Boletins Informativos do MNU – Edição sem número

  • Boletim Informativo do Movimento Negro Unificado – Sem Número

Esse boletim de 8 páginas não apresenta data, nem número de edição e nem ano de lançamento, mas pelas informações colhidas durante as matérias, estima-se que seja ainda do primeiro trimestre de 1993. A página 1 expõe o caso no qual um homem negro fora morto a tiros disparados por um segurança que prestava serviços ao banco Itaú. A matéria é uma denúncia e um chamado para que a população negra se levante contra essa discriminação, sugerindo, inclusive medidas drásticas, como pode ser visto na citação:

Vamos nos organizar para enfrentar o Racismo e todas as suas manifestações e se for preciso temos de estar preparados para estabelecer a lei de “um branco racista por cada negro assassinado”.

A página 2 fala sobre a mulher: traz a música “Mulher brasileira”, se Jorge Benjor e dois quadrinhos: um com uma crítica à diferença de salários entre mulheres brancas e negras e outro em menção à luta da mulher negra dentro do MNU. A página 3 trata do Carnaval através de uma carta aberta em repúdio à atitude da TV Globo em negligenciar as atrações do carnaval paulista enquanto a programação do Rio teve sua transmissão normal e em seguida exalta a apresentação da escola de samba do Salgueiro, além de mostrar mais um quadrinho, desta vez sobre a ridicularização do trabalhador negro pelas elites e pela História oficial, e colocar a seguinte mensagem:

Mensagem de carnaval, dos opressores para a negrada:

“O teu cabelo não nega mulata (Negra) porque és mulata (Negra) na cor mas como a cor não pega mulata (Negra) mulata (Negra) eu quero teu amor.”

RESPOSTA, PARA OS OPRESSORES. E se a cor pegasse?

Na quarta página fora publicada uma nota de denúncia ao extermínio das populações negras em Salvador, pois enquanto os negros fazem a festa dos brancos no carnaval, outros estão sendo mortos pela arbitrariedade do Estado e da polícia. A manchete dessa matéria é “Não viemos mais pra prender não, viu porras! Viemos pra matar mesmo!”, em referência à truculência da força policial na invasão dos morros. A matéria seguinte data de 29/01/1993 e é do Diário Popular. Se chama “Negros subirão ao poder com reinado” e foi escrita por Ogan Naninho de Onaluavê, que divulga o plebiscito para a decisão da estrutura política brasileira: presidencialismo ou parlamentarismo e monarquia ou república; a opinião do autor é que a monarquia traria a possibilidade de ascensão do Reino de Palmares.

A quinta página critica, mais uma vez, a Rede Globo, mas dessa vez fala sobre a novela “Sem Corpo e Sem Alma”, que trata de forma diferenciada os negros e brancos dentro da trama, com um racismo disfarçado. A sexta página traz “O Negro e a Economia”, de Milton Barbosa. Inicialmente, fala que o negro era uma base sólida da economia brasileira, atuando nos mais diversos âmbitos e serviços, mas, mesmo assim, fora substituído pelo imigrante na tentativa de se branquear a população brasileira. Assim, o MNU coloca a importância da organização negra no âmbito econômico, não só organizando os trabalhadores, mas criando mais espaço para micro-empresas, negócios e cooperativas de trabalho. Aparece mais um quadrinho, agora falando sobre a entrada dos imigrantes nas fábricas e os créditos pelas artes: “Os desenhos deste Boletim são da autoria do Pestana, da Cartilha “Palavras do Trabalhador Negro” da CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades / M. Pestana Produções”

A página 7 continua falando de economia em “Organização Econômica”, que traz um quadrinho sobre a organização dos negros e como a entrada dos imigrantes foi motivada por um razões racistas e em “Cooperativa de Doces e Salgados”, na qual o boletim informa a criação de uma Cooperação de profissionais autônomos na área de alimentação, promovida pelo MNU, com intuito de montar uma força econômica livre de patrões, além de gerar um apoio financeiro ao Movimento. A última página fala sobre o plebiscito: “No dia 21 de abril – no plebicito (sic) VOTE PRESIDENCIALISMO”. Escrita por Milton Barbosa e ao contrário da matéria já exposta neste mesmo boletim, essa matéria defende o presidencialismo e expõe o motivo:

Há um movimento, a fim de que seja implantada a monarquia seguindo a linhagem dos comandantes do Quilombo dos Palmares. Respeitamos esta posição, defendida por pessoas dignas e lutadoras, mas entendemos esta posição desligada da realidade do país, um país que criou estruturas sólidas de dominação da população negra e pobre e, não será através de uma simples eleição que os brancos racistas que dominam o país, serão derrubados do poder. Será necessário uma luta de longa duração para que o negro construa o caminho da sua libertação.

A negação ao parlamentarismo se dá devido ao caráter que o boletim atribui aos políticos brasileiros: “ladrões sem honra, sem dignidade, sem história”. E, por fim, há a agenda de atividades do MNU.

Boletins Informativos do MNU – MNU Nordeste e Coletivo de Mulheres

  • Informe MNU Nordeste – Primeira Edição

De 1999, foi o primeiro Informativo do MNU da Região Nordeste e possui apenas 2 páginas. Na época, os Estados que compunham seções do Movimento nessa região eram Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Sergipe e Piauí, sendo a entrada deste último noticiada nessa edição. Em 1999 também se comemoravam os 21 anos do MNU. No final da edição, há as seguintes informações:

informeMNUnordeste é uma publicação sobre a responsabilidade da Coordenação de Articulação da Região Nordeste. Endereço: Rua Direita do Curuzu – 101 – 1º andar – Liberdade – Salvador – Bahia – Brasil – Cep: 40.365-000

A página inicial comunica o lançamento do “informeMNUnordeste” como uma maneira de dialogar e facilitar a interação entre as seções estaduais do Movimento. A matéria “Brasil Outros 500” menciona que o Movimento Nacional pela Resistência Indígena, Negra e Popular saiu no dia 2 de Julho em uma manifestação na Bahia e atenta para a importância do MNU organizar os Comitês Estaduais para lutar contra as formas de repressão e construir uma sociedade justa, igualitária, sem machismo e sem sexismo. Também fala do lançamento do 2º Encontro Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, que aconteceria em Abril de 2000 em Salvador-BA.

A segunda página mostra um espaço reservado aos filiados e filiadas exporem quaisquer questões que acharem pertinentes, chamado “Eis a questão…”. Neste, Stânio de Sousa Vieira, coordenador do MNU-PI, traz uma discussão sobre uma marcha dos Irmãos Valença e Lamartine Babo, que coloca em evidência o termo “mulata”, um termo pejorativo por si só, mas que dentro da letra assume um caráter ainda mais racista ao se analisar o que está implícito. “O teu cabelo não nega, mulata […] mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”. Em seguida, mostra-se o Planejamento do MNU Nordeste, cujas pautas e perspectivas foram: Contatos permanentes com as seções, Fundação de seções nos Estados de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, Lançamento de Boletim Informativo, Encontro Regional, Encontro de Mulheres do MNU da Região Nordeste, Seminário Nordeste Negro, Escola/Centro de Formação do MNU no Nordeste. Por fim, anuncia-se o Congresso Extraordinário do MNU, que ocorreria de 4 a 7 de Setembro e teria como pautas a organização política, o projeto político, e a revisão de documentos básicos do Movimento.

  • Informativo do Coletivo de Mulheres do Movimento Negro Unificado/RS

Lançado na seção do Rio Grande do Sul pelo Coletivo de Mulheres do MNU local em Novembro de 2002, esse informativo conta com 4 páginas e é voltado especificamente para as mulheres negras, mas possui aspectos que tangem á resistência geral do Movimento. A primeira página é toda dedicada à discussão em cima do ALCA. Segundo o informativo, “Alca é uma proposta de acordo comercial apresentada pelo governo norte-americano durante a 1ª Cúpula das Américas, reunião dos chefes de nações realizada em Miami, em 1994”, e teria por objetivo consolidar a influência e dominação norte-americana nos maiores Estados da região. Por se tratar de uma proposta que beneficiaria poucos e prejudicaria muitos, a autora do artigo, Cledi Oliveira, pontua que a ALCA caracterizaria mais discriminação, mais exploração e relembra a entrada das mulheres no mercado em substituição aos homens devido aos menores salários pagos às mulheres graças à desigualdade de gênero e, por isso, coloca que as mulheres seriam as mais prejudicadas caso a proposta fosse aceita. Devido a essa situação, houve a Marcha dos Sem, na qual as Mulheres Trabalhadoras em Educação participaram juntamente à CUT, a CTA da Argentina e a PIT-CNT do Uruguai, e onde houve o encontro com a Marcha dos Trabalhadores Argentinos. Em Setembro ocorreu o plebiscito pela aceitação ou não do ALCA, no qual a imensa maioria votou pelo “NÃO”.

Concluindo, é compromisso do coletivo de mulheres do MNU, dizer não a ALCA, não a discriminação, não as desigualdades, e assumir o compromisso de formar novas consciências, novos valores e fazermos pulsar a solidariedade, o respeito, a dignidade na relação entre mulheres e homens.

A segunda página traz um “Você Sabia Que” e é dedicada a trazer informações e dados sobre o desemprego das mulheres, principalmente das negras; sobre as dificuldades de ascensão social das mulheres, mesmo com mais tempo de estudo que homens; sobre a diferença de salários entre homens e mulheres; e ainda traz um infográfico com a distribuição dos ocupados da RMPA, segundo sexo e cor, de 2002, que mostra as desigualdades de gênero e cor no âmbito do trabalho.

A terceira página põe em pauta a saúde da mulher negra com a matéria “A Mulher Negra e os Alimentos Através da Prevenção”, escrita por Irene Paula da Silva, na qual fala que mulheres negras têm tendência a obesidade ou desnutrição principalmente por causa da má alimentação, fruto de jornadas diárias corridas ou até mesmo de dificuldades financeiras. Traz algumas dicas de alimentos importantes de serem ingeridos pra a melhor saúde da mulher e uma dica de leitura do livro ACAÇÃ, do Pai Cido do Oxum, sobre pratos que tiveram origem na tradição religiosa de matriz afro.

A quarta e última página encerra a edição com o poema “SOU NEGRA” e o texto “Menina Mulher Negra”, de Malu Viana, sobre a resistência da mulher negra.

Boletins Informativos do MNU e Quinta Edição

Veiculados pelo Movimento Negro Unificado, esses boletins tinham por objetivo informar a comunidade negra nacional, regional e estadual sobre casos de racismo, eventos dentro da temática de resistência negra e também para divulgar a entidade e as diversas áreas em que ela atuava. O MNU surgiu sob o título de “Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial”; em 18 de Junho de 1978, se torna apenas Movimento Negro Unificado e já em 7 de Julho do mesmo ano, lança suas diretrizes e cobra ações efetivas de combate ao racismo, como já fora relatado no post sobre o Jornal Djumbay. Foi, portanto, umas das mais antigas entidades representativas dos Movimentos Negros, e também a de maior permanência na militância.

Através dos poucos exemplares desse boletim que serão expostos aqui, podemos perceber algumas características básicas de estruturação e movimentação do MNU. Primeiramente, por ser um movimento de resistência nacional, foram necessárias as criações de “seções” do MNU em cada Estado. Em 1999 haviam sido formadas 14 seções, sendo 6 do Nordeste. Além dessas seções individuais de cada Estado, era possível, também, uma seção regional, visto que fora lançado o “Informe MNU Nordeste” também no ano de 1999.

Outra característica importante é que não se restringia ao panorama geral. Em 2002 é veiculado uma pequena edição do Coletivo de Mulheres da seção do MNU no Rio Grande do Sul. Assim como havia o boletim Omnira em Pernambuco, as outras seções do Movimento Negro Unificado também possuíam seus coletivos e grupos de trabalho femininos voltados para discutir o racismo, o preconceito, mas também o machismo, a misoginia e as dificuldades pelas quais as mulheres passavam, especialmente as mulheres negras.

Há poucas informações sobre a frequência desses boletins, especialmente devido à fragmentação das seções. Esses boletins apresentam um caráter mais informal que os jornais veiculados na época, com linguagem mais próxima do cotidiano e eventuais erros ortográficos, o que sugere que não passavam por uma revisão antes de serem lançados. No acervo do Blog, possuímos duas edições de 1993, uma de 1999 e outra de 2002, sendo que um dos exemplares de 1993 não conta com a data nem a numeração do editorial explícitas.

  • Boletim Informativo do Movimento Negro Unificado – Quinta Edição

Contando com 8 páginas, esse exemplar fora veiculado em São Paulo no ano de 1993 e possuía o apoio do Sindicato dos Condutores. A primeira matéria, intitulada “SKINHEADS RACISTAS OTÁRIOS”, ainda na página 1, critica e denuncia o comportamento dos grupos de Skinheads, que estavam praticando atos contra judeus e nordestinos, e que apareceram no programa “Documento Especial da SBT”. Tendo em vista esses casos, há uma chamada para a população negra reagir a esses casos e se juntar ao MNU. Inclusive, esse caso envolvendo Skinheads também fora noticiado pelo Djumbay. Ainda nessa página o informativo traz um relato datado de 11 de Agosto de 1885, no qual a notícia veiculada informa a fuga de ex-escravos quilombolas em resistência à tentativa de prisão por parte da polícia, que alegava a “falta de segurança” daquela região graças ao quilombo formado. Pode-se dizer, então, que a temática central desse exemplar foi atentar a população negra para a necessidade de um levante de resistência.

A segunda página trata do caso no qual mais de 300 policiais entraram em um presídio e executaram 111 presos com armamentos de alta qualidade. A foto da matéria mostra os corpos enfileirados e possui a legenda “as expressões de terror, pânico, medo e dor no rosto dos mortos resumem a violência do massacre de sexta-feira durante a invasão da PM na Detenção”. A página 3 faz mais uma chamada para o levante negro contra os ataques de skinheads, e pontua que os negros não esperem que entidades brancas assumam um posicionamento, pois este deve partir da população negra. Ao lado é exposta uma foto de uma mulher chamada Jurema Batista e o seguinte texto, que funciona como uma forma de dar mais visibilidade para a mulher dentro do movimento:

Mulher negra, 34 anos, mãe de três filhas, carioca nascida e criada no morro do Andaraí. Ativista do Movimento Negro, faz parte da Coordenação Nacional do MNU, movimento de mulheres, professora e militante do Partido dos Trabalhadores.

E em seguida, colocam-se dois poemas: “Hino do MNU”, por Nethio Bengela, e “Instante Universal”, por Chico Silva.

A página 4 noticia um episódio ocorrido na USP. Um aluno de medicina do 6º ano, coreano, destratou uma ascensorista no Hospital Universitário falando a ela “Não nega a cor, e nem fica cor-de-rosa. Você é uma grande cretina!”. Ela prestou queixa e o acusado, em sua defesa, alegou não ser racista porque seus pais têm empregados negros, que são competentes, fala que já namorou nordestinas – que também são discriminadas – e que por ser da “raça amarela”, ele também sofre preconceito. Por fim, o rapaz ainda ameaçou a direção do H.U. – e a própria ascensorista – caso sofresse alguma retaliação pela denúncia. Com isso, logo abaixo, o boletim traz uma coletânea de definições do que é racismo, discriminação social e preconceito de acordo com os dicionários.

Na página seguinte aparece uma crítica feita por Francisco Ernesto Silva, Coordenador Municipal do MNU-SP, na qual ele fala sobre como a mídia, em especial a Rede Globo, veiculou as notícias sobre o assassinato – que envolvia “magia negra” – dos meninos Evandro e Leandro no PR, e como o termo “pai de santo” fora utilizado de maneira pejorativa, o que fica perceptível ao comparar o tratamento dado ao brasileiro em relação ao estrangeiro envolvido no crime, este sendo taxado, diferenciadamente, por “bruxo”. Em baixo aparecerem um anúncio do livro “Bruxas, Espíritos e Outros Bichos”, do autor Edson Lopes Cardoso, e alguns dados importantes que retratam a violência e o racismo contra as populações negras.

A sexta página é inteiramente direcionada a uma crítica à Folha de São Paulo, que veiculara uma matéria sobre uma noite de funk no Rio de Janeiro de maneira unilateral e preconceituosa. A página 7 conta com uma crítica ao 1º Encontro Nacional de Entidades Negras, por causa da superficialidade e inúmeros outros problemas da composição do evento, mas também há a pontuação de importantes conquistas para o movimento, além de uma autocrítica do MNU sobre seu comprometimento e atuação no espaço político nacional. A página 8 relata uma denúncia contra o caso dos bantaustões, que eram regiões que ocupam 13% do território sul-africano mas que se tornaram autossuficientes numa tentativa do governo do apartheid de tornar a maioria da população branca. Por fim, a última matéria conta a história de Steve Biko, um importante militante da Consciência Negra que fora interrogado, humilhado e torturado pelo governo racista da África do Sul.

Jornal AfroReggae Notícias – Trigésima Quinta e Trigésima Sexta Edição

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Quinta Edição

Nesta edição publicada em julho de 1999 o jornal AfroReggae Notícias fala sobre a luta política do povo negro, através da matéria da página quarto sobre Celso Athaíde e o seu projeto com o Partido Popular Poder para a Maioria, para Athaíde essa ideia surgiu pois a “melhor forma de lutar contra a desigualdade era formando o poder”. Ele ressalta ainda a participação do Rapper MV Bill na tentativa de criação do partido.

Ecio Salles traz uma matéria sobre o filme Orfeu do diretor Carlos Diegues, além disso, pontua ainda na coluna “missão do rio” que esse número do ARN foi publicado após o impacto da exibição do filme na favela de Vigário Geral.

N°35:

 

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Sexta Edição

Em seu sétimo ano o AfroReggae Notícias lança em março de 2000 sua trigésima sexta edição, com informações sobre a comemoração de sete anos da entidade. O principal tema trabalhado nesse número é o processo de regeneração de um “bandido”, como fica visível em seu Editorial. Nesse sentido o jornal destaca a figura do Escadinha, José Carlos dos Reis Encina, um famoso traficante de drogas brasileiro. A matéria central dessa edição é uma entrevista com esse traficante, um dos fundadores da organização criminosa Falange Vermelha, que posteriormente se tornaria a famosa organização – Comando Vermelho. Nessa entrevista é abordado o desejo de Encina de trocar uma vida de violência pela música, principalmente, o Rap. A matéria é assinada por Tekko Rastafari.

Outra matéria relevante também é assinada por Tekko Rastafari aborda questões referentes ao Hip-Hop e ao Rap carioca e o seu papel na mídia.

Vale ressaltar ainda a matéria da página sete sobre jovens participantes do projeto empreendedores sociais desenvolvido pelo Grupo Cultural AfroReggae em Vigário Geral, Rio de Janeiro. O texto destaca as parcerias para a realização desse projeto e o seu objetivo com a comunidade.

A última página apresenta um texto de Zuenir Ventura, jornalista e escritor brasileiro. Ventura fala sobre sua admiração pelo trabalho feito no jornal e nos outros projetos de grupo, além de contar sobre a sua experiência ao conhecer a comunidade de Vigário Geral em 1993, o que mais tarde lhe rendeu um livro denominado “Cidade Partida”, a partir disso o autor fala sobre a dor presente na população da comunidade nessa época, sobre a importância do trabalho do AfroReggae e como conheceu jovens do grupo e se tornou “leitor assíduo do jornal”.

N°36:

Jornal AfroReggae Notícias – Trigésima Primeira e Trigésima Quarta Edição

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Primeira Edição

Em seu quinto ano o AfroReggae Notícias lança sua trigésima primeira edição no mês de julho de 1998. Nesse número a capa traz uma legenda onde afirma que “Skank, AfroReggae e Rappa invadem a França”.

Essa edição conta com a coluna “Rapidinhas” sobre eventos e notícias relevantes sobre os temas abordados pelo grupo, a coluna “Abrindo a Boca”, que traz a participação dos jovens de Vigário Geral no jornal e a coluna “Lançamentos” de Tekko Rastafari, sobre álbuns em destaque.

É importante ressaltar a matéria de Rosane Heringer, doutora em sociologia, sobre a situação dos negros norte-americanos. Segundo a autora “o panorama do debate sobre a situação dos afro-americanos e das relações raciais no país é hoje um emaranhado de muitas posições e poucos consensos”. Ela destaca também a luta pela discussão do tema. O texto aborda ainda a ação afirmativa e mostra um breve quadro sobre a situação das minorias nos Estados Unidos da América.

No que se refere à música essa edição traz, na página, uma matéria de Athayde Motta sobre Berry Gordon, mostrando sua trajetória de sucesso e comentando os 40 anos da sua gravadora – Motown.

N°31:

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Quarta Edição

Em março de 1999 o AfroReggae Notícias publica sua trigésima quarta edição. A principal matéria desse número se encontra nas páginas oito e nove e fala sobre o grupo musical Câmbio Negro.

Ainda no mundo da música o jornal traz uma matéria com Celso Athaíde, idealizador do famoso baile Black no Rio de Janeiro – Projeto Charme na Rua. A entrevista é de Tekko Rastafari e fala sobre o trabalho do Athaíde e sua relação com o Hip-Hop e a favela.

São várias as colunas do jornal, entre elas a “Abrindo a Boca”, coluna pautada e redigida pelos jovens participantes do Grupo Cultural AfroReggae, nesta edição o jovem escreve sobre a oficina de capoeira e o seu papel no combate ao tráfico de drogas.

Vale destacar, sobretudo, a matéria de Rosana Heringer intitulada “A Costa Rica é aqui”, onde a autora fala sobre sua viagem ao país no ano de 1998 e relata sua curiosidade acerca da composição étnica e racial da população. A autora destaca ainda a ideia de democracia racial presente no país, assim como no Brasil.

N°34:

 

Jornal AfroReggae Notícias

O jornal AfroReggae Notícias é um informativo que faz parte do Grupo Cultural AfroReggae. Foi lançado no dia 21 de janeiro de 1993 e a data de publicação da edição zero do jornal é considerada o marco oficial da fundação do GCAR. De acordo com o próprio grupo o jornal “estampava em suas páginas cultura negra e o cotidiano da favela para dar voz aqueles calados pela opressão da pobreza e do preconceito”.

Conforme informações do site da entidade o jornal era distribuído de forma gratuita e voluntária pela sua equipe editorial. A tiragem era de 10.000 exemplares. Na sua quarta edição o jornal informa que passou a fazer parte do Grupo Cultural AfroReggae, que foi legalizado em 20 de julho de 1993 e passou a existir juridicamente. A partir dessa edição o AfroReggae Notícias foi reformado, trazendo um novo visual e cerca de 16 páginas por edição. No número 04 o jornal informa também que a sua sede se localiza no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro e que a sua impressão era feita pela gráfica da UERJ.

No que se refere ao Grupo Cultural AfroReggae pode-se afirmar que ele tem como escopo “promover a inclusão e a justiça social, utilizando a arte, a cultura afro-brasileira e a educação como ferramentas para a criação de pontes capazes de unir as diferenças e que sirvam de alicerces para a sustentabilidade e o exercício da cidadania”. Um acontecimento importante na trajetória do GCAR foi a chacina que ocorreu em agosto de 1993 na favela de Vigário Central, Rio de Janeiro. Esse massacre motivou o grupo a iniciar outras atividades, como oficinas de capoeira, percussão, reciclagem e dança afro, com o intuito de ajudar a comunidade. O primeiro núcleo da entidade foi inaugurado nesta mesma favela em 1994, após isso a instituição se expandiu e foi para outras favelas e municípios. Hoje o GCAR possui quatro núcleos, mais de trinta projetos, nove grupos artísticos, programa de televisão, além das oficinas no estado de São Paulo e em vários países do mundo como a Índia, Colômbia, China, graças o convite e a parceria com a ONU.

Pode-se destacar José Pereira de Oliveira Junior e Luiz Fernando Lopes, mais conhecido como Tekko Rastafari, como os primeiros a defenderem o projeto do AfroReggae, com o objetivo de difundir a cultura afro e descriminalizar as ruas. Para José Junior a arte teria um papel fundamental na transformação das escolhas dos jovens. Nos jornais José Junior é apresentado como coordenador do jornal, coordenador executivo e Tekko Rastafari como diretor social e como membro da coordenação de promoção e eventos. Rastafari também contribuiu em diversas matérias e colunas para o jornal.

Serão disponibilizados no blog o número 04, 31, 34, 35, e uma edição especial do ARN.

  • AfroReggae Notícias – Quarta Edição

O número quatro do jornal AfroReggae Notícias foi publicado em novembro de 1993. A capa dessa edição traz a imagem de Carlinhos Brown, artista baiano, e anuncia as principais matérias com Brown e a Timbalada e outras bandas brasileiras e artistas brasileiros. De acordo com o Editorial a escolha de Carlinhos Brown para a capa ocorreu com o intuito de informar as pessoas “o que acontece na produção cultural contemporânea do Brasil e do mundo, sobretudo a afro-brasileira”. O Editorial destaca ainda o crescimento do ARN e a sua relação agora com a recém criada instituição “Grupo Cultural AfroReggae”. Sabe-se que o processo de produção desta edição sofreu com uma crise, em razão da falta de verba, entretanto os membros da entidade conseguiram contornar essa situação.

Uma matéria em destaque é uma entrevista com Leci Brandão, onde esta se afirma como cantora e compositora da música afro-brasileira. Outros pontos da entrevista estão relacionados a ruptura de Leci com a gravadora, que não aceitou gravar suas músicas por serem “políticas demais” e a sua luta em mostrar que o samba pode também falar sobre temas sociais.

Vale enfatizar a participação da mulher nessa edição do AfroReggae Notícias, tanto na elaboração das matérias, como nos temas abordados.

N°04: