Boletim Omnira – Sexta Edição

Em outubro de 1994 foi publicada a sexta edição do boletim Omnira. A matéria de capa em destaque intitulada “Quilombolas hoje!” fala sobre o II Seminário Nacional de Mulheres Negras que aconteceu em setembro de 1994, em Salvador/Bahia. Esse encontro contou com a participação de mulheres de 15 estados e tinha como objetivo elaborar “propostas organizativas de mulheres brasileiras no final do século”, trataram ainda acerca do problema da saúde, sobre políticas públicas, questão de gênero e racismo. Vale mencionar que o Omnira esteve presente nesse seminário. Essa matéria é de autoria de Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo e Cristina Vital do Omnira/MNU.

Neste número o Editorial promove a discussão sobre doenças consideradas étnicas/raciais, como a anemia falciforme e ainda ressalta a participação do Omnira no desenvolvimento de uma pesquisa sobre a saúde da mulher negra.

Esta edição traz ainda uma matéria acerca do turismo em Pernambuco. No período dessa publicação o turismo estava sendo visto como uma grande atividade do estado e tinha se tornado tema de debates e projetos políticos. Entretanto, a matéria chama atenção para outro tipo de turismo – o sexual, e sua relação com o estado de Pernambuco.

Pode-se destacar também a coluna “Mulheres em Movimento” trazendo informações sobre eventos para comunidade.

Outra matéria relevante diz respeito à organização das mulheres negras em Pernambuco com o “Coletivo de Mulheres Negras”, que surge em 1991.  Esse coletivo é criado para ser um espaço político e de articulação, para que as mulheres desenvolvam ações de combate a discriminação de gênero, raça e classe. O coletivo conta com a participação de diversas entidades, incluindo o Omnira. A matéria é assinada por Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia de Benedita da Silva, uma importante política brasileira.

N°06:

Boletim Omnira – Quarta e Quinta Edição

  • Boletim Omnira – Quarta Edição

A quarta edição do boletim Omnira compreende os meses de outubro e novembro de 1993.  A matéria de capa traz informações sobre uma sessão especial que ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e da participação das mulheres negras nessa luta. Várias entidades participaram da homenagem como o Movimento Negro de Pernambuco, que foi representado pelas militantes Cristina Vital e Mônica Oliveira, autora da matéria.

Esse número traz também informações acerca da instituição ETAPAS, que criou a Rede de Jornais em julho de 1992, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de jornais comunitários, como o Omnira, e como é desenvolvido esse trabalho.

A matéria principal se encontra na terceira página e trata a questão do tráfico de mulheres, analisando a exportação da mulher brasileira e a participação de Pernambuco como o estado “campeão” nesse problema, sem deixar de lado a questão do racismo e fato de que as mulheres negras são as mais exportadas e exploradas, em razão dos estereótipos de mulher “sensual” e “quente”.  O texto ainda informa acerca do Comitê Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Turismo Sexual, criado com objetivo de debater esse tema e de denunciar essa situação e representado nacionalmente pela Cristina Rodrigues do Grupo Cultural Olodun. Pode-se destacar ainda a participação do Omnira, que logo de início mobilizou uma palestra sobre a temática na cidade do Recife no mês de outubro de 1993. A matéria é assinada por Cristina Vital.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia da Rainha Tereza, “mulher negra que liderou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso”.  Por fim, esse número ainda conta com a poesia “Nem tudo está perdido” do poeta negro pernambucano, Solano Trindade.

N°04:

  • Boletim Omnira – Quinta Edição

O boletim do Grupo de Trabalho da Mulher – Omnira, do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco, traz em maio de 1994 sua quinta edição.

A matéria de capa é de Adelaide Lima e aborda a realidade da mulher negra no período da escravidão e na década de 1994, quando foi publicado o jornal. O texto ressalta a situação atual das mulheres negras, que trabalham como domésticas, babás e outros empregos onde ainda sofrem abusos e convivem com a dificuldade para se iniciar uma família e para mantê-la. Nesse sentido, o texto afirma que para a sociedade branca “o lugar da mulher negra é de servir em todos os sentidos”. A partir disso Lima defende a união das mulheres, relembrando as mulheres negras do passado e suas lutas.

Nesta edição o Editorial comenta sobre a demora na publicação do Omnira, em razão das muitas atividades do Movimento Negro Unificado e dos poucos militantes. Traz também explicações acerca das discussões feitas nesta edição sobre o dia do trabalho, na perspectiva da Central dos Movimentos Populares e do próprio MNU.

A matéria publicada pela Central dos Movimentos Populares traz a história do dia 1° de Maio. Ressaltando o caráter de luta dessa data e seu momento internacional e no Brasil. O MNU segue outra linha de análise, questionando o dia internacional do trabalhador e afirmando que essa data não contempla os negros e índios trabalhadores do Brasil. O MNU afirma que quando essa data foi estabelecida em 1886 a situação do branco e do negro no Brasil era bem diferente. O primeiro se encontrava assalariado e os segundo – escravo. A partir disso a matéria questiona o que de fato esse dia representa e quem ele representa. Além disso, Cristina Vital, autora do texto, ainda afirma que a “exploração do branco era registrada e a do negro queimada nos arquivos”.

Pode-se destacar a matéria de Maria do Rosário Trindade dos Santos acerca da saúde pública no Brasil. O texto ressalta a privatização da saúde e do desastre da mesma, afirma ainda que o mais prejudicado por essa miséria é o povo negro, especialmente a mulher negra que sofre com diversos problemas, incluindo a questão da esterilização em massa.

N°05:

 

Boletim Omnira – Segunda Edição e Informativo

O segundo número do boletim Omnira compreende os meses de maio e junho de 1993. O principal tema trabalhado é a questão do dia 13 de maio, dessa vez, sobre a perspectiva da mulher negra. A matéria traz um desenho de uma mulher negra acorrentada a uma favela, além de uma discussão que revela as consequências da falsa abolição. O texto é assinado por Abrenide Simões.

O Editorial do boletim pede que as leituras se comuniquem, para contribuir nesse debate e faz uma reflexão sobre os objetivos do Fórum de Mulheres Negras do estado de Pernambuco.

O boletim traz também uma coluna chamada “Mulheres em Movimento” onde são anunciados os eventos e acontecimentos mais importantes para a comunidade.

Essa edição do Omnira promove uma discussão acerca da mortalidade materna, na matéria “As mulheres negras também são “campeãs””. O texto revela as principais causas dessa mortalidade como a falta de assistência médica e os abortos clandestinos. Nesse sentido, Cristina Vital e Vilma de Deus, autoras do texto, afirmam que em razão da condição social da mulher negra, ela é a mais atingida por esses fatores. As autoras ainda destacam uma solução, que seria discutir profundamente essa questão, levando em consideração que “o Brasil é um país dividido por raças”.

O Omnira ainda apresenta em várias edições uma coluna chamada “Mulheres que fizeram parte da nossa história”, nesse número a história relatada é a da Rainha Nzinga. Em outra edição do Omnira, a historiadora e militante, Martha Rosa Figueira Queiroz, fala sobre a importância de se destacar essa figuras do passado. Ela afirma que “é esta realidade de guerreira que nos leva a resgatar as heroínas negras do passado e referendar as do presente. Não como forma de colecionar heroínas negras e datas mortas, que não transformam. A lembrança guerreira das de ontem e a identificação com as de hoje, nos tem levado a continuar na luta pela conquista de nossos direitos de cidadãs comuns e descendentes de uma civilização milenar, possuidora de uma história de risos e lágrimas.” (OMNIRA, nº 4, out/nov/1993)

Vale mencionar que em suas páginas o Omnira destaca uma campanha do MNU chamada “Reaja à Violência Racial”.

N°2:

  • Informativo

Em outubro de 1993, o boletim Omnira traz um informativo para promover uma palestra que iria ocorrer na cidade do Recife com o tema: Exportação de Mulheres. A palestrante era do Coletivo Mulheres Negras da Bahia, Cristina Rodrigues.

 

Boletim Omnira

O boletim Omnira é uma publicação do Grupo de Trabalho de Mulheres do Movimento Negro Unificado de Pernambuco. O Omnira, palavra que significa liberdade, foi criado em 1993 com o objetivo de analisar em textos e matérias questões de gênero e raça.

O boletim contém 4 páginas, impressas em off-set, preto e branco, sobre papel jornal, e com tiragem de 1000 exemplares. Quanto ao formato, os três primeiros números do Omnira vieram em tamanho meio ofício, passando a ser editado em tamanho ofício a partir do número 4, como resultado da mudança (QUEIROZ, 2011, p.548) na edição da Rede de Jornais. Essa rede foi criada em julho de 1992, pela entidade não governamental, intitulada ETAPAS. Essa entidade tinha como finalidade unir jornais de várias comunidades com o objetivo de possibilitar o seu crescimento. Uma das características dessa rede era o fato de que nas páginas internas dos jornais, as matérias deveriam tratar de temas gerais, presente em todas as comunidades. Nesse sentido as matérias presentes na parte de dentro do Omnira, eram as mesmas dos jornais da rede. Pode-se com isso afirmar que, diferentemente do Negritude, o MNU não determinava todas as questões relacionadas ao Omnira, entretanto esse boletim atingia um público maior e mais diversificado (QUEIROZ, 2011, p.548).

Como afirma a historiadora Martha Rosa Figueira Queiroz, Doutora em História pela Universidade de Brasília, através das páginas do Omnira podemos observar que o Movimento Negro reflete sobre gênero, ao construir grupos de mulheres que buscam analisar as relações raciais sob o ponto de vista feminino. O Omnira é a voz feminina em alto e bom tom na história do MN no Recife por ressaltar as personagens e as cenas desse enredo que articula racismo e sexismo (QUEIROZ, 2011, p.549).

No que diz respeito ao grupo Omnira, ele foi criado em março de 1993 com o objetivo de fazer um trabalho de conscientização com as mulheres negras para sua valorização e autoestima, através não só do boletim, como de palestras, reuniões, pesquisas e outras formas criadas pelo grupo para se relacionar com a comunidade.

Além de mostrar as edições do boletim, será disponibilizado nesta postagem o projeto original do grupo Omnira, onde o grupo de mulheres apresenta o projeto, justifica o mesmo e deixa claro seu objetivo de busca pela liberdade e por uma verdadeira democracia racial, além disso, as autoras do projeto afirmam que pretendem “desenvolver com as mulheres de baixa renda negra em sua maioria – atividades educacionais, na área de saúde, com vistas a uma melhoria na qualidade de vida.” (PROJETO DO GRUPO OMNIRA DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO).

Projeto Omnira:

No que se refere ao boletim, no acervo do Movimento Negro Unificado, na Casa da Cultura, constam 4 edições do Omnira, mais um informativo do ano de 1993. Os números que serão disponibilizados no blog são: nº02, 04, 05 e 08.


Referências:

  • QUEIROZ, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2.
  •  Projeto do Grupo Omnira do Movimento Negro Unificado.