Jornal Voz do Negro

O jornal Voz do Negro é um jornal de Belo Horizonte – MG e faz parte do Órgão da Sociedade Afro Brasileira, seu primeiro número foi lançado em julho de 1984 – tinha colaboradores : a Transportadora Nova Capital LTDA, Casa dos Correios LTDA e o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Belo Horizonte. Apresenta-se nesta primeira edição matérias relacionadas à saúde e a história do negro.

  • Voz do Negro – N°1, Julho de 1984

Temos em destaque na primeira página em relação à saúde uma pequena coluna de título: “racismo é ódio! E odiar Constantemente é prejudicial a saúde. ”Sendo assim, o jornal mostra o racismo como uma forma de ódio. Segundo pesquisas feitas pela Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, odiar pode trazer danos à saúde, assim como úlceras, dores de cabeça, derrame entre vários outros problemas.

Nesta mesma página, também está presente uma coluna sobre a história de Anibal, um imperador negro de Cartago entre os anos de 247 à 183 a.C. Foi considerado um dos maiores imperadores, conquistador de várias terras entre elas territórios pertencentes á Itália e Espanha.

Na segunda página destaca-se uma coluna de título “Moisés Negro”, um discurso feito pelo líder negro Marting Lutrher King, assassinado no dia 4 abril de 1968, durante a estadia em um hotel no Tennessee na cidade de Memphis. É destaque na coluna o discurso mencionado durante, a premiação no Nobel da Paz – o discurso serviu como denúncia as políticas feitas pela sociedade branca que visa marginalizar o povo negro. Ainda na mesma página, está presente uma pequena tábela, na qual está expresso uma pesquisa mostrando o perfil da sociedade brasileira no ano de 1980. Com isso, o jornal também denúncia a não veracidade da pesquisa, que põe o negro em menor número enquanto o numero de brancos é maior, além de apresentar a categoria parda no seguimento de cor negra.

Seguindo na mesma página, temos uma coluna de título “Racismo na Câmara”, narrando um episódio de racimo contra uma funcionária negra, na Câmara dos deputados no Mato Grosso.

Para finalizar o jornal apresenta o Orgão da Sociedade Afro Brasileira. Sendo assim, foi

fundado no dia 31 de 1975 na cidade de Belo Horizonte/MG, para fins socioeconômicos e culturais, com o objetivo de contribuir para a elevação da autoestima do povo negro.

Jornal Abibiman

O Abibiman é um jornal da Associação de Resgate da Cultura Afro (ARCA), suas publicações eram realizadas mensalmente na cidade de Arcoverde, localizada na região do sertão pernambucano. Tinha como fundador Luiz Eloy de Andrade, mais conhecido como Luizão, era formado em Biologia e foi prefeito da cidade de Arcoverde no ano de 1998, além de ser um dos organizadores da Marcha de Zumbi dos Palmares. O número de páginas do jornal variava e trazia sempre em suas primeiras páginas, fotos de mulheres negras, como forma de mostrar a beleza da mulher negra, frases para o dia, dicas da medicina natural, além de também trazer diversos anúncios em meios suas páginas. Estas variavam entre: lojas de computadores, consultas clínicas, consórcios, perfumarias e artigos religiosos.

  • Abibiman –  N°40, Agosto de 1998

No ano de 1998 em sua quarta edição, traz em sua segunda página a matérias “Mãe velha tem 105 anos”, sobre Maria Tereza da Conceição de 105 anos de idade, umas das mais antigas residentes de Arco Verde. Além da matéria anterior, a página contém, uma pequena nota sobre a tribo Tabajara de onde originou a família Arcoverde. Segundo informações do jornal, a família de destaque na história do Brasil, teve sua origem na união de Jerônimo de Albuquerque e de uma índia Tabajara, batizada como Maria do Espírito Santo Arcoverde.
A página quatro apresenta a matéria de título “Como o diabo gosta”, onde se discute a desigualdade socioeconômicas que assolam o Brasil e o mundo, tendo como base uma pesquisa feita pela revista estadunidense, Forbes. Esta, utilizou como exemplos, Roberto Marinho(dono da rede TV ,Globo), na época com cerca de 6,3 bilhões de dólares, ocupando no ranking 50º posição, na lista dos maiores bilionários do mundo.
Na mesma página, o jornal irá destacar a matéria que tem como proposta a realização do ”Encontro Regional de Mulheres Negras”, dessa forma é marcada uma reunião na cidade de Natal entre os dias 29 e 30 de agosto, tendo como objetivo se aprofundar sobre a organização do movimento das mulheres negras. Entre os pontos principais da discussão pautada, encontrava-se: a avaliação da participação das mulheres negras em um encontro que aconteceu em Cuba, avaliação do movimento de mulheres negras a nível nacional e a articulação das mulheres negras dentro da CONEN.
O CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras) é uma entidade criada no I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN), em novembro de 1991, em São Paulo/ capital, no qual se chegou a conclusão de que o Movimento Negro necessitaria se orientar segundo a política e ações criadas em coletivo. O ENEN é fruto de vários encontros de homens e mulheres negras em todo Brasil, tendo como finalidade o fortalecimento do movimento negro no país, em combate ao racismo e a desigualdade. Neste contexto, surge o CONEN, com objetivo de organizar todas as entidades voltadas para a população negra brasileira, pautando as diferenças entre os problemas enfrentados pelo negro em diferentes regiões.

  • Abibiman –  N°46, Fevereiro de 1999

No editorial, que se encontra na primeira página, o tema é a objetificação dos homens negros e sobre tudo das mulheres negras, tendo como base o fato histórico da utilização de pessoas negras como objeto sexual, ainda na época da escravidão pelos senhores da casa grande. O editorial também fomenta o fato de que homem negro no auge do seu sucesso procura mulheres brancas, como forma de reafirmar sua vitória usando-a como troféu.
A página seis vem trazendo uma matéria sobre a atriz Maria Ceiça, que se recusou fazer papel de empregada no programa de televisão “Você decide”, acreditando ela, ter aberto “novas portas para o ator negro na televisão”.
Outra matéria que se destaca na página quatro do jornal é a matéria sobre a Lei nº 9.459 aderida no dia 13 de maio de 1997, que coloca como crime inafiançável o racismo. Nesta mesma página, o Abibiman vem com uma inovação, o horóscopo dos Orixás, onde trás consigo os doze signos dos zodíacos e seus orixás correspondentes, tendo como referência a Revista Raça Brasil, primeira revista voltadas para o público negro brasileiro.

  • Abibiman –  N°50, Junho de 1999

O editorial dessa edição, no ano de 1999, a privatização das escolas em Pernambuco, pelo estado. Para maiores informações, este editorial trás as estimativas de Analfabetismos entre a população negra e periférica de Pernambuco, onde “segundo a aferição de 1991 do IBGE, entre os negros e pardos com mais de 15 anos, o índice de analfabetismo é de 22%”, sendo apenas “13% dos negros e 14% dos pardos” com mais de sete anos de estudo.
Nesta mesma edição, na página quatro tem como destaque uma matéria do professor, do departamento de história da UFPE, Marcus J. M. de Carvalho, sobre os grandes traficantes de escravos entre os anos 1810 á 1850.

Jornal Frente Negra

A Frente Negra é um jornal publicado pelo IPCN (Instituto de Pesquisas das Culturas Negras), idealizado por integrantes do movimento negro do Rio de Janeiro para mobilizar a população negra brasileira, trazendo informações do povo negro do Brasil e do Mundo. Tinha Como jornalista responsável Luís Antônio dos Santos e como redatores: Aderaldo, Amaury e Yedo. A redação localizava-se na sede do IPCN e sua impressão era feita pelo “Jornal do Commercio”. O nome do jornal foi dado em menção a Frente Negra fundada em setembro 1931. Como forma de recuperar a memoria daqueles que lutaram pelos ideais negros na FNB e como forma de homenagear os integrantes do movimento negro: José Correia Leite, Raul Joviano do Amaral, Aristides Barbosa, Henrique Cunha entre outros, foi como surgiu o jornal Frente Negra.

  • Frente Negra – Ano 1, N° 1.

Sua primeira edição foi lançada no ano de 1982, referentes aos meses de julho e agosto, contendo sete oito páginas incluindo a capa. A capa da edição em questão, apresenta algumas informações do jornal, assim como as colunas em destaque, o logotipo do jornal e a imagem de Solano Trindade na margem superior em homenagem aos dez anos de sua morte. A página dois destaca uma matéria sobre a situação da apartheid nos seguintes países da África do Sul, Angola, Namíbia, Botsuana, Lesoto, Zimbábue e Moçambique. Na mesma página, encontra-se uma pequena coluna descrevendo a visita de Coreta King, viúva e do ativista negro dos EUA, Martin Luther King. Segundo a coluna, Coreta teria vindo ao Brasil, a pedidos de Abdias do Nascimento (ativista dos direitos civis das populações negras), em comemoração ao aniversário de sessenta anos do mesmo e para acompanhar a posse do governador Leonel Brizola.

A página três traz algumas colunas descrevendo encontros de entidades negras. Dessa forma, foi apresentado o 1° Encontro Afro-brasileiro, tendo como patrocinador o Centro de Estudos Afro-Asiáticos. O encontro reuniu militantes de todo país na cidade do Rio de Janeiro. Estiveram presentes sete estados de diferentes entidades, o que possibilitou a organização do 1° Convenção Nacional do Movimento Negro. Na mesma página destaca-se também o 11° Encontro de Negros do Norte e do Nordeste, promovido entre os dias 2 e 4 de junho, na cidade de São Luís do Maranhão, tendo como objetivo procurar uma melhor maneira de organização e discutir questões ligadas a população negra. Por ultimo foi destacado, o IV Congresso do Movimento Negro Unificado, que aconteceu na cidade de Taboão da Serra em São Paulo, entre os dias 4 e 5 de junho, o congresso contou com a participação de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais,Distrito Federal e Rio Grande do Sul. As pautas mais importantes no congresso foram necessidade do envolvimento do MNU com as entidades negras em nível nacional, e o ensino da História do negro no Brasil.

Na página quatro, temos uma coluna de título “A evolução da Black Music”, tendo como destaque uma foto do astro da Black Music entre os anos 60 e 70, James Brown e o “Rei do pop” Michael Jackson. A coluna apresenta um pequeno resumo da história da musica negra nos Estados Unidos.
A página cinco exibe uma coluna com temas como: a imagem do negro na sociedade e a denuncia da violência sofrida nas abordagens policiais. Inicialmente, a coluna expõe todo o julgamento feito, pela sociedade no qual o negro é visto como a imagem da marginalidade. Para exemplificar, a coluna verbalizou o modo truculento de como a policia militar aborda pessoas negras e pobres, fazendo até mesmo o negro passar por humilhações. Em contrapartida, a coluna apresenta o novo comandante da policia militar, conhecido com Coronel Cerqueira, sendo este negro e também secretário de estado, além de lançar a duvida de como essa novidade andava repercutindo entre os policiais.

Na página seguinte, o jornal inicia com uma matéria de título “Racismo nosso de cada dia”, onde é exposto casos de racismo. O primeiro caso é da empregada doméstica, Sueli Luiz da Cruz, acusada de furto pelos donos de um apartamento localizado na Morada do Sol, no bairro de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro. Após o acontecimento, Sueli teve imagens suas espalhadas pela sindica do prédio em que trabalhava, aconselhando que os moradores tivessem cuidado com a empregada doméstica. No seguinte caso, temos uma criança de nove 9 anos negra, recusada a ser batizada pelo padre Alvaro Noschang. Revoltado pela atitude do padre, o padrinho da criança, também de cor negra reagiu, porém foi expulso aos gritos pelo padre Noschang, que o chamava de ”negro sujo”. Por final, temos o caso de um morador do Morro da Cachoeira Grande, localizada no Rio de Janeiro, que teve seu pescoço amarrado por PMs. Um dia depois, o movimento negro se posicionou contra o ato covarde dos PMs, mas como forma de deslegitimar o ato, o arcebispo do Rio de Janeiro alegou que o movimento teria como infiltrados, alguns grupos políticos.

Abaixo encontra-se algumas matérias com temas de bastante comoção na época. A primeira matéria em destaque tem como título “O descuido das elites”, tem o propósito denuncia um documento do governo de Paulo Maluf, feito por meio da GAP (Grupo de Ação e Participação), em que se expressa o controle da natalidade da população negra. Segundo o documento, o grupo seria um grande perigo para as elites. Além disso, a matéria também mostra a fala do dirigente da COPERSUCAR, em que se expressa seu ódio para com a população negra. Esta mesma página, também apresentou mais informações complementares a anterior. Dessa forma, como o título de “Racismo e controle de natalidade”, o jornal mostra a participação das mídias, na propaganda feita para o controle de natalidade e também denuncia o banco mundial que distribuiu as pílulas anticoncepcionais no nordeste brasileiro, sendo esta a mesma incentivadora do segundo filho em países considerados desenvolvidos.

Ficou a cargo da página sete, temas envolvendo mulheres negras. A primeira matéria em destaque, tem como título ”Em debate a questão da mulher”, está relacionada à invizibilização das mulheres negros no próprio jornal. A autora da matéria expressa toda a sua indignação para com um artigo que colocava as mulheres negras omissas de seus trabalhos no jornal. A segunda matéria ,com o título “Mulher Negra”, é uma fala da vice comunitária do IPCN ( Instituto de Pesquisa das Culturas Negra), tem como o objetivo principal, denunciar o racismo e o machismo no Brasil. Além disso, ela também traz dados da época a cerca do desemprego entre as mulheres negras e periféricas e expõe a situações humilhante pela qual elas passam.

Nesta Mesma página, podemos encontrar dados importantes na coluna “Mulhere Negras…”, sobre as reuniões no IPCN, localizado na cidade do Rio de Janeiro. Estas reuniões aconteciam todas as quartas feiras, tendo como participantes um número considerável de mulheres negras. A primeira reunião aconteceu no ano de 1981, no mês de julho, tendo como objetivo a organização das mulheres para a 1° Convenção Nacional do Movimento Negro. Logo depois, o mesmo grupo organizou no mês de Março no ano de 1982, o 1° Encontro de Mulheres Negras do Rio de Janeiro. Seguindo na mesma coluna, o jornal também tem informações sobre o 11° Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, que iria ser realizado na cidade de Lima no Peru no ano de 1983, entre os dias 19 e 23 de julho. O encontro contava com a presença de militantes do movimento negro, entre elas: Adélia Azevedo dos Santos, Abgail Pachoa e Jurema da Silva.

A última parte da coluna apresenta o 1° Encontro de Mulheres de Favela e Periferia, na cidade do Rio de Janeiro tendo como ponto o Clube Municipal. O encontro teve como pauta, questões como saúde, violência, educação, entre outras questões. Após o encontro, foram feitas reivindicações, além de apresentar ideias para solucionar problemas de descriminação enfrentada por elas.
Esta mesma página, anunciou em matéria o aniversário de oito anos do IPCN. A instituição foi fundada no dia 8 de junho de 1975, tendo sua sede na Avenida Mem de Sá, n° 208, Rio de Janeiro. O instituto tem como proposta a valorização da cultura negra, denunciar e combater o racismo e lutar pela igualdade de direitos, entre outras propostas.

Para finalizar, a última página informa sobre a II Noite da Beleza,que seria realizado no dia 29 de julho em 1983. A Noite da Beleza Negra é uma festa organizada pelo grupo-afro Agbara Dudu, em seu segundo ano a festa foi realizada na Vila Izabel, um dos bairros mais visitados do Rio de Janeiro. Seguindo na mesma página, o jornal identifica seus organizadores e colaboradores, além de expor em uma pequena coluna de título “Jornal Nacional”, as falhas apresentadas no jornal e um pequeno incentivo aos leitores.

Boletim Sorriso Negro

O boletim Sorriso Negro é parte da marcha de mesmo nome organizada pela APEOESP e CUT – foi criada logo após a vitória ex-presidente nas Luís Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002. O objetivo era rememorar o 20 de novembro, dia da resistência negra no Brasil em homenagem a morte de Zumbi dos Palmares. Além disso, funcionava como uma forma de resgatar a cultura afro-brasileira, assim como: música, dança os princípios das religiões de matriz afro, e denunciar as condições do negro no Brasil.

  • Boletim Sorriso Negro – 2º Edição

A 2º edição do boletim foi lançada em dezembro de 2002, em homenagem aos 306 anos da morte de Zumbi dos Palmares. Com isso, na capa encontra-se um pequeno texto contando os atos de resistência dos escravizados e uma pequena introdução à organização dos quilombos, em especial o Quilombo dos Palmares. Mais adiante, no editorial assinado pela diretoria da APEOESP, o boletim se posiciona contra a discriminação sexual e racial. Sendo assim, são denunciadas as condições em que vivem essas pessoas, assim como: o desemprego, violências e exploração econômica.

Na seguinte página, apresenta-se um trecho retirado do encarte “Teoria & Debate” de título “306 anos de Zumbi e os Quilombos Contemporâneos”, falando sobre a resistência da comunidade quilombola Boa Vista localizada ao norte do Pará. Segundo a autora do texto, Lúcia M. M. de Andrade, a comunidade é fruto da fuga de escravizados de duas fazendas localizadas perto do rio Amazonas no século XIX – ganhando título de comunidade após a mobilização dos descendentes. Por final, são feitas algumas perguntas ao leitor relacionadas ao 20 de novembro e seu o reconhecimento como o dia da resistência negra. Ainda na mesma página são apresentados os conceitos de discriminação racial, preconceito, racismo, raça e mito. E por fim, são informados os dias mais importantes no calendário para a população negra.

A página dois, leva ao leitor uma pequena atividade, consistindo em pesquisar produtores negros, em espaços como música e literatura e logo seguida debater sobre o assunto. Abaixo da atividade, é discutida a construção de gangs e violência entre estes grupos formados – toda discussão é construída através de uma analogia feita com o “mito de Narciso” e a figura de Hitler.

A página três inicia com uma sobre uma das situações vividas por jovens negros cotidianamente, expresso no filme “Uma escola muito louca” do diretor Stive Miner. A cena descrita, mostra um jovem que se tornou negro entrando em um elevador, em sua presença encontrava-se uma senhora branca apertando sua bolsa contra o corpo. Após, está descrição o jornal faz uma análise sobre a cena e deixa questionamentos para o leitor.

Boletim Siwaju

O Boletim Siwaju, é parte do INTECAB (Instituto da Tradição e Cultura Afro- brasileira). Seu formato é composto por seis páginas, com pequenas imagens, não contendo informações sobre o corpo de edição.

A sua primeira página apresenta como se deu a criação do instituto e suas propostas. Dessa forma, o ITECAB foi criado com base em uma proposta lançada no 1º Encontro Nacional da Tradição dos Orixás (em agosto de 1987, no terreiro do Ilê Axé Opó Afonjá localizado na cidade de Salvador. O objetivo central do instituto é “preservar os valores espirituais, culturais e científicos da religião tradicional africana no Brasil, além de proporcionar a troca de experiências a nível nacional e internacional com as COMTOCs ( Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura).

As COMTOCs reuniam lideres religiosos da África, América do Norte e América do Sul. O boletim descreve as três primeiras edições dessa conferência, sendo a primeira realizada em Ilê Ifé, Nigéria, no ano de 1981, a segunda a na cidade de Salvador/BH no ano de 1983, e por último em Nova York no ano de 1986.

Em seguida, já na pagina seguinte o boletim leva uma mensagem em época de réveillon para as nações de religião afro-brasileira em principal seus chefes religiosos. Nela identifica-se a preocupação de esclarecer as variadas tradições de cultos existentes, além de pregar o respeito por cada uma delas e a humildade entre os líderes religiosos.

Mais adiante, além de informar ao leitor os responsáveis por cada comissão do INTECAB, o boletim traz a notícia da premiação concedida ao Mestre Didi, pelo Bloco Olodum. A premiação foi realizada no dia 31 de Janeiro e consistia na entrega do troféu Ujaama, entre apenas personalidades que se destacavam na resistência pela preservação da cultura afro. Outro destaque, se refere a reunião do INTECAB, organizada no dia 28 de janeiro na cidade de Salvador – estavam presente o embaixador da Nigéria, Patrik D. Cole, membros do Conselho Religioso e Conselho Consultivo do instituto. A reunião tinha como objetivo informar ao embaixador nigeriano a existência do Instituto da Tradição e Cultura Afro- brasileira e suas finalidades.

Boletim Informativo Heloisa Gomes (MNU-BA)

É um boletim informativo da Coordenação Estadual de gênero MNU/ BA. Seu primeiro número lançado no ano de 1999, recebeu o nome da ativista pelos direitos humanos, educadora e enfermeira, Heloisa Gomes.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

  • Heloisa Gomes – Ano 1, N° 1.

Em sua primeira página apresenta-se os motivos da escolha do nome dado ao boletim. Mais adiante, é anunciado o Congresso Extraordinário do MNU, que iria ocorrer no dia 4 à 7 de setembro de 1999, na cidade de Belo Horizonte/ MG – tendo como suas principais pautas: ”1) Projeto político; 2) Organização política; e 3) Revisão dos documentos básicos;” Com isso se faz a proposta da participação das mulheres enquanto movimento de mulheres negras, para que sejam também discutidas suas questões específicas. Para finalizar na mesma página, com o título “Avaliando o 8 de março”, é sinalizado a organização de mulheres em marcha para comemorar o dia, reivindicar seus direitos e denunciar as desigualdades.

O boletim denúncia o racismo e o machismo vivenciado pelas mulheres negras no Brasil configurados nas pelas péssimas condições de trabalho subalternizado, saúde, educação e moradia. Além disso, são várias violências sofridas, assim como: programas de controle a natalidade, abuso sexual e violências físicas e psicológicas – sendo estas condições reflexos do período escravocrata, aonde a mulheres negras eram consideradas apenas objetos sexuais e ferramentas de trabalho. Além disso, é desmistificado o mito da democracia racial, formulada pelo sociólogo Gilberto Freyre, que consistia em criar uma imagem do Brasil totalmente isenta de racismo, na qual o índio, o branco e o negro vivam em completa harmonia. Este mito também influenciou na imagem da mulher negra brasileira direcionadas ao exterior, que contribuía para a formulação uma gama de estereótipos sexistas e racistas.

Com relação à saúde física da mulher negra, o jornal também faz denúncias as políticas de esterilização promovidas pelo Estado para o controle de natalidade, partos cesáreos sem assistência adequada e a falta de informações que deveriam ser passadas para estas mulheres .Através dessas denúncias, o boletim pontua a necessidade de organização de mulheres negras na busca por melhorias.

Boletim Negração

O Negração é um boletim informativo do Afoxé Alafin Oyó, fundado em 1986 na cidade de Olinda, sendo este o quarto afoxé de Pernambuco. O boletim tinha como objetivo o fortalecimento do movimento negro, além de ser um veículo de denuncia contra o racismo. A primeira edição saiu no ano de 1988, ano de centenário da abolição. O boletim continha oito páginas e tamanho tablóide. Sua direção era composta por três mulheres: Márcia Diniz, Alzenide Simões e Martha Rosa, sendo estas duas últimas militantes do MNU. O boletim era um meio de trazer informações sobre a situação do negro no país, poemas de inspiração da luta negra, dicas de leituras e informações sobre elementos das religiões afro-brasileiras. As matérias eram assinadas pelas pessoas que não faziam parte da diretoria de imprensa, podemos destacar também a participação de pessoas que faziam parte da edição do Omnira, Negritude e do MNU de Pernambuco.

  • Boletim Negração – Primeira Edição

A primeira edição é marcada pela semana da consciência negra, trazendo na capa a imagem de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta e resistência negra no Brasil. Na primeira página, o editorial mostra as dificuldades de circulação, o objetivo do boletim e uma matéria escrita por Manoel Augusto dos Santos, diretor do Afoxé Alafin  Oyó, que denuncia na matéria de título,” O que diz nosso diretor político sobre a constituição”, as falhas que a constituição brasileira tem e os efeitos dessas falhas na população pobre e negra.

Na segunda página, o boletim mostra a matéria principal de título “Renasce Zumbí”, que aborda a história do Quilombo dos Palmares.

O boletim também nessa primeira edição destaca as mulheres na política, com as entrevistadas: Vera Baroni (militante petista) e Lúcia Crispriano (educadora). A página quatro, trás a primeira entrevistada Vera Baroni que foi presidente da Associação Profissional dos Atendentes, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem/ PE e Vice presidente do clube dos previdenciários, além de ser atuante de outros movimentos. Na página seguinte, a segunda entrevistada foi Lúcia Cipriano, presidente do Afoxé Alafin Oyó do ano de 1988.

N°1:

  • Boletim Negração – Segunda Edição

Nesta segunda edição, na página cinco, o destaque vai para o primeiro encontro de mulheres negras, que aconteceu em Valença no Rio de janeiro, entre os dias 2,3 e 4 de janeiro do ano anterior. O encontro contou com mulheres de todo o Brasil destacando as militantes do MNU entre elas Maria do Rosário Trindade dos Santos e Inaldete Pinheiro. O encontro teve como pauta, denunciar as desigualdades, as formas de resolver estas questões e a formas de organização do movimento das mulheres negras.

Nº2:

  • Boletim Negração – Terceira Edição

Essa edição  três do boletim no ano de 1990, vem trazendo na página três uma matéria especial que mostra a origem do nome do afoxé Alafin  Oyó, onde o Alafin seria o chefe político do povo Oyó. Esse grupo em questão fazia parte dos povos Iorubas, que residiam na atual Nigéria.

A página quatro é estampada pela matéria de título “20 de novembro”, dia nacional da consciência negra. Essa matéria mostra entrevistas com pessoas integrantes do afoxé e militantes do MNU, onde elas falam da imagem deixada pelo grande líder do Quilombo dos Palmares.

N°3:

  • Boletim Negração – Quarta Edição

Em seu terceiro ano, o Negração trás na página três, uma matéria que homenageia o militante afro-pernambucano, Francisco Solano Trindade, que também foi homenageado no carnaval pelo Afoxé Alafin  Oyó. O militante é natural do Recife, nasceu em 1908 e atuou com militância entre os anos 20 e 60.

N°4: