Jornal Djumbay – Vigésima Edição

Depois de um grande hiato desde a edição de número 19, em Junho de 1995, a edição nº 20 finalmente chega ao público. Publicada em formato tablóide, é a primeira edição com capa colorida. Possui o dobro de páginas (16) das edições anteriores, uma nova disposição de seções e nova diagramação. Já na seção “Editorial”, são mostradas algumas mudanças na diagramação e a inclusão de três novas seções: “Atualidades”, “Negritude Lúdica” e “Extraordinária”. A página 3, com a seção “Resistência”, traz duas matérias: uma que fala sobre a história do início do quilombo dos palmares, e outra sobre o Centro Cultural Daruê Malungo, que se localizava no bairro de Chão de Estrelas, e cujo objetivo era atingir a profissionalização de crianças e jovens da comunidade através das artes. A “Identifique-se”, também com duas matérias, trata do cenário musical, traçando a formação da “África Produções” – produtora voltada para o público do reggae – e fala sobre o show de Edson Gomes promovido em Recife graças a essa produtora. A “Crenças” divulga uma nova série de estudos, debates, aulas e teses sobre religiões asiáticas e africanas que aconteceriam na UERJ; também se fala mais uma vez sobre o Memorial da Nação Xambá [1]. A “Fala Negritude” traz uma entrevista exclusiva com o cantor africano Alpha Blondy, que veio ao Recife para realizar um show. A “Baseado” põe em pauta o delicado tema da “faxina étnica” e expõe como isso é realizado no Brasil.

A nova seção “Atualidades” traz o caso do jornalista negro Wesley “Abu-Jamal” Cook, acusado de assassinar um policial branco e condenado à morte na cadeira elétrica. Essa matéria divulga a campanha feita para exigir uma revisão do caso pelas autoridades. Em seguida, o Djumbay faz a campanha da senadora Benedita da Silva, senadora do PT-RJ que apoiava a libertação de Cook, alegando que a punição dada a ele tem caráter claramente racista. A seção “Negritude Lúdica” traz desenhos de instrumentos para colorir, sugestão de leitura do livro “Atabaque Menino” e palavras cruzadas. A “Outros Axés” fala sobre uma escola alternativa que utiliza cultura e ensino alternativo para estimular a expressão das crianças. Também coloca uma matéria sobre a ocarina, instrumento feito de barro, propagado por Mestre Nado aqui no Nordeste. Ainda nessa seção, duas pequenas matérias falam sobre a 1ª Conferência Sindical Interamericana Pela Igualdade Racial e sobre o tema da campanha salarial do SINTEPE, que foi “A educação do centro das atenções”. Na página seguinte, a seção “Afins” coloca 4 matérias diversificadas. Uma é sobre uma universidade dirigida por negros que surgiu da ideia inicial de ensinar ex-escravos a ler e escrever e que passou a se destacar pelo alto nível de ensino; outra é sobre o jornal “Abibimam”, publicado pela Associação de Resgate da Cultura Afro em Arcoverde-PE e há também uma sobre a revista norte-americana “Emerge”, voltada para o público negro. Por último, há ainda nessa seção uma homenagem os 4 anos de existência da entidade “Soweto: Organização Negra”, cujo nome é uma referência ao levante de Soweto, na áfrica do sul, em resistência à morte de 600 militantes negros que reivindicavam seus direitos durante o período do apartheid em 1976.

A seção “Raízes” anuncia que o Fórum de Entidades Negras de Pernambuco entregara o Projeto Njinga-Zumbi – Educação do 3º Milênio” ao antigo prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos. Esse projeto tinha o objetivo de oferecer uma “educação complementar através da utilização de instrumentos pára-didáticos que tenham a Arte e Cultura Negra como ponto primordial[…]”. Nessa parte ainda é divulgado o subprojeto do Njinga-Zumbi: o evento KIZOMBA NJINGA-ZUMBI, de cunho político, artístico e cultural. Como o nome “Kizomba” já indica, esse evento foi uma “festa” para divulgação de trabalhos e outros projetos envolvidos na causa negra. Por fim, essa seção ainda traz uma nota sobre o gradativo empoderamento da mulher negra e fala que a equipe do Jornal Djumbay é composta, em sua maioria (80%), por mulheres. Na página 13, a seção “Extraordinária” faz um traçado da imprensa negra. Nessa matéria, o Djumbay menciona o Jornal Angola, o Negração, o Negritude, o Omnira, o Afro reggae, entre outros. Dentro dessa temática, o jornal ainda lança uma nota em que propõe a realização do 1º Seminário Nacional da Imprensa Negra.

Ainda na seção “Extraordinária”, porém na página seguinte, o jornal, na “Vitrine Afro-Pernambucana”, que aparece como uma subseção nessa edição, divulga e sugere a leitura dos livros Caxinguelê (Lepê Correia), As Senhoras do Pássaro da Noite (organizado por Carlos Eugênio Marcondes de Moura) e OBI – Oráculos e Oferendas (Jorge Morais), além do LP Rebeldia e Dança, de Ívano e Banda Rebeldia. Na mesma seção, agora na página 15, fora colocada uma matéria de Nei Lopes – advogado e assessor da presidência da Fundação Cultural Palmares do MinC – na qual ele refuta a tese do “líder homossexual” – nas palavras do próprio Nei – Luiz Mott, sobre a homossexualidade de Zumbi. Por fim, a última página também coloca uma subseção intitulada “Espaço do Leitor”, na qual convida os leitores do Djumbay a escreverem para o jornal na “Fala Negritude” e participarem da construção através de críticas, elogios, divulgações, etc.

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