Jornal Djumbay – Nona e Décima Edição

  • Jornal Djumbay – Nona Edição

Essa foi a terceira edição lançada no ano de 1993, durante o mês de Maio, e traz o mesmo Conselho Editorial das edições passadas. Ela tem “Instituto da Mulher Negra (SP) Ameaçado por Neonazistas” como manchete principal. A “Editorial” fala da luta encabeçada pelo MNU para tornar o dia 13 de Maio um dia de Debate e Denúncia Contra o Racismo. A “Resistência” põe em pauta o caso de racismo da gerente de banco Ezilda Monteiro em relação ao empresário negro Kléber José de Oliveira. Ela, desconfiando que um negro seria incapaz de trabalhar com um alto montante de dinheiro, o denunciou e constrangeu. Kléber processou a gerente e ela fora condenada à prisão.

A seção “Baseado” traz a matéria “Memória do Quilombo do Catucá em Pernambuco”, do professor Marcus Carvalho, do departamento de História da UFPE; o Quilombo do Catucá foi o maior quilombo pernambucano do século XIX, que mostrava certa estabilidade social dentro daquela comunidade e até hierarquias bem definidas. Ele fora destruído após a Cabanada (1832-1835) e seu ápice parece ter sido depois da Confederação do Equador (1824). É, portanto, símbolo essencial da resistência quilombola pernambucana. Na “Crenças”, aparece mais uma notícia da Casa de Xambá [1], a qual receberá um Memorial, o “Memorial Severina Paraíso da Silva” (Mãe Biu) que contaria com exposição de fotos, livretos e documentos sobre religião afro e da casa Xambá. A “Fala Negritude” traz uma denúncia aos ataques de grupos de skinheads adeptos do neonazismo ao Geledés e ao crescimento desses grupos no Brasil. A “Outros Axés” divulga o lançamento do livro “Caxinguelê”.

  • Jornal Djumbay – Décima Edição

Publicada em Junho/Julho de 1993, é nessa edição que o Djumbay passa a ser uma produção da Djumbay Organização pelo Desenvolvimento da Comunidade Negra. A seção “Editorial” faz um chamado para a população negra se inteirar dos seus direitos com o objetivo de atingir a revolução social necessária para impedir o alastramento do racismo e da hipocrisia judiciária. A “Identifique-se” divulga a volta da circulação do boletim informativo Negritude, do MNU-PE, que passara 2 anos sem circular e voltou no mês de Junho/Julho de 1993, com tiragem inicial de 1000 exemplares distribuídos gratuitamente. A seção “Resistência” fala sobre o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP), que recebeu a primeira oficina de capoeira angola e que, ao final dela, o Mestre Moraes – que fundou o Grupo no Rio de Janeiro – comunicou que seria criado um núcleo do GCAP em Olinda.

A seção “Baseado” coloca em pauta o I Seminário Nacional da União de Negros pela Igualdade, que ocorreu na UFBA, e na qual um tema largamente discutido foi a terceira grande onda de racismo que atingia a sociedade da época através da dizimação de povos não brancos, escassez de trabalho, esterilização das mulheres negras, etc. A “Afins” também trata de um Seminário, o SENUN (Seminário Nacional de Universitários Negros) que também ocorreu em Salvador-BA, de 3 a 7 de Setembro de 1993. A “Raízes” fala sobre a parceria do Djumbay com o Afro-Camarás em um debate sobre a realidade negra juntamente à exibição de um curta-metragem sobre o tema na IV Conferência Estadual de Educação, que ocorreu de 28/06 a 01/07 de 1993; a Mostra de Vídeo-Debates “Realidades Negras” seria itinerante a partir dessa divulgação e circularia por sindicatos falando sobre a questão do trabalho e do negro. A “Fala Negritude” apresenta uma entrevista feita com Carlinhos Brown, na época integrante do Timbalada, falando sobre ritmo e instrumento.

No entanto, e com grande pesar, é também nessa edição que o Djumbay anuncia a morte de Vicente Lima praticamente um ano depois da primeira edição do jornal, na qual continha uma entrevista com ele.

Jornal Djumbay – Sétima e Oitava Edição

  • Jornal Djumbay – Sétima Edição

Edição de Janeiro/Fevereiro de 1993. Conselho editorial: Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. A “Editorial” critica a massificação e padronização midiática de ritmos tipicamente afros e como isso os torna maçantes. A “Resistência” fala da Casa de Xambá e traz entrevista com Adeildo Paraíso, o “Ivo de Xambá”, filho de Mãe Biu, que antes representava a Casa. Ivo conta que seria babalorixá da Casa de Oyá e que pretendia expandir a Nação Xambá. Já na seção “Baseado”, o Djumbay faz uma retrospectiva dos momentos mais significantes do Carnaval de 1993: O MNU saiu com o Arrastão Zumbi, puxado pela Banda Agbá Imalê, mas Cirilo, do MNU-PE, sofreu violência de policiais armados de escopeta, os quais tomaram dele um canivete multiuso. Também contaram com a presença do Maracatu Nação Pernambuco, do Maracatu Nação Porto Rico e do Afoxé Alafin Oyó (que não teve uma apresentação memorável, segundo o jornal), além da presença da musa negra do Afro-Camarás.

A 6ª página coloca em pauta um assunto importantíssimo e que ganhava cada vez mais visibilidade na mídia durante os anos 90: a AIDS. O texto “Obaluaiyê e os Aidéticos”, extraído de Odôyá, publicação do ISER-RJ, faz um paralelo com a história de Obaluaiyê, abandonado e isolado, que foi salvo por Yemanjá. O texto é um apelo para que haja diálogo com pessoas aidéticas e para que cuidem delas, assim como Yemanjá fez com o Obaluiayê. O apelo diz respeito também à ajuda de babalorixás e yalorixás aos seus filhos de santo. Na mesma página, a seção “Afins” traz uma matéria de Edson Silva que fala sobre a história de Rigoberta Menchú, indígena Quiché, símbolo de força e resistência da Guatemala, que ganhou, em outubro de 1992, o Prêmio Nobel da Paz.

O vídeo-debate exposto nessa edição foi sobre a Serra da Barriga [1] e contou com um militante integrante do Conselho do Memorial de Zumbi. A “Fala Negritude” traz texto de Ívano Ferreira do Nascimento sobre o panorama da música e dos artistas negros, critica a desorganização e os conflitos entre esses músicos e defende o dinamismo e o reencontro desses artistas. Por fim, na “Outros Axés” encontramos a divulgação de espetáculos “arteducativos”, uma errata sobre a matéria da seção “Baseado” da edição anterior e mais um anúncio do CAB (Congresso Afro-brasileiro).

  • Jornal Djumbay – Oitava Edição

Publicada em Março/Abril de 1993, conta com o Conselho Editorial formado por Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’ Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Já na página 2 encontramos uma matéria em denúncia à situação do Recife no ano de 1992, em que 174 assassinatos ocorreram, com a maioria das vítimas sendo homens negros e cuja culpa paira sobre a polícia e sobre os esquadrões da morte. Também é apresentada a ASSOCAPE, Associação de Capoeira de Pernambuco. A página 3 traz a matéria de comemoração do primeiro ano de publicação do Djumbay; as páginas 4 e 5, em texto de Edson Silva, trazem uma crítica ao regime monárquico brasileiro e às instituições modernas que o apóiam. A 6ª pontua novamente a questão da AIDS e divulga formas preventivas, dentro do terreiro, para evitar o HIV. O assunto também atingiu o vídeo-debate, que tratou da “Aids e a Mulher Negra”, contando com o filme “Todos Os Dias São Seus”, do Instituto da Mulher Negra de São Paulo (Geledés).

A “Fala Negritude” traz o poema “Nego Afoito”, de Lepê Correia, presente na coletânea Caxinguelê; a “Outros Axés” divulga o programa de rádio “Na Boca do Povo”, produção da ETAPAS, sobre bairros populares, com apoio do Fórum das Rádios Comunitárias. Nessa última página também se divulgou o IV Encontro Estadual de Teatro Popular, que ocorreria em Julho de 1993, na época da publicação ainda sem local definido na data de publicação do editorial, além de avisos sobre o prazo pra envio de trabalhos pro IV CAB e sobre o Djumbay estar abrindo espaço para o recebimento de matérias para serem veiculadas.

Jornal Djumbay – Quinta e Sexta Edição

  • Jornal Djumbay – Quinta Edição

Publicada no bimestre Setembro/Outubro de 1992, a página inicial tem a manchete “Neonazismo não!”. O assunto é abordado logo na seção “Editorial”, na página 2, que coloca em pauta o crescimento de grupos neonazistas no Brasil. A seção “Identifique-se” traz uma matéria interessante sobre uma nova linha de cosméticos apropriada pala a pele negra, realizada pela advogada, professora, escritora e cosmetóloga Maria do Carmo Valéria Nicolau. A “Resistência” põe em discussão o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro e a “Baseado” traz o texto de Edson Silva (mestrando em História pela UFPE em 1992) sobre a invasão dos povos colonizadores europeus na América, especialmente no Nordeste e conta sobre o elo indígena e negro em resistência ao escravocrata opressor.

A página de número 6 do editorial pontua uma crítica de Lepê Correia – psicólogo, comunicólogo, estudante da cultura negra – em que o autor coloca a falta de conhecimento sobre as crenças africanas no nosso país, que mesmo com o maior contingente populacional negro fora da África, não investe no estudo da cultura africana e que devido a esse quadro, serão publicados no Djumbay artigos relacionados a essas crenças. Além disso, há uma importante menção à formação do Afoxé Filhas D’Oxum, 1º lugar no Carnaval de 1992, e que surgiu da indignação de mulheres que não podiam participar do Afoxé Filhos de Gandhy [1]. A seção “Raízes” traz mais notícias sobre a mostra de vídeo-debate do Djumbay e a “Fala Negritude” coloca o depoimento de Maria Regina Santa Rosa sobre a “bondade” de Dom Pedro II em abolir a escravidão. A seção “Outros Axés” divulga o Encontro de Teatro Popular, o IV Congresso Afro-brasileiro e a participação do FENEPE (Fórum das Entidades Negras de Pernambuco) na Semana da Consciência Negra em Pernambuco.

  • Jornal Djumbay – Sexta Edição

De Novembro/Dezembro de 1992, a edição foi publicada com a manchete “Djumbay faz 10 meses. Valeu, negrada!”. É nela que aparece o espaço do “Conselho Editorial”, formado por Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Nivaldo Sant’Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes, e é quando a Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções para de assinar o jornal. Na segunda página encontramos os agradecimentos pela publicação do jornal nesses 10 meses e também a divulgação do livro “Caxinguelê”, de Lepê Correia. A página 3 põe em pauta na sua seção “Resistência” as realizações do FENEPE, as entidades que o formam, os eventos e as reuniões que envolvem o Fórum. A seção “Baseado” das páginas 4 e 5 traz a matéria “Menino e menina: educação diferenciada?”, de Elza Maria Marques Vieira, do departamento de Ciências Domésticas da UFRPE, que critica o modelo ensinado nas escolas e em casa de diferenciação de brinquedos que geram no homem a ideia de que trabalhos domésticos são para meninas e os intelectuais são para os meninos; ela fala também de linguagem historicamente sexista e dos preconceitos de classe e raça que vêm junto ao sexismo.

Como segmento da matéria da edição anterior, a seção “Crenças” apresenta novo texto de Lepê Correia sobre a religiosidade africana, o mundo, o sexo, a palavra e importância da força e dinamismo para essa cultura. É nessa página também que é feita a denúncia à situação de Rio das Rãs, comunidade rural remanescente de um Quilombo com 150 anos de existência, que lutou pelas suas posses, garantidas legalmente, contra os abusos do grileiro Carlos Newton Vasconcelos Bonfim, que recebia proteção da PM. Na penúltima página, é anunciado mais um vídeo-debate e a seção “Fala Negritude” vem com texto lúdico de Pedro Bandeira intitulado “A Redação da Maria Cláudia”. A 8ª e última página tem uma novidade além da antiga seção “Outros Axés”: o “Djumbay sugere”. Nesse se encontram o Salão Afro Balguns e o livro infantil “Pai Adão era Nagô”, além da campanha “Assinando na folia” para os leitores assinarem o jornal trimestral.

Jornal Djumbay – Terceira e Quarta Edição

  • Jornal Djumbay – Terceira Edição

De Junho de 1992, Jorge Ribeiro entra como nome na coordenação no lugar de Tony Azevedo. A página de número 2 possui as seções “Editorial” e “Memória” e traz alguns anúncios em forma de matéria, como o do salão Baloguns, especializado em cabelos afro. A seção Resistência já traz menção ao Centro de Arte e Cultura Afro-Camarás, um axé de Camaragibe cujo objetivo é movimentar a resistência negra e consciência de raça através de shows culturais, mostras fotográficas e pesquisas acadêmicas. A “Baseado” coloca como tema os 500 anos da “descoberta” da América, o dia de Colombo e ainda traz reflexões sobre a colonização e a expropriação de indígenas e negros. Ainda nessa seção, porém na página seguinte, a temática central é a música, ambientada no Maracatu Nação Pernambuco, e também conta, em matéria de Bernardo Alves Filho, com uma errata sobre Samba e Semba, corrigindo a matéria publicada na edição de nº 1 sobre o samba ter origem indígena: “semba” é parecido com o merengue; “samba”, com o significado que conhecemos, só existe aqui. Essa mesma página também possui um “Roteiro” como guia para eventos que possam interessar a comunidade negra.

Na página 6 encontramos as seções “Crenças” e “Afins”, as quais tratam, respectivamente, do aniversário da Casa Xambá do Portão do Gelo e do Olodum, “a primeira empresa cultural de negros dirigida por negros”, segundo o próprio Djumbay. A página 7 possui a “Raízes” e a “Fala Negritude”. A primeira trata da sequência dos vídeo-debates promovidos pelo Djumbay, juntamente à TV Viva e à Dinâmica Comunicação (DIC). A segunda traz um depoimento de Edvaldo Ramos, militante do MNU-PE. A última página conta com a seção “Outros Axés” e matérias diversificadas, mas uma que merece destaque é a chamada para o V Congresso Afro-brasileiro, que ocorreria em Recife e no qual o Djumbay estava empenhado como organizador.

  • Jornal Djumbay – Quarta Edição

De Julho/Agosto de 1992, traz o título “A magia tem cor?” na capa e mais uma modificação na coordenação, dessa vez só contando com Gilson Pereira e Verônica Gomes. Na página 2, temos a matéria “Magia: nem negra, nem branca, nem de cor alguma”, que apresenta uma crítica ao racismo contido na expressão de Magia negra e traz o caso do garoto que foi assassinado por um ritual religioso e a forma como isso foi retratado na mídia, criminalizando a religião afro quando, na verdade, o verdadeiro culpado fora o prefeito da cidade. Na página 3, coloca-se o caso do Bacnaré, um grupo local de dança que muitas vezes foi o único a representar a América Latina em espetáculos internacionais, mas que estava sofrendo com a falta de investimento, assim como muitos setores de resistência cultural da comunidade negra.

É nessa edição que o Djumbay traça a trajetória do Movimento Negro Unificado a âmbito nacional e estadual. Na mesma seção em que apresenta o MNU, traz matérias sobre o Maracatu Nação Pernambuco, bloco cultural que visa à resistência do maracatu, seja nação ou baque-virado, e também apresenta o “Roteiro” e o Reggae Sunsplash Festival, que aconteceu na Jamaica e juntou um grande público apreciador do reggae durante os 6 dias do evento. A 6ª página menciona a procissão que ocorreu em Jaboatão em homenagem a Oxum, deusa do amor, e também traz uma entrevista com o cantor Luís Melodia. Na penúltima página, aparecem mais notícias sobre o Vídeo-Debate do Djumbay, que agora possuía o nome de “Realidades Negras”. O “Fala Negritude” dessa edição coloca frases de militantes negros famosos como Nelson Mandela e Martin Luther King Jr.

Jornal Djumbay – Primeira e Segunda Edição

  • Jornal Djumbay – Primeira Edição

Publicada em Março de 1992, a primeira edição do Jornal Djumbay é uma apresentação das novas diretrizes e dos projetos que a Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções pretendia levar à Comunidade Negra recifense. Na página 3 dessa edição, na seção “Resistência”, há uma entrevista com o militante José Vicente Lima, que fora participante da Frente Negra Pernambucana e fundara o Centro de Cultura Afro-brasileiro. Essa edição também conta com matérias de uma professora do Departamento de Letras e Ciências Humanas da UFRPE que defende que a comunidade negra ainda não atingira um nível de percepção do que é o negro e que, devido a isso, é dever do Movimento buscar esse negro onde ele estiver; e de um pesquisador que traça uma breve história sobre a origem indígena do samba.

É importante frisar que o jornal nasceu da ideia de informar e participar efetivamente dos espaços de resistência da comunidade negra através não só dos eixos práticos, mas também teóricos e culturais. Na página 6, há uma matéria sobre o Encontro Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira, organizado pelo Intercab (Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira) e outra sobre os 43 anos do Afoxé Filhos de Gandhy, símbolo de resistência que fora inicialmente um bloco de estivadores baianos que quiseram homenagear a memória de Gandhi e a greve portuária inglesa, motivada pela demissão de estivadores. A última página conta com menções ao Grupo de Teatro Atual e ao Balé Kebiosô.

  • Jornal Djumbay – Segunda Edição

Nessa segunda edição, de Abril/Maio de 1992, aparecem os primeiros nomes envolvidos na coordenação da iniciativa Djumbay: Gilson Pereira, Verônica Gomes e Tony Azevedo. As seções também passam a ter o nome correspondente em iorubá. A página 3 traz em sua seção “Resistência”, a temática principal focada na Educação, com matérias sobre o Centro Maria da Conceição, que preza pela aprendizagem através da prática cultural e também fala que dentro desse centro, também há o Centro de Formação do Educador Popular Maria da Conceição, que possuía os departamentos de Formação, Cultura, Profissionalização e Documentação, empenhados na construção de educadores especializados. Já a seção “Baseado” apresenta um caráter histórico ao abordar o simbolismo de “13 de Maio”.

A 5ª página do editorial também traz uma temática bem definida: a música. Nessas matérias apresentadas, o jornal procurou diferenciar o afoxé (que atenta ao aspecto religioso e cujo ritmo é o ijexá), as bandas afro (que possuem fins lucrativos e cujo ritmo é o samba-reggae) e os blocos (de cunho político-social e sem fins lucrativos). A página seguinte trata principalmente do Caso da Serra da Barriga, em Alagoas, cujo maior problema enfrentado era o descaso do poder público na preservação desse local tão importante para a memória de resistência do povo negro já à época de Palmares. Foi nesse editorial que o Djumbay divulgou a sua 1ª mostra de vídeo-debate.

Jornal Djumbay

Um dos mais importantes jornais dos movimentos negros em Pernambuco, o Djumbay – que significa “acontecimento” em Criolo de Guiné-Bissau[1] foi publicado pela primeira vez em Março de 1992. Originado como um informativo da Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções e parte do Projeto Sambaxé, tornou-se o Jornal Djumbay, cujo maior objetivo era “formar um hábito de leitura e ampliar a divulgação de informações especializadas na causa negra […]”, como indica na página 7 da primeira edição. O jornal contou com uma tiragem, nas primeiras edições, de 2.500 exemplares, chegando a 10.000 nas últimas, contando com 26 edições ao todo, sendo o jornal negro com o maior número de exemplares da Região Metropolitana do Recife [2]. As primeiras publicações possuíam o total de 8 páginas, mas a últimas, pelo sucesso do informativo e aumento da demanda, já contavam com o dobro de páginas.

Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções foi uma sociedade civil sem fins lucrativos, criada a partir do projeto artístico-cultural encabeçado pelos idealizadores de iniciativas que visavam informar e produzir conteúdo para a comunidade negra pernambucana. No editorial nº 2 aparecem os nomes dos coordenadores do jornal no ano de 1992: Gilson Francisco Pereira, Verônica Maria da Silva Gomes e Tony Azevedo. Ao longo dos editoriais, alguns nomes saíram e outros entraram, mas Gilson Pereira e Verônica Gomes foram os mais frequentes nesse período. É também nesse editorial de nº 2 que a sede do jornal é apresentada da seguinte forma: “DJUMBAY é uma publicação da SAMBAXÉ CONSULTORIA, EVENTOS E PROMOÇÕES. […]”.  A Sambaxé Consultoria, Eventos e Promoções é a responsável – além da publicação do Djumbay – do lançamento de duas obras de expressividade no ano de 1993: o livro Caxinguelê, de Lepê Correia, e o disco do Maracatu Nação Pernambuco [3].

Do nº 6 ao nº 9, a Sambaxé não assina mais o Djumbay e é a partir destas publicações que passa-se a ter novos nomes envolvidos no Conselho Editorial, formado por sete integrantes até então: Edmundo Ribeiro, Edson Silva, Gilson Pereira, Irismar Silva, Nivaldo Sant’Anna, Rosilene Rodrigues e Verônica Gomes. Da décima edição em diante, o jornal passa a ser uma produção da Djumbay Organização pelo Desenvolvimento da Comunidade Negra. Porém, após mais uma fase de mudanças, em 1994, a associação se torna a Djumbay – Organização pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra, cujo Conselho Editorial era, em sua maior parte, formado por Edmundo Ribeiro, Daniel Silva, Gilson Pereira, Glaucia Gurgel, Irismar Silva, Lepê Correia, Rosilene Rodrigues, Silvio Meirelles e Verônica Gomes.

É também a partir da edição de nº 2 que pode-se constatar todas as seções do novo Jornal. São elas as seções Editorial, Identifique-se, Memória, Resistência, Baseado, Crenças, Afins, Raízes, Fala Negritude e Outros Axés. Todas possuem o equivalente linguístico em iorubá. Porém, já na penúltima edição do jornal, houve uma mudança efetiva na funcionalidade e organização das seções, principalmente porque o número de páginas já havia dobrado. A edição de número 25 traz um índice na 2ª página com as novas seções; estas já não possuíam o nome em iorubá como as anteriores. As novas seções foram: Direito, Educação, Dicionário Yorubá, Fundamentado, Reencontros, Mulher Negra, Afro-remanescência, Comunicação, Negras Memórias, Infanto-Juvenil, Um toque afro, Psique e Negritude, Raízes, Fala Negritude e Identidade [4]. Essa edição já contava com a participação de diversos militantes de todo o país, simbolizando o crescimento do jornal desde 1992 até 1997.

É na seção Baseado da edição de nº 4, publicada em Julho/Agosto de 1992, que o jornal traz a história do Movimento Negro Unificado (MNU). A matéria com a manchete “MNU: 14 anos de luta contra o racismo”, traça a origem do movimento e as repercussões posteriores. Inicialmente sob o nome de “Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial”, essa associação independente surgiu a partir da indignação com dois casos de racismo que chocaram a comunidade negra nacional: a tortura seguida de morte do operário negro Robson Silveira da Luz e o impedimento de 4 atletas negros de participarem do time de voleibol do Clube de Regatas Tietê. Em 18 de Junho de 1978, se torna apenas Movimento Negro Unificado e já em 7 de Julho lança suas diretrizes e cobra ações efetivas de combate ao racismo. Em Pernambuco, o MNU nasce em 1981 e é coordenado a âmbito municipal por Euclides, Augusta, Roseane, Zeca, Cirilo, Adelaide e Nonato; também possuía, dentro da coordenação nacional, Euclides Ferreira e Josafá Mota. Na data de publicação desse editorial do jornal, não havia MNU coordenado no Estado como um todo, pois não havia interiorização das pautas do movimento. Partindo, ainda em 1992, para uma nova fase e tentando se aproximar mais das raízes da comunidade, o MNU-PE havia estabelecido novas programações para 1993 através dos GTs de educação, de cultura e de mulher, também iniciando, nesse período, uma campanha para montar uma sede que serviria a toda a comunidade negra. [5].

Com a afirmação de um movimento negro combativo e resistente no Estado de Pernambuco que a mídia passa a exercer um papel fundamental. Ao completar 10 meses de publicação, o Djumbay, na edição de nº 6, – a última daquele ano – na seção Editorial, já expõe nota de agradecimento em que informa todos os projetos que o jornal idealizou e participou da construção nesse curto espaço de 10 meses do ano de 1992.

“Parece um sonho, mas o Djumbay, além de acontecer nas suas já insuficientes 8 páginas, chegou a realizar a Mostra de Vídeo-Debates “Realidades Negras” mensalmente, juntamente com TV VIVA e a Dinâmica Comunicação e participou da criação do Fórum de Entidades Negras de PE (FENEPE). Tem mais: promoveu o espetáculo “Batuque da Nação”, do Maracatu Nação Pernambuco” e vem participando das reuniões de preparação para o IV Congresso Afro-Brasileiro a ser realizado em novembro próximo.” [6]

Essa participação ativa em eventos de discussão e empoderamento negro foram essenciais para o crescimento de uma consciência negra coletiva no Estado e amadurecimento do Movimento Negro Unificado, que, junto ao Djumbay e diversas outras entidades negras, formaram o FENEPE.

O jornal também possui uma série de matérias e citações ao MNU-PE. Em edição de fevereiro de 1993, por exemplo, em matéria sobre o Carnaval daquele ano, há a denúncia do jornal contra o caso abusivo de policiais armados de escopeta com o integrante do MNU, Cirilo, de quem tomaram um simples canivete multiuso sob a alegação do objeto ser “arma branca” [7]. Dentre citações importantes, o Djumbay noticiou quando o boletim informativo do MNU-PE, o Negritude, voltou à circulação após dois anos de afastamento [8] e elenca o fato de o MNU ter começado a campanha para transformar o dia 13 de Maio – data da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, cujo objetivo, teoricamente, fora “abolir a escravatura” – em um dia para Debates e Denúncias contra o Racismo. [9]

Mas uma das mais importantes realizações do Djumbay foi o alcance nacional que conseguiu. Ocupando os espaços de resistência e debate na comunidade negra brasileira, o jornal se expandiu e entrou na CENAB (Central de Notícias Afrobrasileiras) em 1996. Além de veicular, desde 1994, nas bibliotecas estaduais de Pernambuco como material paradidático, ter sido utilizado por escolas municipais de toda a Região Metropolitana e ter levado Vídeo-Debates sobre diversas questões do cotidiano dos negros às comunidades e sindicatos, a equipe do Djumbay participou do “1º Seminário de Planejamento Estratégico da Coordenação Nacional de Entidades Negras” e do “1º Encontro Regional sobre a Realidade da População Negra no Nordeste”, destacando o pioneirismo desses eventos e o comprometimento do jornal não só em informar a comunidade como também em participar ativamente das pautas, o Djumbay merece destaque como um dos jornais negros mais importantes já publicados. [10]

Na primeira edição do jornal, o Djumbay publicou uma matéria de entrevista com José Vicente Lima, ícone da militância negra, mas, já na sua 10ª edição, o jornal teve a infelicidade de divulgar a morte desse militante, algo que, sem dúvidas, marcou a história do editorial. Para comemoração dos 300 anos da morte de Zumbi, o Djumbay publicou um encadernado com as 10 primeiras edições do jornal, a Coletânea Djumbay, que veio à tona para se somar ao acervo de Bibliotecas e Arquivos Públicos, complementando cada edição com apresentação e histórico do jornal. Além disso, o Djumbay tinha apoio da FUNDARPE e todo esse material coletado está atualmente na Casa da Cultura de Pernambuco, também sede do MNU-PE.

No fim, o Djumbay não era apenas um informativo da comunidade negra; ele passou a ser, verdadeiramente, a Organização Pelo Desenvolvimento da Arte e Cultura Negra, trabalhando nos eixos de publicações literárias e fotográficas, pesquisa e documentação, assessoramento organizacional, artes cênicas e realização e participação em eventos diversos relacionados à realidade negra [11]. Junto ao Movimento Negro Unificado no Estado de Pernambuco, foi grande atuante nas esferas de resistência e contribuiu enormemente para a divulgação da luta, da resistência do movimento negro nordestino.


[1] Djumbay, ano II, nº 8, mar/abril/1993, p. 3

[2] Queiroz, M. R. F. 2011. Do Angola ao Djumbay: imprensa negra recifense. Cad. Pesq. Cdhis v. 24 n.2, jul./dez., p. 549

[3] Djumbay, ano II, nº 9, maio/1993, p. 8

[4] Djumbay, ano V, nº 25, 1996, p. 2

[5] Djumbay, ano I, nº 4, jul/ago/1992, p. 4-5

[6] Djumbay, ano I, nº 6, nov/dez/1992, p. 2

[7] Djumbay, ano II, nº 7,  jan/fev/1993, p. 5

[8] Djumbay, ano II, nº 10, jun/jul/1993, p. 2

[9] Djumbay, ano II, nº 9, maio/1993, p. 2

[10] Djumbay, ano IV, nº 23, 1996. p. 2

[11] Djumbay, ano II, nº 12, dez 1993/jan 1994, p. 4

 

Boletim Negração

O Negração é um boletim informativo do Afoxé Alafin Oyó, fundado em 1986 na cidade de Olinda, sendo este o quarto afoxé de Pernambuco. O boletim tinha como objetivo o fortalecimento do movimento negro, além de ser um veículo de denuncia contra o racismo. A primeira edição saiu no ano de 1988, ano de centenário da abolição. O boletim continha oito páginas e tamanho tablóide. Sua direção era composta por três mulheres: Márcia Diniz, Alzenide Simões e Martha Rosa, sendo estas duas últimas militantes do MNU. O boletim era um meio de trazer informações sobre a situação do negro no país, poemas de inspiração da luta negra, dicas de leituras e informações sobre elementos das religiões afro-brasileiras. As matérias eram assinadas pelas pessoas que não faziam parte da diretoria de imprensa, podemos destacar também a participação de pessoas que faziam parte da edição do Omnira, Negritude e do MNU de Pernambuco.

  • Boletim Negração – Primeira Edição

A primeira edição é marcada pela semana da consciência negra, trazendo na capa a imagem de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta e resistência negra no Brasil. Na primeira página, o editorial mostra as dificuldades de circulação, o objetivo do boletim e uma matéria escrita por Manoel Augusto dos Santos, diretor do Afoxé Alafin  Oyó, que denuncia na matéria de título,” O que diz nosso diretor político sobre a constituição”, as falhas que a constituição brasileira tem e os efeitos dessas falhas na população pobre e negra.

Na segunda página, o boletim mostra a matéria principal de título “Renasce Zumbí”, que aborda a história do Quilombo dos Palmares.

O boletim também nessa primeira edição destaca as mulheres na política, com as entrevistadas: Vera Baroni (militante petista) e Lúcia Crispriano (educadora). A página quatro, trás a primeira entrevistada Vera Baroni que foi presidente da Associação Profissional dos Atendentes, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem/ PE e Vice presidente do clube dos previdenciários, além de ser atuante de outros movimentos. Na página seguinte, a segunda entrevistada foi Lúcia Cipriano, presidente do Afoxé Alafin Oyó do ano de 1988.

N°1:

  • Boletim Negração – Segunda Edição

Nesta segunda edição, na página cinco, o destaque vai para o primeiro encontro de mulheres negras, que aconteceu em Valença no Rio de janeiro, entre os dias 2,3 e 4 de janeiro do ano anterior. O encontro contou com mulheres de todo o Brasil destacando as militantes do MNU entre elas Maria do Rosário Trindade dos Santos e Inaldete Pinheiro. O encontro teve como pauta, denunciar as desigualdades, as formas de resolver estas questões e a formas de organização do movimento das mulheres negras.

Nº2:

  • Boletim Negração – Terceira Edição

Essa edição  três do boletim no ano de 1990, vem trazendo na página três uma matéria especial que mostra a origem do nome do afoxé Alafin  Oyó, onde o Alafin seria o chefe político do povo Oyó. Esse grupo em questão fazia parte dos povos Iorubas, que residiam na atual Nigéria.

A página quatro é estampada pela matéria de título “20 de novembro”, dia nacional da consciência negra. Essa matéria mostra entrevistas com pessoas integrantes do afoxé e militantes do MNU, onde elas falam da imagem deixada pelo grande líder do Quilombo dos Palmares.

N°3:

  • Boletim Negração – Quarta Edição

Em seu terceiro ano, o Negração trás na página três, uma matéria que homenageia o militante afro-pernambucano, Francisco Solano Trindade, que também foi homenageado no carnaval pelo Afoxé Alafin  Oyó. O militante é natural do Recife, nasceu em 1908 e atuou com militância entre os anos 20 e 60.

N°4:

Boletim Omnira – Sexta Edição

Em outubro de 1994 foi publicada a sexta edição do boletim Omnira. A matéria de capa em destaque intitulada “Quilombolas hoje!” fala sobre o II Seminário Nacional de Mulheres Negras que aconteceu em setembro de 1994, em Salvador/Bahia. Esse encontro contou com a participação de mulheres de 15 estados e tinha como objetivo elaborar “propostas organizativas de mulheres brasileiras no final do século”, trataram ainda acerca do problema da saúde, sobre políticas públicas, questão de gênero e racismo. Vale mencionar que o Omnira esteve presente nesse seminário. Essa matéria é de autoria de Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo e Cristina Vital do Omnira/MNU.

Neste número o Editorial promove a discussão sobre doenças consideradas étnicas/raciais, como a anemia falciforme e ainda ressalta a participação do Omnira no desenvolvimento de uma pesquisa sobre a saúde da mulher negra.

Esta edição traz ainda uma matéria acerca do turismo em Pernambuco. No período dessa publicação o turismo estava sendo visto como uma grande atividade do estado e tinha se tornado tema de debates e projetos políticos. Entretanto, a matéria chama atenção para outro tipo de turismo – o sexual, e sua relação com o estado de Pernambuco.

Pode-se destacar também a coluna “Mulheres em Movimento” trazendo informações sobre eventos para comunidade.

Outra matéria relevante diz respeito à organização das mulheres negras em Pernambuco com o “Coletivo de Mulheres Negras”, que surge em 1991.  Esse coletivo é criado para ser um espaço político e de articulação, para que as mulheres desenvolvam ações de combate a discriminação de gênero, raça e classe. O coletivo conta com a participação de diversas entidades, incluindo o Omnira. A matéria é assinada por Lucidalva do Centro de Mulheres do Cabo.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia de Benedita da Silva, uma importante política brasileira.

N°06:

Boletim Omnira – Quarta e Quinta Edição

  • Boletim Omnira – Quarta Edição

A quarta edição do boletim Omnira compreende os meses de outubro e novembro de 1993.  A matéria de capa traz informações sobre uma sessão especial que ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e da participação das mulheres negras nessa luta. Várias entidades participaram da homenagem como o Movimento Negro de Pernambuco, que foi representado pelas militantes Cristina Vital e Mônica Oliveira, autora da matéria.

Esse número traz também informações acerca da instituição ETAPAS, que criou a Rede de Jornais em julho de 1992, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de jornais comunitários, como o Omnira, e como é desenvolvido esse trabalho.

A matéria principal se encontra na terceira página e trata a questão do tráfico de mulheres, analisando a exportação da mulher brasileira e a participação de Pernambuco como o estado “campeão” nesse problema, sem deixar de lado a questão do racismo e fato de que as mulheres negras são as mais exportadas e exploradas, em razão dos estereótipos de mulher “sensual” e “quente”.  O texto ainda informa acerca do Comitê Internacional Contra o Tráfico de Mulheres e Turismo Sexual, criado com objetivo de debater esse tema e de denunciar essa situação e representado nacionalmente pela Cristina Rodrigues do Grupo Cultural Olodun. Pode-se destacar ainda a participação do Omnira, que logo de início mobilizou uma palestra sobre a temática na cidade do Recife no mês de outubro de 1993. A matéria é assinada por Cristina Vital.

Na coluna “Mulheres que fazem parte de nossa história” essa edição traz a biografia da Rainha Tereza, “mulher negra que liderou o Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso”.  Por fim, esse número ainda conta com a poesia “Nem tudo está perdido” do poeta negro pernambucano, Solano Trindade.

N°04:

  • Boletim Omnira – Quinta Edição

O boletim do Grupo de Trabalho da Mulher – Omnira, do Movimento Negro Unificado seção Pernambuco, traz em maio de 1994 sua quinta edição.

A matéria de capa é de Adelaide Lima e aborda a realidade da mulher negra no período da escravidão e na década de 1994, quando foi publicado o jornal. O texto ressalta a situação atual das mulheres negras, que trabalham como domésticas, babás e outros empregos onde ainda sofrem abusos e convivem com a dificuldade para se iniciar uma família e para mantê-la. Nesse sentido, o texto afirma que para a sociedade branca “o lugar da mulher negra é de servir em todos os sentidos”. A partir disso Lima defende a união das mulheres, relembrando as mulheres negras do passado e suas lutas.

Nesta edição o Editorial comenta sobre a demora na publicação do Omnira, em razão das muitas atividades do Movimento Negro Unificado e dos poucos militantes. Traz também explicações acerca das discussões feitas nesta edição sobre o dia do trabalho, na perspectiva da Central dos Movimentos Populares e do próprio MNU.

A matéria publicada pela Central dos Movimentos Populares traz a história do dia 1° de Maio. Ressaltando o caráter de luta dessa data e seu momento internacional e no Brasil. O MNU segue outra linha de análise, questionando o dia internacional do trabalhador e afirmando que essa data não contempla os negros e índios trabalhadores do Brasil. O MNU afirma que quando essa data foi estabelecida em 1886 a situação do branco e do negro no Brasil era bem diferente. O primeiro se encontrava assalariado e os segundo – escravo. A partir disso a matéria questiona o que de fato esse dia representa e quem ele representa. Além disso, Cristina Vital, autora do texto, ainda afirma que a “exploração do branco era registrada e a do negro queimada nos arquivos”.

Pode-se destacar a matéria de Maria do Rosário Trindade dos Santos acerca da saúde pública no Brasil. O texto ressalta a privatização da saúde e do desastre da mesma, afirma ainda que o mais prejudicado por essa miséria é o povo negro, especialmente a mulher negra que sofre com diversos problemas, incluindo a questão da esterilização em massa.

N°05:

 

Boletim Omnira – Segunda Edição e Informativo

O segundo número do boletim Omnira compreende os meses de maio e junho de 1993. O principal tema trabalhado é a questão do dia 13 de maio, dessa vez, sobre a perspectiva da mulher negra. A matéria traz um desenho de uma mulher negra acorrentada a uma favela, além de uma discussão que revela as consequências da falsa abolição. O texto é assinado por Abrenide Simões.

O Editorial do boletim pede que as leituras se comuniquem, para contribuir nesse debate e faz uma reflexão sobre os objetivos do Fórum de Mulheres Negras do estado de Pernambuco.

O boletim traz também uma coluna chamada “Mulheres em Movimento” onde são anunciados os eventos e acontecimentos mais importantes para a comunidade.

Essa edição do Omnira promove uma discussão acerca da mortalidade materna, na matéria “As mulheres negras também são “campeãs””. O texto revela as principais causas dessa mortalidade como a falta de assistência médica e os abortos clandestinos. Nesse sentido, Cristina Vital e Vilma de Deus, autoras do texto, afirmam que em razão da condição social da mulher negra, ela é a mais atingida por esses fatores. As autoras ainda destacam uma solução, que seria discutir profundamente essa questão, levando em consideração que “o Brasil é um país dividido por raças”.

O Omnira ainda apresenta em várias edições uma coluna chamada “Mulheres que fizeram parte da nossa história”, nesse número a história relatada é a da Rainha Nzinga. Em outra edição do Omnira, a historiadora e militante, Martha Rosa Figueira Queiroz, fala sobre a importância de se destacar essa figuras do passado. Ela afirma que “é esta realidade de guerreira que nos leva a resgatar as heroínas negras do passado e referendar as do presente. Não como forma de colecionar heroínas negras e datas mortas, que não transformam. A lembrança guerreira das de ontem e a identificação com as de hoje, nos tem levado a continuar na luta pela conquista de nossos direitos de cidadãs comuns e descendentes de uma civilização milenar, possuidora de uma história de risos e lágrimas.” (OMNIRA, nº 4, out/nov/1993)

Vale mencionar que em suas páginas o Omnira destaca uma campanha do MNU chamada “Reaja à Violência Racial”.

N°2:

  • Informativo

Em outubro de 1993, o boletim Omnira traz um informativo para promover uma palestra que iria ocorrer na cidade do Recife com o tema: Exportação de Mulheres. A palestrante era do Coletivo Mulheres Negras da Bahia, Cristina Rodrigues.