Jornal Abibiman

O Abibiman é um jornal da Associação de Resgate da Cultura Afro (ARCA), suas publicações eram realizadas mensalmente na cidade de Arcoverde, localizada na região do sertão pernambucano. Tinha como fundador Luiz Eloy de Andrade, mais conhecido como Luizão, era formado em Biologia e foi prefeito da cidade de Arcoverde no ano de 1998, além de ser um dos organizadores da Marcha de Zumbi dos Palmares. O número de páginas do jornal variava e trazia sempre em suas primeiras páginas, fotos de mulheres negras, como forma de mostrar a beleza da mulher negra, frases para o dia, dicas da medicina natural, além de também trazer diversos anúncios em meios suas páginas. Estas variavam entre: lojas de computadores, consultas clínicas, consórcios, perfumarias e artigos religiosos.

  • Abibiman –  N°40, Agosto de 1998

No ano de 1998 em sua quarta edição, traz em sua segunda página a matérias “Mãe velha tem 105 anos”, sobre Maria Tereza da Conceição de 105 anos de idade, umas das mais antigas residentes de Arco Verde. Além da matéria anterior, a página contém, uma pequena nota sobre a tribo Tabajara de onde originou a família Arcoverde. Segundo informações do jornal, a família de destaque na história do Brasil, teve sua origem na união de Jerônimo de Albuquerque e de uma índia Tabajara, batizada como Maria do Espírito Santo Arcoverde.
A página quatro apresenta a matéria de título “Como o diabo gosta”, onde se discute a desigualdade socioeconômicas que assolam o Brasil e o mundo, tendo como base uma pesquisa feita pela revista estadunidense, Forbes. Esta, utilizou como exemplos, Roberto Marinho(dono da rede TV ,Globo), na época com cerca de 6,3 bilhões de dólares, ocupando no ranking 50º posição, na lista dos maiores bilionários do mundo.
Na mesma página, o jornal irá destacar a matéria que tem como proposta a realização do ”Encontro Regional de Mulheres Negras”, dessa forma é marcada uma reunião na cidade de Natal entre os dias 29 e 30 de agosto, tendo como objetivo se aprofundar sobre a organização do movimento das mulheres negras. Entre os pontos principais da discussão pautada, encontrava-se: a avaliação da participação das mulheres negras em um encontro que aconteceu em Cuba, avaliação do movimento de mulheres negras a nível nacional e a articulação das mulheres negras dentro da CONEN.
O CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras) é uma entidade criada no I Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN), em novembro de 1991, em São Paulo/ capital, no qual se chegou a conclusão de que o Movimento Negro necessitaria se orientar segundo a política e ações criadas em coletivo. O ENEN é fruto de vários encontros de homens e mulheres negras em todo Brasil, tendo como finalidade o fortalecimento do movimento negro no país, em combate ao racismo e a desigualdade. Neste contexto, surge o CONEN, com objetivo de organizar todas as entidades voltadas para a população negra brasileira, pautando as diferenças entre os problemas enfrentados pelo negro em diferentes regiões.

  • Abibiman –  N°46, Fevereiro de 1999

No editorial, que se encontra na primeira página, o tema é a objetificação dos homens negros e sobre tudo das mulheres negras, tendo como base o fato histórico da utilização de pessoas negras como objeto sexual, ainda na época da escravidão pelos senhores da casa grande. O editorial também fomenta o fato de que homem negro no auge do seu sucesso procura mulheres brancas, como forma de reafirmar sua vitória usando-a como troféu.
A página seis vem trazendo uma matéria sobre a atriz Maria Ceiça, que se recusou fazer papel de empregada no programa de televisão “Você decide”, acreditando ela, ter aberto “novas portas para o ator negro na televisão”.
Outra matéria que se destaca na página quatro do jornal é a matéria sobre a Lei nº 9.459 aderida no dia 13 de maio de 1997, que coloca como crime inafiançável o racismo. Nesta mesma página, o Abibiman vem com uma inovação, o horóscopo dos Orixás, onde trás consigo os doze signos dos zodíacos e seus orixás correspondentes, tendo como referência a Revista Raça Brasil, primeira revista voltadas para o público negro brasileiro.

  • Abibiman –  N°50, Junho de 1999

O editorial dessa edição, no ano de 1999, a privatização das escolas em Pernambuco, pelo estado. Para maiores informações, este editorial trás as estimativas de Analfabetismos entre a população negra e periférica de Pernambuco, onde “segundo a aferição de 1991 do IBGE, entre os negros e pardos com mais de 15 anos, o índice de analfabetismo é de 22%”, sendo apenas “13% dos negros e 14% dos pardos” com mais de sete anos de estudo.
Nesta mesma edição, na página quatro tem como destaque uma matéria do professor, do departamento de história da UFPE, Marcus J. M. de Carvalho, sobre os grandes traficantes de escravos entre os anos 1810 á 1850.

Axé – Agora é pra valer!

Axé – Agora é pra valer! É o boletim informativo criado por Edson Axé, militante presente na luta dos movimentos sociais em Pernambuco. Axé é um boletim eleitoral e foi lançado no ano de 1999 e contou com 4 páginas e uma tiragem de 5 mil exemplares.

Nesta postagem será disponibilizada a primeira edição deste boletim.

AXÉ – Ano 1, Nº 01

Em sua primeira página o boletim traz um texto introdutório sobre Edson Axé, sua trajetória de luta pelos direitos da população no geral e o seu despertar para a Negritude no fim da década de 1980. Axé além de participar dos movimentos sociais, atua ativamente na vida política e já foi candidato a vereador pelo PT – Partido dos Trabalhadores. A apresentação do boletim foi escrita por Paulo Rubem Santiago na época em que era Deputado Estadual de Pernambuco.

Na página seguinte o informativo apresenta um texto do Reverendo Marcos Cosmo da Silva sobre a greve dos Policias Militares no ano de 1997, ressaltando a participação de Edson Axé como um dos líderes da greve. O Reverendo destaca, entre outros pontos, a filiação de Axé ao PT, que seria um “partido de perfil crítico, de compromisso social e afirmação socialista”. A terceira página contém uma entrevista com o fundador deste boletim.

Por último, o boletim apresenta algumas informações sobre as atividades de Edson Axé, entre outros eventos e notícias.

Nº1:

Informativo do GT de combate ao racismo do Ministério Público de Pernambuco

Será disponibilizado nesta postagem duas edições do informativo do Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Este jornal tem uma publicação trimestral e contém 9 páginas.

De acordo com um panfleto distribuído pelo GT e pelo site do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o grupo foi criado em 2002 e contava com a participação de 5 integrantes. Conforme sua página oficial, o grupo

(…) surgiu com o objetivo de construir estratégias de enfrentamento ao racismo através da discussão, sensibilização e capacitação de membros e servidores a partir do conceito de racismo institucional e suas consequências na reprodução das desigualdades históricas que atingem a população negra. A ideia é possibilitar uma mudança de atitude nas práticas cotidianas aos integrantes da instituição.

É importante ressaltar que o grupo procura se relacionar com os Movimentos Sociais Negros e que no ano de 2012 passou a defender também os direitos dos povos indígenas e ciganos. Sobre o Racismo Institucional é importante destacar que este se encontra presente no Sistema de Justiça, com a Polícia Militar, ao abordar com mais frequência e violência a população negra, entre outros casos.

Atualmente este GT conta com o trabalho de 14 membros e servidores, realizando reuniões quinzenais, seminários, debates, grupos de estudo, oficinas e outras atividades.

  • Panfleto GT

No panfleto distribuído pelo GT informa-se sobre a história e as estratégias do grupo, além de outros esclarecimentos. Pode-se destacar as informações sobre as 120 comunidades quilombolas, em Pernambuco, e o trabalho do GT com as mesmas. Além da divulgação do trabalho com outros grupos, campanhas e a importância da capacitação dos membros do Ministério Público.

  • GT Racismo – Nº19, Maio de 2011

A capa desta edição apresenta uma discussão acerca do Mito da Abolição, que procura refletir sobre a data 13 de Maio, dia da abolição, a situação do negro no pós-abolição e sua situação hoje com o racismo, discriminação e desigualdades. Para o GT e para os movimentos sociais, esta data é o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. O informativo destaca a importância de se trabalhar essa questão “dentro de casa”, inclusive, o GT fez uma pesquisa e foi detectado que integrantes do Ministério Público de Pernambuco acreditam no mito da democracia racial, atribuindo as desigualdades apenas a questões sociais. Nessa perspectiva, o GT afirma que é preciso descobrir e entender essas questões para lutar por melhorias.

O informativo traz a coluna “MP em ação”, que segundo o jornal é um espaço para apresentar as atividades dos promotores e procuradores no combate ao racismo. Nesta edição são mostradas, entre outras atividades, a participação de promotores integrantes do GT em palestras, em Universidades e Faculdades, acerca do tema. Ainda nessa página são divulgadas notas sobre a sede do GT e sobre uma campanha pela denúncia de crimes de racismo.

Outras pontos importantes deste número diz respeito ao resultado da pesquisa já citada sobre como o Ministério Público de Pernambuco entende o racismo, pesquisa interna realizada em 2010. O jornal traz também dicas de leituras e outras notícias importantes de realizações do GT.

Nº19:

  • GT Racismo – Nº20, Agosto de 2011

Este número traz em sua capa a discussão “Afrodescendentes: anos de lutas”, comentando, entre outras questões, os esforços do MPPE para o combate a violação dos direitos da população negra.

A edição traz a coluna “MP em Ação”, desta vez ressaltando os grupos de estudos e a presença do procurador geral em seminários e encontros, como o I Encontro Nordestino das Mulheres de Terreiro. Na terceira página o informativo apresenta uma matéria sobre a apresentação do GT Racismo para novos promotores concursados.

Por fim, o jornal apresenta dicas de leituras e uma entrevista com a Major Verônica, que é coordenadora e instrutora do Grupo de Trabalho que estuda as relações étnicas, raciais e racismo da Polícia Militar de Pernambuco.

Nº20:


Referência:

Informa Negro

Informa Negro é o informativo mensal de circulação interna do Movimento Negro Unificado de Pernambuco. Pode-se afirmar que este veio com a finalidade de trazer informações, sobre projetos e atividades, para os militantes e simpatizantes do MNU-PE, entidade com sede na Casa da Cultura, no bairro Santo Antônio da cidade de Recife. O responsável pelo informativo e pela comunicação com a imprensa era o militante Edson Axé e os outros coordenadores eram Zé Oliveira e Adeildo Leite. O Informa Negro possui 2 páginas e sua primeira edição foi publicada em julho de 1999.

  • Informa Negro – Ano I – N°1

Será disponibilizada no blog a primeira edição, do informativo de circulação interna do MNU-PE, que foi publicado em julho de 1999. Em sua primeira página o Informa Negro reflete sobre a televisão e as relações raciais no Brasil, principalmente, sobre as novelas brasileiras e os vários casos de racismo. De acordo com os militantes, os negros são excluídos da teledramaturgia e apesar de algumas mudanças, promovidas pela população e pelos Movimentos Negros, a participação do negro continua baixa e presa aos estereótipos. No final da primeira página o informativo deixa um recado para os simpatizantes pedindo que os mesmo filiem-se ao Movimento Negro Unificado, para assim fortalecer o movimento.

Em sua segunda página é apresentada a coluna “Aqui, acontece…”, que traz várias notícias, entre elas, sobre a formação de um núcleo para estudos sobre o tema negro e informações acerca do apoio dado pelo MNU-PE a um caso de racismo que ocorreu no Shopping Center Guararapes na cidade de Jaboatão, em Pernambuco. No acervo no MNU-PE, na Casa da Cultura, é possível encontrar documentos e informações sobre este caso de discriminação.

O Informa Negro apresenta ainda as diversas atividades planejadas pela entidade, além da agenda cultural, aniversariantes do mês e o número do disque denúncia, com o objetivo de mostrar a população que é preciso denunciar casos de discriminação racial.

Nº1:

 

 

Jornal Djumbay – Vigésima Quinta Edição

Esta foi a penúltima edição do Jornal Djumbay, lançada em 1997. Ela faz parte da última fase (ou ano V) e aparece como uma publicação da “Djumbay – Cidadania com Identidade Racial”, Situada à Casa da Cultura de Pernambuco, Raio Oeste, 2ª andar, sala 303 e com Conselho Editorial formado por Daniel Souza, Gilson Pereira, Glaucia Maria, Lepê Correia e Verônica Gomes. A “Djumbay – Organização pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra” se torna a Representação Jurídica da associação do jornal. Ela também traz uma nova diagramação e um índice com as novas seções. São elas:  DIREITO, EDUCAÇÃO, DICIONÁRIO YORUBÁ, FUNDAMENTADO, REENCONTROS, MULHER NEGRA, AFRO-REMANESCÊNCIA, COMUNICAÇÃO, NEGRAS MEMÓRIAS, INFANTO-JUVENIL, UM TOQUE AFRO, PSIQUE E NEGRITUDE, RAÍZES, FALA NEGRITUDE e IDENTIDADE. Importante notar que com o crescimento nacional do jornal, essa edição possui matérias de diversos lugares do Brasil, e essa procedência aparece junto aos nomes dos autores dos artigos publicados.

A página 3 apresenta a seção “Direito”, cuja primeira matéria é “Programa de Ação – uma ferramenta útil no combate à discriminação racial”, escrita por Geraldo Costa, de Brasília-DF. O programa de ação é uma medida que constitui informações precisas no diagnóstico de práticas discriminatórias. A matéria ainda indica as etapas de um programa de ação: diagnóstico, elaboração, implantação e controle e avaliação. Na página 4, a seção “Educação” traz uma matéria sobre o II Seminário Estadual: “A Questão das Relações Raciais na Educação”, que ocorreria na UERJ em setembro de 1997. Nessa mesma página há o Dicionário Yorubá. A página 5 coloca na seção “Fundamentado” um Especial de História escrito por Simão Matsinhe (Recife-PE), que conta um pouco da história de Moçambique, da colonização portuguesa, da cultura e do socioeconômico do local. A página 6 apresenta as seções “Reencontros” e “Mulher Negra”. A primeira contém uma crítica ao V Congresso Afro-brasileiro (CAB), que, segundo Gilberto Leal (Salvador-BA), não empolgou a militância, pois o caráter meramente academicista acabou por afastá-la do espaço; também é divulgado o 18º FECONEZU, que aconteceria em Novembro de 1997. A segunda coloca em pauta o XII Encontro Nacional Feminista, o primeiro organizado por mulheres negras, em artigo escrito por Carmem Lúcia e Vilma Reis (Salvador-BA), e também fala sobre o Programa de Saúde do Geledés. Essa matéria fora escrita por Edna Roland, presidente do “Fala Preta” (São Paulo-SP), que é como se chamava o programa, e conta que ele nasceu em Abril de 1997 e propunha promover o desenvolvimento humano sustentável livre de todas as formas de discriminação.

A seção “Afro-remanescência” apresenta um artigo sobre o mapeamento das terras quilombolas remanescentes que fora organizado pela Fundação Cultural Palmares, mostrando ainda uma planilha com as terras já mapeadas. A “Comunicação”, das páginas 8 e 9, traz três matérias: “Imprensa Negra – uma história antiga”, por Glaucia Maria (Recife-PE), que conta a história da imprensa negra desde o início até a atualidade (no caso, até os anos de 1996/1997); “CONEN em Ação – Seminário Nacional da CONEN”, sobre o adiamento do seminário para Março de 1998; e “Pauta Lembadilê – Central de Notícias Afro-brasileira”, mostrando os materiais disponíveis de congressos, seminários, etc. As páginas 10 e 11 pontuam, na “Negras Memórias – parte II”, as datas importantes para a comunidade negra, durante os meses de Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Também conta com uma nota sobre o falecimento de Luís Carlos Felipe, importante militante do SINTAEMA-SP.

A seção “Infanto-Juvenil” coloca em pauta a necessidade de se abrir um espaço para crianças e adolescentes compartilharem suas vivências e agonias com o preconceito. A “Um Toque Afro” faz a mostra da “Vitrine Afro”, com indicações de livros sobre a África, quilombos e africanidades gerais, além de peças nessa temática e poesias. A “Psique e Negritude” apresenta um texto de Lepê Correia sobre a criação de um espaço para debate sobre o comportamento dos afro-descendentes. Essa seção também traz um assunto centrado na sexualidade dentro do Movimento Negro na matéria “Homossexuais Afro-brasileiros”, escrita por Waltecy Santos (SP), que fala sobre os dois coletivos que tratam dessa temática no Brasil: o Dudu Adé – Coletivo de Homossexuais Afro-brasileiros e o Quimbanda Dudu – Grupo Gay Negro da Bahia. A seção “Raízes”, em texto de Jorge Morais e Jairo Pereira, fala sobre o Centro de Estudos das Tradições Religiosas da Humanidade. Por fim, a seção “Identidade”, em matéria de Mário Nelson, de Brasília-DF, fala sobre o Ceabra, o Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros, criado com intuito de fomentar o mercado de empresários negros no cenário nacional.

Jornal Djumbay – Vigésima Terceira Edição

Edição de 1996 (sem mês informado), apresenta Conselho Editorial formado por Gilson Pereira, Glaucia Maria, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Essa edição aparece menos separada por seções, contando na maior parte por matérias independentes. A seção “Editorial” fala um pouco sobre o começo do jornal e as mudanças do Djumbay nesse percurso, menciona  o envolvimento em projetos locais e nacionais na agenda de resistência dos movimentos negros e também a entrada na coordenação da Central de Notícias Afro-brasileira (Cenab). Na página 3, há uma matéria de Glaucia Maria explicando o que é o Cenab e como se dá o envolvimento do Djumbay e das outras entidades negras nessa nova empreitada pela interação da Comunidade Negra Nacional. Também nessa página, há uma imagem interativa patrocinada pelo DETRAN-PE, para incentivar o cuidado no trânsito como uma forma de exercer a cidadania. Na página seguinte encontramos uma matéria intitulada “Direitos Sócio-Raciais”, escrita por Maria Edite, a advogada e assessora do Djumbay, na qual ela informa a inserção de uma nova seção no jornal cuja temática abordaria assuntos jurídicos. Nessa matéria ela dá uma breve explicação sobre os remédios constitucionais, as leis infringidas no ensino e a resistência de Zumbi.

Na página 5, Lepê Correia fala sobre o papel social da escola e como o racismo dentro dessa instituição aparece, tornando-a um serviço para a classe elitizada. Ainda nessa página, há um pequeno artigo que conta um pouco sobre a história da Nigéria e da cultura material de lá. As páginas 6 e 7 são voltadas para as eleições de 1996. Nessa pauta, Glaucia Maria questiona se há voto racial no Brasil, a importância da reflexão sobre esse tema, a responsabilidade envolvida na eleição e elenca alguns candidatos negros que estariam concorrendo ao cargo de Vereador. Na página 7, há também um espaço intitulado “Um momento de reflexão”, que divulga estatísticas e ponderações sobre a situação do negro na sociedade. No fim da página, há ainda uma publicidade patrocinada pela Celpe para a conscientização sobre a necessidade de economizar energia.

As páginas 8 e 9 colocam importantes eventos e discussões a âmbito nacional no “Pelo Brasil afora”. Dentre São Paulo, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e Brasília (DF), duas matérias merecem atenção. A primeira é a do Distrito Federal, escrita por Glaucia Maria, que fala sobre o fim do ensino gratuito nas universidades públicas brasileiras, um projeto que fora idealizado pelo professor Hélio Santos, e cuja proposta visava à democratização do ensino superior para que mais negros pudessem ingressar nas universidades. No entanto, essa proposta foi contraposta pela UNE. A segunda é a do Rio de Janeiro, escrita por Verônica Gomes, cujo título é “Povo Negro, desperta pra Aids!” e na qual ela fala sobre o I Seminário Nacional “A Comunidade Afro-brasileira e a Epidemia de HIV/AIDS”, que ocorreu em Outubro de 1996. No fim da página 9, há um anúncio que informa que a Organização Djumbay passaria a promover a Mostra de Vídeo-Debate “Cidadania com Identidade Racial” mensalmente nas comunidades.

Na 10ª página, Gilson Pereira e Verônica Gomes revelam as pretensões do Djumbay na Cenab (Central de Notícias Afro-brasileira) e divulgam que o Djumbay é parte integrante da CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras), além de pontuar as atividades da organização do jornal nos eixos de Educação, Comunicação e Direito. Na página seguinte aparece novamente uma matéria sobre o caso de Mumia Abu Jamal [1], o jornalista negro americano acusado de assassinar um policial branco. A matéria é mais uma explicação do caso e suas irregularidades e pede, mais uma vez, ajuda para o custeio financeiro da revisão do caso, além de trazer uma mensagem de Abu-Jamal para os negros brasileiros. A página 12 expõe uma carta aberta ao cantor Carlinhos Brown, escrita por Samuel Vieira, na qual ele critica o posicionamento de Brown quando este afirma que a África “aceitou” ser colonizada e escravizada e que os africanos são um povo fraco e, por isso, são o contrário do brasileiro, que representa um povo “forte e miscigenado”. Samuel quebra o que foi dito por Carlinhos, dizendo que o Brasil também foi colonizado e que aqui ainda possui muita pobreza. A página 13 elenca datas importantes para a memória do povo negro e também conta com outra imagem lúdica patrocinada, desta vez, pela Compesa.

A página 14 apresenta uma novidade: o Dicionário Yorubá. A penúltima página expõe relatos e congratulações ao Djumbay feito por figuras de associações e do movimento negro, tanto em Pernambuco como em outros estados, e também divulga o Seminário Estadual sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, que contou com participação de Dom Hélder Câmara. Por fim, a edição é concluída com um pequeno texto de Lepê Correia sobre a história de Luís Gama, filho de africana livre que fora vendido como escravo pelo próprio pai e que posteriormente se tornou um grande abolicionista e poeta satírico.

Jornal Djumbay – Vigésima Primeira, Vigésima Segunda e Edição Especial

  • Jornal Djumbay – Vigésima Primeira Edição

Essa edição, de Julho de 1995, retorna ao total de 8 páginas, mas possui a mesma diagramação da anterior e as mesmas seções, menos a “Baseado”. A “Editorial” homenageia Solano Trindade e os 87 anos que ele faria naquele ano. A “Resistência”, em matéria de Glaucia Maria, fala um pouco sobre o cantor de reggae Dionorina. A “Fala Negritude” traz as opiniões e relatos das pessoas sobre essa nova fase do Djumbay. Na página 4, a “Crenças”, em matéria de Verônica Gomes, anuncia a morte de Mãe das Dores, ou Talaby, umas das primeiras mulheres a fundarem a Casa de Candomblé em Pernambuco. Ainda nessa seção, Lepê Correia faz homenagem a Talaby no texto “Axexé”. A seção “Outros Axés” divulga o Centro para Mulheres do Cabo, que visa a capacitar e entender as mulheres do Cabo de Santo Agostinho, além de realizar diversas atividades e oferecer serviços de saúde preventiva, consultas ginecológicas, acompanhamento de gestantes, etc.

Na página seguinte, a seção “Fundamentado” traz a questão da mulher negra em texto de Verônica Gomes, inspirada no discurso de Sueli Carneiro, Coordenadora Executiva do Geledés. A matéria seguinte, de Nei Lopes, já fala sobre os problemas léxicos da língua banto e sobre o Dicionário Banto do Brasil, feito pelo africanista Nelson de Sena. A sexta página contém o “Negritude Lúdica”, com alguns jogos, palavras-cruzadas, dicas de livros infantis e divulgação do Balogunsinho, uma linha especial do salão Baloguns, especializado no público infantil. A penúltima página, a “Atualidades” fala sobre o Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) e a “Raízes”, sobre o cartaz que o jornal estaria enviando aos assinantes em comemoração não só ao “novo Djumbay”, mas também pelo ano do tricentenário da morte de Zumbi. Ainda nessa página, Verônica Gomes homenageia o aniversário de 50 anos da atriz Ruth de Souza. A oitava página só possui anúncios da próxima edição, do show “Reggae na Cidade” e da assinatura do jornal.

  • Jornal Djumbay – Vigésima Segunda Edição

Publicada em Agosto de 1995, também possui 8 páginas e segue a mesma linha da nº 21. A seção “Editorial” traz a matéria “Uma noite no Quilombo com o Ylê de Egbá”, de Verônica Gomes, que fala sobre o Afoxé Ylê de Egbá e a participação deste no Projeto Kizomba Njinga-Zumbi. A matéria seguinte, da seção “Fala Negritude”, trata da homenagem a Solano Trindade que seria realizada no evento do projeto supracitado e coloca relatos de militantes, amigos e familiares de Solano. Na seção “Crenças”, Lepê Correia procura desmistificar a imagem de Exu como demônio: “Exu é o princípio da existência diferenciada”.  A “Outros Axés”, em matéria de Glaucia Maria, conta sobre o forrozeiro paraibano que redimensionou e reafirmou o forró de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro.

Na seção da página 5, “Fundamentado”, Lepê Correia trata da Pedagogia Interétnica, que é centrada na modificação de “comportamentos preconceituosos”, com metodologia de cunho interdisciplinar. A “Negritude Lúdica” traz um jogo para as crianças e como sugestão de leitura, o livro “Liberdade – O Sonho dos Palmares”, da autora Jussara Rocha Koury. Na sétima página, a seção “Atualidades” anuncia a entrega do Manifesto de Reivindicações do Povo Negro ao Poder Executivo da Presidência da República e evidencia a participação das entidades negras nacionais. A “Raízes” fala mais um pouco sobre a série de Vídeo-debates do Djumbay, que seriam mostrados para os estudantes do Recife. Por fim, na última página, além dos anúncios normais, também é divulgado o curso de “Africanidade e Afrodescendência”, ministrado na UFCE.

  • Jornal Djumbay – Edição Especial de 1995

Nessa edição de 4 páginas, a temática central foi o 1º Encontro de Reggae, realizado pela África Produções, e que contou com Êxodus, Alphorria, Tribo de Jah, Favela Reggae, Edson Gomes, Marcelo Santana & Bando do Reggae, Lazzo, Dionorina, Coração Tribal, Rebel Lion, Valdi Afonjá, Nikko e a YingYang Band, José Mário Austregésilo e Rádio Cidade. As bandas e artistas contam um pouco das suas relações com o reggae e falam também da importância desse estilo no Recife. No final da edição, ainda há um breve comentário sobre a criação e as perspectivas da África Produções.

Jornal Djumbay – Vigésima Edição

Depois de um grande hiato desde a edição de número 19, em Junho de 1995, a edição nº 20 finalmente chega ao público. Publicada em formato tablóide, é a primeira edição com capa colorida. Possui o dobro de páginas (16) das edições anteriores, uma nova disposição de seções e nova diagramação. Já na seção “Editorial”, são mostradas algumas mudanças na diagramação e a inclusão de três novas seções: “Atualidades”, “Negritude Lúdica” e “Extraordinária”. A página 3, com a seção “Resistência”, traz duas matérias: uma que fala sobre a história do início do quilombo dos palmares, e outra sobre o Centro Cultural Daruê Malungo, que se localizava no bairro de Chão de Estrelas, e cujo objetivo era atingir a profissionalização de crianças e jovens da comunidade através das artes. A “Identifique-se”, também com duas matérias, trata do cenário musical, traçando a formação da “África Produções” – produtora voltada para o público do reggae – e fala sobre o show de Edson Gomes promovido em Recife graças a essa produtora. A “Crenças” divulga uma nova série de estudos, debates, aulas e teses sobre religiões asiáticas e africanas que aconteceriam na UERJ; também se fala mais uma vez sobre o Memorial da Nação Xambá [1]. A “Fala Negritude” traz uma entrevista exclusiva com o cantor africano Alpha Blondy, que veio ao Recife para realizar um show. A “Baseado” põe em pauta o delicado tema da “faxina étnica” e expõe como isso é realizado no Brasil.

A nova seção “Atualidades” traz o caso do jornalista negro Wesley “Abu-Jamal” Cook, acusado de assassinar um policial branco e condenado à morte na cadeira elétrica. Essa matéria divulga a campanha feita para exigir uma revisão do caso pelas autoridades. Em seguida, o Djumbay faz a campanha da senadora Benedita da Silva, senadora do PT-RJ que apoiava a libertação de Cook, alegando que a punição dada a ele tem caráter claramente racista. A seção “Negritude Lúdica” traz desenhos de instrumentos para colorir, sugestão de leitura do livro “Atabaque Menino” e palavras cruzadas. A “Outros Axés” fala sobre uma escola alternativa que utiliza cultura e ensino alternativo para estimular a expressão das crianças. Também coloca uma matéria sobre a ocarina, instrumento feito de barro, propagado por Mestre Nado aqui no Nordeste. Ainda nessa seção, duas pequenas matérias falam sobre a 1ª Conferência Sindical Interamericana Pela Igualdade Racial e sobre o tema da campanha salarial do SINTEPE, que foi “A educação do centro das atenções”. Na página seguinte, a seção “Afins” coloca 4 matérias diversificadas. Uma é sobre uma universidade dirigida por negros que surgiu da ideia inicial de ensinar ex-escravos a ler e escrever e que passou a se destacar pelo alto nível de ensino; outra é sobre o jornal “Abibimam”, publicado pela Associação de Resgate da Cultura Afro em Arcoverde-PE e há também uma sobre a revista norte-americana “Emerge”, voltada para o público negro. Por último, há ainda nessa seção uma homenagem os 4 anos de existência da entidade “Soweto: Organização Negra”, cujo nome é uma referência ao levante de Soweto, na áfrica do sul, em resistência à morte de 600 militantes negros que reivindicavam seus direitos durante o período do apartheid em 1976.

A seção “Raízes” anuncia que o Fórum de Entidades Negras de Pernambuco entregara o Projeto Njinga-Zumbi – Educação do 3º Milênio” ao antigo prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos. Esse projeto tinha o objetivo de oferecer uma “educação complementar através da utilização de instrumentos pára-didáticos que tenham a Arte e Cultura Negra como ponto primordial[…]”. Nessa parte ainda é divulgado o subprojeto do Njinga-Zumbi: o evento KIZOMBA NJINGA-ZUMBI, de cunho político, artístico e cultural. Como o nome “Kizomba” já indica, esse evento foi uma “festa” para divulgação de trabalhos e outros projetos envolvidos na causa negra. Por fim, essa seção ainda traz uma nota sobre o gradativo empoderamento da mulher negra e fala que a equipe do Jornal Djumbay é composta, em sua maioria (80%), por mulheres. Na página 13, a seção “Extraordinária” faz um traçado da imprensa negra. Nessa matéria, o Djumbay menciona o Jornal Angola, o Negração, o Negritude, o Omnira, o Afro reggae, entre outros. Dentro dessa temática, o jornal ainda lança uma nota em que propõe a realização do 1º Seminário Nacional da Imprensa Negra.

Ainda na seção “Extraordinária”, porém na página seguinte, o jornal, na “Vitrine Afro-Pernambucana”, que aparece como uma subseção nessa edição, divulga e sugere a leitura dos livros Caxinguelê (Lepê Correia), As Senhoras do Pássaro da Noite (organizado por Carlos Eugênio Marcondes de Moura) e OBI – Oráculos e Oferendas (Jorge Morais), além do LP Rebeldia e Dança, de Ívano e Banda Rebeldia. Na mesma seção, agora na página 15, fora colocada uma matéria de Nei Lopes – advogado e assessor da presidência da Fundação Cultural Palmares do MinC – na qual ele refuta a tese do “líder homossexual” – nas palavras do próprio Nei – Luiz Mott, sobre a homossexualidade de Zumbi. Por fim, a última página também coloca uma subseção intitulada “Espaço do Leitor”, na qual convida os leitores do Djumbay a escreverem para o jornal na “Fala Negritude” e participarem da construção através de críticas, elogios, divulgações, etc.

Jornal Djumbay – Décima Terceira e Décima Nona Edição

  • Jornal Djumbay – Décima Terceira Edição

Publicada em Fevereiro/Março de 1994. Conselho Editorial: Edmundo Ribeiro, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Gurgel, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Silvio Meirelles, Verônica Gomes.

A seção “Editorial” inicia a edição com um texto lúdico sobre a Cultura Afro e o negro no Carnaval. A “Identifique-se” anuncia o concurso de beleza “Garota Raça Negra”, organizado pela Gigantes do Samba, sob a manchete  “Ser negra é lindo”. A seção resistência relembra e homenageia a figura de Solano Trindade, grande poeta negro recifense, mas que não recebera o devido reconhecimento. Nas páginas 4 e 5, a seção “Baseado” nos mostra a história da Rainha Nzinga, princesa angolana do Matamba que recebeu treinamento e se tornou uma grande guerreira, disputando o trono posteriormente com seu irmão e se tornando a Rainha Nzinga, importante figura da resistência aos portugueses do século XVI, em Angola. Ela também influenciou fortemente as formas de luta locais, inclusive nos quilombos brasileiros, que eram bastante semelhantes aos quilombos angolanos.

Na página 6, a temática política se encontra presente tanto na seção “Crenças” como na “Afins”. A primeira coloca sob a manchete “Valor político da Religião” a discussão sobre a resistência negra no Brasil e a exaltação de Zumbi não só como figura histórica, mas como parte de um cenário político que influencia nas estruturas modernas. A “Afins” denuncia Eliel Rodrigues – Deputado Federal pelo PMBD do Pará em 1994 –, que propôs eliminar o artigo 68 da Constituição, o qual garante aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras, que estas sejam reconhecidas como propriedades definitivas. A “Raízes” comemora os dois anos de publicação do Djumbay e anuncia a entrada de Glaucia Gurgel e Silvio Meirelles na equipe do jornal. A “Fala Negritude” desta edição traz uma matéria em colaboração com o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SINTAEMA) sobre a história do dia 8 de Março, no qual houve um protesto de trabalhadores têxteis que terminaram sendo mortas por um incêndio proposital na fábrica Cotton em 1857. A data fora reconhecida na II Conferência Mundial de Mulheres Socialistas.

  • Jornal Djumbay – Décima Nona Edição

De Setembro de 1994, essa edição já entra nas últimas fases do Djumbay. Com tiragem de 10.000 exemplares – o quádruplo da edição de número 13 – e com Conselho Editorial formado por Claudia Regina, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Maria, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Verônica Gomes, é a última publicada no ano de 1994.

A seção “Editorial” fala um pouco sobre a edição como um todo: das matérias aos anúncios. A “Resistência” fala sobre o livro “Os negros do riacho”, escrito por Luiz Carvalho de Assunção, no qual ele conta a história de um grupo de famílias de negros descendentes de um ex-escravo chamado Trajano Lopes da Silva no município de Currais Novos-RN. A “Baseado” traz um importante debate sobre o voto negro, a importância do voto consciente da população negra e coloca como exemplo a eleição de Nelson Mandela na África do Sul. A seção “Crenças” anuncia o 1ª Encontro da Tradição Orixá “Desenvolvimento dos Cultos Afro em Sergipe”, coordenado pelo Instituto Nacional da Tradição e Cultos Afro-brasileiros (INTECAB/SE). A “Outros Axés” põe em pauta o descaso que havia com o Teatro do Bonsucesso e o ato organizado pela Associação de Teatro de Olinda na tentativa de exigir que as autoridades públicas tomassem a iniciativa de reformá-lo. Por fim, a “Raízes” divulga que os fóruns estaduais da Coordenação de Entidades Negras se reuniram em Setembro para avaliar o I Seminário de Planejamento Estratégico da Coordenação Nacional de Entidades Negras.

Jornal Djumbay – Décima Primeira e Décima Segunda Edição

  • Jornal Djumbay – Décima Primeira Edição

De Outubro/Novembro de 1993. A seção “Editorial” fala sobre o Seminário da CUT que discutiria sobre o racismo e também critica a falta de sindicatos pernambucanos no evento. A “Identifique-se” traz uma matéria de Sam Ford, correspondente internacional do Djumbay nos EUA, falando sobre os 30 anos da Marcha sobre Washington, uma caminhada pelos direitos civis dos negros em uma época de apartheid. A “Resistência” anuncia a oficialização da Semana da Consciência Negra em Camaragibe. A “Baseado” pauta uma matéria de Francisco C. Weffort, professor da USP, na qual ele defende que há um apartheid  social e racial no Brasil, mais escondido que o americano e o sul-africano, mas tão ruim quanto. Também há uma notícia sobre o recebimento do Nobel da Paz por Mandela e De Klerk.

A seção “Crenças” divulga o livro OBI – Oráculos e Oferendas, de Jorge Morais, fundador do Alafin Oyó e a “Afins” coloca em pauta novamente a discussão sobre a Serra da Barriga, dessa vez levada ao Seminário de Valorização Histórica, Turística e Cultural da Serra da Barriga. A “Raízes” traz uma matéria sobre a Medicina Natural e a “Outros Axés” parabeniza o cantor Ednaldo Lima pelos 17 anos de carreira e também anuncia a ampliação dos prazos do IV CAB.

  • Jornal Djumbay – Décima Segunda Edição

Publicada na transição de 1993 para 1994, essa edição traz mais uma modificação: passa a ser uma publicação da Djumbay – Organização pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra. O Conselho Editorial permanece o mesmo das últimas edições. A seção “Editorial” expõe o problema da lei 7.716, que teoricamente deveria proteger a vítima de racismo, mas que funciona muito mal, como no caso do Kléber, constrangido pela gerente do banco, cujo caso foi arquivado por falta de provas. O curioso é que na edição de nº 9, a matéria que traz esse caso, coloca que a gerente fora condenada, mas nesta edição, a informação é de que o caso fora arquivado. Tudo isso em um período de menos de um ano. A “Resistência”, sob a manchete de “20 de novembro é festa para a negrada”, fala sobre a participação do Djumbay no FECONEZU (Festival Comunitário Negro Zumbi), sobre as exposições “História, Arte, Comunidade e Movimento do Povo Negro no Brasil” em Brasília e também sobre o Movimento Afro-Pernambucano, formado por diversas entidades, dentre elas o Djumbay e o MNU. Além dessa vertente cultural, o Djumbay também esteve presente no ato organizado pelo Movimento Afro-pernambucano em frente à Câmara dos Deputados.

A “Baseado” apresenta as mudanças e realizações do Djumbay para além do jornal. Fala sobre a ênfase dada à Arte e Cultura negra, as diretrizes da organização e a preocupação em participar de eventos da militância. A “Crenças” divulga o jornal “U&C – Ciência, Cultura e Magia”, que possuía matérias específicas sobre a religiosidade afro. A “Afins” anuncia uma cartilha para orientação de mulheres contra a violência, organizada pela Sociedade Afro-Sergipana de Estudos e Cidadanias. Na “Raízes” o jornal escreve novamente sobre o lançamento do livro OBI e, na “Fala Negritude”, vemos uma matéria sobre o despejo do Grupo Afro Axé da Lua por causa de irregularidades na casa em que funcionavam. Com os 300 anos da morte de Zumbi se aproximando, o Djumbay também divulga nessa edição que lançará um encadernado com as 10 primeiras edições e que essa Coletânea iria se somar ao acervo de Bibliotecas e Arquivos Públicos, complementando cada edição com uma apresentação e histórico do jornal.