Jornal Djumbay – Vigésima Terceira Edição

Edição de 1996 (sem mês informado), apresenta Conselho Editorial formado por Gilson Pereira, Glaucia Maria, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Essa edição aparece menos separada por seções, contando na maior parte por matérias independentes. A seção “Editorial” fala um pouco sobre o começo do jornal e as mudanças do Djumbay nesse percurso, menciona  o envolvimento em projetos locais e nacionais na agenda de resistência dos movimentos negros e também a entrada na coordenação da Central de Notícias Afro-brasileira (Cenab). Na página 3, há uma matéria de Glaucia Maria explicando o que é o Cenab e como se dá o envolvimento do Djumbay e das outras entidades negras nessa nova empreitada pela interação da Comunidade Negra Nacional. Também nessa página, há uma imagem interativa patrocinada pelo DETRAN-PE, para incentivar o cuidado no trânsito como uma forma de exercer a cidadania. Na página seguinte encontramos uma matéria intitulada “Direitos Sócio-Raciais”, escrita por Maria Edite, a advogada e assessora do Djumbay, na qual ela informa a inserção de uma nova seção no jornal cuja temática abordaria assuntos jurídicos. Nessa matéria ela dá uma breve explicação sobre os remédios constitucionais, as leis infringidas no ensino e a resistência de Zumbi.

Na página 5, Lepê Correia fala sobre o papel social da escola e como o racismo dentro dessa instituição aparece, tornando-a um serviço para a classe elitizada. Ainda nessa página, há um pequeno artigo que conta um pouco sobre a história da Nigéria e da cultura material de lá. As páginas 6 e 7 são voltadas para as eleições de 1996. Nessa pauta, Glaucia Maria questiona se há voto racial no Brasil, a importância da reflexão sobre esse tema, a responsabilidade envolvida na eleição e elenca alguns candidatos negros que estariam concorrendo ao cargo de Vereador. Na página 7, há também um espaço intitulado “Um momento de reflexão”, que divulga estatísticas e ponderações sobre a situação do negro na sociedade. No fim da página, há ainda uma publicidade patrocinada pela Celpe para a conscientização sobre a necessidade de economizar energia.

As páginas 8 e 9 colocam importantes eventos e discussões a âmbito nacional no “Pelo Brasil afora”. Dentre São Paulo, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e Brasília (DF), duas matérias merecem atenção. A primeira é a do Distrito Federal, escrita por Glaucia Maria, que fala sobre o fim do ensino gratuito nas universidades públicas brasileiras, um projeto que fora idealizado pelo professor Hélio Santos, e cuja proposta visava à democratização do ensino superior para que mais negros pudessem ingressar nas universidades. No entanto, essa proposta foi contraposta pela UNE. A segunda é a do Rio de Janeiro, escrita por Verônica Gomes, cujo título é “Povo Negro, desperta pra Aids!” e na qual ela fala sobre o I Seminário Nacional “A Comunidade Afro-brasileira e a Epidemia de HIV/AIDS”, que ocorreu em Outubro de 1996. No fim da página 9, há um anúncio que informa que a Organização Djumbay passaria a promover a Mostra de Vídeo-Debate “Cidadania com Identidade Racial” mensalmente nas comunidades.

Na 10ª página, Gilson Pereira e Verônica Gomes revelam as pretensões do Djumbay na Cenab (Central de Notícias Afro-brasileira) e divulgam que o Djumbay é parte integrante da CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras), além de pontuar as atividades da organização do jornal nos eixos de Educação, Comunicação e Direito. Na página seguinte aparece novamente uma matéria sobre o caso de Mumia Abu Jamal [1], o jornalista negro americano acusado de assassinar um policial branco. A matéria é mais uma explicação do caso e suas irregularidades e pede, mais uma vez, ajuda para o custeio financeiro da revisão do caso, além de trazer uma mensagem de Abu-Jamal para os negros brasileiros. A página 12 expõe uma carta aberta ao cantor Carlinhos Brown, escrita por Samuel Vieira, na qual ele critica o posicionamento de Brown quando este afirma que a África “aceitou” ser colonizada e escravizada e que os africanos são um povo fraco e, por isso, são o contrário do brasileiro, que representa um povo “forte e miscigenado”. Samuel quebra o que foi dito por Carlinhos, dizendo que o Brasil também foi colonizado e que aqui ainda possui muita pobreza. A página 13 elenca datas importantes para a memória do povo negro e também conta com outra imagem lúdica patrocinada, desta vez, pela Compesa.

A página 14 apresenta uma novidade: o Dicionário Yorubá. A penúltima página expõe relatos e congratulações ao Djumbay feito por figuras de associações e do movimento negro, tanto em Pernambuco como em outros estados, e também divulga o Seminário Estadual sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, que contou com participação de Dom Hélder Câmara. Por fim, a edição é concluída com um pequeno texto de Lepê Correia sobre a história de Luís Gama, filho de africana livre que fora vendido como escravo pelo próprio pai e que posteriormente se tornou um grande abolicionista e poeta satírico.

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