Sim da Vida – Boletim Especial do CEAP

O Sim da Vida é um boletim especial do CEAP- Centro de Articulação de Populações Marginalizadas. De acordo com Éle Semog, diretor e presidente do CEAP, esta edição “constitui-se numa publicação de emergência sobre questões estratégicas”. O Sim da Vida contém 4 páginas e sua sede se encontrava na Rua da Lapa, no Rio de Janeiro.

Segundo sua página oficial, Éle Semog é um poeta e ativo militante do movimento negro. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro e atuou em diversas organizações de combate ao racismo. Pode-se destacar o seu trabalho na fundação do Jornal Maioria Falante e do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP. Hoje é membro do Conselho Executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos, além de Secretário Executivo do CEAP.

Edição Especial do CEAP

Esta edição especial do CEAP, denominada Sim da Vida, foi publicada em setembro de 1990. O tema que provocou essa discussão e a necessidade de uma publicação foi a questão da esterilização, tema muito debatido pelo movimento negro na década de 1980 e 1990.

Na primeira página o jornal destaca o tema em discussão com o depoimento de uma professora negra mãe de quatro filhos, após isto é apresentado um texto de título “Do controle da natalidade ao genocídio do povo negro”. O boletim procura chamar a atenção para quem são essas mulheres esterilizadas, que mulheres procuram esses métodos contraceptivos. No geral, mulheres pobres de áreas socioeconômicas menos desenvolvidas, ou seja, com baixa renda mensal, acesso precário a serviços básicos de saúdes, entre outros problemas. Mulheres que são na maioria negras. Como afirma o texto são “Mulheres que colocaram, sem saber, seu corpo, sua sexualidade e sua própria vida em risco, na tentativa extrema de não terem filhos que não teriam condições socioeconômicas de criar. (…) Todas desconhecendo os reais interesses que estão por trás de tudo isso”.

O jornal quer mostrar com esses dados e afirmações a relação que existe entre a esterilização e o extermínio da população negra. Esse investimento da população rica e branca no controle de natalidade seria uma tentativa de manutenção do mito da democracia racial. Dessa maneira, o jornal apresenta empresas que na época recebiam investimentos e atuavam na área de “planejamento familiar” e fala sobre o projeto de lei do deputado Nelson Seixas, que pretendia tornar lícita a esterilização a partir dos 21 anos.

Ainda sobre este tema, na página seguinte, o boletim traz um texto de Solange Dacache e Thais Corral denominado “Contra a industrialização da vida pela defesa da espécie humana”. O artigo trata sobre a situação da mulher na década de 1990, o perfil das brasileiras esterilizadas, a falta de informação sobre o tema, questões relacionadas a sexualidade, etc.

Por último, é válido destacar o texto escrito por Éle Semog sobre os objetivos desta publicação especial.

Edição Especial:


Referências: