Boletim Informativo Heloisa Gomes (MNU-BA)

É um boletim informativo da Coordenação Estadual de gênero MNU/ BA. Seu primeiro número lançado no ano de 1999, recebeu o nome da ativista pelos direitos humanos, educadora e enfermeira, Heloisa Gomes.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

  • Heloisa Gomes – Ano 1, N° 1.

Em sua primeira página apresenta-se os motivos da escolha do nome dado ao boletim. Mais adiante, é anunciado o Congresso Extraordinário do MNU, que iria ocorrer no dia 4 à 7 de setembro de 1999, na cidade de Belo Horizonte/ MG – tendo como suas principais pautas: ”1) Projeto político; 2) Organização política; e 3) Revisão dos documentos básicos;” Com isso se faz a proposta da participação das mulheres enquanto movimento de mulheres negras, para que sejam também discutidas suas questões específicas. Para finalizar na mesma página, com o título “Avaliando o 8 de março”, é sinalizado a organização de mulheres em marcha para comemorar o dia, reivindicar seus direitos e denunciar as desigualdades.

O boletim denúncia o racismo e o machismo vivenciado pelas mulheres negras no Brasil configurados nas pelas péssimas condições de trabalho subalternizado, saúde, educação e moradia. Além disso, são várias violências sofridas, assim como: programas de controle a natalidade, abuso sexual e violências físicas e psicológicas – sendo estas condições reflexos do período escravocrata, aonde a mulheres negras eram consideradas apenas objetos sexuais e ferramentas de trabalho. Além disso, é desmistificado o mito da democracia racial, formulada pelo sociólogo Gilberto Freyre, que consistia em criar uma imagem do Brasil totalmente isenta de racismo, na qual o índio, o branco e o negro vivam em completa harmonia. Este mito também influenciou na imagem da mulher negra brasileira direcionadas ao exterior, que contribuía para a formulação uma gama de estereótipos sexistas e racistas.

Com relação à saúde física da mulher negra, o jornal também faz denúncias as políticas de esterilização promovidas pelo Estado para o controle de natalidade, partos cesáreos sem assistência adequada e a falta de informações que deveriam ser passadas para estas mulheres .Através dessas denúncias, o boletim pontua a necessidade de organização de mulheres negras na busca por melhorias.

Correio Nagô – Quarta edição e número especial.

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°4

O boletim informativo nacional do MNU – Correio Nagô – traz na sua quarta edição informações sobre as atividades realizadas pela entidade em todo o Brasil. Pode-se destacar a matéria, que diz respeito às primeiras informações sobre o “XII Congresso Nacional do MNU”, previsto para ser realizado em abril de 1998.

Em seu Editorial o boletim fala sobre a retomada da campanha “Reaja a Violência Racial!” e versa sobre sua importância. É comentado ainda o objetivo da realização de seminários e congressos que visam atualizar o MNU para as novas exigências da realidade relacionada ao racismo.

Nas páginas 2 e 3 o boletim traz uma matéria sobre a relação entre racismo e capitalismo.

Por último, o Correio Nagô apresenta informações sobre o “Seminário Nacional de Educadores do MNU” e sobre o “II Seminário Nacional sobre Organização Política”, realizado em novembro de 1997, na cidade de Curitiba no Paraná.

Nº4:

 

  • Correio Nagô – Especial – Ano I – N°2

Essa edição especial do boletim informativo Correio Nagô, foi publicada em setembro de 1999 e traz, em sua primeira página, uma matéria sobre os 21 anos de luta do Movimento Negro Unificado contra o racismo.

Nesse número ainda são revelados alguns informes sobre a 14º seção do MNU, instalada no Piauí, e sobre um curso de formação política. Além disso, é apresentada uma carta da coordenadora nacional, Rosenilda Paraíso Costa, para os coordenadores estaduais e municipais de 27 de agosto de 1999.

Correio Nagô especial:

Correio Nagô

Correio Nagô é um boletim informativo nacional de circulação interna da organização Movimento Negro Unificado. O boletim era organizado e distribuído pela o MNU da Bahia e sua sede se encontrava na cidade de Salvador. Percebe-se através de suas publicações a importância dada ao boletim pela divulgação da luta da entidade. Cada edição possui 4 páginas e uma tiragem de 500 exemplares. O boletim nacional conta com informações e textos de todos os estados, mostrando os acontecimentos mais importantes em todas as seções do MNU pelo Brasil.

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°2

A segunda edição, do boletim informativo Correio Nagô, foi publicada em 1997 e compreende os meses de dezembro e janeiro. Pode-se afirmar que já na primeira página do boletim nota-se o seu principal papel: o de trazer informações sobre o Movimento Negro Unificado, destacando notícias que ocorreram em cada seção da entidade no Brasil.

No Editorial dessa edição a comissão ressalta a importância do boletim na divulgação da luta do MNU. Também é possível destacar uma nota do boletim acerca de um curso de formação, realizado pelo MNU-RS, em 2 de novembro e 14 de dezembro de 1996, na cidade de Porto Alegre. O curso promoveu o debate de temas como “Formas européias de dominação – a exploração dos africanos” e “A resistência africana – nacionalismo em África e movimento negro da diáspora”. O objetivo principal desse encontro, que teve a participação de 51 inscritos, era a formação intelectual da militância.

O Correio Nagô destaca, nessa edição, notícias sobre diversos seminários, organizados pelo MNU, que ocorreram pelo Brasil. Podemos citar, primeiramente, o “Seminário de Organização Política”, que promoveu discussões sobre vários temas, entre eles, os conceitos e estratégias de luta do negro, com foco no negro no Brasil e seu processo de luta, e de outros povos oprimidos do mundo. Esse seminário foi de suma importância para o início da criação do programa e plano de ação e reestruturação organizacional da entidade. Outro seminário em evidência foi o de Mulheres do MNU, “I Seminário de Mulheres Negras de Santa Catarina”, realizado em 16 de novembro de 1996. O seminário trouxe o tema “Mulher Negra: identidade e auto-estima (In memória 200 anos Chica da Silva)” e procurou ampliar diversas discussões, além de trazer oficinas como “Roupa – o jeito nosso”, “Cabelos – múltiplas alternativas”. O seminário contou com a participação de 20 mulheres. O último seminário apresentado foi o “I Seminário de Jovens do MNU”, realizado em 23 e 24 de 1996. Este contou com a presença de representantes de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Bahia e São Paulo. Diversas propostas foram discutidas como a criação da comissão da juventude, entre outras.

Por fim, a edição conta com uma página recheada de informações sobre os outros estados e uma matéria sobre a reeleição de Fernando Henrique Cardoso que, para o Correio Nâgo, seria um golpe contra o povo negro.

Nº2:

 

  • Correio Nagô – Ano 0 – N°3

O Correio Nâgo apresenta, em sua terceira edição, uma nota na primeira página sobre a campanha de refiliação promovida pelo MNU. Essa campanha tem como finalidade descobrir o número real de militantes da entidade.

Nesse Editorial o boletim afirma que tem como objetivo ter “a cara” do MNU nacional, e por isso é preciso manter relações com os outros estados e saber tudo que está acontecendo. Nesse sentido, o boletim conta com o apoio de colaboradores de diversas coordenações/seções.

Novamente os seminários do MNU ganham destaque, nessa edição. O primeiro apresentado foi o “Seminário de Direito e Relações Raciais no Terceiro Milênio”, este evento foi realizado pelo MNU com o Ministério Público da Bahia, nos dias 20, 21 e 22 de março, 400 pessoas participaram de discussões sobre racismo e legislação, racismo na propaganda e as políticas de diversidade, discriminação racial e outros temas. Também na Bahia foi realizado o “Seminário de Mulheres do MNU”, em 9 de março. O evento levantou o debate sobre diversas questões relacionadas às mulheres e procurou fazer um balanço sobre a atuação do MNU nesse campo.

Na página três o Correio Nagô apresenta a coluna “O que rola nos estados”, destacando as principais notícias e eventos de outros estados. Nessa edição foram divulgadas atividades de Pernambuco, São Paulo, Maranhão, Sergipe e outros.

Na última página do boletim podemos destacar a matéria “A quebra do mito da liberdade doada”. Onde são abordados o papel do movimento negro e o surgimento de novos atores, novos herois e heroínas, que estavam longe da história desenvolvida, pelo que o boletim chama de “branco racista”. Ainda nesse texto o boletim faz questão de ressaltar a luta contra a violência racial.

Nº3:

Nêgo – Décima Quarta Edição

  • Nêgo – Abril de 1988/N°14

A décima quarta edição do boletim informativo Nêgo, já faz parte de sua fase como jornal de circulação nacional e foi publicada em abril de 1988. Essa edição conta com 12 páginas e traz em sua capa uma ilustração de um guerreiro negro. Em sua segunda página podemos encontrar novas informações acerca dessa nova fase do periódico.

Ainda nessa página o jornal traz a matéria “Opinião – MNU – 10 anos de luta!”, na qual é apresentada a história do MNU, o desenvolvimento da entidade, sua organização em vários estados e as suas principais conquistas como a realização de oito congressos e dois encontros nacionais. A matéria ainda afirma que o MNU seria “como um instrumento de organização, de luta pela libertação do negro de toda e qualquer forma de opressão, e contra a dominação de raça e classe”.

Esse número traz também informações sobre a data 20 de Novembro, como surgiu, onde surgiu. Podemos destacar a coluna “Aconteceu” onde o informativo apresenta diversas notícias, entre elas, notícias sobre o Grupo de Mulheres do Alto das Pombas e o Grupo de Mulheres do MNU, notas sobre a questão da violência policial pelo país e sobre os direitos trabalhistas das empregadas domésticas.

A principal matéria, de título “Fala Crioulo”, apresenta a história do Movimento Negro Unificado, seu crescimento e atuação e, posteriormente, o jornal traz depoimentos de Paulo Bonfim, fundador e ex-militante do MNU/BA, e de Zelito Silva, do Movimento de Consciência de Rui Barbosa.

Esse número conta ainda com a seção sobre educação, a coluna “Denúncia” e a seção de literatura, que traz uma poesia de Oliveira Silva chamada “Treze de Maio”.

Nº14:

Nêgo

Nêgo é um boletim informativo do Movimento Negro Unificado seção Bahia, que circulou de 1981 até 1988. O informativo foi criado em julho de 1981, três anos após a fundação da entidade, com o objetivo de divulgar o trabalho do MNU e suas ideias, além de ser mais um meio de comunicação entre a organização e os negros.

O boletim possuía em média 8 páginas e uma tiragem de 3.000 exemplares (SOUZA, 2005, p.201). Os principais temas abordados estão relacionados à questão do racismo, à história do negro, ao carnaval, entre outros temas como religião, mulher negra, violência policial e o homossexual negro. Ainda eram divulgados os eventos e atividades culturais de outras entidades da cidade de Salvador.

Pode-se afirmar que, como a maioria dos jornais da Imprensa Negra, o informativo do MNU-BA também sofreu para dar início as suas publicações. Vários problemas dificultaram o seu lançamento e a sua continuação. Apesar disso, diferentemente de outros boletins, o Nêgo durou por muitos anos, graças a sua transformação em boletim de circulação nacional.

Em Afro-descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU, Florentina Souza conta a história desse boletim e suas diversas fases:

Do número 1 ao número 5 predominam as discussões de questões mais ligadas às culturas de origem africana e ao desejo explícito de conscientização da comunidade negra no tocante ao mito da democracia racial brasileira e à importância de se resgatarem os fatos históricos que possam contribuir para o desenho de uma história do negro que se constitua em motivo de orgulho de sua participação na construção do país (SOUZA, p. 205).

A primeira grande mudança no boletim foi a partir da 12° edição, quando o informativo passou a ser um jornal do MNU Nacional, com uma tiragem de 5.000 exemplares. Apesar de cada edição ter se tornado também responsabilidade das outras seções do MNU pelo país, a redação e a distribuição continuaram a encargo da seção Bahia.

Serão disponibilizadas no blog duas edições do Nêgo como boletim regional, e uma edição como jornal nacional do Movimento Negro Unificado.

  • Nêgo – Janeiro de 1983/ N°4

A quarta edição do boletim Nêgo foi publicada em janeiro de 1983 e traz em sua primeira página uma imagem de Zumbi, com sua data de nascimento e de morte. Tudo isso com o intuito de lembrar o dia da consciência negra e o que ela significa. Em seu Editorial a comissão de imprensa do MNU afirma que o número apresentado é muito especial, pois pretende tratar de três momentos da história. O primeiro seria o Quilombo dos Palmares, o segundo A Revolta da Chibata, e o terceiro A Revolta dos Malês. Cada um desses momentos significa um grande exemplo de luta por uma vida digna e por liberdade, entretanto, como destaca o texto, apesar de ser de suma importância para a história do Brasil, esses fatos não são ensinados na escola. A luta dos negros ainda é escondida no sistema educacional brasileiro.

Na página seguinte o informativo apresenta um texto de título “20 de Novembro de 1695 Morre Zumbi”. Esse texto procura apresentar informações sobre a história do Quilombo dos Palmares e seu último líder – Zumbi. O artigo ainda ressalta que essa história é ignorada pela “história oficial”. Porém, apesar disso, os negros a cada dia se conscientizam e ajudam a divulgar essa, e outras histórias.  Ainda nessa página são apresentados versos do poema “Canto dos Palmares” do poeta pernambucano Solano Trindade.

Essa publicação ainda expõe matérias sobre as realizações do MNU durante o ano de 1982 e suas contribuições para a luta contra a discriminação racial. Apresenta também textos sobre a Revolta dos Malês e sobre a história da Revolta da Chibata. Como foi dito anteriormente, essa edição tem como finalidade destacar acontecimentos e personagens da história negra.

Nº4:

 

  • Nêgo – Novembro de 1983/N°5

Em sua quinta edição, publicada em novembro de 1983, o boletim Nêgo, traz em sua capa diversas ilustrações e informações sobre o que será tratado nesse número. Matérias sobre os blocos: Ilê Aiyê – Angola, Olodum – Tanzânia, Ilê Obá – Namibia.

Em sua segunda página o boletim apresenta algumas informações acerca dos cinco anos de luta, do MNU, contra o racismo. Comentários sobre como surgiu, suas conquistas, as seções pelo Brasil e a sua principal realização que seria a instituição de uma data nacional da consciência negra. Ainda nessa página temos uma matéria de título “O Brasil de hoje, mas até quando?”, nesse texto o boletim fala sobre a situação política e econômica do Brasil na década de 1980.

Por fim, é apresentada a principal matéria “Blocos Afros 10 Anos”, texto de João Jorge Santos. O autor inicia seu texto afirmando que há 10 anos o carnaval na Bahia passou a contar com a criação de blocos compostos somente por pessoas negras. Para Santos esses blocos são uma força negra impressionante e que contribuem profundamente para a conscientização do negro. Dessa forma, o autor se propõe a comentar sobre os fatores positivos e negativos do bloco e suas dificuldades.

Nº5:

 


Referências:

  • SALOMÃO, Renê Santos. “Que Imprensa é essa? Os jornais negros de Salvador na década de 1980”. 2012. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social – Jornalismo) – Universidade Federal da Bahia. Disponível em: http://facom.ufba.br/portal/wp-content/uploads/2013/08/tcc_versaofinal.pdf. Acesso em: 25/03/2017.
  • SOUZA, Florentina da Silva. Afro-descendência em cadernos Negros e Jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.