Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa”

O Boletim Informativo do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi criado em 1991. Conforme a primeira edição do boletim informativo o grupo tinha como objetivo, (…) passar informações sobre questões da vida cotidiana da mulher negra; nossa história, saúde, sexualidade, violência… E deixar mais transparente para todas as entidades o trabalho que o “Mãe Andresa” vem desenvolvendo ao longo desses anos (BOLETIM INFORMATIVO  DO GRUPO DE MULHERES “MÃE ANDRESA”, 1991, Nº1).

O Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” foi fundado em junho de 1986, em São Luís no Maranhão, para promover discussões relativas as questões específicas da mulher negra. O grupo procura trabalhar com atividades em bairros carentes, promover seminários, diversas campanhas e encontros. O nome é uma homenagem as mães de santo, principalmente, Andresa Maria de Souza Ramos. Mãe Andresa chefiou a Casa de Minas Jeje por 40 anos. A Casa foi fundada em 1840 e sua fundadora é conhecida como Maria Jesuína, “(…) que incorporava o vodum Zomadunu, a quem a casa é dedicada” (FERRETTI, 2001, p.16).

Segundo o Museu Afro-Digital do Maranhão, a Casa de Minas Jeje é o

Terreiro mais antigo do Maranhão, fundado por africanos na década de 1840, considerado como tendo implantado o modelo de culto do Tambor de Mina.  Foi organizado por “escravos de contrabando” – que ingressaram após a proibição do tráfego. Cultua apenas voduns mina procedentes do antigo Reino do Daomé, louvados com cânticos em língua jêje (Ewê-Fon).

Vale ressaltar que a Casa de Minas Jeje não possui casas derivadas e hoje são poucos os praticantes. A casa foi tombada pelo IPHAN em 2002.

Mãe Andresa nasceu em 1854, na cidade de Caxias, e faleceu 100 anos depois na cidade de São Luís do Maranhão. Conforme Sérgio Ferretti, Mãe Andresa assumiu a Casa “(…) quando tinha cerca de 60 anos e passou a se dedicar inteiramente a direção da Casa” (FERRETTI, 2001, p.20). Vale ressaltar, que Mãe Andresa era considerada uma pessoa generosa e se tornou um figura muito respeitada e conhecida, possuindo amigos das elites do Maranhão e de outros estados. Acerca do falecimento de Mãe Andresa, Ferretti afirma:

Mãe Andresa faleceu na quinta-feira santa, 20 de abril de 1954, e o tambor de choro (rito fúnebre do tambor de mina) foi tocado após sábado de Aleluia. As filhas de Poliboji colocaram luto por um ano. Após ano de luto, fez-se uma limpeza de Casa e os tambores voltaram a tocar novamente, mas a Casa já não tinha o mesmo brilho após a morte de sua grande chefe (FERRETTI, 2001, p.27).

O boletim era um informativo bimestral e possuía 3 páginas. A produção do boletim era feita pelo próprio grupo e a redação era responsabilidade de Lúcia Dutra, Marinildes Martins, também responsável pela datilografia, e Silvane Magali. A diagramação era realizada por Luís Viana.

Será disponibilizado a baixo o primeiro boletim desta entidade, publicado em Novembro de 1991.

  • Boletim Informativo – “Mãe Andresa” – Ano I, Nº01.

Esta edição por ser a primeira publicação tem como finalidade informar sobre a história do grupo e suas atividades. No Editorial relatam-se  os objetivos do boletim, a história da entidade, entre outras questões, como, por exemplo, o debate sobre o extermínio de crianças e adolescentes negros e o trabalho de organização de diversos eventos importantes para as mulheres negras como o I e II Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizados em 1988 no Rio de Janeiro e em 1991 em Salvador, na Bahia.

Na segunda página o boletim traz uma seção chamada “Ponto de Vista” e apresenta um texto de Marinildes Martins, militante do grupo, sobre a força da mulher negra.

Na página seguinte propõe-se uma discussão sobre a esterilização. O boletim procura alertar as mulheres negras sobre como a esterilização ocorre no país e no estado do Maranhão, que na época possuía índices alarmantes. O grupo destaca a relação entre essa prática e o machismo e racismo. Texto de Silvane Magali.

Nº01:


Referências:

FERRETTI, S. F.. Andresa e Dudu – Os Jeje e os Nagô: apogeu e declínio de duas casas fundadoras do tambor de mina maranhense. In: SILVA, Vagner G. (org.). Caminhos da alma: memória afrobrasileira. São Paulo: Summus, 2001.

MUSEU AFRO-DIGITAL MARANHÃO. Casa das Minas. Disponível em: <http://www.museuafro.ufma.br/busca.php?busca=casa+das+minas>. Acesso em: 30/09/2016.

 

Boletim Informativo Zumbido

O boletim informativo Zumbido é uma publicação do Centro de Cultura Negra do Maranhão, entidade fundada em 19 de setembro de 1979 com o intuito de ajudar na organização política e cultural do negro.

Conforme o Blog do CCN, pode-se afirmar que a entidade tem como objetivo resgatar a identidade étnica cultural e autoestima do povo negro, através do combate ao racismo e viabilizando ações para promover os direitos da população negra do Maranhão (CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA, 2009). A entidade surgiu graças a um grupo de pessoas preocupadas com a situação do negro no estado. Ao longo de sua trajetória realizou seminários, palestras e encontros para a formação da militância, além disso, destacou-se nas áreas de formação e educação, na tentativa de promover a discussão acerca da questão racial nas práticas pedagógicas. Outros projetos também são de suma importância para a história do centro, como o Projeto Quilombo Resistência Negra, que procurou desenvolver atividades com comunidades presentes na área rural e o seu Programa Cultura e Identidade Afro-brasileira, que promove atividades de cunho artístico. Entre outros trabalhos realizados ao longo de mais de 30 anos de existência. A entidade possui uma Assembleia Geral formada pelos sócios militantes e outros departamentos que visam resolver questões administrativas, políticas e financeiras (CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA, 2009).

O boletim contém 10 páginas e, de acordo com a sua primeira edição, pretendia fazer publicações bimestrais. Ainda conforme essa edição o jornal foi lançado em 20 de Novembro de 1982 e tinha como finalidade “(…) mostrar a história, a situação socioeconômica, política e cultural do negro no Brasil, especialmente no Maranhão” (ZUMBIDO, Nº01, 1982). O nome “Zumbido” não só representa uma homenagem a Zumbi dos Palmares, como representa o objetivo da criação do boletim que seria, segundo sua primeira edição, “publicar fatos que soarão em todos os ouvidos como um zumbido” (ZUMBIDO, Nº01, 1982). A edição do boletim ficava a cargo do departamento de informação e divulgação do Centro de Cultura Negra do Maranhão.

  • Zumbido – Ano I/ N°01.

A sua primeira edição compreende os meses de novembro e dezembro de 1982. O boletim traz em sua primeira página, no Editorial, a sua história e seus objetivos. Nas páginas seguintes são mostradas diversas matérias que procuram retratar as dificuldades enfrentadas pelo povo negro no Brasil.

Pode-se destacar uma matéria, presente na terceira página deste número, que trata sobre uma edição do Jornal Brasil, que trouxe na 1° página uma imagem de jovens negros sedo presos e tratados de maneira que relembrava os tempos do Brasil Colônia e da escravidão. Dessa forma, o jornal procura chamar atenção para a questão da violência policial na vida do negro. Nesse texto o boletim Zumbido questiona a ideia de democracia racial presente na sociedade brasileira.

O boletim apresenta outras matérias com temas importantes como a relação entre raça e classe (matéria presente na página cinco), sobre o reggae e o seu papel na vida dos jovens negros pelo mundo (página seis) e sobre Zumbi, a luta negra e o dia 20 de novembro (página oito).

Em sua nona página o boletim traz a seção de comunicação, comentando sobre o III Encontro de Negros do Norte e Nordeste, que ocorreu em São Luís, entre outros.

Nº01:


Referências:

  • CENTRO DE CULTURA NEGRA – MA. Histórico: CCN-MA. 2009. Disponível em: <http://ccnmaranhao.blogspot.com.br/2009/09/historico-ccn-ma.html>. Acesso em: 23/03/2017.