SEDEPRON – Notícias

Será disponibilizado nesta postagem o boletim informativo da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras da cidade do Rio de Janeiro, criada em abril de 1991. Este informativo era de responsabilidade da Superintendência de Documentação, Biblioteca e Publicações, contém 4 páginas e tinha uma publicação bimestral. O editor responsável pelo boletim era Abdias do Nascimento, também responsável pela secretária, e seu subsecretário era Joel Rufino dos Santos, duas figuras importantes para o Movimento Negro e a cultura afro-brasileira. Conforme a primeira edição, a secretaria era formada pelo governador do estado, o secretário, presidente e vice-presidente, respectivamente, e mais 11 membros.

Abdias do Nascimento foi um importante militante da história do Movimento Negro no Brasil. Entre suas muitas realizações Abdias fundou entidades como o Teatro Experimental do Negro (TEM), o Museu da Arte Negra (MAN) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Além disso, participou da Frente Negra Brasileira e foi uma figura importante para o surgimento do Movimento Negro Unificado (MNU). Joel Rufino dos Santos foi um professor, historiador e jornalista brasileiro, publicou diversas obras e chegou a ganhar várias vezes o Prêmio Jabuti de Literatura.

  • SEDEPRON Notícias – Ano O, Nº01, Agosto de 1991.

A primeira edição do SEDEPRON Notícias foi publicada em agosto de 1991 com o objetivo de trazer informações sobre as atividades da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras. Em sua primeira página o boletim traz matérias informando sobre a visita de Nelson Mandela, a convite de Abdias do Nascimento, para a realização de uma homenagem para o heroi sul-africano.

Este número apresenta também um texto de título “Secretaria estreita relações com líderes e representantes africanos”. Nesta matéria são divulgadas algumas atividades realizadas pela secretaria, entre elas, uma palestra com a presença do ex-presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, realizada com a participação de Abdias do Nascimento. Outras atividades recebem destaquem como o apoio da entidade a palestras organizadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (IPEAFRO), entre outras.

Ainda na primeira página é comentada a posse de Abdias do Nascimento como Secretário e a importância desta secretaria. De acordo com o boletim,

Pela primeira vez na história brasileira, as populações negras passaram a ter um efetivo instrumento do poder público para a criação das condições de mudanças de suas realidades, permitindo que se possa pensar, como afirmou o secretário em seu discurso, em “um futuro onde a dignidade, a humanidade e a plena cidadania dos afro-brasileiros estejam integralmente respeitados”.

Em seu Editorial o boletim destaca as metas e os projetos da SEDEPRON. Ainda nesta edição recebe destaque uma matéria sobre Nelson Mandela e sobre as mudanças propostas pela secretaria, para a realização de uma mudança na vida da população negra do Rio de Janeiro.

Boletim do Centenário da Abolição e da República

O Boletim do Centenário – da Abolição e da República é uma publicação do ano de 1987 desenvolvida por um conjunto de instituições de pesquisa e ensino da cidade do Rio de Janeiro. Essa comissão interinstitucional foi formada pelo Centro de Estudos Históricos da Fundação Casa de Rui Barbosa para pensar projetos e atividades sobre o centenário da abolição e da República.

O boletim não segue um padrão quanto ao número de páginas, mas afirma em sua primeira edição que teria uma publicação trimestral. Seu conselho editorial era formado por Beatriz Nascimento, Carlos A Rasenbalg e Eduardo Silva. A distribuição do boletim era gratuita e é relevante destacar o apoio da Fundação Ford para o desenvolvimento das edições. O objetivo do boletim, apresentado em sua primeira publicação, é o de propor “Uma discussão ampla, renovadora, e esperamos, fecunda, desses importantes marcos históricos” (BOLETIM DO CENTENÁRIO, 1987, p. 1), além de divulgar as atividades de diversas instituições sobre esse tema.

Serão disponibilizados nessa postagem a primeira, segunda e terceira edição do boletim.

  • Boletim do Centenário – Primeira Edição – Março de 1987.

Em sua primeira edição, lançada em março de 1987, o Boletim do Centenário apresenta sua história e a sua proposta no Editorial, ressaltando os encontros que deram origem a Comissão Interinstitucional. Ainda no Editorial o boletim agradece o apoio financeiro da Fundação Ford e o apoio do Centro de Estudos Afro-Asiáticos do conjunto Universitário Cândido Mendes.

Também na primeira página são apresentados alguns projetos e pesquisas sobre o tema da abolição e da república, entre eles recebe destaque, o projeto do Museu da República e o programa de atividades do Centro de Estudos Afro-Asiáticos, programa que tinha como finalidade aprofundar os conhecimentos sobre o negro e as relações raciais no Brasil.

A segunda página contém uma seção de opinião assinada por Eduardo Silva sobre os arquivos da escravidão. O boletim traz ainda uma entrevista realizada com Gilberto Gil.

Na última página o boletim destaca outros projetos e programas de  instituições, como o Arquivo Nacional e o Instituto Nacional de Folclore.

Nº1:

  • Boletim do Centenário – Segunda Edição – Agosto de 1987.

Esta edição do boletim apresenta oito páginas e foi publicada em agosto de 1987. O Editorial destaca a entrevista com Zezé Motta, além de agradecer as instituições que estão enviando informações sobre seus projetos sobre escravidão e sobre a formação da República.

Esse número continua apresentando programas que trabalham o tema da República e da escravidão. Pode-se destacar os trabalhos do Centro de Estudo Afro-Asiático e da UFRJ. Em sua primeira página o boletim destaca também o entrevistado da próxima edição Martinho da Vila.

Na página seguinte o boletim traz um artigo de Júlio Santana Braga, dessa vez com o tema “Em busca da identidade étnica”. A entrevista de Zezé Motta começa na página três e termina na página sete, ela foi realizada no dia 25 de Maio de 1987.

Outros projetos, eventos e acontecimentos ligados aos temas em destaque no boletim são apresentados na penúltima e última página. É possível destacar as atividades criadas pela Fundação Joaquim Nabuco de Pernambuco, os seminários elaborados pela Comissão de Cultura Afro-Brasileira da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, o projeto “Famílias Negras- Depoimentos Orais” do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, entre outros.

Nº2:

  • Boletim do Centenário – Terceira Edição – Dezembro de 1987.

A terceira edição do Boletim do Centenário foi publicada em dezembro de 1987. O Editorial deste número reforça os objetivos para o surgimento do boletim e traz informações sobre a entrevista de Martinho da Vila e sobre um pronunciamento do Ministro da Cultura sobre as comemorações do centenário.

O boletim segue o mesmo padrão das outras edições, portanto, já em sua primeira página destaca eventos e atividades relacionados a abolição da escravidão, como o Simpósio da Abolição promovido pela UFF, UFRJ e UERJ. O simpósio destaca o tema da “Escravidão e a abolição no Brasil em seu contexto mundial”. A Unicamp também divulga informações sobre suas atividades que seriam realizadas em maio de 1988.

Na segunda página o jornal traz um texto de Ciro F. S. Cardoso, na época professor da UFF, com o título “A abolição da escravidão nas Américas: visão panorâmica”. O autor apresenta uma discussão sobre o tema, analisando o processo de abolição nas Américas, afirmando que este pode ser considerado complexo e diversificado. O texto levanta alguns pontos importantes como a participação da população negra no processo de abolição e defende a ideia de que é um tema que precisa ser trabalhado.

A partir da página três até a página sete o boletim apresenta a entrevista de Martinho da Vila, na seção Memória da Negritude.

No fim da página sete e na página seguinte o jornal destaca outros projetos e programas, como, por exemplo, o do Instituto de Estudos de Religião (ISER) com o programa Religião e Negritude Brasileira, projeto coordenado pela antropóloga Caetana Damasceno.

Nº3:

Jornal Maioria Falante – Nº27

  • Maioria Falante – Vigésima Sétima Edição

O n°27 do jornal Maioria Falante compreende os meses de julho e agosto de 1992 e traz como tema principal o Funk e o Charme, juntamente com o que jornal denomina de “a discriminação do lazer”.

O Editorial traz a proposta de fazer crítica a algumas “lideranças” do Movimento Negro, que não procuram formular projetos em longo prazo voltados para a comunidade afro-brasileira. É discutida, como em outras edições, a falta de participação do Movimento Negro com a base.

Essa edição apresenta um espaço reservado para o debate acerca do balé clássico e como este faz parte da cultura do grupo dominante e acaba não oferecendo oportunidades aos bailarinos negros. Conforme o texto, nessa perspectiva, “a arte se funde com a estética dos povos brancos”.

Também recebe destaque a matéria com o correspondente do Maioria Falante em Nova Iorque – Paulo Afonso Duarte – relatando a sua história e sua relação com o jornal.

No que se refere à matéria principal sobre o Funk e o Charme é mostrado um pouco da realidade de cada ritmo e sua relação com a sociedade brasileira. Sobre o Funk é discutido todo o preconceito e a discriminação sofrida pelo seu público, além da relação com os patrocinadores, com o poder público e, principalmente, com racismo. Assim sobre o Charme os entrevistados falam a respeito da diferença entre os dois movimentos e a forma distinta como eles são tratados pela polícia.

No caderno de educação é preciso comentar sobre as matérias que trazem a questão ambiental em evidência e a relação entre ecologia e escola.

Outro tema trabalhado é o problema de identidade e a forma como é tratado o negro ao longo da história do Brasil, o autor debate ainda o momento de luta em que se encontra a comunidade negra. A matéria que relaciona e discute essas temáticas é de Yedo Ferreira: “Negros: povos invisíveis das Américas”.

Por fim vale ressaltar um pequeno texto que debate, sobretudo o negro e a religião muçulmana, texto de Cláudio de Jesus Nery, membro da articulação nacional de negros muçulmanos.

Nº27:

Jornal Maioria Falante – Nº25 e Edição Extra

  • Maioria Falante –Vigésima Quinta Edição

A vigésima quinta edição compreende os meses de junho e julho de 1991 do ano IV do jornal. Nessa edição são destacadas na capa as principais notícias e matérias, com ênfase nas informações sobre a preparação para o I Enen – I Encontro Nacional de Entidades Negras.

Em uma matéria de Yedo Ferreira sobre o Movimento Negro, o autor critica o formato pedido pelo I Enen, formato em que a maioria das entidades negras não se encontra. Ferreira ainda trata com ironia as pessoas que acreditam que o encontro possa vir a contribuir para a organização do Movimento Negro.

Vale mencionar também a matéria de Pedrina de Deus sobre a Secretaria de Defesa e Promoção do Negro, onde a autora discute se esta secretaria não seria um ato de racismo. De Deus traz para o debate como se comporta a sociedade brasileira frente ao racismo e a dívida do Estado brasileiro com negros.

Na última página do jornal novamente se fala sobre o I Encontro Nacional de Entidades Negras, dessa vez dando destaque aos depoimentos sobre o evento e o que está acontecendo nos bastidores.

Nº25:

  • Maioria Falante – Edição Extra – Janeiro de 1992

Essa edição, que possui apenas quatro páginas, fala sobre a volta do jornal após uma ausência de quase seis meses em razão da recessão econômica. A publicação procura nesse sentido falar com seus leitores e mostrar que o Maioria Falante vai continuar e que conta com o apoio de seus assinantes e de seu público.

Aparece em destaque nessa edição o tema da Imprensa Étnica e a relação entre o Maioria Falante e a educação e como o jornal vem sendo usado como recurso didático em razão da identificação dos leitores com os temas abordados (causa negra, indígena, das mulheres, crianças e adolescentes da periferia).

Edição Extra:

Jornal Maioria Falante

O jornal Maioria Falante – um serviço de combate ao racismo e à discriminação foi fundado na década de 1980 por um grupo de amigos e circulou ininterruptamente de 1987 a 1996. Foi um periódico afro-brasileiro que resistiu a barreira criada aos jornais destinados a comunidade negra, no que se refere à sua circulação durante anos. Sua sede se encontrava no bairro da Lapa na cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com um de seus fundadores, Togo Ioruba, na entrevista dada ao repórter Carlos Alberto Madeiros da Costa, o jornal nasceu graças à experiência de seus participantes com a imprensa negra da época e defendeu, sobretudo, a ideia de suprir a necessidade de uma imprensa que trouxesse o combate ao racismo, mas não só isso, que destacasse, do mesmo modo, a mulher, o indígena, os jovens marginalizados, ou seja, “as ditas minorias”, que são maiorias no país.

O Maioria Falante era distribuído em vários estados do Brasil como: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e nas diversas bancas dos bairros do Rio de Janeiro.  O jornal conta com 16 páginas em cada edição, com exceção de alguns números extras, e é integrante do MEPP – Movimento de Educação Política Popular. Conforme informações da edição extra de 1992 o Maioria pode ser tratado como um jornal voltado também à educação, em razão do número de assinantes que trabalham com o ensino. Nesta mesma edição é revelado que as mulheres representam 45% dos leitores do jornal, os homens 25% e as entidades 30%. Outros dados relacionados aos assinantes mostram, que 60% deles fazem parte da classe média e 50% são universitários (MAIORIA FALANTE, EDIÇÃO EXTRA, p. 3, 1992). Pode-se destacar também, que na década de 1990 o jornal possuía 2.000 assinaturas no Brasil e no exterior.

No que se refere aos fundadores do jornal é importante ressaltar figuras como o jornalista Togo Ioruba, já citado no texto, o poeta e militante Elé Semog, Maria Júlia Feijó Theodoro responsável por questões da parte administrativa do jornal, o professor Carlos Alberto Ivanir dos Santos, entre outros membros.

Serão divulgados no blog os números 10, 25, 27 e uma edição extra.

  • Maioria Falante – Décima edição (Edição especial)

Nessa edição especial, que compreende os meses de novembro e dezembro de 1988, o jornal destaca em sua capa os principais temas que são abordados como a educação, o massacre de menores e sobre o Movimento Negro. É pertinente salientar que na parte inferior da segunda página se encontram as informações técnicas sobre o jornal como o diretor responsável, a lista de colaboradores, coordenadores, editores e o endereço da sede.

Vale destacar algumas matérias desse número como, por exemplo, o texto produzido por Gustavo Muller que traz para os leitores o debate sobre a vida sexual de pessoas com deficiências e como a sociedade as enxerga como se não fossem seres humanos. Além disso, o autor traz uma relação entre esse tema e as questões socioeconômicas e culturais do Brasil. Nessa mesma página se localiza o texto de Almir Pereira Júnior acerca da sociedade brasileira e a sua postura ao ignorar a discussão sobre a sexualidade no país.

Do mesmo modo pode-se ressaltar a matéria de Beth Silva Santos sobre as conquistas com relação aos direitos das mulheres com a Constituição de 1988. O texto mostra alguns dos principais direitos e faz questão de salientar que esta é uma conquista importante, no entanto representa apenas uma etapa. Além disso, o jornal apresenta uma pequena nota sobre o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que ocorreu na primeira semana de 1988, reunindo mulheres negras de todo o país para discutir temas como o mito da democracia racial, a família, o trabalho, a educação, a sexualidade e outros.

Nessa publicação o Maioria Falante debate diversos assuntos relacionados ao Movimento Negro. Primeiramente essa edição cita uma nota sobre o protesto do MN contra um anúncio publicado na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, em 28 de outubro de 1988, da cadeia de magazines “Smuggler”, o anúncio em questão retratava uma mulher negra amordaçada, presa em uma cadeira por várias crianças brancas, tudo feito de “maneira muito natural”. Essa imagem revoltou a comunidade, o MN e algumas entidades. Além de expor o racismo essa propaganda ainda revela a situação em que se encontra a empregada doméstica no Brasil.

Essa edição conta também com outras notas sobre o tema como a história do Movimento Negro paulista na década de 1980 e outra que diz respeito à como os militantes avaliam o Movimento Negro, para alguns o Movimento precisa de “novas táticas para crescer junto dos negros da periferia”, para estes a linguagem do MN é extremamente elitista, textos de Miriam Braz e Carlos Nobre respectivamente.

Nº10:


Referências:

  • Entrevista com Togo Ioruba no canal Cultne – acervo digital de cultura negra, criado no ano de 2010. Disponível em: https://youtu.be/7sUPh4Pgbxw. Acesso: 27/04/2017.

Sim da Vida – Boletim Especial do CEAP

O Sim da Vida é um boletim especial do CEAP- Centro de Articulação de Populações Marginalizadas. De acordo com Éle Semog, diretor e presidente do CEAP, esta edição “constitui-se numa publicação de emergência sobre questões estratégicas”. O Sim da Vida contém 4 páginas e sua sede se encontrava na Rua da Lapa, no Rio de Janeiro.

Segundo sua página oficial, Éle Semog é um poeta e ativo militante do movimento negro. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro e atuou em diversas organizações de combate ao racismo. Pode-se destacar o seu trabalho na fundação do Jornal Maioria Falante e do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP. Hoje é membro do Conselho Executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos, além de Secretário Executivo do CEAP.

Edição Especial do CEAP

Esta edição especial do CEAP, denominada Sim da Vida, foi publicada em setembro de 1990. O tema que provocou essa discussão e a necessidade de uma publicação foi a questão da esterilização, tema muito debatido pelo movimento negro na década de 1980 e 1990.

Na primeira página o jornal destaca o tema em discussão com o depoimento de uma professora negra mãe de quatro filhos, após isto é apresentado um texto de título “Do controle da natalidade ao genocídio do povo negro”. O boletim procura chamar a atenção para quem são essas mulheres esterilizadas, que mulheres procuram esses métodos contraceptivos. No geral, mulheres pobres de áreas socioeconômicas menos desenvolvidas, ou seja, com baixa renda mensal, acesso precário a serviços básicos de saúdes, entre outros problemas. Mulheres que são na maioria negras. Como afirma o texto são “Mulheres que colocaram, sem saber, seu corpo, sua sexualidade e sua própria vida em risco, na tentativa extrema de não terem filhos que não teriam condições socioeconômicas de criar. (…) Todas desconhecendo os reais interesses que estão por trás de tudo isso”.

O jornal quer mostrar com esses dados e afirmações a relação que existe entre a esterilização e o extermínio da população negra. Esse investimento da população rica e branca no controle de natalidade seria uma tentativa de manutenção do mito da democracia racial. Dessa maneira, o jornal apresenta empresas que na época recebiam investimentos e atuavam na área de “planejamento familiar” e fala sobre o projeto de lei do deputado Nelson Seixas, que pretendia tornar lícita a esterilização a partir dos 21 anos.

Ainda sobre este tema, na página seguinte, o boletim traz um texto de Solange Dacache e Thais Corral denominado “Contra a industrialização da vida pela defesa da espécie humana”. O artigo trata sobre a situação da mulher na década de 1990, o perfil das brasileiras esterilizadas, a falta de informação sobre o tema, questões relacionadas a sexualidade, etc.

Por último, é válido destacar o texto escrito por Éle Semog sobre os objetivos desta publicação especial.

Edição Especial:


Referências:

Atualidade Angolana

Atualidade Angolana é um jornal da ANGOP – Agência Angola Press, agência de notícias criada em 1975. O jornal possui 4 páginas e tinha como objetivo informar o mundo com notícias de Angola. Sua sede se encontrava na cidade do Rio de Janeiro. Além de contar com correspondentes em diversas cidades do mundo, como Berlim, Praga, Havana, Moscou, entre outras, o jornal ainda tinha representantes em Portugal e na Grã–Bretanha. O Atualidade Angolana, no Brasil, contava com a edição de Aníbal João de Melo e com a redação de Carlos Augusto de Oliveira Lima e Felisberto Costa Filho, a impressão era pela Editora Lidador Ltda.

  • Atualidade Angolana – Edição 04.

A quarta edição do Atualidade Angolana foi lançada em novembro de 1987. Em seu Editorial o jornal destaca a comemoração de 12 anos da independência de Angola, ressaltando a luta travada durante anos. O texto afirma que, apesar das dificuldades, os angolanos trabalham para que possam ter um futuro diferente. Ainda na primeira página o jornal traz uma notícia com comentários de José Sarney, na época presidente do Brasil, sobre Angola nessa data de comemoração. Para o presidente, Angola seria um “país irmão”.

A matéria, em destaque nessa edição, apresenta a figura do chefe de Estado de Angola e sua visão sobre a situação da África Austral na década de 1980. Para José Eduardo dos Santos, então presidente de Angola, essa região se encontra, nessa década, a beira de uma explosão social, que poderia colocar em perigo a paz mundial. Nesse sentido, o jornal traz os principais fragmentos de uma entrevista onde o presidente aborda outros detalhes dessa região, comenta o problema da dívida externa dos países subdesenvolvidos, além dos “conflitos regionais” e outros temas de suma importância.

Em sua última página o Atualidade Angolana fornece informações sobre alguns temas relacionados à política, entre outras questões.

Nº4:

Informativo Nzinga

Nzinga é um informativo do coletivo de mulheres negras da cidade do Rio de Janeiro. O informativo foi lançado em 1985 com o objetivo de trabalhar questões relacionadas à mulher negra.

O Coletivo Nzinga surgiu em junho de 1983 com o objetivo de lutar contra a discriminação sexual e racial. O primeiro encontro do grupo se realizou na sede da Associação dos Moradores do Morro dos Cabritos, em Copacabana no Rio de Janeiro. A escolha por um coletivo se deu com a finalidade de se tomar todas as decisões, de projetos e atividades, em grupo. Nesse sentindo, a entidade começou com 8 mulheres e ao longo dos anos, como a maioria das entidades negras, passou por muitos problemas e crises (NZINGA, Nº1, p. 2 e 3, 1985).

Conforme sua primeira edição, o informativo pretende ser um “serviço em defesa da mulher negra, na conquista de seus direitos, numa perspectiva democrática e visando a justiça social” (NZINGA, Nº1, p. 2, 1985). É válido ressaltar que o coletivo contou com apoio internacional como é relatado nesta edição. Através do projeto “História Contemporânea das Lutas das Mulheres Negras” o coletivo conseguiu apoio financeiro da Global Ministries The United Methodist Church de Nova York, dessa forma foi possível financiar atividades, campanhas e o informativo do grupo.

As duas edições que serão disponibilizadas nesta postagem apresentam números diferentes de páginas, entre outras mudanças.

  • Nzinga – Primeira Edição – 1985

A primeira edição do informativo contém 4 páginas e tem como principal discussão a apresentação do coletivo, sua história e objetivos.

Nas páginas 2 e 3 o jornal traz avisos sobre o coletivo, seus projetos, suas conquistas. Além de contar a história da Rainha Nzinga da Angola, que é homenageada no nome do informativo. A responsável por esta edição foi Miramar Correia.

Nº1:

  • Nzinga – Terceira Edição – Fevereiro e Março de 1986.

Esta edição possui 8 páginas e destaca logo em sua capa as datas 8 de Março e 21 de Março, Dia da Mulher e Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, respectivamente. A foto de capa é do grupo Aqualtune, que recebe destaque nesta edição.

Nas páginas 2 e 7 são apresentadas diversas notícias e temas sobre a constituinte e sobre a relação da mulher negra e a Constituição. As colunas “Aconteceu… Acontecendo” e “Lendo e aprendendo” trazem informações de eventos, campanhas, além de dicas de livros sobre a constituinte, racismo, a questão do aborto e feminismo.

O informativo traz ainda uma entrevista com as mulheres do grupo Aqualltune, para discutir sobre a questão da mulher negra. Nesta entrevista conta-se a história deste grupo, que surgiu com o objetivo de reunir mulheres que já participaram de outras entidades e que queriam discutir sobre os problemas relacionados a mulher negra. O nome do grupo se refere à Aqualtune, mulher que foi trazida como escrava para Recife e que fugiu para Palmares e, posteriormente, teve uma filha que era a mãe de Zumbi dos Palmares.

As responsáveis por esta edição foram Helena Maria de Souza e Maria Martins Pereira, coma colaboração de Bárbara R. Costa e Cláudia Maria Pinto.

Nº3:

 

Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra

Será disponibilizado nesta postagem a primeira e segunda edição, que se encontra incompleta, do boletim informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra (IENMN). Esse encontro foi realizado na cidade do Rio de Janeiro e tinha como objetivo reunir mulheres negras de todo o Brasil para discutir questões sobre a desigualdade racial e de gênero.

  • Boletim Informativo do I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº1 – Setembro de 1988.

A primeira edição do boletim sobre o I Encontro Nacional da Mulher Negra traz informações sobre o evento e suas propostas. Em sua primeira página o boletim apresenta as informações em destaque nesta edição e convida as mulheres para participarem do evento.

Em seu editorial, na segunda página, o boletim reflete sobre a necessidade da criação deste evento e quais são os objetivos que devem ser alcançados. Através do editorial o boletim procura deixar claro também que ao discutir desigualdade racial e de gênero o Encontro não deseja dividir os movimentos sociais, mas criar “suas próprias referências”. Ainda nesta página é apresentado o expediente, com informações sobre a comissão do boletim, composta por Sandra Helena Torres Bello e Neli Adelaide Gonçalves, e a colaboração de Agnes Rodrigues, Judith Rosário e Maria José Lima.

O boletim traz algumas informações sobre a realização de seminários e reuniões de mulheres negras pelo Brasil. Ainda na segunda página, recebe destaque o seminário “Mulher Negra Cem Anos Depois” que aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia. Este evento foi organizado pela entidade União de Mulheres do Nordeste de Amaralina” e contou com a participação de 700 mulheres.

A terceira página destaca as informações relativas ao Encontro, seus objetivos, sua organização com painéis, debates, oficinas, salas de conversa, etc. A página seguinte contém os detalhes sobre o critério de participação deste I Encontro, com a presença de entidades e a não participação de homens no evento.

Esta edição possui ainda dois encartes com informações sobre o Encontro e os temas que serão debatidos, entre eles, a questão da esterilização de mulheres de baixa renda, visto pelos Movimentos Negros como prática de extermínio da população negra. Pode-se destacar outras informações sobre eventos e reuniões realizadas para definir os detalhes do Encontro, como os estados que irão participar da discussão, a comissão executiva e a coluna “Aconteceu… acontecendo”, com notícias de eventos, festas e concursos.

Nº1:

  • I Encontro Nacional da Mulher Negra – Ano I – Nº2 – Novembro de 1988

Esta edição foi publicada em novembro de 1988 com o objetivo de divulgar notícias acerca do Encontro, que se realizaria na cidade de Valença, no Rio de Janeiro. No Editorial são fornecidas informações como a data do evento, a localização, documentos necessários dos militantes, além de notas sobre como chegar ao local e sobre os ônibus organizados para o evento.

  Na página dois o boletim traz um texto, escrito por Judite do Rosário e Vania Sant Anna, sobre a participação das mulheres no Encontro. Esta página contém ainda informações sobre o Seminário Estadual da Mulher Negra do Rio de Janeiro, que aconteceu em 9 de novembro de 1988. O seminário teve a participação de 90 mulheres e 44 foram escolhidas como delegadas. Foram discutidos vários temas como a mulher negra e a educação, sexualidade, violência contra a mulher, entre outros. É citado também, por Judite do Rosário, o Encontro Estadual no Paraná, realizado na cidade de Curitiba nos dias 6 e 7 de agosto deste mesmo ano.

Por fim, o boletim apresenta uma matéria sobre a situação da comunidade Calunga, que é uma comunidade negra, localizada no estado de Goiás, que estava sofrendo com o processo de construção de uma hidrelétrica na região. Segundo o jornal, “em consequência da política racista e segregacionista que se pratica contra a população negra brasileira há quase 500 anos”. O artigo destaca que várias entidades se uniram na luta contra essa situação. O texto é de Sandra Bello.

Nº2:

 

Jornal AfroReggae Notícias – Trigésima Quinta e Trigésima Sexta Edição

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Quinta Edição

Nesta edição publicada em julho de 1999 o jornal AfroReggae Notícias fala sobre a luta política do povo negro, através da matéria da página quarto sobre Celso Athaíde e o seu projeto com o Partido Popular Poder para a Maioria, para Athaíde essa ideia surgiu pois a “melhor forma de lutar contra a desigualdade era formando o poder”. Ele ressalta ainda a participação do Rapper MV Bill na tentativa de criação do partido.

Ecio Salles traz uma matéria sobre o filme Orfeu do diretor Carlos Diegues, além disso, pontua ainda na coluna “missão do rio” que esse número do ARN foi publicado após o impacto da exibição do filme na favela de Vigário Geral.

N°35:

 

  • AfroReggae Notícias – Trigésima Sexta Edição

Em seu sétimo ano o AfroReggae Notícias lança em março de 2000 sua trigésima sexta edição, com informações sobre a comemoração de sete anos da entidade. O principal tema trabalhado nesse número é o processo de regeneração de um “bandido”, como fica visível em seu Editorial. Nesse sentido o jornal destaca a figura do Escadinha, José Carlos dos Reis Encina, um famoso traficante de drogas brasileiro. A matéria central dessa edição é uma entrevista com esse traficante, um dos fundadores da organização criminosa Falange Vermelha, que posteriormente se tornaria a famosa organização – Comando Vermelho. Nessa entrevista é abordado o desejo de Encina de trocar uma vida de violência pela música, principalmente, o Rap. A matéria é assinada por Tekko Rastafari.

Outra matéria relevante também é assinada por Tekko Rastafari aborda questões referentes ao Hip-Hop e ao Rap carioca e o seu papel na mídia.

Vale ressaltar ainda a matéria da página sete sobre jovens participantes do projeto empreendedores sociais desenvolvido pelo Grupo Cultural AfroReggae em Vigário Geral, Rio de Janeiro. O texto destaca as parcerias para a realização desse projeto e o seu objetivo com a comunidade.

A última página apresenta um texto de Zuenir Ventura, jornalista e escritor brasileiro. Ventura fala sobre sua admiração pelo trabalho feito no jornal e nos outros projetos de grupo, além de contar sobre a sua experiência ao conhecer a comunidade de Vigário Geral em 1993, o que mais tarde lhe rendeu um livro denominado “Cidade Partida”, a partir disso o autor fala sobre a dor presente na população da comunidade nessa época, sobre a importância do trabalho do AfroReggae e como conheceu jovens do grupo e se tornou “leitor assíduo do jornal”.

N°36: