Boletim Informativo Heloisa Gomes (MNU-BA)

É um boletim informativo da Coordenação Estadual de gênero MNU/ BA. Seu primeiro número lançado no ano de 1999, recebeu o nome da ativista pelos direitos humanos, educadora e enfermeira, Heloisa Gomes.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

  • Heloisa Gomes – Ano 1, N° 1.

Em sua primeira página apresenta-se os motivos da escolha do nome dado ao boletim. Mais adiante, é anunciado o Congresso Extraordinário do MNU, que iria ocorrer no dia 4 à 7 de setembro de 1999, na cidade de Belo Horizonte/ MG – tendo como suas principais pautas: ”1) Projeto político; 2) Organização política; e 3) Revisão dos documentos básicos;” Com isso se faz a proposta da participação das mulheres enquanto movimento de mulheres negras, para que sejam também discutidas suas questões específicas. Para finalizar na mesma página, com o título “Avaliando o 8 de março”, é sinalizado a organização de mulheres em marcha para comemorar o dia, reivindicar seus direitos e denunciar as desigualdades.

O boletim denúncia o racismo e o machismo vivenciado pelas mulheres negras no Brasil configurados nas pelas péssimas condições de trabalho subalternizado, saúde, educação e moradia. Além disso, são várias violências sofridas, assim como: programas de controle a natalidade, abuso sexual e violências físicas e psicológicas – sendo estas condições reflexos do período escravocrata, aonde a mulheres negras eram consideradas apenas objetos sexuais e ferramentas de trabalho. Além disso, é desmistificado o mito da democracia racial, formulada pelo sociólogo Gilberto Freyre, que consistia em criar uma imagem do Brasil totalmente isenta de racismo, na qual o índio, o branco e o negro vivam em completa harmonia. Este mito também influenciou na imagem da mulher negra brasileira direcionadas ao exterior, que contribuía para a formulação uma gama de estereótipos sexistas e racistas.

Com relação à saúde física da mulher negra, o jornal também faz denúncias as políticas de esterilização promovidas pelo Estado para o controle de natalidade, partos cesáreos sem assistência adequada e a falta de informações que deveriam ser passadas para estas mulheres .Através dessas denúncias, o boletim pontua a necessidade de organização de mulheres negras na busca por melhorias.

O Mondo – Informativo do Bloco afro Ilê Aiyê

O boletim O Mondo é um informativo do bloco afro Ilê Aiyê, que procura informar acerca de questões relacionadas ao povo negro e atividades promovidas pelo bloco e outros grupos. A edição disponibilizada nesta postagem apresenta duas páginas.

O bloco Ilê Aiyê foi fundado em novembro de 1974, no bairro de Curuzu-Liberdade, em Salvador. O bloco conta com três mil associados e foi responsável por uma revolução na musicalidade do carnaval da Bahia. Pode-se afirmar que é um dos primeiros blocos afros do Brasil e foi desenvolvido, conforme sua página oficial, com o objetivo de “(…) preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira”. Além disso, a página afirma que, “O Ilê, ao longo de sua trajetória, vem homenageando países africanas e revoltas negras brasileiras, que contribuíram fortemente para o processo de identidade étnica e auto-estima do negro”. Além disso, o bloco, posteriormente, transformou-se em uma instituição que passou a realizar trabalhos com comunidades carentes, com o objetivo de conscientizar a população negra. Atualmente o Ilê Ayê continua trabalhando pelo desenvolvimento da cultura afro-brasileira.

Será disponibilizada nesta postagem a quarta edição do boletim, publicada em dezembro de 1992.

  • O Mondo – N°04

Em sua quarta edição, o boletim informativo O Mondo, apresenta em seu Editorial uma reflexão acerca das conquistas alcançadas em 19 anos de bloco, além de ressaltar a chegada de mais um carnaval. Esse número destaca ainda o papel de lideranças negras norte-americanas, trazendo pequenas biografias de Martin Luther King e Ângela Davis.

Esta publicação do O Mondo procura divulgar também informações sobre a preparação para o carnaval de 1993, um calendário para as atividades dos meses de janeiro e fevereiro, informações sobre fantasias para o bloco no próximo carnaval e, por fim, fragmentos de textos, na coluna “Pensando Negro”, de Malcolm X e de Marcus Garvey.

Nº4:


Referência:

 

Jornal Tàkàdá

O Jornal Tàkàdá é um informativo da comunidade religiosa Ilê Axé Ijexá. A palavra Tàkàdá significa papel escrito em yorubá. Essa comunidade se encontra na cidade de Itabuna no estado da Bahia. O informativo tem como objetivo trazer notícias sobre o terreiro Ilê Axé e a nação Ijexá. O jornalista responsável pelas edições, aqui disponibilizadas, é Raimundo Nogueira e o jornal possui 8 páginas.

  • Jornal Tàkàdá – Ano I, Nº03, Setembro de 1996.

A terceira edição do Jornal Tàkàdá traz em seu editoral informações sobre os leitores do informativo e também a importância em apresentar os diversos aspectos do Ilê Axé, que é um terreiro filiado a nação Ijexá. Ainda na primeira página o jornal divulga informações sobre esta nação citada.

Em sua segunda página é apresenta uma matéria sobre a festa dos Ibeji, destacando ainda que na cultura nagô é muito importante ter famílias numerosas, além da presença de gêmeos, que são considerados uma benção. Neste sentido, no terreiro Ilê Axé a festa é comemorada todos os anos no dia 27 de setembro, que também é dia de Cosme e Damião. Esta edição traz ainda uma matéria sobre Obaluaiyê, suas características e de seus filhos. Este é considerado o Orixá do contrário e do silêncio. O texto apresenta os filhos desse Orixá que são membro do Ilê Axé, além de trazer um artigo explicando o que significa a família-de-santo. O jornal contém diversas matérias sobre o candomblé e informações sobre leituras.

Nº03:

  • Jornal Tàkàdá – Ano II, Nº05, Maio de 1997.

O Editorial desta edição reflete acerca dos adolescentes que assassinaram um índio pataxó em Brasília, ou seja, dos atos de violência realizados contra as minorias no Brasil. Pode-se destacar uma matéria sobre a ancestralidade no Ilê Axé e um artigo sobre Oxum, suas caracteríricas e de seus filhos, além de depoimentos de alguns filhos de Oxum presentes no terreiro.  Este número conta ainda com uma seção de notícia, fotografias sobre o cotidiano no Ilê Axé, seus trabalhos e a organização do terreiro.

Nº05:

 

Correio Nagô – Quarta edição e número especial.

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°4

O boletim informativo nacional do MNU – Correio Nagô – traz na sua quarta edição informações sobre as atividades realizadas pela entidade em todo o Brasil. Pode-se destacar a matéria, que diz respeito às primeiras informações sobre o “XII Congresso Nacional do MNU”, previsto para ser realizado em abril de 1998.

Em seu Editorial o boletim fala sobre a retomada da campanha “Reaja a Violência Racial!” e versa sobre sua importância. É comentado ainda o objetivo da realização de seminários e congressos que visam atualizar o MNU para as novas exigências da realidade relacionada ao racismo.

Nas páginas 2 e 3 o boletim traz uma matéria sobre a relação entre racismo e capitalismo.

Por último, o Correio Nagô apresenta informações sobre o “Seminário Nacional de Educadores do MNU” e sobre o “II Seminário Nacional sobre Organização Política”, realizado em novembro de 1997, na cidade de Curitiba no Paraná.

Nº4:

 

  • Correio Nagô – Especial – Ano I – N°2

Essa edição especial do boletim informativo Correio Nagô, foi publicada em setembro de 1999 e traz, em sua primeira página, uma matéria sobre os 21 anos de luta do Movimento Negro Unificado contra o racismo.

Nesse número ainda são revelados alguns informes sobre a 14º seção do MNU, instalada no Piauí, e sobre um curso de formação política. Além disso, é apresentada uma carta da coordenadora nacional, Rosenilda Paraíso Costa, para os coordenadores estaduais e municipais de 27 de agosto de 1999.

Correio Nagô especial:

Correio Nagô

Correio Nagô é um boletim informativo nacional de circulação interna da organização Movimento Negro Unificado. O boletim era organizado e distribuído pela o MNU da Bahia e sua sede se encontrava na cidade de Salvador. Percebe-se através de suas publicações a importância dada ao boletim pela divulgação da luta da entidade. Cada edição possui 4 páginas e uma tiragem de 500 exemplares. O boletim nacional conta com informações e textos de todos os estados, mostrando os acontecimentos mais importantes em todas as seções do MNU pelo Brasil.

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°2

A segunda edição, do boletim informativo Correio Nagô, foi publicada em 1997 e compreende os meses de dezembro e janeiro. Pode-se afirmar que já na primeira página do boletim nota-se o seu principal papel: o de trazer informações sobre o Movimento Negro Unificado, destacando notícias que ocorreram em cada seção da entidade no Brasil.

No Editorial dessa edição a comissão ressalta a importância do boletim na divulgação da luta do MNU. Também é possível destacar uma nota do boletim acerca de um curso de formação, realizado pelo MNU-RS, em 2 de novembro e 14 de dezembro de 1996, na cidade de Porto Alegre. O curso promoveu o debate de temas como “Formas européias de dominação – a exploração dos africanos” e “A resistência africana – nacionalismo em África e movimento negro da diáspora”. O objetivo principal desse encontro, que teve a participação de 51 inscritos, era a formação intelectual da militância.

O Correio Nagô destaca, nessa edição, notícias sobre diversos seminários, organizados pelo MNU, que ocorreram pelo Brasil. Podemos citar, primeiramente, o “Seminário de Organização Política”, que promoveu discussões sobre vários temas, entre eles, os conceitos e estratégias de luta do negro, com foco no negro no Brasil e seu processo de luta, e de outros povos oprimidos do mundo. Esse seminário foi de suma importância para o início da criação do programa e plano de ação e reestruturação organizacional da entidade. Outro seminário em evidência foi o de Mulheres do MNU, “I Seminário de Mulheres Negras de Santa Catarina”, realizado em 16 de novembro de 1996. O seminário trouxe o tema “Mulher Negra: identidade e auto-estima (In memória 200 anos Chica da Silva)” e procurou ampliar diversas discussões, além de trazer oficinas como “Roupa – o jeito nosso”, “Cabelos – múltiplas alternativas”. O seminário contou com a participação de 20 mulheres. O último seminário apresentado foi o “I Seminário de Jovens do MNU”, realizado em 23 e 24 de 1996. Este contou com a presença de representantes de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Bahia e São Paulo. Diversas propostas foram discutidas como a criação da comissão da juventude, entre outras.

Por fim, a edição conta com uma página recheada de informações sobre os outros estados e uma matéria sobre a reeleição de Fernando Henrique Cardoso que, para o Correio Nâgo, seria um golpe contra o povo negro.

Nº2:

 

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°3

O Correio Nâgo apresenta, em sua terceira edição, uma nota na primeira página sobre a campanha de refiliação promovida pelo MNU. Essa campanha tem como finalidade descobrir o número real de militantes da entidade.

Nesse Editorial o boletim afirma que tem como objetivo ter “a cara” do MNU nacional, e por isso é preciso manter relações com os outros estados e saber tudo que está acontecendo. Nesse sentido, o boletim conta com o apoio de colaboradores de diversas coordenações/seções.

Novamente os seminários do MNU ganham destaque, nessa edição. O primeiro apresentado foi o “Seminário de Direito e Relações Raciais no Terceiro Milênio”, este evento foi realizado pelo MNU com o Ministério Público da Bahia, nos dias 20, 21 e 22 de março, 400 pessoas participaram de discussões sobre racismo e legislação, racismo na propaganda e as políticas de diversidade, discriminação racial e outros temas. Também na Bahia foi realizado o “Seminário de Mulheres do MNU”, em 9 de março. O evento levantou o debate sobre diversas questões relacionadas às mulheres e procurou fazer um balanço sobre a atuação do MNU nesse campo.

Na página três o Correio Nagô apresenta a coluna “O que rola nos estados”, destacando as principais notícias e eventos de outros estados. Nessa edição foram divulgadas atividades de Pernambuco, São Paulo, Maranhão, Sergipe e outros.

Na última página do boletim podemos destacar a matéria “A quebra do mito da liberdade doada”. Onde são abordados o papel do movimento negro e o surgimento de novos atores, novos herois e heroínas, que estavam longe da história desenvolvida, pelo que o boletim chama de “branco racista”. Ainda nesse texto o boletim faz questão de ressaltar a luta contra a violência racial.

Nº3:

Boletim Informativo Êlemi

Êlemi é um boletim informativo do Grupo Cultural Os Negões, entidade formada no dia 11 de fevereiro de 1982, na cidade de Salvador na Bahia. O boletim foi lançado três anos após a fundação do grupo e procurou debater temas ligados a cultura e tradições negras. Pode-se afirmar que o boletim tinha uma periodicidade irregular, pois entre a primeira e segunda edição ocorreu o intervalo de mais de 12 meses, além do mais só são conhecidos três exemplares, que podem ser encontrados na sede do grupo na Rua Avenida Vasco da Gama, em Salvador (SALOMÃO, 2012, p.70). Cada edição possui 6 páginas e o formato duplo ofício. Em sua primeira edição o Êlemi não conta com nenhum tipo de anúncio. É interessante mencionar que o termo Êlemi significa “frutos da vida”, esse nome busca apontar que o grupo pretende representar na comunidade mais uma “semente informativa, comunitária e participativa” (ÊLEMI, Nº01, p.1, 1985).

O Grupo Cultural Os Negões surgiu na porta da Catedral Basílica de Salvador, às 20 horas do dia 11 de fevereiro de 1982, com o objetivo de promover uma reunião, de 15 negros amigos, para determinar como o grupo iria se encontrar no carnaval. Esse grupo já participava de vários eventos em Salvador e cidades vizinhas, mas na época do carnaval acabava se dividindo e frequentando blocos diferentes (ÊLEMI, Nº01, p.2, 1985).

Conforme a primeira edição do jornal, o nome do grupo foi escolhido após diversas discussões, pois os membros desejavam um nome que refletisse a sua luta, ou seja, do homem negro discriminado. Todos os membros que formaram a entidade possuíam mais de 1,80 de altura e eram discriminados, entre outras coisas, por isso. Devido a sua aparência lidavam com o estereótipo do “negro violento, mal encarado” e queriam acabar com essa imagem. Após o carnaval, na Quarta-Feira de Cinzas, o grupo se reuniu e tomou a decisão de permanecer realizando encontros. Durante as primeiras reuniões o número de membros era limitado, apenas 75 pessoas.

 Assim que se tornou popular em Salvador o grupo passou a ser questionado por sua postura de defesa apenas dos problemas particulares do homem negro, ou seja, a exclusão da mulher negra do debate e de suas atividades, e também de seus critérios para participação nas reuniões: apenas homens negros com 1,80 de altura ou mais.

Em seu estatuto o grupo se definia como uma entidade cultural e sem relação com partidos políticos, além disso, afirmava também que um de seus objetivos era promover o esporte e outros cursos nas áreas de cultura e educação para os jovens da comunidade.

Os boletins do grupo foram publicados em outubro de 1985, janeiro de 1988 e dezembro de 1994 (SALOMÃO, 2012, p.71). Nesse post iremos disponibilizar a primeira edição do informativo Êlemi, que se encontra no acervo do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco.

  • Boletim Informativo Êlemi – Ano I – N°01.

A primeira edição do boletim do Grupo Cultural Os Negões, foi publicada no mês de outubro de 1985. Logo em seu editorial o grupo trata de questões fundamentais para os possíveis leitores do informativo. Inicialmente é comentado o objetivo da entidade e de seu boletim, posteriormente se comenta a importância do leitor para a realização desse trabalho e também informações acerca da capa criada para o Êlemi pelo artista plástico Francisco Santos, que tem como sua inspiração a cultura afro-brasileira, principalmente questões religiosas.

O boletim traz espaço para o debate de assuntos relacionados ao tema da educação, dessa vez, abordando o “Seminário de Pedagogia Interética” que contou com a participação de 60 pessoas. O seminário foi promovido pelo Núcleo Cultural Afro-Brasileiro na UFBA, pela Secretária de Educação e Cultura do estado, entre outros, nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 1985. O objetivo do seminário era discutir sobre “pedagogia interética em contraposição à pedagogia vigente (pedagogia etnocentrista)”. A matéria é assinada por Meire Ferreira de Andrade.

Ainda na primeira página o Êlemi traz informações acerca do Centro Histórico de Salvador e dados sobre cursos de inglês, dança, violão, basquete, entre outros, promovidos pelo Grupo Cultural Os Negões, para a comunidade de Salvador. Além de um aviso sobre o tombamento da área onde existia o quilombo dos Palpares, em Alagoas.

Posteriormente, o boletim apresenta, através de uma matéria, a origem do Grupo Cultural Os Negões e traz uma nota onde afirma que “Os Negões” estão de portas abertas, iniciando uma nova fase de trabalho, com o objetivo de reestruturar a entidade, com novas regras e a criação de Comissões de Trabalho – CT.

Em sua terceira página o boletim debate sobre política com o tema “África hoje: Diplomacia na África Austral” e sobre a educação na África. Com relação a essa última matéria, assinada pelo professor Antônio Vieira, o boletim pretende falar, nessa e nas próximas edições, sobre a educação em diversos países africanos, como Nigéria, Angola, Benin, Moçambique, entre outros, e a sua ligação com os países colonizadores.

Por fim, o boletim procura trazer discussões como “O negro e a sexualidade”, texto de Wilson Santos, “O negro e na Igreja Católica e no Protestantismo” e ainda, em sua última página, apresenta a música oficial do grupo, criada por Mello Dias, e poemas.

Nº01:


Referências:

 

Nêgo – Décima Quarta Edição

  • Nêgo – Abril de 1988/N°14

A décima quarta edição do boletim informativo Nêgo, já faz parte de sua fase como jornal de circulação nacional e foi publicada em abril de 1988. Essa edição conta com 12 páginas e traz em sua capa uma ilustração de um guerreiro negro. Em sua segunda página podemos encontrar novas informações acerca dessa nova fase do periódico.

Ainda nessa página o jornal traz a matéria “Opinião – MNU – 10 anos de luta!”, na qual é apresentada a história do MNU, o desenvolvimento da entidade, sua organização em vários estados e as suas principais conquistas como a realização de oito congressos e dois encontros nacionais. A matéria ainda afirma que o MNU seria “como um instrumento de organização, de luta pela libertação do negro de toda e qualquer forma de opressão, e contra a dominação de raça e classe”.

Esse número traz também informações sobre a data 20 de Novembro, como surgiu, onde surgiu. Podemos destacar a coluna “Aconteceu” onde o informativo apresenta diversas notícias, entre elas, notícias sobre o Grupo de Mulheres do Alto das Pombas e o Grupo de Mulheres do MNU, notas sobre a questão da violência policial pelo país e sobre os direitos trabalhistas das empregadas domésticas.

A principal matéria, de título “Fala Crioulo”, apresenta a história do Movimento Negro Unificado, seu crescimento e atuação e, posteriormente, o jornal traz depoimentos de Paulo Bonfim, fundador e ex-militante do MNU/BA, e de Zelito Silva, do Movimento de Consciência de Rui Barbosa.

Esse número conta ainda com a seção sobre educação, a coluna “Denúncia” e a seção de literatura, que traz uma poesia de Oliveira Silva chamada “Treze de Maio”.

Nº14:

Nêgo

Nêgo é um boletim informativo do Movimento Negro Unificado seção Bahia, que circulou de 1981 até 1988. O informativo foi criado em julho de 1981, três anos após a fundação da entidade, com o objetivo de divulgar o trabalho do MNU e suas ideias, além de ser mais um meio de comunicação entre a organização e os negros.

O boletim possuía em média 8 páginas e uma tiragem de 3.000 exemplares (SOUZA, 2005, p.201). Os principais temas abordados estão relacionados à questão do racismo, à história do negro, ao carnaval, entre outros temas como religião, mulher negra, violência policial e o homossexual negro. Ainda eram divulgados os eventos e atividades culturais de outras entidades da cidade de Salvador.

Pode-se afirmar que, como a maioria dos jornais da Imprensa Negra, o informativo do MNU-BA também sofreu para dar início as suas publicações. Vários problemas dificultaram o seu lançamento e a sua continuação. Apesar disso, diferentemente de outros boletins, o Nêgo durou por muitos anos, graças a sua transformação em boletim de circulação nacional.

Em Afro-descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU, Florentina Souza conta a história desse boletim e suas diversas fases:

Do número 1 ao número 5 predominam as discussões de questões mais ligadas às culturas de origem africana e ao desejo explícito de conscientização da comunidade negra no tocante ao mito da democracia racial brasileira e à importância de se resgatarem os fatos históricos que possam contribuir para o desenho de uma história do negro que se constitua em motivo de orgulho de sua participação na construção do país (SOUZA, p. 205).

A primeira grande mudança no boletim foi a partir da 12° edição, quando o informativo passou a ser um jornal do MNU Nacional, com uma tiragem de 5.000 exemplares. Apesar de cada edição ter se tornado também responsabilidade das outras seções do MNU pelo país, a redação e a distribuição continuaram a encargo da seção Bahia.

Serão disponibilizadas no blog duas edições do Nêgo como boletim regional, e uma edição como jornal nacional do Movimento Negro Unificado.

  • Nêgo – Janeiro de 1983/ N°4

A quarta edição do boletim Nêgo foi publicada em janeiro de 1983 e traz em sua primeira página uma imagem de Zumbi, com sua data de nascimento e de morte. Tudo isso com o intuito de lembrar o dia da consciência negra e o que ela significa. Em seu Editorial a comissão de imprensa do MNU afirma que o número apresentado é muito especial, pois pretende tratar de três momentos da história. O primeiro seria o Quilombo dos Palmares, o segundo A Revolta da Chibata, e o terceiro A Revolta dos Malês. Cada um desses momentos significa um grande exemplo de luta por uma vida digna e por liberdade, entretanto, como destaca o texto, apesar de ser de suma importância para a história do Brasil, esses fatos não são ensinados na escola. A luta dos negros ainda é escondida no sistema educacional brasileiro.

Na página seguinte o informativo apresenta um texto de título “20 de Novembro de 1695 Morre Zumbi”. Esse texto procura apresentar informações sobre a história do Quilombo dos Palmares e seu último líder – Zumbi. O artigo ainda ressalta que essa história é ignorada pela “história oficial”. Porém, apesar disso, os negros a cada dia se conscientizam e ajudam a divulgar essa, e outras histórias.  Ainda nessa página são apresentados versos do poema “Canto dos Palmares” do poeta pernambucano Solano Trindade.

Essa publicação ainda expõe matérias sobre as realizações do MNU durante o ano de 1982 e suas contribuições para a luta contra a discriminação racial. Apresenta também textos sobre a Revolta dos Malês e sobre a história da Revolta da Chibata. Como foi dito anteriormente, essa edição tem como finalidade destacar acontecimentos e personagens da história negra.

Nº4:

 

  • Nêgo – Novembro de 1983/N°5

Em sua quinta edição, publicada em novembro de 1983, o boletim Nêgo, traz em sua capa diversas ilustrações e informações sobre o que será tratado nesse número. Matérias sobre os blocos: Ilê Aiyê – Angola, Olodum – Tanzânia, Ilê Obá – Namibia.

Em sua segunda página o boletim apresenta algumas informações acerca dos cinco anos de luta, do MNU, contra o racismo. Comentários sobre como surgiu, suas conquistas, as seções pelo Brasil e a sua principal realização que seria a instituição de uma data nacional da consciência negra. Ainda nessa página temos uma matéria de título “O Brasil de hoje, mas até quando?”, nesse texto o boletim fala sobre a situação política e econômica do Brasil na década de 1980.

Por fim, é apresentada a principal matéria “Blocos Afros 10 Anos”, texto de João Jorge Santos. O autor inicia seu texto afirmando que há 10 anos o carnaval na Bahia passou a contar com a criação de blocos compostos somente por pessoas negras. Para Santos esses blocos são uma força negra impressionante e que contribuem profundamente para a conscientização do negro. Dessa forma, o autor se propõe a comentar sobre os fatores positivos e negativos do bloco e suas dificuldades.

Nº5:

 


Referências:

  • SALOMÃO, Renê Santos. “Que Imprensa é essa? Os jornais negros de Salvador na década de 1980”. 2012. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social – Jornalismo) – Universidade Federal da Bahia. Disponível em: http://facom.ufba.br/portal/wp-content/uploads/2013/08/tcc_versaofinal.pdf. Acesso em: 25/03/2017.
  • SOUZA, Florentina da Silva. Afro-descendência em cadernos Negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

Boletim Informativo Nega Massa

Nega Massa é um boletim informativo do Núcleo de Mulheres do Movimento Negro da Bahia. Foi lançado em 1998, com o objetivo de trazer informações e ressaltar o papel da mulher nas lutas pelos Movimentos Negros. O boletim conta com duas páginas. Será disponibilizada nesta postagem a segunda edição do Nega Massa.

  • Nega Massa – Ano 0 – Nº2.

Em sua primeira página o boletim apresenta o Editorial, que ressalta o aniversário de 20 anos de luta do Movimento Negro Unificado, que foi fundado em 1978 na cidade de São Paulo. O editorial salienta as conquistas do MNU, como o combate ao mito da democracia racial, a luta pela consagração da figura de Zumbi, entre outros marcos. Recebe destaque também a participação das mulheres em todos esses momentos e conquistas.

O boletim traz outras notícias como o texto sobre uma plenária da articulação de mulheres negras que debateu o calendário e o conjunto de atividades para o segundo semestre do ano de 1998 e 1999. A plenária ocorreu em julho de 1998.

A primeira página apresenta ainda um texto sobre a escolha de roupas afro-baianas e a relação entre beleza e identidade. O texto procura discutir a forma de se vestir da mulher negra.

Em sua segunda página o Nega Massa traz uma matéria sobre os 20 anos do MNU e a resistência e luta da mulher negra, retornando o que foi discutido brevemente no Editorial. Segundo o boletim, é preciso destacar a participação das mulheres que “(…) sustentaram, lideraram e marcaram com seu toque de rebeldia, e contestação feminina-africana a história do movimento de libertação negra no Brasil”. O artigo apresenta figuras como Luiza Mahim, Zerefina, Aqualtune e Dandara. Por fim, é lembrada a luta do MNU desde de sua fundação e a relação entre racismo e sexismo. O texto é de Cláudia Pacheco.

Nº2: