Jornal AfroReggae Notícias

O jornal AfroReggae Notícias é um informativo que faz parte do Grupo Cultural AfroReggae. Foi lançado no dia 21 de janeiro de 1993 e a data de publicação da edição zero do jornal é considerada o marco oficial da fundação do GCAR. De acordo com o próprio grupo o jornal “estampava em suas páginas cultura negra e o cotidiano da favela para dar voz aqueles calados pela opressão da pobreza e do preconceito”.

Conforme informações do site da entidade o jornal era distribuído de forma gratuita e voluntária pela sua equipe editorial. A tiragem era de 10.000 exemplares. Na sua quarta edição o jornal informa que passou a fazer parte do Grupo Cultural AfroReggae, que foi legalizado em 20 de julho de 1993 e passou a existir juridicamente. A partir dessa edição o AfroReggae Notícias foi reformado, trazendo um novo visual e cerca de 16 páginas por edição. No número 04 o jornal informa também que a sua sede se localiza no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro e que a sua impressão era feita pela gráfica da UERJ.

No que se refere ao Grupo Cultural AfroReggae pode-se afirmar que ele tem como escopo “promover a inclusão e a justiça social, utilizando a arte, a cultura afro-brasileira e a educação como ferramentas para a criação de pontes capazes de unir as diferenças e que sirvam de alicerces para a sustentabilidade e o exercício da cidadania”. Um acontecimento importante na trajetória do GCAR foi a chacina que ocorreu em agosto de 1993 na favela de Vigário Central, Rio de Janeiro. Esse massacre motivou o grupo a iniciar outras atividades, como oficinas de capoeira, percussão, reciclagem e dança afro, com o intuito de ajudar a comunidade. O primeiro núcleo da entidade foi inaugurado nesta mesma favela em 1994, após isso a instituição se expandiu e foi para outras favelas e municípios. Hoje o GCAR possui quatro núcleos, mais de trinta projetos, nove grupos artísticos, programa de televisão, além das oficinas no estado de São Paulo e em vários países do mundo como a Índia, Colômbia, China, graças o convite e a parceria com a ONU.

Pode-se destacar José Pereira de Oliveira Junior e Luiz Fernando Lopes, mais conhecido como Tekko Rastafari, como os primeiros a defenderem o projeto do AfroReggae, com o objetivo de difundir a cultura afro e descriminalizar as ruas. Para José Junior a arte teria um papel fundamental na transformação das escolhas dos jovens. Nos jornais José Junior é apresentado como coordenador do jornal, coordenador executivo e Tekko Rastafari como diretor social e como membro da coordenação de promoção e eventos. Rastafari também contribuiu em diversas matérias e colunas para o jornal.

Serão disponibilizados no blog o número 04, 31, 34, 35, e uma edição especial do ARN.

  • AfroReggae Notícias – Quarta Edição

O número quatro do jornal AfroReggae Notícias foi publicado em novembro de 1993. A capa dessa edição traz a imagem de Carlinhos Brown, artista baiano, e anuncia as principais matérias com Brown e a Timbalada e outras bandas brasileiras e artistas brasileiros. De acordo com o Editorial a escolha de Carlinhos Brown para a capa ocorreu com o intuito de informar as pessoas “o que acontece na produção cultural contemporânea do Brasil e do mundo, sobretudo a afro-brasileira”. O Editorial destaca ainda o crescimento do ARN e a sua relação agora com a recém criada instituição “Grupo Cultural AfroReggae”. Sabe-se que o processo de produção desta edição sofreu com uma crise, em razão da falta de verba, entretanto os membros da entidade conseguiram contornar essa situação.

Uma matéria em destaque é uma entrevista com Leci Brandão, onde esta se afirma como cantora e compositora da música afro-brasileira. Outros pontos da entrevista estão relacionados a ruptura de Leci com a gravadora, que não aceitou gravar suas músicas por serem “políticas demais” e a sua luta em mostrar que o samba pode também falar sobre temas sociais.

Vale enfatizar a participação da mulher nessa edição do AfroReggae Notícias, tanto na elaboração das matérias, como nos temas abordados.

N°04:

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*