Jornal Maioria Falante – Nº27

  • Maioria Falante – Vigésima Sétima Edição

O n°27 do jornal Maioria Falante compreende os meses de julho e agosto de 1992 e traz como tema principal o Funk e o Charme, juntamente com o que jornal denomina de “a discriminação do lazer”.

O Editorial traz a proposta de fazer crítica a algumas “lideranças” do Movimento Negro, que não procuram formular projetos em longo prazo voltados para a comunidade afro-brasileira. É discutida, como em outras edições, a falta de participação do Movimento Negro com a base.

Essa edição apresenta um espaço reservado para o debate acerca do balé clássico e como este faz parte da cultura do grupo dominante e acaba não oferecendo oportunidades aos bailarinos negros. Conforme o texto, nessa perspectiva, “a arte se funde com a estética dos povos brancos”.

Também recebe destaque a matéria com o correspondente do Maioria Falante em Nova Iorque – Paulo Afonso Duarte – relatando a sua história e sua relação com o jornal.

No que se refere à matéria principal sobre o Funk e o Charme é mostrado um pouco da realidade de cada ritmo e sua relação com a sociedade brasileira. Sobre o Funk é discutido todo o preconceito e a discriminação sofrida pelo seu público, além da relação com os patrocinadores, com o poder público e, principalmente, com racismo. Assim sobre o Charme os entrevistados falam a respeito da diferença entre os dois movimentos e a forma distinta como eles são tratados pela polícia.

No caderno de educação é preciso comentar sobre as matérias que trazem a questão ambiental em evidência e a relação entre ecologia e escola.

Outro tema trabalhado é o problema de identidade e a forma como é tratado o negro ao longo da história do Brasil, o autor debate ainda o momento de luta em que se encontra a comunidade negra. A matéria que relaciona e discute essas temáticas é de Yedo Ferreira: “Negros: povos invisíveis das Américas”.

Por fim vale ressaltar um pequeno texto que debate, sobretudo o negro e a religião muçulmana, texto de Cláudio de Jesus Nery, membro da articulação nacional de negros muçulmanos.

Nº27:

Jornal Maioria Falante – Nº25 e Edição Extra

  • Maioria Falante –Vigésima Quinta Edição

A vigésima quinta edição compreende os meses de junho e julho de 1991 do ano IV do jornal. Nessa edição são destacadas na capa as principais notícias e matérias, com ênfase nas informações sobre a preparação para o I Enen – I Encontro Nacional de Entidades Negras.

Em uma matéria de Yedo Ferreira sobre o Movimento Negro, o autor critica o formato pedido pelo I Enen, formato em que a maioria das entidades negras não se encontra. Ferreira ainda trata com ironia as pessoas que acreditam que o encontro possa vir a contribuir para a organização do Movimento Negro.

Vale mencionar também a matéria de Pedrina de Deus sobre a Secretaria de Defesa e Promoção do Negro, onde a autora discute se esta secretaria não seria um ato de racismo. De Deus traz para o debate como se comporta a sociedade brasileira frente ao racismo e a dívida do Estado brasileiro com negros.

Na última página do jornal novamente se fala sobre o I Encontro Nacional de Entidades Negras, dessa vez dando destaque aos depoimentos sobre o evento e o que está acontecendo nos bastidores.

Nº25:

  • Maioria Falante – Edição Extra – Janeiro de 1992

Essa edição, que possui apenas quatro páginas, fala sobre a volta do jornal após uma ausência de quase seis meses em razão da recessão econômica. A publicação procura nesse sentido falar com seus leitores e mostrar que o Maioria Falante vai continuar e que conta com o apoio de seus assinantes e de seu público.

Aparece em destaque nessa edição o tema da Imprensa Étnica e a relação entre o Maioria Falante e a educação e como o jornal vem sendo usado como recurso didático em razão da identificação dos leitores com os temas abordados (causa negra, indígena, das mulheres, crianças e adolescentes da periferia).

Edição Extra:

Jornal Maioria Falante

O jornal Maioria Falante – um serviço de combate ao racismo e à discriminação foi fundado na década de 1980 por um grupo de amigos e circulou ininterruptamente de 1987 a 1996. Foi um periódico afro-brasileiro que resistiu a barreira criada aos jornais destinados a comunidade negra, no que se refere à sua circulação durante anos. Sua sede se encontrava no bairro da Lapa na cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com um de seus fundadores, Togo Ioruba, na entrevista dada ao repórter Carlos Alberto Madeiros da Costa, o jornal nasceu graças à experiência de seus participantes com a imprensa negra da época e defendeu, sobretudo, a ideia de suprir a necessidade de uma imprensa que trouxesse o combate ao racismo, mas não só isso, que destacasse, do mesmo modo, a mulher, o indígena, os jovens marginalizados, ou seja, “as ditas minorias”, que são maiorias no país.

O Maioria Falante era distribuído em vários estados do Brasil como: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e nas diversas bancas dos bairros do Rio de Janeiro.  O jornal conta com 16 páginas em cada edição, com exceção de alguns números extras, e é integrante do MEPP – Movimento de Educação Política Popular. Conforme informações da edição extra de 1992 o Maioria pode ser tratado como um jornal voltado também à educação, em razão do número de assinantes que trabalham com o ensino. Nesta mesma edição é revelado que as mulheres representam 45% dos leitores do jornal, os homens 25% e as entidades 30%. Outros dados relacionados aos assinantes mostram, que 60% deles fazem parte da classe média e 50% são universitários (MAIORIA FALANTE, EDIÇÃO EXTRA, p. 3, 1992). Pode-se destacar também, que na década de 1990 o jornal possuía 2.000 assinaturas no Brasil e no exterior.

No que se refere aos fundadores do jornal é importante ressaltar figuras como o jornalista Togo Ioruba, já citado no texto, o poeta e militante Elé Semog, Maria Júlia Feijó Theodoro responsável por questões da parte administrativa do jornal, o professor Carlos Alberto Ivanir dos Santos, entre outros membros.

Serão divulgados no blog os números 10, 25, 27 e uma edição extra.

  • Maioria Falante – Décima edição (Edição especial)

Nessa edição especial, que compreende os meses de novembro e dezembro de 1988, o jornal destaca em sua capa os principais temas que são abordados como a educação, o massacre de menores e sobre o Movimento Negro. É pertinente salientar que na parte inferior da segunda página se encontram as informações técnicas sobre o jornal como o diretor responsável, a lista de colaboradores, coordenadores, editores e o endereço da sede.

Vale destacar algumas matérias desse número como, por exemplo, o texto produzido por Gustavo Muller que traz para os leitores o debate sobre a vida sexual de pessoas com deficiências e como a sociedade as enxerga como se não fossem seres humanos. Além disso, o autor traz uma relação entre esse tema e as questões socioeconômicas e culturais do Brasil. Nessa mesma página se localiza o texto de Almir Pereira Júnior acerca da sociedade brasileira e a sua postura ao ignorar a discussão sobre a sexualidade no país.

Do mesmo modo pode-se ressaltar a matéria de Beth Silva Santos sobre as conquistas com relação aos direitos das mulheres com a Constituição de 1988. O texto mostra alguns dos principais direitos e faz questão de salientar que esta é uma conquista importante, no entanto representa apenas uma etapa. Além disso, o jornal apresenta uma pequena nota sobre o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que ocorreu na primeira semana de 1988, reunindo mulheres negras de todo o país para discutir temas como o mito da democracia racial, a família, o trabalho, a educação, a sexualidade e outros.

Nessa publicação o Maioria Falante debate diversos assuntos relacionados ao Movimento Negro. Primeiramente essa edição cita uma nota sobre o protesto do MN contra um anúncio publicado na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, em 28 de outubro de 1988, da cadeia de magazines “Smuggler”, o anúncio em questão retratava uma mulher negra amordaçada, presa em uma cadeira por várias crianças brancas, tudo feito de “maneira muito natural”. Essa imagem revoltou a comunidade, o MN e algumas entidades. Além de expor o racismo essa propaganda ainda revela a situação em que se encontra a empregada doméstica no Brasil.

Essa edição conta também com outras notas sobre o tema como a história do Movimento Negro paulista na década de 1980 e outra que diz respeito à como os militantes avaliam o Movimento Negro, para alguns o Movimento precisa de “novas táticas para crescer junto dos negros da periferia”, para estes a linguagem do MN é extremamente elitista, textos de Miriam Braz e Carlos Nobre respectivamente.

Nº10:


Referências:

  • Entrevista com Togo Ioruba no canal Cultne – acervo digital de cultura negra, criado no ano de 2010. Disponível em: https://youtu.be/7sUPh4Pgbxw. Acesso: 27/04/2017.

Sim da Vida – Boletim Especial do CEAP

O Sim da Vida é um boletim especial do CEAP- Centro de Articulação de Populações Marginalizadas. De acordo com Éle Semog, diretor e presidente do CEAP, esta edição “constitui-se numa publicação de emergência sobre questões estratégicas”. O Sim da Vida contém 4 páginas e sua sede se encontrava na Rua da Lapa, no Rio de Janeiro.

Segundo sua página oficial, Éle Semog é um poeta e ativo militante do movimento negro. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro e atuou em diversas organizações de combate ao racismo. Pode-se destacar o seu trabalho na fundação do Jornal Maioria Falante e do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP. Hoje é membro do Conselho Executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos, além de Secretário Executivo do CEAP.

Edição Especial do CEAP

Esta edição especial do CEAP, denominada Sim da Vida, foi publicada em setembro de 1990. O tema que provocou essa discussão e a necessidade de uma publicação foi a questão da esterilização, tema muito debatido pelo movimento negro na década de 1980 e 1990.

Na primeira página o jornal destaca o tema em discussão com o depoimento de uma professora negra mãe de quatro filhos, após isto é apresentado um texto de título “Do controle da natalidade ao genocídio do povo negro”. O boletim procura chamar a atenção para quem são essas mulheres esterilizadas, que mulheres procuram esses métodos contraceptivos. No geral, mulheres pobres de áreas socioeconômicas menos desenvolvidas, ou seja, com baixa renda mensal, acesso precário a serviços básicos de saúdes, entre outros problemas. Mulheres que são na maioria negras. Como afirma o texto são “Mulheres que colocaram, sem saber, seu corpo, sua sexualidade e sua própria vida em risco, na tentativa extrema de não terem filhos que não teriam condições socioeconômicas de criar. (…) Todas desconhecendo os reais interesses que estão por trás de tudo isso”.

O jornal quer mostrar com esses dados e afirmações a relação que existe entre a esterilização e o extermínio da população negra. Esse investimento da população rica e branca no controle de natalidade seria uma tentativa de manutenção do mito da democracia racial. Dessa maneira, o jornal apresenta empresas que na época recebiam investimentos e atuavam na área de “planejamento familiar” e fala sobre o projeto de lei do deputado Nelson Seixas, que pretendia tornar lícita a esterilização a partir dos 21 anos.

Ainda sobre este tema, na página seguinte, o boletim traz um texto de Solange Dacache e Thais Corral denominado “Contra a industrialização da vida pela defesa da espécie humana”. O artigo trata sobre a situação da mulher na década de 1990, o perfil das brasileiras esterilizadas, a falta de informação sobre o tema, questões relacionadas a sexualidade, etc.

Por último, é válido destacar o texto escrito por Éle Semog sobre os objetivos desta publicação especial.

Edição Especial:


Referências: