Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP

O Grupo Negro da PUC foi fundado em agosto de 1979 e se transformou em um importante representante dos Movimentos Negros no estado de São Paulo. Pode-se afirmar que esse grupo se destaca por atuar não somente na universidade (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) como fora dela.

Apesar das barreiras impostas ao grupo e de diversas dificuldades, assim como para outras entidades negras, o grupo conseguiu contribuir diretamente para a luta dos negros e criou, inclusive, um boletim informativo com o objetivo de divulgar sua posição com relação a diversas questões. O boletim contém 12 páginas e chama atenção para festas, encontros da população negra e temas importantes como questões políticas e a mulher negra.

  • Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP – Terceiro Ano, Segunda Edição.

No ano de 1982 foi publicada a segunda edição do boletim do Grupo Negro da PUC/SP. Como comenta os responsáveis em seu Editorial, o grupo estava passando neste período por grandes dificuldades e impasses políticos, o que acabou provocando a ideia de por fim ao grupo e, consequentemente, ao boletim. Entretanto, ao perceber o avanço da luta de outros segmentos da sociedade e de outras organizações contra o racismo, a discriminação e outros preconceitos, o grupo decidiu continuar na luta ao lado de todas essas pessoas e entidades.

Em sua terceira página o boletim trata sobre as festas e encontros do grupo, como por exemplo, o FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi. Este festival, segundo o boletim “representa a expressão histórico-cultural do negro no Brasil”, ou seja, é uma festa com o objetivo de retratar a arte afro-brasileira e de promover debates entres as entidades e grupos negros de São Paulo e do Brasil. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU e é realizado no mês de novembro. O primeiro festival ocorreu no ano de 1978, na cidade de Araraquara, depois em Ribeirão Preto, São Carlos e Campinas. Em 1982 foi realizado o quinto ano do evento e se deu na cidade de Piracicaba.

Outros encontros que ganharam destaque nesta edição foram: o Encontro Estadual de Entidades Negras e o III Congresso de Cultura Negra das Américas.

Na página seguinte, o boletim apresenta uma discussão sobre “20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra”, na qual discute-se  a negação do dia 13 de maio e a parceria do grupo com outros grupos como o Movimento Negro Unificado de São Paulo, a Comissão de Negros do Partido dos Trabalhadores, entre outras entidades. Nessa perspectiva, o boletim traz um artigo de Wilson Santos, que fora publicado primeiramente no boletim informativo Nêgo do Movimento Negro Unificado da Bahia. O artigo discute exatamente o não reconhecimento do dia 13 de Maio e a escolha do dia 20 de Novembro.

Esta edição apresenta ainda um artigo destinado às mulheres negras. Primeiramente, o texto traz o significado de palavras como mulata/mulato e uma discussão sobre os estereótipos que perseguem as mulheres, sem deixar de comentar a imposição de determinado padrão de beleza as mulheres negras, a questão da prostituição, tráfico de mulheres negras e a sua luta por espaço, dignidade e liberdade.

Por fim, o boletim apresenta discussões sobre as eleições do ano de 1982, a história de “Seu Cunha”, figura importante para os Movimentos Negros e um poema que reflete sobre a questão da negritude.

Nº02:

 

A Quilombada – Boletim Informativo de Mulheres do FECONEZU

A Quilombada é o boletim informativo de mulheres do FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi, que ocorre no interior de São Paulo, com o objetivo de reunir diversas entidades e grupos negros do estado, para promover o debate de diversos temas, principalmente, a situação do negro na sociedade brasileira. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU, mês de novembro. Sua primeira edição ocorreu em 1978, na cidade de Araraquara.

Conforme a primeira publicação do A Quilombada, o boletim surge com a finalidade de divulgar a história de luta das mulheres negras. O boletim conta com duas páginas e matérias escritas por mulheres militantes. A digitação, diagramação e impressão do boletim ficavam sob responsabilidade do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp.  A sede do Grupo de Trabalho – Mulher, responsável pela criação do A Quilombada, se encontrava na cidade de Campinas.

  • A Quilombada – Ano 01, N°0

Em sua primeira página o A Quilombada apresenta seu Editorial, que traz reflexões sobre o Festival Comunitário Negro Zumbi e outros eventos, como o I Seminário de Mulheres FECONEZU e o II Encontro de Mulheres Negras. Além de discutir brevemente sobre a vida da população negra no Brasil e a importância da luta das mulheres. Essa página apresenta também um poema.

O boletim contém um seção denominada “Informativo”, que mostra o processo de organização do II Encontro de Mulheres Negras do Interior de São Paulo.

Por fim, A Quilombada apresenta um texto sobre a discriminação da mulher no trabalho e o preconceito no esporte, ou seja, a relação entre a ignorância e a discriminação.

Nº0: