Jornal Chico Rei

Chico Rei é um informativo independente do Centro de Cultura Afro-brasileira Chico Rei, instituição fundada em 1963, na cidade Poços de Caldas, em Minas Gerais. O jornal tinha como objetivo atuar como representante da população negra na cidade. Seu primeiro número foi publicado em setembro de 1987 em comemoração ao aniversário do Chico Rei Clube, primeiro nome da instituição. A tiragem média do jornal era de 2000 exemplares, sendo 800 distribuídos para outras cidades, e cada edição possuía 8 páginas. Chico Rei ficou em circulação entre 1987 e 1989 (SCHIAVON, SILVA, 2005, p. 3).

Sobre o Chico Rei Clube, posteriormente Centro de Cultura Afro-brasileira Chico Rei, pode-se afirmar que este foi fundado com a intenção de ajudar na integração dos afrodescendentes na sociedade de Poços de Caldas. Essa instituição passou por diversas transformações ao longo de sua trajetória. No ano de 1973 foi realizada a aquisição de sua sede e a preparação para o início dos trabalhos através de bailes, concursos, bloco de carnaval, entre outros meios, essas atividades visavam à valorização do negro e à recuperação de sua cultura. A mudança no nome da entidade se deu na gestão da presidente e editora do jornal Maria José de Souza, mais conhecida como Tita.

No artigo O jornal Chico Rei como mecanismo de implementação da lei 10.639/03, de Gabriela Costa da Silva e Carmen G. Burget Shiavon, as autoras trazem fragmentos de um relatório sobre a festa de aniversário da instituição em 1974, escrito pela editora Maria José de Souza. Nesse relatório a editora afirma que a instituição foi fundada em 26 de novembro de 1963, por 18 casais negros, “para agregar as pessoas de cor da cidade” (Relatório Festa de Aniversário – Chico Rei Clube, Poços de Caldas, Setembro 1974, apud SILVA, SCHIAVON, 2005, p. 2), pois na época os negros não podiam frequentar os outros clubes da região. Ainda conforme este relatório, já no ano de 1974 o clube contava com a participação de 200 casais. Por alguns anos o centro teve suas atividades paralisadas, porém, com a sua volta, continuou promovendo atividades, debates, palestras e apresentações artísticas.

Em sua primeira edição o jornal afirma que seu objetivo é “trocar idéias, informar e divulgar o trabalho que vem sendo realizado junto à comunidade sobre a reflexão que se realiza sobre o centenário da Abolição e sobre o que se realizou em nossa cidade nesses 24 anos de lutas” (Edição de Aniversário, setembro de 1987, apud SCHIAVON, SILVA, 2005, p. 3), além de divulgar e valorizar a luta da comunidade negra na cidade. Foram editores do jornal: Maria José de Souza, já citada, e Roberto Tereziano.

  • Jornal Chico Rei – Ano II/N°07.

A sétima edição do jornal Chico Rei foi publicada no mês de maio de 1989. Em sua primeira página o Editorial faz uma reflexão sobre o processo de abolição e traz debates acerca de seu trabalho e de seu principal objetivo de crescer e conscientizar a juventude negra, que para o jornal será o “alicerce da nossa nova geração” (CHICO REI, Nº07, 1989).

Na página seguinte o jornal apresenta informações da associação de deficientes físicos de Poço de Caldas – ADEFIP, uma nota sobre os eventos que serão realizados em sua sede e anúncios publicitários no canto inferior da página.

Na terceira página o Chico Rei traz uma matéria com o título “Associação nacional dos educadores negros – ANEMI”, sobre o início do trabalho dessa associação em setembro de 1984, os erros e acertos e a discussão acerca da educação voltada à comunidade negra.

O jornal procura trazer ainda questões mais gerais como, por exemplo, o texto, de Bernard Dadiê, presente na página 5 sobre a Negritude. Outro tema abordado nesta edição diz respeito ao Dia da Juventude Angolana, o texto divulgado no jornal foi retirado da nona edição do periódico Atualidade Angolana, do Rio de Janeiro. Ainda neste número o jornal traz outra matéria do periódico citado sobre a visita de José Sarney, na época presidente do Brasil, a Angola.

A matéria em destaque nesta edição tem a assinatura de Maria José de Souza – Tita e trata das raízes da Congada em Minas Gerais. Nessa matéria recebe destaque a figura de Chico Rei, personagem homenageado no nome da instituição e em seu jornal. Pode-se afirmar que este é um personagem lendário da história de Minas Gerais e que, de acordo com a tradição oral, Chico Rei nasceu no Reino do Congo, onde se tornou rei, guerreiro e sacerdote. O nome ‘Chico’ surgiu com o batismo cristão, após o mesmo ter sido capturado pelos portugueses e escravizado no Brasil. Conforme a lenda, Chico conseguiu, através de seu trabalho como escravo, comprar sua liberdade e a de seu filho. Posteriormente passou a comprar a alforria de outros escravos.

Nº07:

 


Referências:

  • SILVA, G. C.; SCHIAVON, C. G. B. O Jornal Chico Rei como mecanismo de implementação da Lei 10.639/03. In: Seminário América Latina: Cultura, História e Política, 2015, Uberlândia. Anais do Seminário América Latina: Cultura, História e Política. Uberlândia: Pueblo Editora/Nepri-UFU, 2015. v. 1. p. 01-12.

 

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