Jornal Abibiman

O Abibiman é um jornal da Associação de Resgate da Cultura Afro (ARCA), suas publicações eram realizadas mensalmente na cidade de Arcoverde, localizada na região do sertão pernambucano. Tinha como fundador Luiz Eloy de Andrade, mais conhecido como Luizão, era formado em Biologia e foi prefeito da cidade de Arcoverde no ano de 1998, além de ser um dos organizadores da Marcha de Zumbi dos Palmares. O número de páginas do jornal variava e trazia sempre em suas primeiras páginas, fotos de mulheres negras, como forma de mostrar a beleza da mulher negra, frases para o dia, dicas da medicina natural, além de também trazer diversos anúncios em meios suas páginas. Estas variavam entre: lojas de computadores, consultas clínicas, consórcios, perfumarias e artigos religiosos.

  • Abibiman –  N°40, Agosto de 1998

No ano de 1998 em sua quarta edição, traz em sua segunda página a matérias “Mãe velha tem 105 anos”, sobre Maria Tereza da Conceição de 105 anos de idade, umas das mais antigas residentes de Arco Verde. Além da matéria anterior, a página contém, uma pequena nota sobre a tribo Tabajara de onde originou a família Arcoverde. Segundo informações do jornal, a família de destaque na história do Brasil, teve sua origem na união de Jerônimo de Albuquerque e de uma índia Tabajara, batizada como Maria do Espírito Santo Arcoverde.
A página quatro apresenta a matéria de título “Como o diabo gosta”, onde se discute a desigualdade socioeconômicas que assolam o Brasil e o mundo, tendo como base uma pesquisa feita pela revista estadunidense, Forbes. Esta, utilizou como exemplos, Roberto Marinho(dono da rede TV ,Globo), na época com cerca de 6,3 bilhões de dólares, ocupando no ranking 50º posição, na lista dos maiores bilionários do mundo.
Na mesma página, o jornal irá destacar a matéria que tem como proposta a realização do ”Encontro Regional de Mulheres Negras”, dessa forma é marcada uma reunião na cidade de Natal entre os dias 29 e 30 de agosto, tendo como objetivo se aprofundar sobre a organização do movimento das mulheres negras. Entre os pontos principais da discussão pautada, encontrava-se: a avaliação da participação das mulheres negras em um encontro que aconteceu em Cuba, avaliação do movimento de mulheres negras a nível nacional e a articulação das mulheres negras dentro da CONEN.
O CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras) é uma entidade criada no I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN), em novembro de 1991, em São Paulo/ capital, no qual se chegou a conclusão de que o Movimento Negro necessitaria se orientar segundo a política e ações criadas em coletivo. O ENEN é fruto de vários encontros de homens e mulheres negras em todo Brasil, tendo como finalidade o fortalecimento do movimento negro no país, em combate ao racismo e a desigualdade. Neste contexto, surge o CONEN, com objetivo de organizar todas as entidades voltadas para a população negra brasileira, pautando as diferenças entre os problemas enfrentados pelo negro em diferentes regiões.

  • Abibiman –  N°46, Fevereiro de 1999

No editorial, que se encontra na primeira página, o tema é a objetificação dos homens negros e sobre tudo das mulheres negras, tendo como base o fato histórico da utilização de pessoas negras como objeto sexual, ainda na época da escravidão pelos senhores da casa grande. O editorial também fomenta o fato de que homem negro no auge do seu sucesso procura mulheres brancas, como forma de reafirmar sua vitória usando-a como troféu.
A página seis vem trazendo uma matéria sobre a atriz Maria Ceiça, que se recusou fazer papel de empregada no programa de televisão “Você decide”, acreditando ela, ter aberto “novas portas para o ator negro na televisão”.
Outra matéria que se destaca na página quatro do jornal é a matéria sobre a Lei nº 9.459 aderida no dia 13 de maio de 1997, que coloca como crime inafiançável o racismo. Nesta mesma página, o Abibiman vem com uma inovação, o horóscopo dos Orixás, onde trás consigo os doze signos dos zodíacos e seus orixás correspondentes, tendo como referência a Revista Raça Brasil, primeira revista voltadas para o público negro brasileiro.

  • Abibiman –  N°50, Junho de 1999

O editorial dessa edição, no ano de 1999, a privatização das escolas em Pernambuco, pelo estado. Para maiores informações, este editorial trás as estimativas de Analfabetismos entre a população negra e periférica de Pernambuco, onde “segundo a aferição de 1991 do IBGE, entre os negros e pardos com mais de 15 anos, o índice de analfabetismo é de 22%”, sendo apenas “13% dos negros e 14% dos pardos” com mais de sete anos de estudo.
Nesta mesma edição, na página quatro tem como destaque uma matéria do professor, do departamento de história da UFPE, Marcus J. M. de Carvalho, sobre os grandes traficantes de escravos entre os anos 1810 á 1850.

Boletim Siwaju

O Boletim Siwaju, é parte do INTECAB (Instituto da Tradição e Cultura Afro- brasileira). Seu formato é composto por seis páginas, com pequenas imagens, não contendo informações sobre o corpo de edição.

A sua primeira página apresenta como se deu a criação do instituto e suas propostas. Dessa forma, o ITECAB foi criado com base em uma proposta lançada no 1º Encontro Nacional da Tradição dos Orixás (em agosto de 1987, no terreiro do Ilê Axé Opó Afonjá localizado na cidade de Salvador. O objetivo central do instituto é “preservar os valores espirituais, culturais e científicos da religião tradicional africana no Brasil, além de proporcionar a troca de experiências a nível nacional e internacional com as COMTOCs ( Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura).

As COMTOCs reuniam lideres religiosos da África, América do Norte e América do Sul. O boletim descreve as três primeiras edições dessa conferência, sendo a primeira realizada em Ilê Ifé, Nigéria, no ano de 1981, a segunda a na cidade de Salvador/BH no ano de 1983, e por último em Nova York no ano de 1986.

Em seguida, já na pagina seguinte o boletim leva uma mensagem em época de réveillon para as nações de religião afro-brasileira em principal seus chefes religiosos. Nela identifica-se a preocupação de esclarecer as variadas tradições de cultos existentes, além de pregar o respeito por cada uma delas e a humildade entre os líderes religiosos.

Mais adiante, além de informar ao leitor os responsáveis por cada comissão do INTECAB, o boletim traz a notícia da premiação concedida ao Mestre Didi, pelo Bloco Olodum. A premiação foi realizada no dia 31 de Janeiro e consistia na entrega do troféu Ujaama, entre apenas personalidades que se destacavam na resistência pela preservação da cultura afro. Outro destaque, se refere a reunião do INTECAB, organizada no dia 28 de janeiro na cidade de Salvador – estavam presente o embaixador da Nigéria, Patrik D. Cole, membros do Conselho Religioso e Conselho Consultivo do instituto. A reunião tinha como objetivo informar ao embaixador nigeriano a existência do Instituto da Tradição e Cultura Afro- brasileira e suas finalidades.

Boletim Informativo Heloisa Gomes (MNU-BA)

É um boletim informativo da Coordenação Estadual de gênero MNU/ BA. Seu primeiro número lançado no ano de 1999, recebeu o nome da ativista pelos direitos humanos, educadora e enfermeira, Heloisa Gomes.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

  • Heloisa Gomes – Ano 1, N° 1.

Em sua primeira página apresenta-se os motivos da escolha do nome dado ao boletim. Mais adiante, é anunciado o Congresso Extraordinário do MNU, que iria ocorrer no dia 4 à 7 de setembro de 1999, na cidade de Belo Horizonte/ MG – tendo como suas principais pautas: ”1) Projeto político; 2) Organização política; e 3) Revisão dos documentos básicos;” Com isso se faz a proposta da participação das mulheres enquanto movimento de mulheres negras, para que sejam também discutidas suas questões específicas. Para finalizar na mesma página, com o título “Avaliando o 8 de março”, é sinalizado a organização de mulheres em marcha para comemorar o dia, reivindicar seus direitos e denunciar as desigualdades.

O boletim denúncia o racismo e o machismo vivenciado pelas mulheres negras no Brasil configurados nas pelas péssimas condições de trabalho subalternizado, saúde, educação e moradia. Além disso, são várias violências sofridas, assim como: programas de controle a natalidade, abuso sexual e violências físicas e psicológicas – sendo estas condições reflexos do período escravocrata, aonde a mulheres negras eram consideradas apenas objetos sexuais e ferramentas de trabalho. Além disso, é desmistificado o mito da democracia racial, formulada pelo sociólogo Gilberto Freyre, que consistia em criar uma imagem do Brasil totalmente isenta de racismo, na qual o índio, o branco e o negro vivam em completa harmonia. Este mito também influenciou na imagem da mulher negra brasileira direcionadas ao exterior, que contribuía para a formulação uma gama de estereótipos sexistas e racistas.

Com relação à saúde física da mulher negra, o jornal também faz denúncias as políticas de esterilização promovidas pelo Estado para o controle de natalidade, partos cesáreos sem assistência adequada e a falta de informações que deveriam ser passadas para estas mulheres .Através dessas denúncias, o boletim pontua a necessidade de organização de mulheres negras na busca por melhorias.

Raça e Classe PSTU

Raça e Classe é o boletim da Secretaria de Negros e Negras do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Este boletim foi criado com o objetivo de debater questões relativas a comunidade negra. As edições disponibilizadas nesta postagem não apresentam informações sobre o número do jornal e sua tiragem. O número de páginas do boletim não é regular.

O PSTU foi fundado em 1994 e seu programa e estatuto foram aprovados durante um Congresso para a fundação do partido em julho do mesmo ano (SILVA, 2001). A fundação do partido seu deu também em razão da ruptura de vários membros com o Partido dos Trabalhadores (PT), para eles o PT deixou de ser uma alternativa para o desenvolvimento de uma postura revolucionária da esquerda. Segundo a página oficial do PSTU do Rio Grande do Sul, o partido defende a implementação de um projeto revolucionário e socialista no Brasil, defendendo a luta do operário, do estudante e uma luta popular.

Os boletins que serão publicados no blog são dos anos 1999, 2000 e 2001.

  • Raça e Classe PSTU – Outubro de 1999.

Em sua primeira página o boletim apresenta a matéria “Novembro é mês da consciência negra. É mês de luta”. Como fica claro no título o texto destaca a importância do mês de novembro para a luta dos negros no Brasil, e ressalta que o ano de 1999 é ainda mais importante em razão do baixo salário e da situação de desemprego enfrentada pelos negros no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dessa forma, o texto convoca uma paralisação nacional contra o então presidente e o FMI.

Esse tema continua na página seguinte na discussão sobre os 500 anos de racismo e exploração vivenciados pela população negra do país. Na página três o jornal traz um texto sobre as tentativas criadas para uma mobilização internacional para a não execução do ex-líder dos Panteras Negras – Mumia Abu-Jamal. O julgamento de Abu-Jamal foi marcado por manipulação e ocultação de provas e durante o ano de 1999 o mesmo se encontrava no corredor da morte. O texto apresenta também a participação do Brasil nesse processo destacando as reuniões, o surgimento de comitês, entre outras medidas para defender a liberdade para Abu-Jamal.

Em sua última página, o boletim conta com uma matéria sobre a figura de João Cândido e a história da Revolta da Chibata.

Outubro de 1999:

  • Raça e Classe – Novembro de 2000.

Esta edição apresenta apenas duas página e traz primeiramente uma matéria sobre o 20 de Novembro e a importância de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares. O texto debate ainda sobre as formas de violência que afetam a população negra e pobre e sobre a necessidade de lutar para pôr fim ao racismo, destacando a figura de Zumbi e seguindo o seu exemplo.

Ainda na primeira página o jornal comenta sobre as medidas tomadas no governo de FHC, afirmando que tais medidas afetam de forma negativa a população pobre e negra do Brasil. Dessa forma, para o boletim essa parte da população deve se comprometer com a luta contra FHC e o FMI. Nesta página é relembrada a questão de Mumia Abu-Jamal e a perseguição contra o mesmo. Vale apontar, que apesar das várias campanhas Abu-Jamal só deixou o corredor da morte em 2012 e ainda continua preso.

Na segunda página o jornal debate sobre a eleição de João Paulo e a relação do PSTU nessa campanha. No final da página recebe destaque a frase “Não há capitalismo sem racismo” de Malcolm X.

Novembro de 2000:

  • Raça e Classe – Maio de 2001

Esta edição apresenta uma única página que apresenta um texto de título “Liberdade Guerreira”. Ele trata da luta dos negros pela liberdade, destacando o seu caráter de conquista em razão das dificuldades enfrentadas, dessa forma, pode-se destacar as figuras de Zumbi e João Cândido, segundo o boletim:

O primeiro nos ensinou que para lutar contra a escravidão era preciso atacar o sistema que dela se beneficiava; o segundo, ao apontar os canhões dos navios rebeldes contra o palácio federal, definiu o alvo certeiro na luta contra o racismo: o estado capitalista e seus lacaios.

O texto comenta ainda sobre a abolição e reflete sobre o significado do 13 de Maio e por fim ressalta que a liberdade só vai ocorrer de fato com uma luta contra o sistema e a construção de uma sociedade socialista.

Maio de 2001:


Referências:

 

Raça & Classe – Partido dos Trabalhadores (PT)

Raça & Classe é o órgão de informação e divulgação da comissão do negro do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal. Este nome tem como finalidade mostrar a linha política dos militantes negros do PT. Esta comissão foi criada em 1984 juntando-se ao Movimento Negro na luta contra o racismo. O boletim informativo Raça & Classe surgiu em 1987, possuindo uma tiragem de 3.000 exemplares.  O editor responsável era Edson Cardoso. O boletim apresentado nesta postagem contém 8 páginas.

  • Raça & Classe – Ano I, Nº1, Junho/Julho de 1987.

A edição de estreia do boletim procura mostrar os objetivos desta comissão e a proposta do informativo.  Em sua segunda página o boletim apresenta a história do Raça & Classe, mostrando que antes de vir a público o jornal já contava com 400 assinantes, e a importância deste título que remete a relação entre a presença do negro na história e o trabalho.

Ainda nesta página o jornal traz um aviso para os leitores assinarem o Raça & Classe como objetivo de fortalecer a imprensa negra. Pode-se destacar também a matéria da Deputada Benedita da Silva do PT do Rio de Janeiro, que faz um pronunciamento sobre o controle da produção mineral brasileira por grupos estrangeiros.

A quarta página do jornal traz uma reportagem e entrevista sobre a Pastoral do Negro. O jornal destaca também notas sobre livros e música. É válido destacar a matéria que se encontra na quinta página e que trata sobre a verdade da abolição através de um debate dos militantes da comissão. O debate contou com a presença de Benedita da Silva, Lourdes Teodoro (professor da Universidade de Brasília), Edson Cardoso (Comissão Regional do Negro) e contou com a presença de 150 pessoas.

É importante comentar sobre a matéria de Edson Cardoso “Publicidade e Racismo”, sobre o papel da propaganda para reforçar a discriminação e o racismo na sociedade brasileira. O jornal traz ainda outras matérias relevantes como a “Vila Paranoá: da Senzala ao Quilombo”, sobre o grupo negro presente na vila Paranoá, em Brasília.

Nº1:

Jornal Praia Verde

O Jornal Praia Verde é um jornal de Brasília, que tem como objetivo “divulgar e contribuir para a cultura afro-brasileira, inclusive os cultos de origem africana, e se colocar a favor dos povos injustiçados, buscando sempre transmitir otimismo e justiça”. O jornal tinha distribuição exclusiva para assinantes e logo após seu lançamento foi bem recebido pelas entidades negras. Esta edição não informa o ano de publicação deste número do jornal.

  • Jornal Praia Verde – Ano I, Nº02.

A segunda edição do Jornal Praia Verde foi lançada em Outubro, um mês após seu lançamento. Um dos assuntos em destaque neste número é o Apartheid, a principal matéria do jornal ganhou o título “Apartheid – o racismo assassino continua”, o texto aborda a situação da África do Sul e fala sobre figuras como Seretze Choabi e Sidney Moliti, membros do Congresso Nacional Africano, instituição voltada para a libertação nacional do povo africano. Outras matérias sobre o tema se encontram nas páginas 3 e 9.

O Editorial desta edição traz informações sobre os comentários acerca da primeira edição do jornal, além de comentar o objetivo do mesmo.

O jornal contém várias seções, entre elas a seção raízes que traz, na página 8, uma matéria sobre Clementina de Jesus, com texto de Teté Catalão, poeta e jornalista. A seção cultura apresenta uma matéria acerca do Projeto Zumbi, grande acontecimento para a cultura afro-brasileira. A terceira edição ocorreu em São Paulo e teve como homenageado Gilberto Gil. Essa seção conta com um texto de Chico Piauí, militante do Movimento Negro Unificado, para as comunidades e entidades negras.

A seção participação apresenta a matéria “As forças de um movimento” que fala sobre o Movimento Negro Unificado, sua história e sua força no cenário nacional. O texto fala sobre a presença do MNU nos estados pelo Brasil e o número de militantes na época. Ainda é abordada uma discussão sobre posição política do MNU e a violência policial, comentando o caso de agressão sofrida por Chico Piauí pelos seguranças da Câmara dos Deputados. Por fim, é levantada a questão do dia 20 de novembro e a importância da figura de Zumbi.

Esta edição contou com 12 páginas. O diretor geral do jornal era José Lucena de Araújo e o editor geral Alexandre Accioly, entre outros diretores e colaboradores. A gráfica responsável pelos exemplares é a Editora e Gráfica Ipiranga.

Nº2:

Boletim Informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP

Serão publicadas nesta postagem duas edições do boletim do Núcleo de Consciência Negra na USP. Conforme a página oficial do núcleo, esta entidade sem fins lucrativos e sem apoio institucional da USP foi fundada em 1987 a partir do trabalho de funcionários, estudantes e professores da USP. O grupo conseguiu a sua sede apenas no ano de 1993. Este núcleo tem como objetivo lutar contra o racismo e a discriminação, seja ela racial ou sexual.

O boletim informativo do núcleo foi criado em 1993, na cidade de São Paulo, e cada edição contém 8 páginas.

  • Boletim Informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP – Ano I, Nº0/01, Abril/Maio e Junho/Julho de 1993

Estas edições de lançamento do boletim informativo do Núcleo de Consciência Negra na USP apresentam os resultados de uma pesquisa realizada com militantes de diversas entidades negras no I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN). Esta pesquisa tem como finalidade traçar um perfil da militância negra brasileira. O texto que aborda as diversas questões avaliadas, com base na pesquisa, é de Luiz Carlos Santos.

Na publicação nº0, que foi lançada em abril/maio do mesmo ano, o boletim traz o resultando parcial deste trabalho, que levou mais de um ano para ficar pronto.

Esta pesquisa pretende ajudar a coordenação do ENEN e as entidades presentes no I Encontro. Todo o conteúdo, das duas edições, é voltado para análise e debate dos dados obtidos através dos questionários. Entre os vários pontos abordados, pode-se destacar perguntas sobre a idade, estado de origem, escolaridade dos militantes, acerca das entidades, sua natureza, preferência política, quem é ou não filiado a partidos políticos, entre outras questões fundamentais sobre o perfil dos movimentos negros do Brasil. Todos esses dados são frutos dos 241 questionários recolhidos e avaliados pelo NCN-USP. Outras informações relevantes são levantadas nesta edição, que tem como colaboradora Regina Nascimento.

Nº0/01:

 


Referência:

Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP

O Grupo Negro da PUC foi fundado em agosto de 1979 e se transformou em um importante representante dos Movimentos Negros no estado de São Paulo. Pode-se afirmar que esse grupo se destaca por atuar não somente na universidade (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) como fora dela.

Apesar das barreiras impostas ao grupo e de diversas dificuldades, assim como para outras entidades negras, o grupo conseguiu contribuir diretamente para a luta dos negros e criou, inclusive, um boletim informativo com o objetivo de divulgar sua posição com relação a diversas questões. O boletim contém 12 páginas e chama atenção para festas, encontros da população negra e temas importantes como questões políticas e a mulher negra.

  • Boletim Informativo do Grupo Negro da PUC/SP – Terceiro Ano, Segunda Edição.

No ano de 1982 foi publicada a segunda edição do boletim do Grupo Negro da PUC/SP. Como comenta os responsáveis em seu Editorial, o grupo estava passando neste período por grandes dificuldades e impasses políticos, o que acabou provocando a ideia de por fim ao grupo e, consequentemente, ao boletim. Entretanto, ao perceber o avanço da luta de outros segmentos da sociedade e de outras organizações contra o racismo, a discriminação e outros preconceitos, o grupo decidiu continuar na luta ao lado de todas essas pessoas e entidades.

Em sua terceira página o boletim trata sobre as festas e encontros do grupo, como por exemplo, o FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi. Este festival, segundo o boletim “representa a expressão histórico-cultural do negro no Brasil”, ou seja, é uma festa com o objetivo de retratar a arte afro-brasileira e de promover debates entres as entidades e grupos negros de São Paulo e do Brasil. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU e é realizado no mês de novembro. O primeiro festival ocorreu no ano de 1978, na cidade de Araraquara, depois em Ribeirão Preto, São Carlos e Campinas. Em 1982 foi realizado o quinto ano do evento e se deu na cidade de Piracicaba.

Outros encontros que ganharam destaque nesta edição foram: o Encontro Estadual de Entidades Negras e o III Congresso de Cultura Negra das Américas.

Na página seguinte, o boletim apresenta uma discussão sobre “20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra”, na qual discute-se  a negação do dia 13 de maio e a parceria do grupo com outros grupos como o Movimento Negro Unificado de São Paulo, a Comissão de Negros do Partido dos Trabalhadores, entre outras entidades. Nessa perspectiva, o boletim traz um artigo de Wilson Santos, que fora publicado primeiramente no boletim informativo Nêgo do Movimento Negro Unificado da Bahia. O artigo discute exatamente o não reconhecimento do dia 13 de Maio e a escolha do dia 20 de Novembro.

Esta edição apresenta ainda um artigo destinado às mulheres negras. Primeiramente, o texto traz o significado de palavras como mulata/mulato e uma discussão sobre os estereótipos que perseguem as mulheres, sem deixar de comentar a imposição de determinado padrão de beleza as mulheres negras, a questão da prostituição, tráfico de mulheres negras e a sua luta por espaço, dignidade e liberdade.

Por fim, o boletim apresenta discussões sobre as eleições do ano de 1982, a história de “Seu Cunha”, figura importante para os Movimentos Negros e um poema que reflete sobre a questão da negritude.

Nº02:

 

A Quilombada – Boletim Informativo de Mulheres do FECONEZU

A Quilombada é o boletim informativo de mulheres do FECONEZU – Festival Comunitário Negro Zumbi, que ocorre no interior de São Paulo, com o objetivo de reunir diversas entidades e grupos negros do estado, para promover o debate de diversos temas, principalmente, a situação do negro na sociedade brasileira. O festival é realizado pela Associação Amigos do FECONEZU, mês de novembro. Sua primeira edição ocorreu em 1978, na cidade de Araraquara.

Conforme a primeira publicação do A Quilombada, o boletim surge com a finalidade de divulgar a história de luta das mulheres negras. O boletim conta com duas páginas e matérias escritas por mulheres militantes. A digitação, diagramação e impressão do boletim ficavam sob responsabilidade do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp.  A sede do Grupo de Trabalho – Mulher, responsável pela criação do A Quilombada, se encontrava na cidade de Campinas.

  • A Quilombada – Ano 01, N°0

Em sua primeira página o A Quilombada apresenta seu Editorial, que traz reflexões sobre o Festival Comunitário Negro Zumbi e outros eventos, como o I Seminário de Mulheres FECONEZU e o II Encontro de Mulheres Negras. Além de discutir brevemente sobre a vida da população negra no Brasil e a importância da luta das mulheres. Essa página apresenta também um poema.

O boletim contém um seção denominada “Informativo”, que mostra o processo de organização do II Encontro de Mulheres Negras do Interior de São Paulo.

Por fim, A Quilombada apresenta um texto sobre a discriminação da mulher no trabalho e o preconceito no esporte, ou seja, a relação entre a ignorância e a discriminação.

Nº0:

Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África

Este informativo traz informações acerca da preparação para o Tribunal Internacional sobre a África. O informativo contém 4 páginas e foi publicado em fevereiro de 2000, em Los Angeles nos Estados Unidos.

Em sua primeira página o informativo traz um texto sobre a conferência preparatória ao Tribunal Internacional, que se realizou em Joanesburgo, na África do Sul em fevereiro de 1999. A conferência foi organizada pelo Partido Socialista da Azânia. O texto apresenta o debate acerca dos crimes cometidos na África.

Na página seguinte o informativo traz uma matéria de título “Por que nós acolhemos a conferência preparatória do tribunal sobre a África”, texto de Lybon Mabasa, presidente do Partido Socialista da Azânia.

A página três contém uma entrevista com Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado. Comentando a situação do povo africano hoje, porque Barbosa apoia o Tribunal Internacional e a participação do Brasil.

O informativo traz ainda uma campanha para a libertação de Mumia Abu-Jamal, ex-membro do Partido dos Panteras Negros, preso injustamente e condenado ao corredor da morte nos Estados Unidos.

Tribunal internacional para julgar os crimes do imperialismo na África: