Informa Negro

Informa Negro é o informativo mensal de circulação interna do Movimento Negro Unificado de Pernambuco. Pode-se afirmar que este veio com a finalidade de trazer informações, sobre projetos e atividades, para os militantes e simpatizantes do MNU-PE, entidade com sede na Casa da Cultura, no bairro Santo Antônio da cidade de Recife. O responsável pelo informativo e pela comunicação com a imprensa era o militante Edson Axé e os outros coordenadores eram Zé Oliveira e Adeildo Leite. O Informa Negro possui 2 páginas e sua primeira edição foi publicada em julho de 1999.

  • Informa Negro – Ano I – N°1

Será disponibilizada no blog a primeira edição, do informativo de circulação interna do MNU-PE, que foi publicado em julho de 1999. Em sua primeira página o Informa Negro reflete sobre a televisão e as relações raciais no Brasil, principalmente, sobre as novelas brasileiras e os vários casos de racismo. De acordo com os militantes, os negros são excluídos da teledramaturgia e apesar de algumas mudanças, promovidas pela população e pelos Movimentos Negros, a participação do negro continua baixa e presa aos estereótipos. No final da primeira página o informativo deixa um recado para os simpatizantes pedindo que os mesmo filiem-se ao Movimento Negro Unificado, para assim fortalecer o movimento.

Em sua segunda página é apresentada a coluna “Aqui, acontece…”, que traz várias notícias, entre elas, sobre a formação de um núcleo para estudos sobre o tema negro e informações acerca do apoio dado pelo MNU-PE a um caso de racismo que ocorreu no Shopping Center Guararapes na cidade de Jaboatão, em Pernambuco. No acervo no MNU-PE, na Casa da Cultura, é possível encontrar documentos e informações sobre este caso de discriminação.

O Informa Negro apresenta ainda as diversas atividades planejadas pela entidade, além da agenda cultural, aniversariantes do mês e o número do disque denúncia, com o objetivo de mostrar a população que é preciso denunciar casos de discriminação racial.

Nº1:

 

 

Boletim Omnira – Sexta Edição

Em outubro de 1994 foi publicada a sexta edição do boletim Omnira. A matéria de capa em destaque intitulada “Quilombolas hoje!” fala sobre o II Seminário Nacional de Mulheres Negras que aconteceu em setembro de 1994, em Salvador/Bahia. Esse encontro contou com a participação de mulheres de 15 estados e tinha como objetivo elaborar “propostas organizativas de mulheres brasileiras no final do século”, trataram ainda acerca do problema da saúde, sobre políticas públicas, questão de gênero e racismo. Vale mencionar que o Omnira esteve presente nesse seminário. Essa matéria é de autoria de Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo e Cristina Vital do Omnira/MNU.

Neste número o Editorial promove a discussão sobre doenças consideradas étnicas/raciais, como a anemia falciforme e ainda ressalta a participação do Omnira no desenvolvimento de uma pesquisa sobre a saúde da mulher negra.

Esta edição traz ainda uma matéria acerca do turismo em Pernambuco. No período dessa publicação o turismo estava sendo visto como uma grande atividade do estado e tinha se tornado tema de debates e projetos políticos. Entretanto, a matéria chama atenção para outro tipo de turismo – o sexual, e sua relação com o estado de Pernambuco.

Pode-se destacar também a coluna “Mulheres em Movimento” trazendo informações sobre eventos para comunidade.

Outra matéria relevante diz respeito à organização das mulheres negras em Pernambuco com o “Coletivo de Mulheres Negras”, que surge em 1991.  Esse coletivo é criado para ser um espaço político e de articulação, para que as mulheres desenvolvam ações de combate a discriminação de gênero, raça e classe. O coletivo conta com a participação de diversas entidades, incluindo o Omnira. A matéria é assinada por Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia de Benedita da Silva, uma importante política brasileira.

N°06:

Boletim Omnira – Quarta e Quinta Edição

  • Boletim Omnira – Quarta Edição

A quarta edição do boletim Omnira compreende os meses de outubro e novembro de 1993.  A matéria de capa traz informações sobre uma sessão especial que ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e da participação das mulheres negras nessa luta. Várias entidades participaram da homenagem como o Movimento Negro de Pernambuco, que foi representado pelas militantes Cristina Vital e Mônica Oliveira, autora da matéria.

Esse número traz também informações acerca da instituição ETAPAS, que criou a Rede de Jornais em julho de 1992, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de jornais comunitários, como o Omnira, e como é desenvolvido esse trabalho.

A matéria principal se encontra na terceira página e trata a questão do tráfico de mulheres, analisando a exportação da mulher brasileira e a participação de Pernambuco como o estado “campeão” nesse problema, sem deixar de lado a questão do racismo e fato de que as mulheres negras são as mais exportadas e exploradas, em razão dos estereótipos de mulher “sensual” e “quente”.  O texto ainda informa acerca do Comitê Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Turismo Sexual, criado com objetivo de debater esse tema e de denunciar essa situação e representado nacionalmente pela Cristina Rodrigues do Grupo Cultural Olodun. Pode-se destacar ainda a participação do Omnira, que logo de início mobilizou uma palestra sobre a temática na cidade do Recife no mês de outubro de 1993. A matéria é assinada por Cristina Vital.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia da Rainha Tereza, “mulher negra que liderou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso”.  Por fim, esse número ainda conta com a poesia “Nem tudo está perdido” do poeta negro pernambucano, Solano Trindade.

N°04:

  • Boletim Omnira – Quinta Edição

O boletim do Grupo de Trabalho da Mulher – Omnira, do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco, traz em maio de 1994 sua quinta edição.

A matéria de capa é de Adelaide Lima e aborda a realidade da mulher negra no período da escravidão e na década de 1994, quando foi publicado o jornal. O texto ressalta a situação atual das mulheres negras, que trabalham como domésticas, babás e outros empregos onde ainda sofrem abusos e convivem com a dificuldade para se iniciar uma família e para mantê-la. Nesse sentido, o texto afirma que para a sociedade branca “o lugar da mulher negra é de servir em todos os sentidos”. A partir disso Lima defende a união das mulheres, relembrando as mulheres negras do passado e suas lutas.

Nesta edição o Editorial comenta sobre a demora na publicação do Omnira, em razão das muitas atividades do Movimento Negro Unificado e dos poucos militantes. Traz também explicações acerca das discussões feitas nesta edição sobre o dia do trabalho, na perspectiva da Central dos Movimentos Populares e do próprio MNU.

A matéria publicada pela Central dos Movimentos Populares traz a história do dia 1° de Maio. Ressaltando o caráter de luta dessa data e seu momento internacional e no Brasil. O MNU segue outra linha de análise, questionando o dia internacional do trabalhador e afirmando que essa data não contempla os negros e índios trabalhadores do Brasil. O MNU afirma que quando essa data foi estabelecida em 1886 a situação do branco e do negro no Brasil era bem diferente. O primeiro se encontrava assalariado e os segundo – escravo. A partir disso a matéria questiona o que de fato esse dia representa e quem ele representa. Além disso, Cristina Vital, autora do texto, ainda afirma que a “exploração do branco era registrada e a do negro queimada nos arquivos”.

Pode-se destacar a matéria de Maria do Rosário Trindade dos Santos acerca da saúde pública no Brasil. O texto ressalta a privatização da saúde e do desastre da mesma, afirma ainda que o mais prejudicado por essa miséria é o povo negro, especialmente a mulher negra que sofre com diversos problemas, incluindo a questão da esterilização em massa.

