O Mondo – Informativo do Bloco afro Ilê Aiyê

O boletim O Mondo é um informativo do bloco afro Ilê Aiyê, que procura informar acerca de questões relacionadas ao povo negro e atividades promovidas pelo bloco e outros grupos. A edição disponibilizada nesta postagem apresenta duas páginas.

O bloco Ilê Aiyê foi fundado em novembro de 1974, no bairro de Curuzu-Liberdade, em Salvador. O bloco conta com três mil associados e foi responsável por uma revolução na musicalidade do carnaval da Bahia. Pode-se afirmar que é um dos primeiros blocos afros do Brasil e foi desenvolvido, conforme sua página oficial, com o objetivo de “(…) preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira”. Além disso, a página afirma que, “O Ilê, ao longo de sua trajetória, vem homenageando países africanas e revoltas negras brasileiras, que contribuíram fortemente para o processo de identidade étnica e auto-estima do negro”. Além disso, o bloco, posteriormente, transformou-se em uma instituição que passou a realizar trabalhos com comunidades carentes, com o objetivo de conscientizar a população negra. Atualmente o Ilê Ayê continua trabalhando pelo desenvolvimento da cultura afro-brasileira.

Será disponibilizada nesta postagem a quarta edição do boletim, publicada em dezembro de 1992.

  • O Mondo – N°04

Em sua quarta edição, o boletim informativo O Mondo, apresenta em seu Editorial uma reflexão acerca das conquistas alcançadas em 19 anos de bloco, além de ressaltar a chegada de mais um carnaval. Esse número destaca ainda o papel de lideranças negras norte-americanas, trazendo pequenas biografias de Martin Luther King e Ângela Davis.

Esta publicação do O Mondo procura divulgar também informações sobre a preparação para o carnaval de 1993, um calendário para as atividades dos meses de janeiro e fevereiro, informações sobre fantasias para o bloco no próximo carnaval e, por fim, fragmentos de textos, na coluna “Pensando Negro”, de Malcolm X e de Marcus Garvey.

Nº4:


Referência:

 

Axé – Agora é pra valer!

Axé – Agora é pra valer! É o boletim informativo criado por Edson Axé, militante presente na luta dos movimentos sociais em Pernambuco. Axé é um boletim eleitoral e foi lançado no ano de 1999 e contou com 4 páginas e uma tiragem de 5 mil exemplares.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

AXÉ – Ano 1, Nº 01

Em sua primeira página o boletim traz um texto introdutório sobre Edson Axé, sua trajetória de luta pelos direitos da população no geral e o seu despertar para a Negritude no fim da década de 1980. Axé além de participar dos movimentos sociais, atua ativamente na vida política e já foi candidato a vereador pelo PT – Partido dos Trabalhadores. A apresentação do boletim foi escrita por Paulo Rubem Santiago na época em que era Deputado Estadual de Pernambuco.

Na página seguinte o informativo apresenta um texto do Reverendo Marcos Cosmo da Silva sobre a greve dos Policias Militares no ano de 1997, ressaltando a participação de Edson Axé como um dos líderes da greve. O Reverendo destaca, entre outros pontos, a filiação de Axé ao PT, que seria um “partido de perfil crítico, de compromisso social e afirmação socialista”. A terceira página contém uma entrevista com o fundador deste boletim.

Por último, o boletim apresenta algumas informações sobre as atividades de Edson Axé, entre outros eventos e notícias.

Nº1:

Informativo do GT de combate ao racismo do Ministério Público de Pernambuco

Será disponibilizado nesta postagem duas edições do informativo do Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Este jornal tem uma publicação trimestral e contém 9 páginas.

De acordo com um panfleto distribuído pelo GT e pelo site do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o grupo foi criado em 2002 e contava com a participação de 5 integrantes. Conforme sua página oficial, o grupo

(…) surgiu com o objetivo de construir estratégias de enfrentamento ao racismo através da discussão, sensibilização e capacitação de membros e servidores a partir do conceito de racismo institucional e suas consequências na reprodução das desigualdades históricas que atingem a população negra. A ideia é possibilitar uma mudança de atitude nas práticas cotidianas aos integrantes da instituição.

É importante ressaltar que o grupo procura se relacionar com os Movimentos Sociais Negros e que no ano de 2012 passou a defender também os direitos dos povos indígenas e ciganos. Sobre o Racismo Institucional é importante destacar que este se encontra presente no Sistema de Justiça, com a Polícia Militar, ao abordar com mais frequência e violência a população negra, entre outros casos.

Atualmente este GT conta com o trabalho de 14 membros e servidores, realizando reuniões quinzenais, seminários, debates, grupos de estudo, oficinas e outras atividades.

  • Panfleto GT

No panfleto distribuído pelo GT informa-se sobre a história e as estratégias do grupo, além de outros esclarecimentos. Pode-se destacar as informações sobre as 120 comunidades quilombolas, em Pernambuco, e o trabalho do GT com as mesmas. Além da divulgação do trabalho com outros grupos, campanhas e a importância da capacitação dos membros do Ministério Público.

  • GT Racismo – Nº19, Maio de 2011

A capa desta edição apresenta uma discussão acerca do Mito da Abolição, que procura refletir sobre a data 13 de Maio, dia da abolição, a situação do negro no pós-abolição e sua situação hoje com o racismo, discriminação e desigualdades. Para o GT e para os movimentos sociais, esta data é o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. O informativo destaca a importância de se trabalhar essa questão “dentro de casa”, inclusive, o GT fez uma pesquisa e foi detectado que integrantes do Ministério Público de Pernambuco acreditam no mito da democracia racial, atribuindo as desigualdades apenas a questões sociais. Nessa perspectiva, o GT afirma que é preciso descobrir e entender essas questões para lutar por melhorias.

O informativo traz a coluna “MP em ação”, que segundo o jornal é um espaço para apresentar as atividades dos promotores e procuradores no combate ao racismo. Nesta edição são mostradas, entre outras atividades, a participação de promotores integrantes do GT em palestras, em Universidades e Faculdades, acerca do tema. Ainda nessa página são divulgadas notas sobre a sede do GT e sobre uma campanha pela denúncia de crimes de racismo.

Outras pontos importantes deste número diz respeito ao resultado da pesquisa já citada sobre como o Ministério Público de Pernambuco entende o racismo, pesquisa interna realizada em 2010. O jornal traz também dicas de leituras e outras notícias importantes de realizações do GT.

Nº19:

  • GT Racismo – Nº20, Agosto de 2011

Este número traz em sua capa a discussão “Afrodescendentes: anos de lutas”, comentando, entre outras questões, os esforços do MPPE para o combate a violação dos direitos da população negra.

A edição traz a coluna “MP em Ação”, desta vez ressaltando os grupos de estudos e a presença do procurador geral em seminários e encontros, como o I Encontro Nordestino das Mulheres de Terreiro. Na terceira página o informativo apresenta uma matéria sobre a apresentação do GT Racismo para novos promotores concursados.

Por fim, o jornal apresenta dicas de leituras e uma entrevista com a Major Verônica, que é coordenadora e instrutora do Grupo de Trabalho que estuda as relações étnicas, raciais e racismo da Polícia Militar de Pernambuco.

Nº20:


Referência:

Negra Voz

Negra Voz é um jornal, da cidade de João Pessoa, na Paraíba, coordenado pelo Padre Luiz Zadra. Este informativo da consciência negra foi criado pelos Agentes de Pastoral Negros (APNs) e tinha uma circulação mensal, com uma tiragem de 1.500 exemplares, distribuídos gratuitamente em escolas e outras entidades. Segundo o blog Valeu Zumbi Valeu, sua distribuição era feita na Paraíba e, ocasionalmente, em outros estados (VALEU ZUMBI VALEU, 2007).

O jornal não apresenta muitas informações sobre a entidade de origem, mas sabe-se que o coordenador geral da publicação era o Padre Luiz Zadra, que trabalhou diretamente com a questão da consciência negra, com o Negra Voz.

Será disponibilizada, nesta postagem, a trigésima primeira edição do jornal, publicada no ano de 2002.

  • Negra Voz – Outubro/Novembro de 2002 – N°31.

Em seu Editorial o jornal reflete sobre o dia 20 de Novembro, a importância de Zumbi, último líder do Quilombo dos Palmares, a experiência de Palmares e ainda comenta a luta diária do negro. Também nessa página o Negra Voz traz uma agenda com datas importantes para a história dos Movimentos Negros nos meses de outubro e novembro.

Na página seguinte, o jornal apresenta uma matéria sobre Zumbi, contando alguns fatos sobre o heroi negro. Nessa mesma página é narrada também a história de João Cândido e da Revolta da Chibata, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 22 de Novembro de 1910.

O jornal traz ainda uma discussão sobre educação e discriminação, onde procura debater sobre fatos ocorridos em estabelecimentos educacionais da Paraíba, sobre o questionamento a livros didáticos, entre outros pontos.

Em sua sexta página o jornal apresenta algumas “expressões que a negritude precisa saber” como ação afirmativa, crimes de racismo e racismo. Por fim, o informativo faz um trabalho voltado a divulgação da cultura africana, trazendo uma fábula sobre Yámi, a mãe ancestral. Entre outras informações sobre o Dia de Combate à Violência Contra a Mulher – 25 de Novembro, sobre a cultura afro-brasileira e as divindades nos candomblés do Brasil.

Nº31:


Referências:

SEDEPRON – Notícias

Será disponibilizado nesta postagem o boletim informativo da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras da cidade do Rio de Janeiro, criada em abril de 1991. Este informativo era de responsabilidade da Superintendência de Documentação, Biblioteca e Publicações, contém 4 páginas e tinha uma publicação bimestral. O editor responsável pelo boletim era Abdias do Nascimento, também responsável pela secretária, e seu subsecretário era Joel Rufino dos Santos, duas figuras importantes para o Movimento Negro e a cultura afro-brasileira. Conforme a primeira edição, a secretaria era formada pelo governador do estado, o secretário, presidente e vice-presidente, respectivamente, e mais 11 membros.

Abdias do Nascimento foi um importante militante da história do Movimento Negro no Brasil. Entre suas muitas realizações Abdias fundou entidades como o Teatro Experimental do Negro (TEM), o Museu da Arte Negra (MAN) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Além disso, participou da Frente Negra Brasileira e foi uma figura importante para o surgimento do Movimento Negro Unificado (MNU). Joel Rufino dos Santos foi um professor, historiador e jornalista brasileiro, publicou diversas obras e chegou a ganhar várias vezes o Prêmio Jabuti de Literatura.

  • SEDEPRON Notícias – Ano O, Nº01, Agosto de 1991.

A primeira edição do SEDEPRON Notícias foi publicada em agosto de 1991 com o objetivo de trazer informações sobre as atividades da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras. Em sua primeira página o boletim traz matérias informando sobre a visita de Nelson Mandela, a convite de Abdias do Nascimento, para a realização de uma homenagem para o heroi sul-africano.

Este número apresenta também um texto de título “Secretaria estreita relações com líderes e representantes africanos”. Nesta matéria são divulgadas algumas atividades realizadas pela secretaria, entre elas, uma palestra com a presença do ex-presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, realizada com a participação de Abdias do Nascimento. Outras atividades recebem destaquem como o apoio da entidade a palestras organizadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (IPEAFRO), entre outras.

Ainda na primeira página é comentada a posse de Abdias do Nascimento como Secretário e a importância desta secretaria. De acordo com o boletim,

Pela primeira vez na história brasileira, as populações negras passaram a ter um efetivo instrumento do poder público para a criação das condições de mudanças de suas realidades, permitindo que se possa pensar, como afirmou o secretário em seu discurso, em “um futuro onde a dignidade, a humanidade e a plena cidadania dos afro-brasileiros estejam integralmente respeitados”.

Em seu Editorial o boletim destaca as metas e os projetos da SEDEPRON. Ainda nesta edição recebe destaque uma matéria sobre Nelson Mandela e sobre as mudanças propostas pela secretaria, para a realização de uma mudança na vida da população negra do Rio de Janeiro.

Boletim Informativo do GT “Promoção da Igualdade Racial” do CONSEA

Será disponibilizado nesta postagem o boletim informativo do Grupo de Trabalho “Promoção da Igualdade Racial” do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA).

Conforme a página oficial, o CONSEA “(…) é um órgão de assessoramento imediato à Presidência da República, que integra o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan)”. Ainda conforme a página,

O Consea é um espaço institucional para o controle social e participação da sociedade na formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, com vistas a promover a realização progressiva do Direito Humano à Alimentação Adequada, em regime de colaboração com as demais instâncias do Sisan.

Segundo informações presentes na edição que será disponibilizada nesta postagem, a coordenadora geral do boletim era Maria Aparecida Silva Bento e os textos e edição eram de responsabilidade de Hédio Silva Jr.

Nesta edição não se encontra o ano de publicação do informativo.

O boletim apresenta um texto sobre o papel desempenhado pelo Movimento Negro no debate para a inclusão da temática racial nas políticas de segurança alimentar. Assim, o texto destaca uma reunião proposta pelo GT, que ocorreu em 20 e 21 de outubro, que contou com a participação dos Movimentos Negros. Segundo a matéria, que traz as propostas apresentadas e discutidas no evento, “o seminário foi essencial para que os conselheiros se convencessem da importância da adoção da questão racial como premissa para as políticas deliberadas pelo CONSEA”. Esta edição conta ainda com o debate sobre a importância da parceria entre governo e sociedade, sobre a eficácia da atuação coletiva, além de trazer uma discussão, ressaltando dados alarmantes sobre a péssima condição de vida do negro pobre, concluindo que “a fome é negra.”

Em sua última página o boletim apresenta os objetivos desta secretaria especial de Promoção para Igualdade Racial e informações sobre sua relação com o programa Fome Zero.

Boletim do Centenário da Abolição e da República

O Boletim do Centenário – da Abolição e da República é uma publicação do ano de 1987 desenvolvida por um conjunto de instituições de pesquisa e ensino da cidade do Rio de Janeiro. Essa comissão interinstitucional foi formada pelo Centro de Estudos Históricos da Fundação Casa de Rui Barbosa para pensar projetos e atividades sobre o centenário da abolição e da República.

O boletim não segue um padrão quanto ao número de páginas, mas afirma em sua primeira edição que teria uma publicação trimestral. Seu conselho editorial era formado por Beatriz Nascimento, Carlos A Rasenbalg e Eduardo Silva. A distribuição do boletim era gratuita e é relevante destacar o apoio da Fundação Ford para o desenvolvimento das edições. O objetivo do boletim, apresentado em sua primeira publicação, é o de propor “Uma discussão ampla, renovadora, e esperamos, fecunda, desses importantes marcos históricos” (BOLETIM DO CENTENÁRIO, 1987, p. 1), além de divulgar as atividades de diversas instituições sobre esse tema.

Serão disponibilizados nessa postagem a primeira, segunda e terceira edição do boletim.

  • Boletim do Centenário – Primeira Edição – Março de 1987.

Em sua primeira edição, lançada em março de 1987, o Boletim do Centenário apresenta sua história e a sua proposta no Editorial, ressaltando os encontros que deram origem a Comissão Interinstitucional. Ainda no Editorial o boletim agradece o apoio financeiro da Fundação Ford e o apoio do Centro de Estudos Afro-Asiáticos do conjunto Universitário Cândido Mendes.

Também na primeira página são apresentados alguns projetos e pesquisas sobre o tema da abolição e da república, entre eles recebe destaque, o projeto do Museu da República e o programa de atividades do Centro de Estudos Afro-Asiáticos, programa que tinha como finalidade aprofundar os conhecimentos sobre o negro e as relações raciais no Brasil.

A segunda página contém uma seção de opinião assinada por Eduardo Silva sobre os arquivos da escravidão. O boletim traz ainda uma entrevista realizada com Gilberto Gil.

Na última página o boletim destaca outros projetos e programas de  instituições, como o Arquivo Nacional e o Instituto Nacional de Folclore.

Nº1:

  • Boletim do Centenário – Segunda Edição – Agosto de 1987.

Esta edição do boletim apresenta oito páginas e foi publicada em agosto de 1987. O Editorial destaca a entrevista com Zezé Motta, além de agradecer as instituições que estão enviando informações sobre seus projetos sobre escravidão e sobre a formação da República.

Esse número continua apresentando programas que trabalham o tema da República e da escravidão. Pode-se destacar os trabalhos do Centro de Estudo Afro-Asiático e da UFRJ. Em sua primeira página o boletim destaca também o entrevistado da próxima edição Martinho da Vila.

Na página seguinte o boletim traz um artigo de Júlio Santana Braga, dessa vez com o tema “Em busca da identidade étnica”. A entrevista de Zezé Motta começa na página três e termina na página sete, ela foi realizada no dia 25 de Maio de 1987.

Outros projetos, eventos e acontecimentos ligados aos temas em destaque no boletim são apresentados na penúltima e última página. É possível destacar as atividades criadas pela Fundação Joaquim Nabuco de Pernambuco, os seminários elaborados pela Comissão de Cultura Afro-Brasileira da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o projeto “Famílias Negras- Depoimentos Orais” do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, entre outros.

Nº2:

  • Boletim do Centenário – Terceira Edição – Dezembro de 1987.

A terceira edição do Boletim do Centenário foi publicada em dezembro de 1987. O Editorial deste número reforça os objetivos para o surgimento do boletim e traz informações sobre a entrevista de Martinho da Vila e sobre um pronunciamento do Ministro da Cultura sobre as comemorações do centenário.

O boletim segue o mesmo padrão das outras edições, portanto, já em sua primeira página destaca eventos e atividades relacionados a abolição da escravidão, como o Simpósio da Abolição promovido pela UFF, UFRJ e UERJ. O simpósio destaca o tema da “Escravidão e a abolição no Brasil em seu contexto mundial”. A Unicamp também divulga informações sobre suas atividades que seriam realizadas em maio de 1988.

Na segunda página o jornal traz um texto de Ciro F. S. Cardoso, na época professor da UFF, com o título “A abolição da escravidão nas Américas: visão panorâmica”. O autor apresenta uma discussão sobre o tema, analisando o processo de abolição nas Américas, afirmando que este pode ser considerado complexo e diversificado. O texto levanta alguns pontos importantes como a participação da população negra no processo de abolição e defende a ideia de que é um tema que precisa ser trabalhado.

A partir da página três até a página sete o boletim apresenta a entrevista de Martinho da Vila, na seção Memória da Negritude.

No fim da página sete e na página seguinte o jornal destaca outros projetos e programas, como, por exemplo, o do Instituto de Estudos de Religião (ISER) com o programa Religião e Negritude Brasileira, projeto coordenado pela antropóloga Caetana Damasceno.

Nº3:

Raça e Classe PSTU

Raça e Classe é o boletim da Secretaria de Negros e Negras do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Este boletim foi criado com o objetivo de debater questões relativas a comunidade negra. As edições disponibilizadas nesta postagem não apresentam informações sobre o número do jornal e sua tiragem. O número de páginas do boletim não é regular.

O PSTU foi fundado em 1994 e seu programa e estatuto foram aprovados durante um Congresso para a fundação do partido em julho do mesmo ano (SILVA, 2001). A fundação do partido seu deu também em razão da ruptura de vários membros com o Partido dos Trabalhadores (PT), para eles o PT deixou de ser uma alternativa para o desenvolvimento de uma postura revolucionária da esquerda. Segundo a página oficial do PSTU do Rio Grande do Sul, o partido defende a implementação de um projeto revolucionário e socialista no Brasil, defendendo a luta do operário, do estudante e uma luta popular.

Os boletins que serão publicados no blog são dos anos 1999, 2000 e 2001.

  • Raça e Classe PSTU – Outubro de 1999.

Em sua primeira página o boletim apresenta a matéria “Novembro é mês da consciência negra. É mês de luta”. Como fica claro no título o texto destaca a importância do mês de novembro para a luta dos negros no Brasil, e ressalta que o ano de 1999 é ainda mais importante em razão do baixo salário e da situação de desemprego enfrentada pelos negros no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dessa forma, o texto convoca uma paralisação nacional contra o então presidente e o FMI.

Esse tema continua na página seguinte na discussão sobre os 500 anos de racismo e exploração vivenciados pela população negra do país. Na página três o jornal traz um texto sobre as tentativas criadas para uma mobilização internacional para a não execução do ex-líder dos Panteras Negras – Mumia Abu-Jamal. O julgamento de Abu-Jamal foi marcado por manipulação e ocultação de provas e durante o ano de 1999 o mesmo se encontrava no corredor da morte. O texto apresenta também a participação do Brasil nesse processo destacando as reuniões, o surgimento de comitês, entre outras medidas para defender a liberdade para Abu-Jamal.

Em sua última página, o boletim conta com uma matéria sobre a figura de João Cândido e a história da Revolta da Chibata.

Outubro de 1999:

  • Raça e Classe – Novembro de 2000.

Esta edição apresenta apenas duas página e traz primeiramente uma matéria sobre o 20 de Novembro e a importância de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares. O texto debate ainda sobre as formas de violência que afetam a população negra e pobre e sobre a necessidade de lutar para pôr fim ao racismo, destacando a figura de Zumbi e seguindo o seu exemplo.

Ainda na primeira página o jornal comenta sobre as medidas tomadas no governo de FHC, afirmando que tais medidas afetam de forma negativa a população pobre e negra do Brasil. Dessa forma, para o boletim essa parte da população deve se comprometer com a luta contra FHC e o FMI. Nesta página é relembrada a questão de Mumia Abu-Jamal e a perseguição contra o mesmo. Vale apontar, que apesar das várias campanhas Abu-Jamal só deixou o corredor da morte em 2012 e ainda continua preso.

Na segunda página o jornal debate sobre a eleição de João Paulo e a relação do PSTU nessa campanha. No final da página recebe destaque a frase “Não há capitalismo sem racismo” de Malcolm X.

Novembro de 2000:

  • Raça e Classe – Maio de 2001

Esta edição apresenta uma única página que apresenta um texto de título “Liberdade Guerreira”. Ele trata da luta dos negros pela liberdade, destacando o seu caráter de conquista em razão das dificuldades enfrentadas, dessa forma, pode-se destacar as figuras de Zumbi e João Cândido, segundo o boletim:

O primeiro nos ensinou que para lutar contra a escravidão era preciso atacar o sistema que dela se beneficiava; o segundo, ao apontar os canhões dos navios rebeldes contra o palácio federal, definiu o alvo certeiro na luta contra o racismo: o estado capitalista e seus lacaios.

O texto comenta ainda sobre a abolição e reflete sobre o significado do 13 de Maio e por fim ressalta que a liberdade só vai ocorrer de fato com uma luta contra o sistema e a construção de uma sociedade socialista.

Maio de 2001:


Referências:

 

Raça & Classe – Partido dos Trabalhadores (PT)

Raça & Classe é o órgão de informação e divulgação da comissão do negro do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal. Este nome tem como finalidade mostrar a linha política dos militantes negros do PT. Esta comissão foi criada em 1984 juntando-se ao Movimento Negro na luta contra o racismo. O boletim informativo Raça & Classe surgiu em 1987, possuindo uma tiragem de 3.000 exemplares.  O editor responsável era Edson Cardoso. O boletim apresentado nesta postagem contém 8 páginas.

  • Raça & Classe – Ano I, Nº1, Junho/Julho de 1987.

A edição de estreia do boletim procura mostrar os objetivos desta comissão e a proposta do informativo.  Em sua segunda página o boletim apresenta a história do Raça & Classe, mostrando que antes de vir a público o jornal já contava com 400 assinantes, e a importância deste título que remete a relação entre a presença do negro na história e o trabalho.

Ainda nesta página o jornal traz um aviso para os leitores assinarem o Raça & Classe como objetivo de fortalecer a imprensa negra. Pode-se destacar também a matéria da Deputada Benedita da Silva do PT do Rio de Janeiro, que faz um pronunciamento sobre o controle da produção mineral brasileira por grupos estrangeiros.

A quarta página do jornal traz uma reportagem e entrevista sobre a Pastoral do Negro. O jornal destaca também notas sobre livros e música. É válido destacar a matéria que se encontra na quinta página e que trata sobre a verdade da abolição através de um debate dos militantes da comissão. O debate contou com a presença de Benedita da Silva, Lourdes Teodoro (professor da Universidade de Brasília), Edson Cardoso (Comissão Regional do Negro) e contou com a presença de 150 pessoas.

É importante comentar sobre a matéria de Edson Cardoso “Publicidade e Racismo”, sobre o papel da propaganda para reforçar a discriminação e o racismo na sociedade brasileira. O jornal traz ainda outras matérias relevantes como a “Vila Paranoá: da Senzala ao Quilombo”, sobre o grupo negro presente na vila Paranoá, em Brasília.

Nº1:

Jornal Praia Verde

O Jornal Praia Verde é um jornal de Brasília, que tem como objetivo “divulgar e contribuir para a cultura afro-brasileira, inclusive os cultos de origem africana, e se colocar a favor dos povos injustiçados, buscando sempre transmitir otimismo e justiça”. O jornal tinha distribuição exclusiva para assinantes e logo após seu lançamento foi bem recebido pelas entidades negras. Esta edição não informa o ano de publicação deste número do jornal.

  • Jornal Praia Verde – Ano I, Nº02.

A segunda edição do Jornal Praia Verde foi lançada em Outubro, um mês após seu lançamento. Um dos assuntos em destaque neste número é o Apartheid, a principal matéria do jornal ganhou o título “Apartheid – o racismo assassino continua”, o texto aborda a situação da África do Sul e fala sobre figuras como Seretze Choabi e Sidney Moliti, membros do Congresso Nacional Africano, instituição voltada para a libertação nacional do povo africano. Outras matérias sobre o tema se encontram nas páginas 3 e 9.

O Editorial desta edição traz informações sobre os comentários acerca da primeira edição do jornal, além de comentar o objetivo do mesmo.

O jornal contém várias seções, entre elas a seção raízes que traz, na página 8, uma matéria sobre Clementina de Jesus, com texto de Teté Catalão, poeta e jornalista. A seção cultura apresenta uma matéria acerca do Projeto Zumbi, grande acontecimento para a cultura afro-brasileira. A terceira edição ocorreu em São Paulo e teve como homenageado Gilberto Gil. Essa seção conta com um texto de Chico Piauí, militante do Movimento Negro Unificado, para as comunidades e entidades negras.

A seção participação apresenta a matéria “As forças de um movimento” que fala sobre o Movimento Negro Unificado, sua história e sua força no cenário nacional. O texto fala sobre a presença do MNU nos estados pelo Brasil e o número de militantes na época. Ainda é abordada uma discussão sobre posição política do MNU e a violência policial, comentando o caso de agressão sofrida por Chico Piauí pelos seguranças da Câmara dos Deputados. Por fim, é levantada a questão do dia 20 de novembro e a importância da figura de Zumbi.

Esta edição contou com 12 páginas. O diretor geral do jornal era José Lucena de Araújo e o editor geral Alexandre Accioly, entre outros diretores e colaboradores. A gráfica responsável pelos exemplares é a Editora e Gráfica Ipiranga.

Nº2: