Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África

Este informativo traz informações acerca da preparação para o Tribunal Internacional sobre a África. O informativo contém 4 páginas e foi publicado em fevereiro de 2000, em Los Angeles nos Estados Unidos.

Em sua primeira página o informativo traz um texto sobre a conferência preparatória ao Tribunal Internacional, que se realizou em Joanesburgo, na África do Sul em fevereiro de 1999. A conferência foi organizada pelo Partido Socialista da Azânia. O texto apresenta o debate acerca dos crimes cometidos na África.

Na página seguinte o informativo traz uma matéria de título “Por que nós acolhemos a conferência preparatória do tribunal sobre a África”, texto de Lybon Mabasa, presidente do Partido Socialista da Azânia.

A página três contém uma entrevista com Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado. Comentando a situação do povo africano hoje, porque Barbosa apoia o Tribunal Internacional e a participação do Brasil.

O informativo traz ainda uma campanha para a libertação de Mumia Abu-Jamal, ex-membro do Partido dos Panteras Negros, preso injustamente e condenado ao corredor da morte nos Estados Unidos.

Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África:

Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa”

O Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi criado em 1991. Conforme a primeira edição do boletim informativo o grupo tinha como objetivo, (…) passar informações sobre questões da vida cotidiana da mulher negra; nossa história, saúde, sexualidade, violência… E deixar mais transparente para todas as entidades o trabalho que o “Mãe Andresa” vem desenvolvendo ao longo desses anos (BOLETIM INFORMATIVO  DO GRUPO DE MULHERES “MÃE ANDRESA”, 1991, Nº1).

O Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi fundado em junho de 1986, em São Luís no Maranhão, para promover discussões relativas as questões específicas da mulher negra. O grupo procura trabalhar com atividades em bairros carentes, promover seminários, diversas campanhas e encontros. O nome é uma homenagem as mães de santo, principalmente, Andresa Maria de Souza Ramos. Mãe Andresa chefiou a Casa de Minas Jeje por 40 anos. A Casa foi fundada em 1840 e sua fundadora é conhecida como Maria Jesuína, “(…) que incorporava o vodum Zomadunu, a quem a casa é dedicada” (FERRETTI, 2001, p.16).

Segundo o Museu Afro-Digital do Maranhão, a Casa de Minas Jeje é o

Terreiro mais antigo do Maranhão, fundado por africanos na década de 1840, considerado como tendo implantado o modelo de culto do Tambor de Mina.  Foi organizado por “escravos de contrabando” – que ingressaram após a proibição do tráfego. Cultua apenas voduns mina procedentes do antigo Reino do Daomé, louvados com cânticos em língua jêje (Ewê-Fon).

Vale ressaltar que a Casa de Minas Jeje não possui casas derivadas e hoje são poucos os praticantes. A casa foi tombada pelo IPHAN em 2002.

Mãe Andresa nasceu em 1854, na cidade de Caxias, e faleceu 100 anos depois na cidade de São Luís do Maranhão. Conforme Sérgio Ferretti, Mãe Andresa assumiu a Casa “(…) quando tinha cerca de 60 anos e passou a se dedicar inteiramente a direção da Casa” (FERRETTI, 2001, p.20). Vale ressaltar, que Mãe Andresa era considerada uma pessoa generosa e se tornou um figura muito respeitada e conhecida, possuindo amigos das elites do Maranhão e de outros estados. Acerca do falecimento de Mãe Andresa, Ferretti afirma:

Mãe Andresa faleceu na quinta-feira santa, 20 de abril de 1954, e o tambor de choro (rito fúnebre do tambor de mina) foi tocado após sábado de Aleluia. As filhas de Poliboji colocaram luto por um ano. Após ano de luto, fez-se uma limpeza de Casa e os tambores voltaram a tocar novamente, mas a Casa já não tinha o mesmo brilho após a morte de sua grande chefe (FERRETTI, 2001, p.27).

O boletim era um informativo bimestral e possuía 3 páginas. A produção do boletim era feita pelo próprio grupo e a redação era responsabilidade de Lúcia Dutra, Marinildes Martins, também responsável pela datilografia, e Silvane Magali. A diagramação era realizada por Luís Viana.

Será disponibilizado a baixo o primeiro boletim desta entidade, publicado em Novembro de 1991.

  • Boletim Informativo – “Mãe Andresa” – Ano I, Nº01.

Esta edição por ser a primeira publicação tem como finalidade informar sobre a história do grupo e suas atividades. No Editorial relatam-se  os objetivos do boletim, a história da entidade, entre outras questões, como, por exemplo, o debate sobre o extermínio de crianças e adolescentes negros e o trabalho de organização de diversos eventos importantes para as mulheres negras como o I e II Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizados em 1988 no Rio de Janeiro e em 1991 em Salvador, na Bahia.

Na segunda página o boletim traz uma seção chamada “Ponto de Vista” e apresenta um texto de Marinildes Martins, militante do grupo, sobre a força da mulher negra.

Na página seguinte propõe-se uma discussão sobre a esterilização. O boletim procura alertar as mulheres negras sobre como a esterilização ocorre no país e no estado do Maranhão, que na época possuía índices alarmantes. O grupo destaca a relação entre essa prática e o machismo e racismo. Texto de Silvane Magali.

Nº01:


Referências:

FERRETTI, S. F.. Andresa e Dudu – Os Jeje e os Nagô: apogeu e declínio de duas casas fundadoras do tambor de mina maranhense. In: SILVA, Vagner G. (org.). Caminhos da alma: memória afrobrasileira. São Paulo: Summus, 2001.

MUSEU AFRO-DIGITAL MARANHÃO. Casa das Minas. Disponível em: <http://www.museuafro.ufma.br/busca.php?busca=casa+das+minas>. Acesso em: 30/09/2016.