Jornal Maioria Falante – Nº27

  • Maioria Falante – Vigésima Sétima Edição

O n°27 do jornal Maioria Falante compreende os meses de julho e agosto de 1992 e traz como tema principal o Funk e o Charme, juntamente com o que jornal denomina de “a discriminação do lazer”.

O Editorial traz a proposta de fazer crítica a algumas “lideranças” do Movimento Negro, que não procuram formular projetos em longo prazo voltados para a comunidade afro-brasileira. É discutida, como em outras edições, a falta de participação do Movimento Negro com a base.

Essa edição apresenta um espaço reservado para o debate acerca do balé clássico e como este faz parte da cultura do grupo dominante e acaba não oferecendo oportunidades aos bailarinos negros. Conforme o texto, nessa perspectiva, “a arte se funde com a estética dos povos brancos”.

Também recebe destaque a matéria com o correspondente do Maioria Falante em Nova Iorque – Paulo Afonso Duarte – relatando a sua história e sua relação com o jornal.

No que se refere à matéria principal sobre o Funk e o Charme é mostrado um pouco da realidade de cada ritmo e sua relação com a sociedade brasileira. Sobre o Funk é discutido todo o preconceito e a discriminação sofrida pelo seu público, além da relação com os patrocinadores, com o poder público e, principalmente, com racismo. Assim sobre o Charme os entrevistados falam a respeito da diferença entre os dois movimentos e a forma distinta como eles são tratados pela polícia.

No caderno de educação é preciso comentar sobre as matérias que trazem a questão ambiental em evidência e a relação entre ecologia e escola.

Outro tema trabalhado é o problema de identidade e a forma como é tratado o negro ao longo da história do Brasil, o autor debate ainda o momento de luta em que se encontra a comunidade negra. A matéria que relaciona e discute essas temáticas é de Yedo Ferreira: “Negros: povos invisíveis das Américas”.

Por fim vale ressaltar um pequeno texto que debate, sobretudo o negro e a religião muçulmana, texto de Cláudio de Jesus Nery, membro da articulação nacional de negros muçulmanos.

Nº27:

Jornal Maioria Falante – Nº25 e Edição Extra

  • Maioria Falante –Vigésima Quinta Edição

A vigésima quinta edição compreende os meses de junho e julho de 1991 do ano IV do jornal. Nessa edição são destacadas na capa as principais notícias e matérias, com ênfase nas informações sobre a preparação para o I Enen – I Encontro Nacional de Entidades Negras.

Em uma matéria de Yedo Ferreira sobre o Movimento Negro, o autor critica o formato pedido pelo I Enen, formato em que a maioria das entidades negras não se encontra. Ferreira ainda trata com ironia as pessoas que acreditam que o encontro possa vir a contribuir para a organização do Movimento Negro.

Vale mencionar também a matéria de Pedrina de Deus sobre a Secretaria de Defesa e Promoção do Negro, onde a autora discute se esta secretaria não seria um ato de racismo. De Deus traz para o debate como se comporta a sociedade brasileira frente ao racismo e a dívida do Estado brasileiro com negros.

Na última página do jornal novamente se fala sobre o I Encontro Nacional de Entidades Negras, dessa vez dando destaque aos depoimentos sobre o evento e o que está acontecendo nos bastidores.

Nº25:

  • Maioria Falante – Edição Extra – Janeiro de 1992

Essa edição, que possui apenas quatro páginas, fala sobre a volta do jornal após uma ausência de quase seis meses em razão da recessão econômica. A publicação procura nesse sentido falar com seus leitores e mostrar que o Maioria Falante vai continuar e que conta com o apoio de seus assinantes e de seu público.

Aparece em destaque nessa edição o tema da Imprensa Étnica e a relação entre o Maioria Falante e a educação e como o jornal vem sendo usado como recurso didático em razão da identificação dos leitores com os temas abordados (causa negra, indígena, das mulheres, crianças e adolescentes da periferia).

Edição Extra:

Jornal Maioria Falante

O jornal Maioria Falante – um serviço de combate ao racismo e à discriminação foi fundado na década de 1980 por um grupo de amigos e circulou ininterruptamente de 1987 a 1996. Foi um periódico afro-brasileiro que resistiu a barreira criada aos jornais destinados a comunidade negra, no que se refere à sua circulação durante anos. Sua sede se encontrava no bairro da Lapa na cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com um de seus fundadores, Togo Ioruba, na entrevista dada ao repórter Carlos Alberto Madeiros da Costa, o jornal nasceu graças à experiência de seus participantes com a imprensa negra da época e defendeu, sobretudo, a ideia de suprir a necessidade de uma imprensa que trouxesse o combate ao racismo, mas não só isso, que destacasse, do mesmo modo, a mulher, o indígena, os jovens marginalizados, ou seja, “as ditas minorias”, que são maiorias no país.

O Maioria Falante era distribuído em vários estados do Brasil como: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e nas diversas bancas dos bairros do Rio de Janeiro.  O jornal conta com 16 páginas em cada edição, com exceção de alguns números extras, e é integrante do MEPP – Movimento de Educação Política Popular. Conforme informações da edição extra de 1992 o Maioria pode ser tratado como um jornal voltado também à educação, em razão do número de assinantes que trabalham com o ensino. Nesta mesma edição é revelado que as mulheres representam 45% dos leitores do jornal, os homens 25% e as entidades 30%. Outros dados relacionados aos assinantes mostram, que 60% deles fazem parte da classe média e 50% são universitários (MAIORIA FALANTE, EDIÇÃO EXTRA, p. 3, 1992). Pode-se destacar também, que na década de 1990 o jornal possuía 2.000 assinaturas no Brasil e no exterior.

No que se refere aos fundadores do jornal é importante ressaltar figuras como o jornalista Togo Ioruba, já citado no texto, o poeta e militante Elé Semog, Maria Júlia Feijó Theodoro responsável por questões da parte administrativa do jornal, o professor Carlos Alberto Ivanir dos Santos, entre outros membros.

Serão divulgados no blog os números 10, 25, 27 e uma edição extra.

  • Maioria Falante – Décima edição (Edição especial)

Nessa edição especial, que compreende os meses de novembro e dezembro de 1988, o jornal destaca em sua capa os principais temas que são abordados como a educação, o massacre de menores e sobre o Movimento Negro. É pertinente salientar que na parte inferior da segunda página se encontram as informações técnicas sobre o jornal como o diretor responsável, a lista de colaboradores, coordenadores, editores e o endereço da sede.

Vale destacar algumas matérias desse número como, por exemplo, o texto produzido por Gustavo Muller que traz para os leitores o debate sobre a vida sexual de pessoas com deficiências e como a sociedade as enxerga como se não fossem seres humanos. Além disso, o autor traz uma relação entre esse tema e as questões socioeconômicas e culturais do Brasil. Nessa mesma página se localiza o texto de Almir Pereira Júnior acerca da sociedade brasileira e a sua postura ao ignorar a discussão sobre a sexualidade no país.

Do mesmo modo pode-se ressaltar a matéria de Beth Silva Santos sobre as conquistas com relação aos direitos das mulheres com a Constituição de 1988. O texto mostra alguns dos principais direitos e faz questão de salientar que esta é uma conquista importante, no entanto representa apenas uma etapa. Além disso, o jornal apresenta uma pequena nota sobre o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que ocorreu na primeira semana de 1988, reunindo mulheres negras de todo o país para discutir temas como o mito da democracia racial, a família, o trabalho, a educação, a sexualidade e outros.

Nessa publicação o Maioria Falante debate diversos assuntos relacionados ao Movimento Negro. Primeiramente essa edição cita uma nota sobre o protesto do MN contra um anúncio publicado na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, em 28 de outubro de 1988, da cadeia de magazines “Smuggler”, o anúncio em questão retratava uma mulher negra amordaçada, presa em uma cadeira por várias crianças brancas, tudo feito de “maneira muito natural”. Essa imagem revoltou a comunidade, o MN e algumas entidades. Além de expor o racismo essa propaganda ainda revela a situação em que se encontra a empregada doméstica no Brasil.

Essa edição conta também com outras notas sobre o tema como a história do Movimento Negro paulista na década de 1980 e outra que diz respeito à como os militantes avaliam o Movimento Negro, para alguns o Movimento precisa de “novas táticas para crescer junto dos negros da periferia”, para estes a linguagem do MN é extremamente elitista, textos de Miriam Braz e Carlos Nobre respectivamente.

Nº10:


Referências:

  • Entrevista com Togo Ioruba no canal Cultne – acervo digital de cultura negra, criado no ano de 2010. Disponível em: https://youtu.be/7sUPh4Pgbxw. Acesso: 27/04/2017.

Sim da Vida – Boletim Especial do CEAP

O Sim da Vida é um boletim especial do CEAP- Centro de Articulação de Populações Marginalizadas. De acordo com Éle Semog, diretor e presidente do CEAP, esta edição “constitui-se numa publicação de emergência sobre questões estratégicas”. O Sim da Vida contém 4 páginas e sua sede se encontrava na Rua da Lapa, no Rio de Janeiro.

Segundo sua página oficial, Éle Semog é um poeta e ativo militante do movimento negro. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro e atuou em diversas organizações de combate ao racismo. Pode-se destacar o seu trabalho na fundação do Jornal Maioria Falante e do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP. Hoje é membro do Conselho Executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos, além de Secretário Executivo do CEAP.

Edição Especial do CEAP

Esta edição especial do CEAP, denominada Sim da Vida, foi publicada em setembro de 1990. O tema que provocou essa discussão e a necessidade de uma publicação foi a questão da esterilização, tema muito debatido pelo movimento negro na década de 1980 e 1990.

Na primeira página o jornal destaca o tema em discussão com o depoimento de uma professora negra mãe de quatro filhos, após isto é apresentado um texto de título “Do controle da natalidade ao genocídio do povo negro”. O boletim procura chamar a atenção para quem são essas mulheres esterilizadas, que mulheres procuram esses métodos contraceptivos. No geral, mulheres pobres de áreas socioeconômicas menos desenvolvidas, ou seja, com baixa renda mensal, acesso precário a serviços básicos de saúdes, entre outros problemas. Mulheres que são na maioria negras. Como afirma o texto são “Mulheres que colocaram, sem saber, seu corpo, sua sexualidade e sua própria vida em risco, na tentativa extrema de não terem filhos que não teriam condições socioeconômicas de criar. (…) Todas desconhecendo os reais interesses que estão por trás de tudo isso”.

O jornal quer mostrar com esses dados e afirmações a relação que existe entre a esterilização e o extermínio da população negra. Esse investimento da população rica e branca no controle de natalidade seria uma tentativa de manutenção do mito da democracia racial. Dessa maneira, o jornal apresenta empresas que na época recebiam investimentos e atuavam na área de “planejamento familiar” e fala sobre o projeto de lei do deputado Nelson Seixas, que pretendia tornar lícita a esterilização a partir dos 21 anos.

Ainda sobre este tema, na página seguinte, o boletim traz um texto de Solange Dacache e Thais Corral denominado “Contra a industrialização da vida pela defesa da espécie humana”. O artigo trata sobre a situação da mulher na década de 1990, o perfil das brasileiras esterilizadas, a falta de informação sobre o tema, questões relacionadas a sexualidade, etc.

Por último, é válido destacar o texto escrito por Éle Semog sobre os objetivos desta publicação especial.

Edição Especial:


Referências:

Atualidade Angolana

Atualidade Angolana é um jornal da ANGOP – Agência Angola Press, agência de notícias criada em 1975. O jornal possui 4 páginas e tinha como objetivo informar o mundo com notícias de Angola. Sua sede se encontrava na cidade do Rio de Janeiro. Além de contar com correspondentes em diversas cidades do mundo, como Berlim, Praga, Havana, Moscou, entre outras, o jornal ainda tinha representantes em Portugal e na Grã–Bretanha. O Atualidade Angolana, no Brasil, contava com a edição de Aníbal João de Melo e com a redação de Carlos Augusto de Oliveira Lima e Felisberto Costa Filho, a impressão era pela Editora Lidador Ltda.

  • Atualidade Angolana – Edição 04.

A quarta edição do Atualidade Angolana foi lançada em novembro de 1987. Em seu Editorial o jornal destaca a comemoração de 12 anos da independência de Angola, ressaltando a luta travada durante anos. O texto afirma que, apesar das dificuldades, os angolanos trabalham para que possam ter um futuro diferente. Ainda na primeira página o jornal traz uma notícia com comentários de José Sarney, na época presidente do Brasil, sobre Angola nessa data de comemoração. Para o presidente, Angola seria um “país irmão”.

A matéria, em destaque nessa edição, apresenta a figura do chefe de Estado de Angola e sua visão sobre a situação da África Austral na década de 1980. Para José Eduardo dos Santos, então presidente de Angola, essa região se encontra, nessa década, a beira de uma explosão social, que poderia colocar em perigo a paz mundial. Nesse sentido, o jornal traz os principais fragmentos de uma entrevista onde o presidente aborda outros detalhes dessa região, comenta o problema da dívida externa dos países subdesenvolvidos, além dos “conflitos regionais” e outros temas de suma importância.

Em sua última página o Atualidade Angolana fornece informações sobre alguns temas relacionados à política, entre outras questões.

Nº4:

Informativo Nzinga

Nzinga é um informativo do coletivo de mulheres negras da cidade do Rio de Janeiro. O informativo foi lançado em 1985 com o objetivo de trabalhar questões relacionadas à mulher negra.

O Coletivo Nzinga surgiu em junho de 1983 com o objetivo de lutar contra a discriminação sexual e racial. O primeiro encontro do grupo se realizou na sede da Associação dos Moradores do Morro dos Cabritos, em Copacabana no Rio de Janeiro. A escolha por um coletivo se deu com a finalidade de se tomar todas as decisões, de projetos e atividades, em grupo. Nesse sentindo, a entidade começou com 8 mulheres e ao longo dos anos, como a maioria das entidades negras, passou por muitos problemas e crises (NZINGA, Nº1, p. 2 e 3, 1985).

Conforme sua primeira edição, o informativo pretende ser um “serviço em defesa da mulher negra, na conquista de seus direitos, numa perspectiva democrática e visando a justiça social” (NZINGA, Nº1, p. 2, 1985). É válido ressaltar que o coletivo contou com apoio internacional como é relatado nesta edição. Através do projeto “História Contemporânea das Lutas das Mulheres Negras” o coletivo conseguiu apoio financeiro da Global Ministries The United Methodist Church de Nova York, dessa forma foi possível financiar atividades, campanhas e o informativo do grupo.

As duas edições que serão disponibilizadas nesta postagem apresentam números diferentes de páginas, entre outras mudanças.

  • Nzinga – Primeira Edição – 1985

A primeira edição do informativo contém 4 páginas e tem como principal discussão a apresentação do coletivo, sua história e objetivos.

Nas páginas 2 e 3 o jornal traz avisos sobre o coletivo, seus projetos, suas conquistas. Além de contar a história da Rainha Nzinga da Angola, que é homenageada no nome do informativo. A responsável por esta edição foi Miramar Correia.

Nº1:

  • Nzinga – Terceira Edição – Fevereiro e Março de 1986.

Esta edição possui 8 páginas e destaca logo em sua capa as datas 8 de Março e 21 de Março, Dia da Mulher e Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, respectivamente. A foto de capa é do grupo Aqualtune, que recebe destaque nesta edição.

Nas páginas 2 e 7 são apresentadas diversas notícias e temas sobre a constituinte e sobre a relação da mulher negra e a Constituição. As colunas “Aconteceu… Acontecendo” e “Lendo e aprendendo” trazem informações de eventos, campanhas, além de dicas de livros sobre a constituinte, racismo, a questão do aborto e feminismo.

O informativo traz ainda uma entrevista com as mulheres do grupo Aqualltune, para discutir sobre a questão da mulher negra. Nesta entrevista conta-se a história deste grupo, que surgiu com o objetivo de reunir mulheres que já participaram de outras entidades e que queriam discutir sobre os problemas relacionados a mulher negra. O nome do grupo se refere à Aqualtune, mulher que foi trazida como escrava para Recife e que fugiu para Palmares e, posteriormente, teve uma filha que era a mãe de Zumbi dos Palmares.

As responsáveis por esta edição foram Helena Maria de Souza e Maria Martins Pereira, coma colaboração de Bárbara R. Costa e Cláudia Maria Pinto.

Nº3:

 

Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra

Será disponibilizado nesta postagem a primeira e segunda edição, que se encontra incompleta, do boletim informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra (IENMN). Esse encontro foi realizado na cidade do Rio de Janeiro e tinha como objetivo reunir mulheres negras de todo o Brasil para discutir questões sobre a desigualdade racial e de gênero.

  • Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº1 – Setembro de 1988.

A primeira edição do boletim sobre o I Encontro Nacional da Mulher Negra traz informações sobre o evento e suas propostas. Em sua primeira página o boletim apresenta as informações em destaque nesta edição e convida as mulheres para participarem do evento.

Em seu editorial, na segunda página, o boletim reflete sobre a necessidade da criação deste evento e quais são os objetivos que devem ser alcançados. Através do editorial o boletim procura deixar claro também que ao discutir desigualdade racial e de gênero o Encontro não deseja dividir os movimentos sociais, mas criar “suas próprias referências”. Ainda nesta página é apresentado o expediente, com informações sobre a comissão do boletim, composta por Sandra Helena Torres Bello e Neli Adelaide Gonçalves, e a colaboração de Agnes Rodrigues, Judith Rosário e Maria José Lima.

O boletim traz algumas informações sobre a realização de seminários e reuniões de mulheres negras pelo Brasil. Ainda na segunda página, recebe destaque o seminário “Mulher Negra Cem Anos Depois” que aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia. Este evento foi organizado pela entidade União de Mulheres do Nordeste de Amaralina” e contou com a participação de 700 mulheres.

A terceira página destaca as informações relativas ao Encontro, seus objetivos, sua organização com painéis, debates, oficinas, salas de conversa, etc. A página seguinte contém os detalhes sobre o critério de participação deste I Encontro, com a presença de entidades e a não participação de homens no evento.

Esta edição possui ainda dois encartes com informações sobre o Encontro e os temas que serão debatidos, entre eles, a questão da esterilização de mulheres de baixa renda, visto pelos Movimentos Negros como prática de extermínio da população negra. Pode-se destacar outras informações sobre eventos e reuniões realizadas para definir os detalhes do Encontro, como os estados que irão participar da discussão, a comissão executiva e a coluna “Aconteceu… acontecendo”, com notícias de eventos, festas e concursos.

Nº1:

  • I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº2 – Novembro de 1988

Esta edição foi publicada em novembro de 1988 com o objetivo de divulgar notícias acerca do Encontro, que se realizaria na cidade de Valença, no Rio de Janeiro. No Editorial são fornecidas informações como a data do evento, a localização, documentos necessários dos militantes, além de notas sobre como chegar ao local e sobre os ônibus organizados para o evento.

  Na página dois o boletim traz um texto, escrito por Judite do Rosário e Vania Sant Anna, sobre a participação das mulheres no Encontro. Esta página contém ainda informações sobre o Seminário Estadual da Mulher Negra do Rio de Janeiro, que aconteceu em 9 de novembro de 1988. O seminário teve a participação de 90 mulheres e 44 foram escolhidas como delegadas. Foram discutidos vários temas como a mulher negra e a educação, sexualidade, violência contra a mulher, entre outros. É citado também, por Judite do Rosário, o Encontro Estadual no Paraná, realizado na cidade de Curitiba nos dias 6 e 7 de agosto deste mesmo ano.

Por fim, o boletim apresenta uma matéria sobre a situação da comunidade Calunga, que é uma comunidade negra, localizada no estado de Goiás, que estava sofrendo com o processo de construção de uma hidrelétrica na região. Segundo o jornal, “em consequência da política racista e segregacionista que se pratica contra a população negra brasileira há quase 500 anos”. O artigo destaca que várias entidades se uniram na luta contra essa situação. O texto é de Sandra Bello.

Nº2:

 

Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa”

O Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi criado em 1991. Conforme a primeira edição do boletim informativo o grupo tinha como objetivo, (…) passar informações sobre questões da vida cotidiana da mulher negra; nossa história, saúde, sexualidade, violência… E deixar mais transparente para todas as entidades o trabalho que o “Mãe Andresa” vem desenvolvendo ao longo desses anos (BOLETIM INFORMATIVO  DO GRUPO DE MULHERES “MÃE ANDRESA”, 1991, Nº1).

O Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi fundado em junho de 1986, em São Luís no Maranhão, para promover discussões relativas as questões específicas da mulher negra. O grupo procura trabalhar com atividades em bairros carentes, promover seminários, diversas campanhas e encontros. O nome é uma homenagem as mães de santo, principalmente, Andresa Maria de Souza Ramos. Mãe Andresa chefiou a Casa de Minas Jeje por 40 anos. A Casa foi fundada em 1840 e sua fundadora é conhecida como Maria Jesuína, “(…) que incorporava o vodum Zomadunu, a quem a casa é dedicada” (FERRETTI, 2001, p.16).

Segundo o Museu Afro-Digital do Maranhão, a Casa de Minas Jeje é o

Terreiro mais antigo do Maranhão, fundado por africanos na década de 1840, considerado como tendo implantado o modelo de culto do Tambor de Mina.  Foi organizado por “escravos de contrabando” – que ingressaram após a proibição do tráfego. Cultua apenas voduns mina procedentes do antigo Reino do Daomé, louvados com cânticos em língua jêje (Ewê-Fon).

Vale ressaltar que a Casa de Minas Jeje não possui casas derivadas e hoje são poucos os praticantes. A casa foi tombada pelo IPHAN em 2002.

Mãe Andresa nasceu em 1854, na cidade de Caxias, e faleceu 100 anos depois na cidade de São Luís do Maranhão. Conforme Sérgio Ferretti, Mãe Andresa assumiu a Casa “(…) quando tinha cerca de 60 anos e passou a se dedicar inteiramente a direção da Casa” (FERRETTI, 2001, p.20). Vale ressaltar, que Mãe Andresa era considerada uma pessoa generosa e se tornou um figura muito respeitada e conhecida, possuindo amigos das elites do Maranhão e de outros estados. Acerca do falecimento de Mãe Andresa, Ferretti afirma:

Mãe Andresa faleceu na quinta-feira santa, 20 de abril de 1954, e o tambor de choro (rito fúnebre do tambor de mina) foi tocado após sábado de Aleluia. As filhas de Poliboji colocaram luto por um ano. Após ano de luto, fez-se uma limpeza de Casa e os tambores voltaram a tocar novamente, mas a Casa já não tinha o mesmo brilho após a morte de sua grande chefe (FERRETTI, 2001, p.27).

O boletim era um informativo bimestral e possuía 3 páginas. A produção do boletim era feita pelo próprio grupo e a redação era responsabilidade de Lúcia Dutra, Marinildes Martins, também responsável pela datilografia, e Silvane Magali. A diagramação era realizada por Luís Viana.

Será disponibilizado a baixo o primeiro boletim desta entidade, publicado em Novembro de 1991.

  • Boletim Informativo – “Mãe Andresa” – Ano I, Nº01.

Esta edição por ser a primeira publicação tem como finalidade informar sobre a história do grupo e suas atividades. No Editorial relatam-se  os objetivos do boletim, a história da entidade, entre outras questões, como, por exemplo, o debate sobre o extermínio de crianças e adolescentes negros e o trabalho de organização de diversos eventos importantes para as mulheres negras como o I e II Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizados em 1988 no Rio de Janeiro e em 1991 em Salvador, na Bahia.

Na segunda página o boletim traz uma seção chamada “Ponto de Vista” e apresenta um texto de Marinildes Martins, militante do grupo, sobre a força da mulher negra.

Na página seguinte propõe-se uma discussão sobre a esterilização. O boletim procura alertar as mulheres negras sobre como a esterilização ocorre no país e no estado do Maranhão, que na época possuía índices alarmantes. O grupo destaca a relação entre essa prática e o machismo e racismo. Texto de Silvane Magali.

Nº01:


Referências:

FERRETTI, S. F.. Andresa e Dudu – Os Jeje e os Nagô: apogeu e declínio de duas casas fundadoras do tambor de mina maranhense. In: SILVA, Vagner G. (org.). Caminhos da alma: memória afrobrasileira. São Paulo: Summus, 2001.

MUSEU AFRO-DIGITAL MARANHÃO. Casa das Minas. Disponível em: <http://www.museuafro.ufma.br/busca.php?busca=casa+das+minas>. Acesso em: 30/09/2016.

 

Boletim Informativo Zumbido

O boletim informativo Zumbido é uma publicação do Centro de Cultura Negra do Maranhão, entidade fundada em 19 de setembro de 1979 com o intuito de ajudar na organização política e cultural do negro.

Conforme o Blog do CCN, pode-se afirmar que a entidade tem como objetivo resgatar a identidade étnica cultural e autoestima do povo negro, através do combate ao racismo e viabilizando ações para promover os direitos da população negra do Maranhão (CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA, 2009). A entidade surgiu graças a um grupo de pessoas preocupadas com a situação do negro no estado. Ao longo de sua trajetória realizou seminários, palestras e encontros para a formação da militância, além disso, destacou-se nas áreas de formação e educação, na tentativa de promover a discussão acerca da questão racial nas práticas pedagógicas. Outros projetos também são de suma importância para a história do centro, como o Projeto Quilombo Resistência Negra, que procurou desenvolver atividades com comunidades presentes na área rural e o seu Programa Cultura e Identidade Afro-brasileira, que promove atividades de cunho artístico. Entre outros trabalhos realizados ao longo de mais de 30 anos de existência. A entidade possui uma Assembleia Geral formada pelos sócios militantes e outros departamentos que visam resolver questões administrativas, políticas e financeiras (CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA, 2009).

O boletim contém 10 páginas e, de acordo com a sua primeira edição, pretendia fazer publicações bimestrais. Ainda conforme essa edição o jornal foi lançado em 20 de Novembro de 1982 e tinha como finalidade “(…) mostrar a história, a situação socioeconômica, política e cultural do negro no Brasil, especialmente no Maranhão” (ZUMBIDO, Nº01, 1982). O nome “Zumbido” não só representa uma homenagem a Zumbi dos Palmares, como representa o objetivo da criação do boletim que seria, segundo sua primeira edição, “publicar fatos que soarão em todos os ouvidos como um zumbido” (ZUMBIDO, Nº01, 1982). A edição do boletim ficava a cargo do departamento de informação e divulgação do Centro de Cultura Negra do Maranhão.

  • Zumbido – Ano I/ N°01.

A sua primeira edição compreende os meses de novembro e dezembro de 1982. O boletim traz em sua primeira página, no Editorial, a sua história e seus objetivos. Nas páginas seguintes são mostradas diversas matérias que procuram retratar as dificuldades enfrentadas pelo povo negro no Brasil.

Pode-se destacar uma matéria, presente na terceira página deste número, que trata sobre uma edição do Jornal Brasil, que trouxe na 1° página uma imagem de jovens negros sedo presos e tratados de maneira que relembrava os tempos do Brasil Colônia e da escravidão. Dessa forma, o jornal procura chamar atenção para a questão da violência policial na vida do negro. Nesse texto o boletim Zumbido questiona a ideia de democracia racial presente na sociedade brasileira.

O boletim apresenta outras matérias com temas importantes como a relação entre raça e classe (matéria presente na página cinco), sobre o reggae e o seu papel na vida dos jovens negros pelo mundo (página seis) e sobre Zumbi, a luta negra e o dia 20 de novembro (página oito).

Em sua nona página o boletim traz a seção de comunicação, comentando sobre o III Encontro de Negros do Norte e Nordeste, que ocorreu em São Luís, entre outros.

Nº01:


Referências:

  • CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA. Histórico: CCN-MA. 2009. Disponível em: <http://ccnmaranhao.blogspot.com.br/2009/09/historico-ccn-ma.html>. Acesso em: 23/03/2017.

Jornal Chico Rei

Chico Rei é um informativo independente do Centro de Cultura Afro-brasileira Chico Rei, instituição fundada em 1963, na cidade Poços de Caldas, em Minas Gerais. O jornal tinha como objetivo atuar como representante da população negra na cidade. Seu primeiro número foi publicado em setembro de 1987 em comemoração ao aniversário do Chico Rei Clube, primeiro nome da instituição. A tiragem média do jornal era de 2000 exemplares, sendo 800 distribuídos para outras cidades, e cada edição possuía 8 páginas. Chico Rei ficou em circulação entre 1987 e 1989 (SCHIAVON, SILVA, 2005, p. 3).

Sobre o Chico Rei Clube, posteriormente Centro de Cultura Afro-brasileira Chico Rei, pode-se afirmar que este foi fundado com a intenção de ajudar na integração dos afrodescendentes na sociedade de Poços de Caldas. Essa instituição passou por diversas transformações ao longo de sua trajetória. No ano de 1973 foi realizada a aquisição de sua sede e a preparação para o início dos trabalhos através de bailes, concursos, bloco de carnaval, entre outros meios, essas atividades visavam à valorização do negro e à recuperação de sua cultura. A mudança no nome da entidade se deu na gestão da presidente e editora do jornal Maria José de Souza, mais conhecida como Tita.

No artigo O jornal Chico Rei como mecanismo de implementação da lei 10.639/03, de Gabriela Costa da Silva e Carmen G. Burget Shiavon, as autoras trazem fragmentos de um relatório sobre a festa de aniversário da instituição em 1974, escrito pela editora Maria José de Souza. Nesse relatório a editora afirma que a instituição foi fundada em 26 de novembro de 1963, por 18 casais negros, “para agregar as pessoas de cor da cidade” (Relatório Festa de Aniversário – Chico Rei Clube, Poços de Caldas, Setembro 1974, apud SILVA, SCHIAVON, 2005, p. 2), pois na época os negros não podiam frequentar os outros clubes da região. Ainda conforme este relatório, já no ano de 1974 o clube contava com a participação de 200 casais. Por alguns anos o centro teve suas atividades paralisadas, porém, com a sua volta, continuou promovendo atividades, debates, palestras e apresentações artísticas.

Em sua primeira edição o jornal afirma que seu objetivo é “trocar idéias, informar e divulgar o trabalho que vem sendo realizado junto à comunidade sobre a reflexão que se realiza sobre o centenário da Abolição e sobre o que se realizou em nossa cidade nesses 24 anos de lutas” (Edição de Aniversário, setembro de 1987, apud SCHIAVON, SILVA, 2005, p. 3), além de divulgar e valorizar a luta da comunidade negra na cidade. Foram editores do jornal: Maria José de Souza, já citada, e Roberto Tereziano.

  • Jornal Chico Rei – Ano II/N°07.

A sétima edição do jornal Chico Rei foi publicada no mês de maio de 1989. Em sua primeira página o Editorial faz uma reflexão sobre o processo de abolição e traz debates acerca de seu trabalho e de seu principal objetivo de crescer e conscientizar a juventude negra, que para o jornal será o “alicerce da nossa nova geração” (CHICO REI, Nº07, 1989).

Na página seguinte o jornal apresenta informações da associação de deficientes físicos de Poço de Caldas – ADEFIP, uma nota sobre os eventos que serão realizados em sua sede e anúncios publicitários no canto inferior da página.

Na terceira página o Chico Rei traz uma matéria com o título “Associação nacional dos educadores negros – ANEMI”, sobre o início do trabalho dessa associação em setembro de 1984, os erros e acertos e a discussão acerca da educação voltada à comunidade negra.

O jornal procura trazer ainda questões mais gerais como, por exemplo, o texto, de Bernard Dadiê, presente na página 5 sobre a Negritude. Outro tema abordado nesta edição diz respeito ao Dia da Juventude Angolana, o texto divulgado no jornal foi retirado da nona edição do periódico Atualidade Angolana, do Rio de Janeiro. Ainda neste número o jornal traz outra matéria do periódico citado sobre a visita de José Sarney, na época presidente do Brasil, a Angola.

A matéria em destaque nesta edição tem a assinatura de Maria José de Souza – Tita e trata das raízes da Congada em Minas Gerais. Nessa matéria recebe destaque a figura de Chico Rei, personagem homenageado no nome da instituição e em seu jornal. Pode-se afirmar que este é um personagem lendário da história de Minas Gerais e que, de acordo com a tradição oral, Chico Rei nasceu no Reino do Congo, onde se tornou rei, guerreiro e sacerdote. O nome ‘Chico’ surgiu com o batismo cristão, após o mesmo ter sido capturado pelos portugueses e escravizado no Brasil. Conforme a lenda, Chico conseguiu, através de seu trabalho como escravo, comprar sua liberdade e a de seu filho. Posteriormente passou a comprar a alforria de outros escravos.

Nº07:

 


Referências:

  • SILVA, G. C.; SCHIAVON, C. G. B. O Jornal Chico Rei como mecanismo de implementação da Lei 10.639/03. In: Seminário América Latina: Cultura, História e Política, 2015, Uberlândia. Anais do Seminário América Latina: Cultura, História e Política. Uberlândia: Pueblo Editora/Nepri-UFU, 2015. v. 1. p. 01-12.