N°05:

 

Boletim Omnira – Segunda Edição e Informativo

O segundo número do boletim Omnira compreende os meses de maio e junho de 1993. O principal tema trabalhado é a questão do dia 13 de maio, dessa vez, sobre a perspectiva da mulher negra. A matéria traz um desenho de uma mulher negra acorrentada a uma favela, além de uma discussão que revela as consequências da falsa abolição. O texto é assinado por Abrenide Simões.

O Editorial do boletim pede que as leituras se comuniquem, para contribuir nesse debate e faz uma reflexão sobre os objetivos do Fórum de Mulheres Negras do estado de Pernambuco.

O boletim traz também uma coluna chamada “Mulheres em Movimento” onde são anunciados os eventos e acontecimentos mais importantes para a comunidade.

Essa edição do Omnira promove uma discussão acerca da mortalidade materna, na matéria “As mulheres negras também são “campeãs””. O texto revela as principais causas dessa mortalidade como a falta de assistência médica e os abortos clandestinos. Nesse sentido, Cristina Vital e Vilma de Deus, autoras do texto, afirmam que em razão da condição social da mulher negra, ela é a mais atingida por esses fatores. As autoras ainda destacam uma solução, que seria discutir profundamente essa questão, levando em consideração que “o Brasil é um país dividido por raças”.

O Omnira ainda apresenta em várias edições uma coluna chamada “Mulheres que fizeram parte da nossa história”, nesse número a história relatada é a da Rainha Nzinga. Em outra edição do Omnira, a historiadora e militante, Martha Rosa Figueira Queiroz, fala sobre a importância de se destacar essa figuras do passado. Ela afirma que “é esta realidade de guerreira que nos leva a resgatar as heroínas negras do passado e referendar as do presente. Não como forma de colecionar heroínas negras e datas mortas, que não transformam. A lembrança guerreira das de ontem e a identificação com as de hoje, nos tem levado a continuar na luta pela conquista de nossos direitos de cidadãs comuns e descendentes de uma civilização milenar, possuidora de uma história de risos e lágrimas.” (OMNIRA, nº 4, out/nov/1993)

Vale mencionar que em suas páginas o Omnira destaca uma campanha do MNU chamada “Reaja à Violência Racial”.

N°2:

  • Informativo

Em outubro de 1993, o boletim Omnira traz um informativo para promover uma palestra que iria ocorrer na cidade do Recife com o tema: Exportação de Mulheres. A palestrante era do Coletivo Mulheres Negras da Bahia, Cristina Rodrigues.

 

Boletim Omnira

O boletim Omnira é uma publicação do Grupo de Trabalho de Mulheres do Movimento Negro Unificado de Pernambuco. O Omnira, palavra que significa liberdade, foi criado em 1993 com o objetivo de analisar em textos e matérias questões de gênero e raça.

O boletim contém 4 páginas, impressas em off-set, preto e branco, sobre papel jornal, e com tiragem de 1000 exemplares. Quanto ao formato, os três primeiros números do Omnira vieram em tamanho meio ofício, passando a ser editado em tamanho ofício a partir do número 4, como resultado da mudança (QUEIROZ, 2011, p.548) na edição da Rede de Jornais. Essa rede foi criada em julho de 1992, pela entidade não governamental, intitulada ETAPAS. Essa entidade tinha como finalidade unir jornais de várias comunidades com o objetivo de possibilitar o seu crescimento. Uma das características dessa rede era o fato de que nas páginas internas dos jornais, as matérias deveriam tratar de temas gerais, presente em todas as comunidades. Nesse sentido as matérias presentes na parte de dentro do Omnira, eram as mesmas dos jornais da rede. Pode-se com isso afirmar que, diferentemente do Negritude, o MNU não determinava todas as questões relacionadas ao Omnira, entretanto esse boletim atingia um público maior e mais diversificado (QUEIROZ, 2011, p.548).

Como afirma a historiadora Martha Rosa Figueira Queiroz, Doutora em História pela Universidade de Brasília, através das páginas do Omnira podemos observar que o Movimento Negro reflete sobre gênero, ao construir grupos de mulheres que buscam analisar as relações raciais sob o ponto de vista feminino. O Omnira é a voz feminina em alto e bom tom na história do MN no Recife por ressaltar as personagens e as cenas desse enredo que articula racismo e sexismo (QUEIROZ, 2011, p.549).

No que diz respeito ao grupo Omnira, ele foi criado em março de 1993 com o objetivo de fazer um trabalho de conscientização com as mulheres negras para sua valorização e autoestima, através não só do boletim, como de palestras, reuniões, pesquisas e outras formas criadas pelo grupo para se relacionar com a comunidade.

Além de mostrar as edições do boletim, será disponibilizado nesta postagem o projeto original do grupo Omnira, onde o grupo de mulheres apresenta o projeto, justifica o mesmo e deixa claro seu objetivo de busca pela liberdade e por uma verdadeira democracia racial, além disso, as autoras do projeto afirmam que pretendem “desenvolver com as mulheres de baixa renda negra em sua maioria – atividades educacionais, na área de saúde, com vistas a uma melhoria na qualidade de vida.” (PROJETO DO GRUPO OMNIRA DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO).

Projeto Omnira:

No que se refere ao boletim, no acervo do Movimento Negro Unificado, na Casa da Cultura, constam 4 edições do Omnira, mais um informativo do ano de 1993. Os números que serão disponibilizados no blog são: nº02, 04, 05 e 08.


Referências:

  • QUEIROZ, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2.
  •  Projeto do Grupo Omnira do Movimento Negro Unificado.

Jornal Negritude (2000 e 2002)

  • Ano 2000

No ano de 2000 é publicada uma espécie de edição especial, completamente diferente das anteriores, do Negritude que compreende os meses de janeiro e fevereiro. Esse número contém apenas duas páginas e traz como matéria principal um texto desconstruindo a imagem criada tanto pela historiografia oficial, quanto pela população de Chica da Silva, mostrando sua verdadeira história, registrando sua importância e homenageando o seu papel na sociedade e política de seu tempo.

Essa edição conta ainda com uma Agenda Cultural e uma nota sobre dados gerais sobre a população negra.

  • Ano 2002

N°001

Após anos sem publicar seu jornal, o MNU decide em 2002 trazer de volta o Negritude. Entretanto, as novas edições não seguem o mesmo padrão e são publicadas com um visual diferente dos anteriores. São publicados com apenas duas páginas e traz pequenos parágrafos abordando diversos assuntos.

O número 001 traz alguns temas em destaque como: a terça-negra, a pobreza no Brasil e a luta contra a discriminação racial no Brasil e nos EUA.

N°002

Em julho de 2002 foi publicado o Nº002 do Negritude. Essa edição traz um pequeno texto acerca do Movimento Negro Unificado, seus objetivos e o sua importância para a comunidade negra na atualidade.

Na segunda página deste número é abordado o tema das ações afirmativas e como elas são aplicadas em vários países do mundo.

N°003

A terceira edição do ano 2002 traz uma única matéria tratando sobre a questão da ALCA – Área de Livre Comércio das Américas. De acordo com o texto, essa aliança desejada constitui uma ameaça a países endividados, pois irá alargar os problemas sociais e, conforme a matéria, os mais prejudicados com essa situação seriam os negros, que sofrem com a pobreza, a discriminação, o racismo, entre outras questões. Nesse contexto, o jornal pede que no mês de setembro de 2002 os leitores participem de um plebiscito para se informarem e votarem contra a ALCA.

 

Jornal Negritude – Sétima e Oitava Edição

  • Jornal Negritude – Sétima Edição

O número 7 do Negritude compreende os meses de março e abril de 1994. A edição traz como matéria de capa uma reflexão sobre o Dia Internacional da Mulher. A matéria tem como objetivo destacar os problemas enfrentados cotidianamente pelas mulheres negras e a necessidade de se resgatar a história e as heroínas negras. O texto foi assinado por Alzenide Simões.

Entre outras matérias pode-se destacar a de Mônica Oliveira, membro da coordenação nacional do MNU, que aborda o seminário nacional de planejamento do MNU que ocorreu na cidade de Olinda em Pernambuco. A ação do Movimento Negro Unificado em comunidades negras rurais ou remanescentes de quilombos, autonomia financeira da entidade, entre outros, foram temas escolhidos para debate. A importância desse evento se encontra na contribuição decisiva do MNU de Pernambuco nas discussões e na realização do seminário.

Outra matéria relevante, assinada por Josafá Mota, faz uma crítica à esquerda brasileira e destaca o papel da dominação psicológica do poder branco, além da questão social e econômica.

N°7:

 

  • Jornal Negritude – Oitava Edição

A última edição publicada do Negritude em 1994 traz uma matéria sobre a luta das comunidades remanescentes pela legalização de suas terras, o texto traz diversas informações sobre essa questão e mostra o apoio do MNU e o trabalho da entidade com algumas comunidades no Brasil como a da Conceição das Crioulas em Pernambuco. O texto foi elaborado por Mônica Oliveira.

Outra matéria relevante diz respeito ao Haiti e a sua situação na década de 1990. No texto é destacada a importância desse país e de sua história para a militância negra de todo mundo. Quem assina o texto é um dos coordenadores do MNU – Nethio Benguela.

N°8:

Jornal Negritude – Sexta Edição e Número Especial

  • Jornal Negritude – Sexta Edição

O número 6 do Negritude foi lançado cinco anos após o último exemplar, no ano de 1993, com algumas alterações importantes. Até a edição anterior as matérias eram elaboradas por uma Comissão de Imprensa que representava o Movimento Negro Unificado, a partir desse número todas as matérias passam a ser assinadas e a comissão de imprensa nominalmente identificada. A tiragem também só foi identificada a partir do número 6, com 1.000 exemplares, que foram distribuídos gratuitamente nas reuniões do MNU e em eventos da comunidade negra (QUEIROZ, 2011, p. 540-541).

A matéria principal desta edição é sobre a comunidade Conceição das Crioulas, localizada a 42 km de Salgueiro, Sertão de Pernambuco. O texto traz informações acerca da história da comunidade e é assinado por Lindivaldo Júnior.

O Editorial comenta a volta do jornal, ressaltando suas novas conquistas, além de relembrar o objetivo do Negritude de ser um instrumento de informação para a comunidade negra.

A edição traz ainda uma matéria sobre os 15 anos do MNU assinada por Martha Rosa Figueira Queiroz, na época coordenadora da entidade. É fundamental mencionar a mudança na editoria ‘eventos’ que passou a ser chamada de “Espaço Azeviche”, entre outras mudanças visuais.

N°6:

  • Jornal Negritude – Edição Especial do Carnaval de 1994

No carnaval de 1994 o Negritude publicou uma edição extra, trazendo informações obre o carnaval de Pernambuco para a comunidade negra.

Primeiramente foi divulgado informações acerca do Arrastão Zumbi, bloco carnavalesco do MNU, que tinha como objetivo participar do evento, sem deixar de lado a luta pelo fim da Violência Racial. No texto ainda são abordadas as dificuldades enfrentadas pelas entidades comprometidas com a luta das comunidades negras. O texto foi assinado por Martha Rosa Figueira Queiroz.

Ainda na primeira página pode-se citar a matéria sobre a situação dos maracatus, principalmente do Maracatu Elefante, que sofrem com problemas financeiros e o descaso da prefeitura. De acordo com Mônica Oliveira, autora da matéria, os maracatus são verdadeiras comunidades negras de resistência. A edição conta ainda com a agenda dos blocos carnavalescos e outros eventos da semana de carnaval.

Edição Especial:


Referências:

  • Queiroz, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2.

Jornal Negritude – Terceira, Quarta e Quinta Edição

  • Jornal Negritude – Terceira Edição

O número três do jornal Negritude foi publicado em 1987 e compreende os meses de maio, junho e julho. A principal matéria desta edição, denominada “13 de maio: dia da traição”, traz críticas à comemoração dessa data, fazendo uma análise do que significou de fato a abolição. Nessa perspectiva, é escolhido o dia 20 de novembro (dia da morte de Zumbi dos Palmares) como data símbolo de resistência (QUEIROZ, 2011, p. 543). O texto questiona, ainda, quem realmente foi beneficiado por essa lei e ressalta o papel do MNU no processo de valorização dos antepassados, considerados herois negros. Vale ressaltar que essas questões foram abordadas em diversos números do Negritude, mostrando a importância do debate e da divulgação desses temas.

Outra matéria que se pode destacar diz respeito à educação brasileira que, de acordo com o Negritude, é dirigida a uma classe definida e comete um erro ao reproduzir o modelo de cultura européia. Segundo a comissão do jornal, é preciso resgatar a cultura popular e trabalhar com os alunos diversos temas, como por exemplo: a escravidão, quem foi Zumbi, etc. Para que exista um debate entre os estudantes.

Essa edição traz também um artigo sobre a super valorização da moda e dos costumes europeus, além de uma matéria sobre o Morro da Conceição e sua comunidade.

Infelizmente, não consta no acervo do Movimento Negro Unificado de Pernambuco a versão integral desta edição.

N°3:

  • Jornal Negritude – Quarta Edição

A quarta edição do jornal Negritude abarca os meses novembro e dezembro de 1987. A matéria de capa traz novamente o tema da falsa abolição, destacando as estatísticas que mostram as dificuldades enfrentadas pelos negros no mercado de trabalho. O texto aborda também a campanha nacional de esterilização de 1982, que conforme o jornal do MNU-PE tinha como objetivo esterilizar as mulheres negras e índias. O Negritude alega ainda que a “campanha de esclarecimento” só existe para orientar os pobres a “não fabricarem futuros marginais”. Outros temas são destacados como a dificuldade enfrentada pelas organizações negras, além da violência policial.

Essa edição conta com notas sobre cursos para a comunidade, e traz comentários acerca do Encontro de Negros na cidade de Paulista em Pernambuco e do VII Encontro de Negros do Norte e Nordeste, que ocorreu no mês de julho em Belém do Pará.

Pode-se destacar ainda uma matéria sobre a capoeira e um artigo sobre o Maracatu Leão Coroado, seus 126 anos de resistência e sua relação com o Movimento Negro Unificado.

N°4:

  • Jornal Negritude – Quinta Edição

Em maio de 1988 o jornal Negritude publicou uma edição especial, que traz na capa uma foto de Zumbi dos Palmares com a legenda “Zumbi – o nosso abolicionista”. Nesse contexto, a principal matéria desta edição tem como objetivo promover personagens tidos como herois e heroínas na luta internacional contra o racismo, a matéria foi intitulada “heróis da resistência” e apresenta biografias sobre oito personalidades (QUEIROZ, 2011, p. 543).

Nesta edição o Editorial volta a citar os problemas financeiros enfrentados pela instituição que dificulta a publicação do jornal, entre outras questões. Pode-se destacar ainda a matéria “Tortura. Nunca mais?”, onde o jornal afirma que a tortura se confunde com a própria história do Brasil, além de questionar os usos da palavra ‘tortura’.

N°5:


Referências:

  • QUEIROZ, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2.

 

Jornal Negritude – Segunda Edição

O número dois do jornal Negritude foi publicado em 1987 e compreende os meses de fevereiro, março e abril. A matéria principal dessa edição versa sobre o Maracatu Leão Coroado, foi fundado em dezembro de 1863 no bairro da Boa Vista e considerado o mais antigo maracatu da categoria baque virado do carnaval de Pernambuco. A matéria ressalta as dificuldades enfrentadas pelo maracatu e a revolta de seu presidente, Luís de França, com essa situação. A principal dificuldade diz respeito à falta de sede própria. Na matéria o Movimento Negro Unificado de Pernambuco demonstra seu apoio ao Maracatu Leão Coroado e ressalta a importância de uma sede para a conservação do mesmo e a obrigação do governo em auxiliar nessa questão.

Nessa edição o Editorial contempla a data 21 de março instituída pela ONU como dia mundial contra o racismo, em razão do massacre que ocorreu na cidade de Shapeville, na África do Sul, em 1960. Durante um protesto pacífico milhares de manifestantes foram reprimidos pela polícia sul-africana com violência, enquanto lutavam contra as leis do passe, que obrigava os negros a fazerem uso de uma caderneta onde estava escrito o seu destino; 69 pessoas foram assassinadas e cerca de 180 pessoas foram feridas. É aludido ainda o levante ocorrido em 16 de junho de 1976 na África do Sul, onde centenas de jovens negros foram assassinados, e que ficou conhecido como “Levante de Soweto”. O Editorial ressalta a importância dessa data, sem deixar de alegar que seria um equívoco acreditar que esses acontecimentos deixariam de ocorrer, em razão da denúncia. No Brasil essa data também é usada para denunciar o racismo e serve para lembrar que o Brasil é também um país racista.

Ainda na segunda página o Negritude traz uma matéria sobre a morte de Samora Machel revolucionário moçambicano, que liderou a guerra de Independência de Moçambique e se tornou o primeiro presidente da nação, em 1975. O texto ressalta a dedicação de Machel ao seu povo e afirma que o mito Samora irá sobreviver.

Em uma matéria intitulada “O racismo na Nova República” o jornal comenta sobre a proibição, pelo presidente José Sarney, dos templos religiosos de saudarem e ofertarem os orixás em via pública. Para o Negritude isso foi um ataque contra o maior pólo de resistência sócio/cultural da comunidade afro brasileira: o Candomblé.

A segunda página conta ainda com a seção Eventos, que nessa edição anuncia um encontro nacional do Partido dos Trabalhadores, em 19 de março na cidade de Brasília, sobre “O PT e a questão racial”.

A terceira página do jornal contém uma entrevista com Jorge Morais e Sidney Felipe, fundadores do Afoxé Alafin Oyó. Fundado na cidade de Olinda com o objetivo de resgatar, preservar e propagar a cultura afro-brasileira que há séculos vem sofrendo discriminações. Para falar sobre esse Afoxé o Negritude transcreveu uma entrevista com seus fundadores que aborda assuntos como o que é um Afoxé, o que significa Alafin Oyó, a relação desse Afoxé com outros grupos negros, além de dificuldades para conseguir uma sede definitiva.

A última página do jornal traz uma matéria sobre “Oito de Março: Dia da Mulher” com depoimentos de mulheres sobre a pergunta: como você vê o dia 8 de março – Dia da Internacional da Mulher?. Seis mulheres participaram da pesquisa, entre elas, uma militante do MNU-PE, a presidente da Associação das Empregadas Domésticas, a Vice-presidente da Associação dos Trabalhadores Previdenciários, uma participante do Grupo de Mulheres e da Associação de Moradores de Iputinga, além de uma estudante de 15 anos.

Em razão da aceitação da primeira relação de cursos profissionalizantes, divulgada no primeiro número do Negritude, essa edição traz mais informações sobre novos cursos que surgiram entre os meses de março e junho de 1987.

Por último, o jornal traz um aviso sobre as reuniões do MNU-PE, realizadas todos os sábados, às 18 horas, no DCE na Rua do Hospício.

N°2: