AIDS. O texto “Obaluaiyê e os Aidéticos”, extraído de Odôyá, publicação do ISER-RJ, faz um paralelo com a história de Obaluaiyê, abandonado e isolado, que foi salvo por Yemanjá. O texto é um apelo para que haja diálogo com pessoas aidéticas e para que cuidem delas, assim como Yemanjá fez com o Obaluiayê. O apelo diz respeito também à ajuda de babalorixás e yalorixás aos seus filhos de santo. Na mesma página, a seção “Afins” traz uma matéria de Edson Silva que fala sobre a história de Rigoberta Menchú, indígena Quiché, símbolo de força e resistência da Guatemala, que ganhou, em outubro de 1992, o Prêmio Nobel da Paz.

O vídeo-debate exposto nessa edição foi sobre a Serra da Barriga [1] e contou com um militante integrante do Conselho do Memorial de Zumbi. A “Fala Negritude” traz texto de Ívano Ferreira do Nascimento sobre o panorama da música e dos artistas negros, critica a desorganização e os conflitos entre esses músicos e defende o dinamismo e o reencontro desses artistas. Por fim, na “Outros Axés” encontramos a divulgação de espetáculos “arteducativos”, uma errata sobre a matéria da seção “Baseado” da edição anterior e mais um anúncio do CAB (Congresso Afro-brasileiro).

  • Jornal Djumbay – Oitava Edição

Publicada em Março/Abril de 1993, conta com o Conselho Editorial formado por Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Já na página 2 encontramos uma matéria em denúncia à situação do Recife no ano de 1992, em que 174 assassinatos ocorreram, com a maioria das vítimas sendo homens negros e cuja culpa paira sobre a polícia e sobre os esquadrões da morte. Também é apresentada a ASSOCAPE, Associação de Capoeira de Pernambuco. A página 3 traz a matéria de comemoração do primeiro ano de publicação do Djumbay; as páginas 4 e 5, em texto de Edson Silva, trazem uma crítica ao regime monárquico brasileiro e às instituições modernas que o apóiam. A 6ª pontua novamente a questão da AIDS e divulga formas preventivas, dentro do terreiro, para evitar o HIV. O assunto também atingiu o vídeo-debate, que tratou da “Aids e a Mulher Negra”, contando com o filme “Todos Os Dias São Seus”, do Instituto da Mulher Negra de São Paulo (Geledés).

A “Fala Negritude” traz o poema “Nego Afoito”, de Lepê Correia, presente na coletânea Caxinguelê; a “Outros Axés” divulga o programa de rádio “Na Boca do Povo”, produção da ETAPAS, sobre bairros populares, com apoio do Fórum das Rádios Comunitárias. Nessa última página também se divulgou o IV Encontro Estadual de Teatro Popular, que ocorreria em Julho de 1993, na época da publicação ainda sem local definido na data de publicação do editorial, além de avisos sobre o prazo pra envio de trabalhos pro IV CAB e sobre o Djumbay estar abrindo espaço para o recebimento de matérias para serem veiculadas.

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