Boletins Informativos do MNU – MNU Nordeste e Coletivo de Mulheres

  • Informe MNU Nordeste – Primeira Edição

De 1999, foi o primeiro Informativo do MNU da Região Nordeste e possui apenas 2 páginas. Na época, os Estados que compunham seções do Movimento nessa região eram Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Sergipe e Piauí, sendo a entrada deste último noticiada nessa edição. Em 1999 também se comemoravam os 21 anos do MNU. No final da edição, há as seguintes informações:

informeMNUnordeste é uma publicação sobre a responsabilidade da Coordenação de Articulação da Região Nordeste. Endereço: Rua Direita do Curuzu – 101 – 1º andar – Liberdade – Salvador – Bahia – Brasil – Cep: 40.365-000

A página inicial comunica o lançamento do “informeMNUnordeste” como uma maneira de dialogar e facilitar a interação entre as seções estaduais do Movimento. A matéria “Brasil Outros 500” menciona que o Movimento Nacional pela Resistência Indígena, Negra e Popular saiu no dia 2 de Julho em uma manifestação na Bahia e atenta para a importância do MNU organizar os Comitês Estaduais para lutar contra as formas de repressão e construir uma sociedade justa, igualitária, sem machismo e sem sexismo. Também fala do lançamento do 2º Encontro Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, que aconteceria em Abril de 2000 em Salvador-BA.

A segunda página mostra um espaço reservado aos filiados e filiadas exporem quaisquer questões que acharem pertinentes, chamado “Eis a questão…”. Neste, Stânio de Sousa Vieira, coordenador do MNU-PI, traz uma discussão sobre uma marcha dos Irmãos Valença e Lamartine Babo, que coloca em evidência o termo “mulata”, um termo pejorativo por si só, mas que dentro da letra assume um caráter ainda mais racista ao se analisar o que está implícito. “O teu cabelo não nega, mulata […] mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”. Em seguida, mostra-se o Planejamento do MNU Nordeste, cujas pautas e perspectivas foram: Contatos permanentes com as seções, Fundação de seções nos Estados de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, Lançamento de Boletim Informativo, Encontro Regional, Encontro de Mulheres do MNU da Região Nordeste, Seminário Nordeste Negro, Escola/Centro de Formação do MNU no Nordeste. Por fim, anuncia-se o Congresso Extraordinário do MNU, que ocorreria de 4 a 7 de Setembro e teria como pautas a organização política, o projeto político, e a revisão de documentos básicos do Movimento.

  • Informativo do Coletivo de Mulheres do Movimento Negro Unificado/RS

Lançado na seção do Rio Grande do Sul pelo Coletivo de Mulheres do MNU local em Novembro de 2002, esse informativo conta com 4 páginas e é voltado especificamente para as mulheres negras, mas possui aspectos que tangem á resistência geral do Movimento. A primeira página é toda dedicada à discussão em cima do ALCA. Segundo o informativo, “Alca é uma proposta de acordo comercial apresentada pelo governo norte-americano durante a 1ª Cúpula das Américas, reunião dos chefes de nações realizada em Miami, em 1994”, e teria por objetivo consolidar a influência e dominação norte-americana nos maiores Estados da região. Por se tratar de uma proposta que beneficiaria poucos e prejudicaria muitos, a autora do artigo, Cledi Oliveira, pontua que a ALCA caracterizaria mais discriminação, mais exploração e relembra a entrada das mulheres no mercado em substituição aos homens devido aos menores salários pagos às mulheres graças à desigualdade de gênero e, por isso, coloca que as mulheres seriam as mais prejudicadas caso a proposta fosse aceita. Devido a essa situação, houve a Marcha dos Sem, na qual as Mulheres Trabalhadoras em Educação participaram juntamente à CUT, a CTA da Argentina e a PIT-CNT do Uruguai, e onde houve o encontro com a Marcha dos Trabalhadores Argentinos. Em Setembro ocorreu o plebiscito pela aceitação ou não do ALCA, no qual a imensa maioria votou pelo “NÃO”.

Concluindo, é compromisso do coletivo de mulheres do MNU, dizer não a ALCA, não a discriminação, não as desigualdades, e assumir o compromisso de formar novas consciências, novos valores e fazermos pulsar a solidariedade, o respeito, a dignidade na relação entre mulheres e homens.

A segunda página traz um “Você Sabia Que” e é dedicada a trazer informações e dados sobre o desemprego das mulheres, principalmente das negras; sobre as dificuldades de ascensão social das mulheres, mesmo com mais tempo de estudo que homens; sobre a diferença de salários entre homens e mulheres; e ainda traz um infográfico com a distribuição dos ocupados da RMPA, segundo sexo e cor, de 2002, que mostra as desigualdades de gênero e cor no âmbito do trabalho.

A terceira página põe em pauta a saúde da mulher negra com a matéria “A Mulher Negra e os Alimentos Através da Prevenção”, escrita por Irene Paula da Silva, na qual fala que mulheres negras têm tendência a obesidade ou desnutrição principalmente por causa da má alimentação, fruto de jornadas diárias corridas ou até mesmo de dificuldades financeiras. Traz algumas dicas de alimentos importantes de serem ingeridos pra a melhor saúde da mulher e uma dica de leitura do livro ACAÇÃ, do Pai Cido do Oxum, sobre pratos que tiveram origem na tradição religiosa de matriz afro.

A quarta e última página encerra a edição com o poema “SOU NEGRA” e o texto “Menina Mulher Negra”, de Malu Viana, sobre a resistência da mulher negra.